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Djokovic e Sabalenka jogam juntos no US Open por US$ 1 milhão

Em janeiro, numa entrevista coletiva na Austrália, Aryna Sabalenka foi perguntada se voltaria a jogar ao lado de Novak Djokovic. A resposta veio com sorriso e provocação: “Talvez no US Open este ano.” E emendou que continuava esperando “aquela mensagem longa dele, dizendo que gostaria de jogar comigo, que sou a parceira dos sonhos dele”.

A mensagem chegou. No dia 27 de julho, o US Open divulgou a lista inicial de inscritos do seu torneio de duplas mistas e o primeiro nome da relação era o da parceria entre a número 1 do mundo e o maior vencedor de Grand Slams da história. Sabalenka e Djokovic vão dividir a mesma quadra em Nova York nos dias 25 e 26 de agosto, cinco dias antes de a chave principal de simples começar.

Aryna Sabalenka rindo durante treino no US Open
Aryna Sabalenka, número 1 do mundo e bicampeã defensora do US Open. Foto: Ocoudis / Wikimedia Commons (CC0)

De brincadeira de treino a inscrição oficial

Os dois já jogaram juntos uma vez, e não valia nada. Foi numa partida beneficente na Rod Laver Arena, às vésperas do Australian Open de 2024, com os então campeões defensores do torneio dividindo o mesmo lado da rede. De lá para cá, a relação virou piada recorrente do circuito.

Em Roland Garros, os dois passaram uma quinzena imitando e tentando superar a dança de comemoração um do outro. Em Wimbledon, foram flagrados em quadras de treino brincando de acertar alvos no fundo de quadra, rindo entre um golpe e outro. O que era assunto de bastidor virou inscrição formal na primeira lista divulgada pela USTA.

O currículo combinado explica por que a dupla abre a lista. Sabalenka, de 28 anos, é a número 1 do mundo e bicampeã defensora do US Open, com títulos em 2024 e 2025 no complexo de Flushing Meadows. Em 2026 já levantou três troféus, em Brisbane, Indian Wells e Miami, e completou o Sunshine Double. Djokovic, aos 39 anos, é o quinto colocado do ranking da ATP, dono de 24 títulos de Grand Slam e do ouro olímpico de Paris 2024. É também um dos atletas mais bem pagos do tênis, com cerca de US$ 25 milhões por ano só em contratos de patrocínio.

Dois dias, quatro partidas e US$ 1 milhão

O torneio de duplas mistas do US Open não se parece com nenhum outro evento de Grand Slam. Ele acontece na semana do qualifying, antes de a chave de simples começar, e cabe inteiro em dois dias.

A primeira rodada e as quartas de final ficam no dia 25 de agosto. As semifinais e a final acontecem no dia 26, com início previsto para as 19h no horário local. Os jogos se dividem entre o Arthur Ashe Stadium e o Louis Armstrong Stadium, as duas maiores quadras do complexo. Quem vencer terá conquistado quatro partidas em 48 horas.

O placar também é diferente. Até as semifinais, os jogos são melhor de três sets curtos, de quatro games, com tie-break em 4 a 4, e um match tie-break de dez pontos substitui o terceiro set. Só a final volta ao formato tradicional, com sets de seis games e match tie-break se necessário.

Arthur Ashe Stadium, principal quadra do US Open, em Nova York
O Arthur Ashe Stadium divide os jogos das duplas mistas com o Louis Armstrong. Foto: Ajay Suresh / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A chave tem 16 duplas, distribuídas em três trilhos. Seis entram direto pelo melhor ranking combinado de simples, com o prazo de inscrição fechando em 17 de agosto. Oito recebem convite da USTA. As duas últimas vagas saem de um qualifying de oito equipes, novidade de 2026, disputado em 24 de agosto. Aos campeões, US$ 1 milhão. Em 2025, a premiação total do evento foi de US$ 2,36 milhões.

