Maracanãzinho lotado. Domingo, 13 de setembro. A bola sai, parece perdida, e Gabi Guimarães vai lá com O PÉ e devolve pro jogo. Minutos depois: ace decisivo, no segundo set, na cara da Argentina. Final? 3 sets a 0. Parciais: 26/24, 25/19, 25/16. Resultado: 24º título sul-americano da história do Brasil, vaga CARIMBADA e INVICTA pra Los Angeles 2028. E a maior pontuadora da partida foi ela. 13 acertos.
Agora segura essa: poucos meses antes, Gabi estava de fora de quadra. Lesão na lombar, treino da seleção, fase inicial da Liga das Nações, em Brasília. Perdeu a etapa final da VNL em Macau. Podia ter forçado a volta. Não forçou. Sentou com a comissão técnica da seleção e do Conegliano, montou um plano de recuperação em Saquarema, e voltou na hora certa, pro jogo certo. “Foi um período intenso, infelizmente não participei da VNL”, ela disse. E completou, olhando pra frente: “Está todo mundo bem focado.” Isso aí é cabeça de campeã antes de ser corpo de campeã.
1. EXCELÊNCIA NÃO É SÓ NO DIA DO JOGO
Esquece o mito de que alto rendimento é só brilhar debaixo do holofote. Pra Gabi, excelência se mede em como você termina O DIA: treino cumprido com propósito, corpo cuidado, recuperação respeitada, cabeça presente em cada detalhe. É treino invisível que ninguém filma. É esse acúmulo silencioso que colocou uma atleta lesionada em julho como a melhor pontuadora do Brasil em setembro.

2. LEITURA DE JOGO: A VISUALIZAÇÃO QUE VIRA INSTINTO
Perguntaram pra Gabi qual foi a habilidade mais difícil de dominar na carreira. Ataque? Saque? Não. Leitura de jogo. Anos de partida, estudo de adversário, repetição sem fim, até o padrão do rival virar algo que você enxerga antes de acontecer. Aquele ace decisivo na final? Não foi sorte. Foi um cérebro que já rodou aquela jogada mil vezes na cabeça antes de rodar ela em quadra.
3. DESCANSAR SEM CULPA É ESTRATÉGIA, NÃO PREGUIÇA
Aqui é onde muita gente erra: acha que descanso é intervalo. Pra Gabi, é parte do treino. Desconectar, rir, estar perto de quem ama, deixar a mente respirar SEM CULPA, porque pra manter o nível lá em cima, é preciso recarregar. Numa temporada que cobra o ano inteiro, essa permissão consciente pro descanso é o que separa quem aguenta o tranco de quem quebra no meio do caminho.

4. DERROTA DÓI, MAS NÃO DEFINE
Depois de um vice na Liga das Nações, Gabi soltou a frase que resume a mentalidade de quem já é capitã há tempo: “Detesto perder, mas isso não me faz desvalorizar o trabalho.” Simples assim. Frustra? Frustra. Mas frustração não é licença pra jogar fora meses de trabalho bem feito. Separar resultado de processo: essa é a diferença entre atleta que aguenta pressão e atleta que desmorona nela.
A ORIGEM DA GUERREIRA
Antes do vôlei, era natação, era tênis, era futebol: criança testando tudo até achar o esporte certo. Achou. E construiu carreira: Mackenzie Esporte Clube, Sesc RJ, Minas Tênis Clube, Vakifbank na Turquia, e hoje veste a camisa do Conegliano, um dos gigantes da Itália. No currículo? Prata olímpica em Tóquio 2020. SEIS títulos de Superliga. Liga dos Campeões da Europa. Mundial de Clubes. E agora, aos 32 anos, com 15 de carreira, comanda a Seleção Brasileira como capitã. Enquanto se recuperava, foi ela quem tranquilizou o país: “Passando para dizer que estou bem.”

O QUE VEM POR AÍ
Vaga garantida com antecedência, Gabi resumiu o momento numa frase só: “A gente tem dois anos de tranquilidade para conseguir trabalhar.” Só que cuidado: tranquilidade não pode virar acomodação. O próximo desafio mental do Brasil não é sobre eliminação iminente, é sobre manter o padrão de exigência quando ninguém está cobrando de fora. Pelo histórico dela em 2026, tudo indica que ela sabe segurar essa régua.
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Perguntas frequentes
Qual foi o placar da final do Sul-Americano de vôlei feminino de 2026?
O Brasil venceu a Argentina por 3 sets a 0, com parciais de 26/24, 25/19 e 25/16, no domingo, 13 de setembro, no Maracanãzinho. Foi o 24º título sul-americano da história do Brasil.
O Brasil está classificado para Los Angeles 2028 no vôlei feminino?
Sim. Com o título do Sul-Americano, conquistado de forma invicta, a seleção feminina garantiu a vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 com antecedência.
Quantos pontos Gabi Guimarães fez na final contra a Argentina?
Gabi fez 13 pontos e foi a maior pontuadora da partida. Um deles foi um ace decisivo no segundo set.
Qual foi a lesão de Gabi Guimarães em 2026?
Uma lesão na lombar, sofrida num treino da seleção em Brasília, na fase inicial da Liga das Nações. Ela perdeu a etapa final da VNL, em Macau, e fez a recuperação em Saquarema, com um plano montado com as comissões técnicas da seleção e do Conegliano.
Em quais clubes Gabi Guimarães jogou?
Mackenzie Esporte Clube, Sesc RJ, Minas Tênis Clube e Vakifbank, na Turquia. Hoje ela defende o Conegliano, da Itália.
Quais são os principais títulos de Gabi Guimarães?
Prata olímpica em Tóquio 2020, seis títulos de Superliga, a Liga dos Campeões da Europa e o Mundial de Clubes. Ela é a capitã da seleção brasileira.
Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.
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