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Davidovich Fokina vence Jódar em Xangai e ganha o 1º Masters 1000

Alejandro Davidovich Fokina comemora de braços abertos o título do Masters 1000 de Xangai 2026

Alejandro Davidovich Fokina passou anos carregando um rótulo incômodo no circuito: o do jogador que chegava às finais e não ganhava. Foram cinco decisões perdidas nas cinco primeiras chances, duas delas com match points desperdiçados. No domingo (18), em Xangai, o espanhol de 27 anos virou uma final que parecia perdida contra o compatriota Rafael Jódar, venceu por 1/6, 7/6 (5) e 6/4 e conquistou o primeiro Masters 1000 da carreira.

O título, o terceiro dele em 2026, fecha uma semana de viradas em série: salvou match point contra Frances Tiafoe, saiu de um set atrás contra Hubert Hurkacz, contra o número 1 do ano Alexander Zverev e, na final, contra Jódar, que chegou a ter um set e uma quebra de vantagem. Do outro lado da rede, o espanhol de 20 anos perdeu o troféu, mas saiu de Xangai dentro da zona de classificação para o ATP Finals de Turim.

Como foi a final em Xangai

O primeiro set foi um atropelo. Jódar, cabeça de chave 12, quebrou o saque de Davidovich Fokina no segundo e no sexto games, não enfrentou nenhum break point e fechou em 6/1. Segundo a ATP, o jovem venceu os sete pontos do set que passaram de nove trocas de bola.

No segundo set, Jódar quebrou de novo e abriu 3/2. Com um set e uma quebra de vantagem, estava a poucos games do segundo título da carreira. Davidovich Fokina devolveu a quebra na sequência, segurou o saque sob pressão em 4/3, 5/4 e 6/5, salvando cinco break points em três games de serviço, e levou o tie-break por 7/5.

O terceiro set começou com quebras trocadas nos dois primeiros games. Davidovich Fokina quebrou outra vez no quinto game, abriu 3/2 e não cedeu mais. Na reta final, Jódar pediu atendimento médico em 4/3 e recebeu massagem na coxa direita; pouco depois, torceu o pé esquerdo ao correr para a rede. O campeão fechou no segundo match point, com um saque que Jódar não conseguiu devolver, depois de 2 horas e 28 minutos.

“Não tenho palavras agora. Estou com a cabeça em branco. Não sei o que dizer e não sei como me sinto. Só um alívio enorme”, disse o campeão na quadra. Sobre o terceiro set, foi direto: “Talvez eu tivesse um pouco mais de físico.”

Davidovich Fokina e Rafael Jódar posam juntos na rede antes da final espanhola do Masters 1000 de Xangai 2026
Davidovich Fokina e Jódar antes da final espanhola em Xangai. Foto: Divulgação/ATP Tour

De cinco finais perdidas a três títulos seguidos

A primeira final de Davidovich Fokina foi justamente num Masters 1000, em Monte Carlo, em 2022, perdida para Stefanos Tsitsipas. Depois vieram quatro derrotas em decisões só em 2025: Delray Beach, onde teve dois match points, Acapulco, Washington, onde desperdiçou três match points contra Alex de Minaur, e Basileia, onde caiu diante de João Fonseca por 6/3 e 6/4 no primeiro título de nível 500 da carreira do brasileiro.

A virada começou em junho. Em Mallorca, na grama, ele bateu o americano Ethan Quinn e enfim levantou o primeiro troféu, na sexta final. “No fim, são experiências de vida. Elas te ensinam a lidar com a próxima vez”, disse à ATP na época. “Acho que agora, depois de todas aquelas finais, aprendi a lidar com isso.”

O segundo título veio depois de mais um obstáculo. Uma lesão na lombar o tirou do circuito depois de Umag, em julho, e ele abriu mão do US Open. Voltou em Chengdu, no fim de setembro, e saiu campeão contra Hubert Hurkacz, no primeiro título dele em quadra dura. Desde a volta, soma 10 vitórias seguidas em solo chinês, e agora tem três vitórias em três finais disputadas em 2026.

Com os 1.000 pontos de Xangai, Davidovich Fokina sobe 13 posições no ranking desta segunda-feira e chega ao 13º lugar, a melhor marca da carreira.

O caminho: quatro viradas e um match point salvo

Cabeça de chave 25, Davidovich Fokina estreou na segunda rodada e construiu a campanha no limite:

  • Segunda rodada: 6/1 e 6/3 em Jenson Brooksby.
  • Terceira rodada: 7/6 (4), 4/6 e 7/6 (6) em Frances Tiafoe, cabeça 7, salvando um match point no tie-break decisivo.
  • Oitavas: 1/6, 6/3 e 7/6 (6) em Hubert Hurkacz, de novo saindo de um set atrás.
  • Quartas: vitória sobre o francês Arthur Géa, que abandonou com lesão quando perdia por 4/1, depois de 22 minutos.
  • Semifinal: 5/7, 6/4 e 6/3 sobre Alexander Zverev, cabeça 1.
  • Final: 1/6, 7/6 (5) e 6/4 sobre Rafael Jódar.

A semifinal foi a vitória mais pesada. Zverev, que já tem garantido o posto de número 1 do fim de 2026, liderava o confronto direto por 6 a 1. Davidovich Fokina acertou 82% de primeiro saque, disparou 36 bolas vencedoras e quebrou logo no início do terceiro set. “Eu sabia que, se ficasse ali o jogo inteiro, teria pelo menos uma chance, e aproveitei no segundo set”, disse. O alemão admitiu o desgaste: “Carreguei um pouco de lesão e cansaço para o torneio, e está tudo bem perder para um jogador assim hoje. Acho que uma pausa é bem necessária agora.”