Sabalenka e Djokovic não precisam de convite. Pela soma dos rankings de simples, a dupla entra direto.

As 16 duplas da lista inicial

A relação divulgada pela organização, ordenada pelo ranking combinado de simples:

#DuplaPaíses
1Aryna Sabalenka e Novak DjokovicBielorrússia / Sérvia
2Elena Rybakina e Taylor FritzCazaquistão / EUA
3Mirra Andreeva e Andrey RublevRússia
4Iga Swiatek e Casper RuudPolônia / Noruega
5Belinda Bencic e Flavio CobolliSuíça / Itália
6Diana Shnaider e Daniil MedvedevRússia
7Amanda Anisimova e Learner TienEUA
8Alexandra Eala e Felix Auger-AliassimeFilipinas / Canadá
9Leylah Fernandez e Frances TiafoeCanadá / EUA
10Taylor Townsend e Alexander ZverevEUA / Alemanha
11Elena-Gabriela Ruse e Nuno BorgesRomênia / Portugal
12Jessica Pegula e Jack DraperEUA / Reino Unido
13Naomi Osaka e Kei NishikoriJapão
14Sara Errani e Andrea VavassoriItália
15Katerina Siniakova e Henry PattenRep. Tcheca / Reino Unido
16Peyton Stearns e Preston StearnsEUA

Swiatek e Ruud, vice-campeões de 2025, repetem a parceria. Peyton e Preston Stearns formam a única dupla de irmãos da lista.

“Sempre que você consegue colocar mulheres e homens no mesmo time, você mostra o tênis no seu melhor”, disse Craig Tiley, presidente-executivo da USTA. Sul-africano, Tiley comandou a Tennis Australia por 13 anos e foi diretor do Australian Open desde 2006, antes de assumir o cargo em Nova York em fevereiro deste ano.

Os campeões que criticaram o torneio e venceram assim mesmo

A décima quarta dupla da lista carrega a história mais incômoda do evento. Sara Errani e Andrea Vavassori são especialistas em duplas e os atuais campeões, e foram também os críticos mais duros do formato.

Em fevereiro de 2025, quando a mudança foi anunciada, os dois publicaram uma carta conjunta chamando a reformulação de “profunda injustiça com os jogadores da categoria”. Escreveram que o torneio havia sido “completamente virado de cabeça para baixo, cancelado e substituído por uma pseudo exibição focada apenas em entretenimento e espetáculo”, e que “tomar decisões seguindo apenas a lógica do lucro é profundamente errado em algumas situações”.

O argumento tinha base técnica. A chave caiu de 32 para 16 duplas e o critério de entrada passou a ser o ranking de simples, não o de duplas. Na prática, os jogadores que constroem carreira inteira na especialidade perderam o acesso a um Grand Slam para atletas que jogam duplas mistas uma vez por ano.

O desfecho foi um daqueles que o esporte escreve sozinho. Errani e Vavassori entraram como a única dupla de especialistas da chave de 2025, atravessaram o campo de estrelas e bateram Swiatek e Ruud na final por 6 a 3, 5 a 7 e 10 a 6 no match tie-break, em 20 de agosto. Foi o terceiro título de Grand Slam em duplas mistas do casal italiano, somando o US Open de 2024 e Roland Garros de 2025.

Na cerimônia de premiação, Vavassori não deixou passar. “Esse é para todos os duplistas que não puderam jogar o torneio”, disse. O qualifying de oito equipes criado para 2026 é a primeira resposta concreta da organização a essa crítica: ele reabre uma porta, ainda que estreita, para quem não vive do ranking de simples.

Quem ficou de fora, e quem ainda pode entrar

O elenco masculino de 2026 é menos estrelado que o de 2025. Jannik Sinner, número 1 do mundo, não aparece na lista inicial. Coco Gauff também não.

