O ponto final da Laver Cup 2026 foi de quem mais precisava dele. Neste domingo (27), na O2 Arena, em Londres, Alexander Zverev venceu o americano Learner Tien por 7/6 (3) e 6/3 e fechou a vitória do Time Europa sobre o Time Mundo por 13 a 5.
Um dia antes, o alemão tinha perdido a simples para Alex de Minaur, e um ano antes tinha sido ele o derrotado no jogo que deu o título ao Mundo em São Francisco. Em Londres, com a taça em jogo, o capitão Yannick Noah o escalou de novo. A Europa recuperou o troféu e chegou ao sexto título em nove edições.
Sexta: Europa abre 3 a 1
A Laver Cup tem uma regra que muda o peso de cada dia: na sexta, cada vitória vale 1 ponto; no sábado, 2; no domingo, 3. Vence quem chegar primeiro a 13, como a Atleta Pro explicou na prévia da Laver Cup 2026.
O primeiro dia foi quase todo europeu. O norueguês Casper Ruud abriu o fim de semana com vitória sobre o argentino Francisco Cerúndolo por 6/7 (4), 6/4 e 10 a 8 no super tie-break. O espanhol Rafael Jódar, único estreante do time de Noah, passou pelo cazaque Alexander Bublik por 6/2 e 6/3.
O único ponto do Mundo veio com Brandon Nakashima, que entrou no time no lugar de Ben Shelton e derrotou o tcheco Jakub Mensik por 6/1, 3/6 e 10 a 7. À noite, Carlos Alcaraz e Mensik venceram Bublik e Taylor Fritz nas duplas por 6/4 e 6/4. A Europa foi dormir com 3 a 1.
Sábado: o Mundo vira e Alcaraz salva dois match points
O sábado começou do jeito que o Time Mundo queria. Learner Tien, também estreante, venceu o italiano Flavio Cobolli por 6/3, 2/6 e 10 a 7. Em seguida, De Minaur derrotou Zverev por 2/6, 7/6 (5) e 11 a 9. Com as duas vitórias valendo 2 pontos cada, o Mundo passou à frente: 5 a 3.
O jogo da noite entre Alcaraz e Fritz tinha uma conta pendente. Em 2025, o americano venceu o espanhol em São Francisco, numa partida que ajudou o Mundo a levantar o título. Em Londres, Alcaraz fez 6/3, Fritz devolveu 6/4, e a decisão foi para o super tie-break.
Fritz teve dois match points, com 10 a 9 e 11 a 10. Alcaraz salvou os dois e fechou em 13 a 11, no terceiro match point dele, com uma curtinha. A partida durou 1 hora e 50 minutos e empatou o placar em 5 a 5.
“Eu estava pensando um pouco no ano passado. Tentei não deixar aquilo acontecer de novo”, disse Alcaraz ao site oficial do torneio. Sobre a curtinha do último ponto, resumiu: “Treino esse golpe desde criança. Faz parte do meu jogo”.
Fritz reconheceu que não tinha muito mais a tirar do fundo de quadra. “Não dá para pedir mais de mim no fundo para acompanhar ele. Talvez eu só precisasse sacar um pouco melhor”, avaliou.
Foi a quinta das seis simples dos dois primeiros dias decidida no super tie-break de 10 pontos. A última partida do sábado, nas duplas, recolocou a Europa na frente: Ruud e Zverev venceram Bublik e Nakashima por 6/4 e 7/6 (7). Placar de 7 a 5 para o domingo.

Domingo: Cobolli e Mensik abrem, Zverev fecha
No domingo, cada vitória valia 3 pontos, e a Europa precisava de duas. A primeira veio nas duplas: Cobolli e Mensik venceram De Minaur e Fritz por 7/5 e 6/3 e levaram o placar a 10 a 5.
A dupla tinha uma história particular. Mensik havia perdido a simples da sexta, e Cobolli, a do sábado. Juntos, entregaram a vitória que deixou a Europa a um jogo do título.
Esse jogo foi Zverev contra Tien. O alemão ganhou o primeiro set no tie-break, por 7 a 3, e fechou o segundo por 6/3. Com os 13 pontos, as duas simples restantes, Alcaraz contra De Minaur e Jódar contra Fritz, não foram disputadas.
Zverev e o quarto ponto de título
Foi a quarta vez que Zverev marcou o ponto que decidiu uma Laver Cup. As outras foram em Chicago, em 2018, em Genebra, em 2019, e em Boston, em 2021. Segundo a organização, o alemão soma agora seis títulos em sete participações pelo Time Europa e é o maior pontuador da história da competição, com 26 pontos.
A temporada dele já era histórica antes de Londres. Em junho, Zverev venceu Roland Garros, o primeiro Grand Slam da carreira, justamente sobre Cobolli, o parceiro de time que abriu o domingo para ele. Chegou ainda à final de Wimbledon e, em setembro, foi campeão do US Open contra Ben Shelton. Chegou a Londres como número 2 do mundo.
Na Laver Cup, porém, o momento era outro. “Senti um pouco de pressão hoje”, admitiu depois da vitória. “Fico extremamente feliz que o Yannick e o resto do time ainda tiveram confiança em mim para fechar e jogar no último dia.”
Zverev também falou sobre a diferença de jogar em equipe num esporte individual: “Vencer em equipe, não existe sensação melhor no esporte. A gente não tem o bastante disso no tênis”.

