Marc Márquez saiu da Malásia a um fim de semana de poder fechar a temporada. Neste domingo (1º), o piloto da Ducati dominou as 20 voltas do GP em Sepang, cruzou a linha 4s172 à frente de Pedro Acosta e chegou à 80ª vitória na classe rainha, a sétima em 2026.
O resultado leva o espanhol a 399 pontos, 44 a mais que Jorge Martín, ausente por causa do punho fraturado, e 67 acima de Marco Bezzecchi. Pela primeira vez no ano, Márquez chega a uma etapa com chance matemática de ser campeão. O título ainda não está decidido, e a etapa seguinte, no Catar, virou o centro de uma crise: a Yamaha anunciou, depois da corrida, que não vai a Lusail.
A briga entre os irmãos Márquez durou até a curva 4
Álex Márquez largou na pole, mas foi Marc, segundo no grid, quem chegou na frente à primeira curva. O piloto da Gresini devolveu a ultrapassagem na freada da curva 4, passou do ponto e abriu a porta para o irmão retomar a liderança. Foi a última vez que alguém esteve à frente do número 93 no domingo.
A prova foi disputada com 36°C no ar e 55°C no asfalto, de acordo com a página oficial de resultados da MotoGP, e o desgaste dos pneus ditou o ritmo das primeiras voltas. Com Álex segurando Acosta logo atrás, Marc ganhou espaço. Tinha 1s1 de vantagem na volta 9 e 1s5 na volta 10, segundo o relato da MotoGP.
Na sprint de sábado, que terminou com vitória de Acosta sob chuva, Márquez havia aceitado o segundo lugar para não correr riscos. No domingo, com pista seca, o plano foi outro. “Neste fim de semana eu ataquei desde a primeira volta do TL1, dei tudo, e essa foi a chave”, disse ao programa After the Flag, da MotoGP, em declaração reproduzida pelo Crash.net.

Acosta levou dez voltas para passar Álex, e já era tarde
Acosta foi o mais rápido no início. Marcou 1min59s261 na segunda volta, o melhor tempo de toda a corrida, e encostou nos irmãos. Mas Álex, mesmo com o ombro direito machucado, freava bem o bastante para segurar a KTM. A ultrapassagem só veio na volta 10, na curva 9.
Em vez de encolher, a diferença aumentou. Márquez passou de 2s pela primeira vez logo depois da troca de posições. Acosta ainda tirou quatro décimos na volta 14, mas o líder respondeu na passagem seguinte. A cinco voltas do fim, eram 2s9, e a vantagem ainda passaria de 4s.
“Tentei o meu máximo”, resumiu Acosta. “Esse resultado na Malásia é fantástico para a KTM.” O espanhol, que será companheiro de Márquez na Ducati em 2027, repetiu o segundo lugar de 2025 em Sepang e fechou um fim de semana com vitória na sprint e pódio no GP.
Álex terminou em terceiro, a 5s955. “Foi difícil, com muito calor”, afirmou. Ele não vai correr no Catar: confirmou que será operado em Madri nesta segunda-feira (2), para retirar uma placa da clavícula e tratar a inflamação no ombro, sequelas do acidente no GP da Catalunha. A expectativa é voltar em Portimão.
Bezzecchi perdeu pontos para a própria Aprilia e para o erro final
A corrida custou caro ao terceiro colocado do campeonato. Sem Martín na pista, Bezzecchi tinha a chance de encurtar a distância, mas passou a segunda metade da prova brigando com outra Aprilia, a de Ai Ogura, da Trackhouse. Os dois se tocaram com força no início da volta 18, e o japonês perdeu parte da aerodinâmica da moto antes de assumir o quarto lugar.
Na última volta, Bezzecchi errou na curva 14, saiu da pista e ainda perdeu o quinto lugar para Enea Bastianini. Terminou em sexto, a 11s259 do vencedor. Depois da sprint, ele estava a 52 pontos do líder. Agora, são 67.
O top 10 foi completado por Luca Marini, que saiu de 13º para sétimo na Honda, Fabio Di Giannantonio, 0s066 atrás dele, Brad Binder e Franco Morbidelli. Francesco Bagnaia, companheiro de Márquez, largou em décimo e terminou em 13º, a 32s960.
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O que Márquez precisa para ser campeão no Catar
Restam três etapas, Catar, Portugal e Valência, e 111 pontos em jogo. Depois de Lusail, sobrariam 74. A conta oficial é simples: Márquez será campeão no Catar se fizer 30 pontos a mais que Martín e oito a mais que Bezzecchi no fim de semana.