Carlos Alcaraz é a ausência mais sentida. O espanhol está inscrito na chave de simples, mas não nas duplas mistas. Ele não joga desde 14 de abril, quando machucou o punho direito na estreia do ATP 500 de Barcelona e foi diagnosticado com tenossinovite. A lesão custou Madri, Roma, Roland Garros, Queen’s e Wimbledon. Havia especulação de que ele formaria dupla com Serena Williams, que voltou a competir em 2026 e machucou o joelho na primeira rodada de Wimbledon, mas nenhum dos dois consta da relação.

Nada disso é definitivo. Oito das 16 vagas ainda serão distribuídas por convite da USTA, e o prazo de inscrição só fecha em 17 de agosto. A lista de agora é a foto de um filme que ainda está rodando.

Entre os brasileiros, não há representante na chave de duplas mistas. João Fonseca segue concentrado na simples, onde luta para manter a condição de cabeça de chave no Grand Slam americano.

Onde assistir no Brasil

No ano passado, as duplas mistas foram exibidas pela ESPN 3 e pelo SporTV 3, com transmissão a partir das 12h no horário de Brasília, enquanto o Disney+ manteve 100% dos jogos disponíveis, com todas as quadras do complexo ao vivo. A expectativa é de que o modelo se repita em 2026.

O US Open propriamente dito vai de 30 de agosto a 13 de setembro, com as finais de simples nos dias 12 e 13. A cobertura no Brasil fica dividida entre ESPN, Disney+ e SporTV, e os detalhes de canais e horários estão no guia de onde assistir o US Open 2026 ao vivo. Vale lembrar que o mapa da transmissão do tênis feminino muda em 2027, quando a CazéTV assume os direitos da WTA e leva o circuito para o YouTube.

O que a dupla ensina sobre alta performance

Vista de longe, a inscrição parece só marketing. Vista de perto, é calendário.

Djokovic chega a agosto sem nenhum título em 2026. Foi vice do Australian Open, caiu na terceira rodada de Roland Garros e parou na semifinal de Wimbledon. Aos 39 anos, o problema dele não é nível técnico, é volume de competição: ele jogou pouquíssimos torneios na temporada. Dois dias de jogos rápidos no Arthur Ashe, contra adversários de elite e sem desgaste de cinco sets, entregam exatamente o que falta na preparação de um jogador que dosa cada partida.

Para Sabalenka, a conta é de ambientação. Ela vai defender dois títulos consecutivos na mesma quadra em que estará jogando cinco dias antes, com a bola, a luz e o ritmo do estádio já calibrados.

É a diferença entre encarar o calendário como obrigação e usá-lo como ferramenta. Atleta de alto nível não escolhe torneio só por prêmio ou por pontos: escolhe pelo que aquele torneio prepara. Um evento de exibição para o público pode ser, para quem está dentro, a última peça do plano de pico de forma.

Perguntas frequentes

Quando é o torneio de duplas mistas do US Open 2026?

Nos dias 25 e 26 de agosto, no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Nova York. O qualifying, com oito equipes, acontece em 24 de agosto.

Djokovic e Sabalenka já estão confirmados?

Eles estão inscritos na lista inicial. Como as seis primeiras vagas são definidas pelo ranking combinado de simples, e Sabalenka é a número 1 do mundo e Djokovic o quinto colocado, a entrada direta é praticamente certa. O prazo de inscrição fecha em 17 de agosto.

Quanto ganha a dupla campeã?

US$ 1 milhão. Em 2025, a premiação total do evento foi de US$ 2,36 milhões.

Quem são os atuais campeões das duplas mistas do US Open?

Os italianos Sara Errani e Andrea Vavassori, campeões em 2024 e 2025. Eles estão inscritos de novo em 2026.

Onde assistir às duplas mistas do US Open no Brasil?

Em 2025 o torneio passou na ESPN 3, no SporTV 3 e no Disney+, que exibiu todos os jogos. A chave de simples do US Open 2026 vai de 30 de agosto a 13 de setembro, com transmissão de ESPN, Disney+ e SporTV.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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