O título tem peso histórico para o tênis espanhol. Davidovich Fokina é o primeiro espanhol campeão em Xangai, torneio em que Rafael Nadal, David Ferrer e Roberto Bautista Agut perderam finais, e o 16º espanhol diferente a ganhar um Masters 1000. Segundo levantamento do Tennis Majors, ele é só o quarto jogador a conquistar o primeiro Masters 1000 com viradas na semifinal e na final, ao lado de Michael Chang (Toronto 1990), Thomas Johansson (Montreal 1999) e Andrey Rublev (Monte Carlo 2023).

Jódar perde a final, mas fica com a vaga em Turim

A semana também confirmou o tamanho de Rafael Jódar. Nascido em Madri em 2006, ele era o 283º do mundo há um ano e ainda jogava tênis universitário nos Estados Unidos, pela Universidade da Virgínia. Virou profissional para 2026, ganhou o primeiro título em Marrakech, em abril, e foi vice em Washington, em agosto.

Em Xangai, saiu de um set atrás em quatro dos cinco jogos até a final: Thiago Agustín Tirante, Jiri Lehecka, Botic van de Zandschulp e Casper Ruud. Na semifinal, despachou o ex-campeão do torneio Daniil Medvedev por 6/3 e 6/4. Virou o finalista mais jovem da história de Xangai, o primeiro jogador nascido em 2006 a disputar uma final de Masters 1000 e, segundo a ATP, o mais jovem desde Rafael Nadal a somar 20 vitórias em Masters 1000 numa só temporada. Chegou à decisão com 11 horas e 20 minutos de quadra no torneio, contra 8 horas e 28 minutos do adversário.

Rafael Jódar, de 20 anos, bate forehand na final do Masters 1000 de Xangai 2026
Rafael Jódar, de 20 anos, na final de Xangai. Foto: Divulgação/ATP Tour

A campanha não passou sem ruído. Nas oitavas, contra Van de Zandschulp, o espanhol levou advertência por conduta antidesportiva depois de falar de forma ríspida com um boleiro que trazia a toalha. Ele protestou com o árbitro, dizendo que não tinha dito nada de errado. Não houve divulgação de multa.

Depois da final, Jódar foi sóbrio. “Não consegui a vitória hoje, mas continuo feliz com o rumo das coisas para mim. Pequenos detalhes no segundo set ele jogou melhor do que eu. Nos break points, ele jogou melhor”, disse. Com os 650 pontos de vice, sobe ao 11º lugar do ranking, igualando a melhor marca da carreira. Uma vitória teria colocado o jovem no top 10 pela primeira vez.

Como fica a corrida para o ATP Finals

O efeito mais concreto da final está na corrida para Turim. Jódar subiu duas posições e é o nono da Live Race, com 3.159 pontos. Como Jannik Sinner encerrou a temporada por causa do joelho, o nono lugar funciona, na prática, como a última vaga entre os oito classificados. O espanhol tem 279 pontos de vantagem sobre Alex de Minaur, o décimo, e Novak Djokovic aparece logo atrás, em 11º.

No mesmo domingo, a ATP confirmou Ben Shelton em Turim pelo segundo ano seguido. Ele se junta a Zverev e Carlos Alcaraz entre os classificados, e cinco vagas de simples seguem em aberto. Logo acima de Jódar, Flavio Cobolli, Daniil Medvedev, Frances Tiafoe e Arthur Fils estão separados por apenas 215 pontos, o que deixa a briga aberta para a reta final dos torneios indoor na Europa, com o Masters 1000 de Paris como última grande parada. O ATP Finals será disputado de 15 a 22 de novembro.

O que a final de Xangai ensina sobre alta performance

Derrota é evento, não identidade. Durante quatro anos, o espanhol foi descrito como o jogador que não sabia fechar finais. Os cinco vices eram fatos, mas não eram uma sentença. Ele mesmo resumiu a mudança em junho: as finais perdidas viraram experiência para lidar com a próxima. O retrospecto de 0 a 5 em finais virou 3 a 0 em 2026.

Processo mais tempo é igual a resultado. Nenhum dos três títulos de 2026 veio de uma semana inspirada isolada. Veio de um jogador que voltou de uma lesão na lombar, abriu mão de um Grand Slam por causa dela e chegou à reta final da temporada com físico para aguentar três sets duros seguidos. Na final, ele mesmo apontou o físico como diferença no terceiro set.

Ficar no jogo é uma habilidade. Contra Zverev, a estratégia declarada foi simples: aguentar até a chance aparecer. Contra Jódar, a chance só apareceu depois de um 6/1 e de uma quebra contra. Quem desiste mentalmente no placar adverso não está em quadra quando o jogo vira.

Talento abre a porta, o ambiente sustenta. Jódar mostrou que o talento cabe numa final de Masters 1000 aos 20 anos. Davidovich Fokina mostrou que, para atravessar uma carreira de altos e baixos, conta a equipe que segura o atleta nos anos ruins. “Eles me apoiam todos os dias há muitos anos, e este ano foi difícil”, disse o campeão sobre o time. Ninguém chega lá sozinho.

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Diogo Moraes

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