A diferença de pontos pedida para cada rival não é igual por causa do critério de desempate, o número de vitórias em GPs, como explica o Crash.net. Márquez tem sete, Martín tem uma e Bezzecchi, cinco. Contra Martín, bastam 74 pontos de vantagem. Contra Bezzecchi, são 75, a menos que Márquez vença no Catar.
Na prática, Martín é quem pode adiar a decisão, mesmo lesionado. Se Márquez vencer a sprint e o GP, o que rende 37 pontos, ao piloto da Aprilia bastam oito pontos em Lusail para levar a disputa a Portimão, segundo o Motorsport.com. O problema é a condição física: liberado para treinar em Sepang, ele desistiu antes da classificação. A expectativa é que viaje a Doha, mas sua presença na pista segue incerta. “Talvez eu consiga vencer o campeonato, mas, para mim, já está perdido”, disse Martín depois de desistir da etapa, em declaração publicada pelo Motorsport.
Depois do GP da Itália, em maio, Márquez estava 102 pontos atrás de Bezzecchi. Desde então, segundo o Motorsport.com, foram 12 GPs, sete vitórias e cinco fins de semana perfeitos. Se o título vier, será o oitavo na MotoGP e o décimo contando todas as categorias.
Diogo Moreira caiu quando estava em décimo
Depois do oitavo lugar na sprint, o domingo do brasileiro terminou sem pontos. Moreira largou em 14º, ganhou posições logo no início e duelou com Morbidelli por várias voltas. Na nona, um erro de Joan Mir colocou o piloto da LCR Honda em décimo, cerca de 2s atrás de Di Giannantonio, segundo o Grande Prêmio.
Ele vinha aumentando o ritmo quando caiu na curva 15, na 14ª volta. Levantou a moto e voltou à pista em 18º, a cerca de 15s de Maverick Viñales, mas abandonou na passagem seguinte.

O abandono mexeu na tabela. Moreira continua com 78 pontos e caiu de 14º para 15º, um atrás de Fabio Quartararo, que somou cinco com o 11º lugar. Se a ausência da Yamaha se confirmar, Moreira terá a chance de retomar a posição em Lusail sem o francês na pista. Confirmado na Honda de fábrica em 2027, o brasileiro tem mais três etapas na LCR.
A Yamaha não vai a Lusail, e a MotoGP fala em consequências
O match point de Márquez chega em meio ao maior impasse da temporada. O GP do Catar está marcado para 6 a 8 de novembro, em meio ao conflito no Oriente Médio e com vários governos desaconselhando viagens ao país. Neste domingo, a Yamaha informou que mantém as restrições de viagem da empresa e não participará da etapa, voltando em Portugal. O Crash.net lista Quartararo, Alex Rins, Jack Miller e Augusto Fernández entre os ausentes.
A MotoGP respondeu dizendo-se “decepcionada” e afirmando não ter recebido informação que justifique mudar os planos, com base em consultas ao governo do Catar, ao circuito e a assessores de segurança independentes. O campeonato diz que o restante do grid confirmou presença e que a decisão da Yamaha tem implicações contratuais e esportivas, a serem tratadas pela FIM. As punições ainda não foram definidas.
Miller disse em Sepang que 19 pilotos não querem correr no Catar. “Nós deixamos nossa opinião muito clara”, afirmou. Márquez, principal interessado no resultado, evitou o tema na entrevista coletiva: “Prefiro não dizer nada”. À TNT Sports, contou que volta à Espanha e só chegará ao Catar na quinta-feira à noite.
O que a vitória em Sepang ensina sobre alta performance
A fala mais reveladora de Márquez no domingo não foi sobre a corrida, e sim sobre si mesmo. Depois de voltar de cirurgias no pé esquerdo e no ombro direito, ele disse ter passado por uma adaptação, não uma reabilitação. “Consigo controlar meus instintos, que foram o meu ponto fraco durante toda a carreira”, afirmou.
O próprio fim de semana mostra o que isso significa. Controlar o instinto não é deixar de atacar: é escolher a hora. Márquez poupou energia em boa parte do ano, atacou desde o primeiro treino em Sepang ao ver a chance aberta pela ausência de Martín e, ainda assim, recuou na sprint chuvosa, quando o risco não compensava. Em dois dias, somou 34 pontos.
A lição vale para quem treina em qualquer nível. Uma limitação física nem sempre pede mais esforço. Muitas vezes pede um novo plano, com clareza sobre onde gastar energia e paciência para esperar o momento em que o risco compensa.
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