Noah ganha a revanche contra Agassi
O título também foi o primeiro de Yannick Noah como capitão. O francês e Andre Agassi estrearam na função em 2025, no lugar de Björn Borg e John McEnroe, e o primeiro duelo tinha sido do americano, por 15 a 9 em São Francisco.
“Este ano, não posso mentir, senti um pouco de pressão. Este evento significa muito”, disse Noah. O capitão, campeão de Roland Garros em 1983, contou que mal conhecia os jogadores quando assumiu. “Eu não conhecia esses caras no ano passado. Poder sentar com eles foi uma experiência muito importante, muito forte, porque eu amo o jogo.”
Alcaraz, que somou duas vitórias no fim de semana, destacou o papel do banco: “Eu estava adorando a sensação de apoiar esses caras quando eles estavam jogando. É um formato único e especial”.
O Mundo esteve perto
O placar final de 13 a 5 esconde o quanto o fim de semana foi apertado. O Mundo liderou no meio do sábado, e as três derrotas europeias nas simples dos dois primeiros dias foram decididas no super tie-break.
“Um par de pontos aqui e ali poderia ter mudado todo o confronto”, disse De Minaur, autor de dois dos cinco pontos do Mundo. Tien, estreante, marcou outros dois, e Nakashima, o quinto.
Fritz foi o mais duro consigo mesmo. “Contribuí com zero pontos. Fiz um bom jogo ontem, mas no fim ainda perdi, e é só isso que importa”, disse o americano, que perdeu as três partidas que disputou.
Agassi preferiu olhar para a entrega do time. “Eles mostraram mais coração do que às vezes vejo em outros ambientes reais, com coisas em jogo”, afirmou o capitão.

Europa 6 x 3 no histórico, e a próxima é em Los Angeles
Com a vitória em Londres, a Europa amplia a vantagem no confronto para 6 a 3. O time europeu venceu as quatro primeiras edições (Praga, Chicago, Genebra e Boston), perdeu em Londres, em 2022, e em Vancouver, em 2023, ganhou em Berlim, em 2024, e perdeu de novo em São Francisco, no ano passado.
O torneio foi criado em 2017 por Roger Federer e pelo empresário dele, Tony Godsick, e tem como sócios a Tennis Australia, a USTA e o brasileiro Jorge Paulo Lemann, como mostra o guia sobre quem é o dono da Laver Cup e quanto ela fatura.
Cada um dos seis jogadores do time campeão recebe US$ 250 mil de premiação. A Laver Cup é evento oficial da ATP, mas não distribui pontos para o ranking. A 10ª edição será em Los Angeles, em 2027.
O que a Laver Cup ensina sobre alta performance
A escolha de Noah para o último jogo diz muito sobre como times vencedores tratam a derrota. Zverev tinha perdido para De Minaur menos de 24 horas antes. O capitão não leu aquela partida como sinal de que o alemão não aguentaria a pressão. Leu como um jogo perdido no super tie-break, que não apagava uma temporada com dois Grand Slams.
Alcaraz fez um caminho parecido com a derrota de 2025 para Fritz. Ele mesmo admitiu que pensou no ano anterior durante a partida. A diferença é o que fez com a lembrança: em vez de travar, usou o jogo de São Francisco como referência do que não queria repetir.
A lição vale para qualquer atleta, do profissional ao amador. Derrota é um evento, não uma identidade, e o significado que o atleta dá a ela decide o próximo ciclo. E ter um ambiente que sustenta a confiança quando o resultado falha, como o banco europeu fez com Zverev, encurta o caminho de volta.
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