Seis dias depois de fraturar o punho direito em Phillip Island, Jorge Martín vai voltar a subir na moto. O piloto da Aprilia passou nesta quinta-feira (29) por avaliação no centro médico do Circuito Internacional de Sepang e recebeu sinal verde para participar do primeiro treino livre do GP da Malásia, na manhã de sexta-feira em Sepang (23h45 desta quinta no horário de Brasília).
A liberação, porém, tem prazo curto. Segundo o site oficial da MotoGP, a equipe médica do campeonato vai examinar o espanhol de novo logo depois do TL1. Só então se saberá se o campeão mundial de 2024, segundo colocado no campeonato e a 10 pontos do líder Marc Márquez, segue no fim de semana importante para a disputa do título.
O que se sabe sobre a lesão de Jorge Martín
Martín caiu na curva 8 da oitava volta da corrida Sprint do GP da Austrália, no sábado (24), quando disputava a liderança com Márquez. Ele chegou a Phillip Island como líder do Mundial e saiu de lá em segundo, com a vitória do piloto da Ducati na Sprint.
Os primeiros raios X feitos no centro médico do circuito apontaram uma fratura no rádio e a suspeita de uma segunda fratura na ulna, perto do punho. O espanhol foi declarado inapto para a corrida de domingo e levado a Melbourne para novos exames. No domingo de manhã, a Aprilia divulgou o resultado da tomografia: a única lesão confirmada era uma fratura sem desvio na extremidade distal do rádio. A suspeita na ulna foi descartada.
Com esse diagnóstico, a equipe de Noale decidiu que Martín não voltaria à Espanha para se tratar. De acordo com a MotoGP, a Aprilia também informou que o piloto não passaria por cirurgia. O jornal AS relatou que o tratamento foi feito em Kuala Lumpur e que o médico Ángel Charte, que já se mostrava otimista depois dos exames em Melbourne, examinou o espanhol em Sepang com resultado satisfatório.

“Se não estivesse brigando pelo título, estaria com o braço engessado”
O próprio Martín tratou de baixar a expectativa. A frase que resume o estado de espírito do espanhol foi destacada pelo site oficial da MotoGP no dia de mídia: “Se não estivesse disputando o título, estaria com o braço engessado”.
Em entrevista à DAZN, reproduzida pela Cadena SER, ele admitiu que as expectativas são muito baixas e que vai à pista para testar se consegue pilotar com o rádio fraturado. “Estou aqui para continuar lutando”, afirmou.
O risco é evidente. Como lembrou a SER, uma nova queda poderia agravar a lesão e encerrar a temporada do piloto. E, mesmo que o fim de semana corra sem incidentes, a condição do punho deve limitar a pilotagem em uma pista de frenagens fortes, no calor úmido da Malásia.
Por que Martín decidiu correr o risco em Sepang
A resposta está na tabela. Pela classificação oficial, Marc Márquez lidera o Mundial com 365 pontos, contra 355 de Martín. Marco Bezzecchi, companheiro de Aprilia do espanhol, é o terceiro, com 315, a 50 pontos do líder.
A diferença só continua pequena por causa de uma decisão tomada fora da pista. A corrida principal do GP da Austrália, no domingo (25), foi cancelada porque a baixa visibilidade impedia o helicóptero médico de voar. Sem Martín no grid, Márquez tinha a chance de abrir vantagem, mas a prova não aconteceu. O Atleta Pro contou os detalhes do cancelamento do GP da Austrália.
A Malásia é a 19ª etapa de 22. Depois dela vêm Catar, Portugal e Valência. Com 12 pontos para o vencedor da Sprint e 25 para o vencedor da corrida principal, ainda há 148 pontos em jogo em quatro fins de semana. Para Martín, cada ponto somado com o braço lesionado é um ponto a menos de prejuízo na reta final.
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Márquez e Bezzecchi: “Se Martín estiver na pista, ele vai ser rápido”
O líder do campeonato evitou dar o rival como carta fora do baralho. Segundo a MotoGP, Márquez elogiou o adversário na quinta-feira e insistiu que Martín não está em Sepang para fazer número. “Se Martín estiver na pista, ele vai ser rápido”, resumiu o atual campeão mundial.
Ainda assim, o circuito malaio não costuma ser dos mais generosos com o piloto da Ducati. Márquez venceu duas vezes em Sepang na MotoGP, em 2014 e 2018. Na última vez em que correu lá, em 2024, foi segundo na Sprint e terminou a corrida principal em 12º, depois de uma queda.
Bezzecchi, por sua vez, respondeu ao chefe da Ducati, Davide Tardozzi, que havia dito que 50 pontos “não são nada”. O italiano agradeceu o elogio, mas deixou claro que tirar essa diferença é bem mais difícil do que parece. Ele nunca subiu ao pódio em Sepang, em nenhuma categoria.

Um histórico de lesões que pesa na decisão
Martín conhece bem o caminho de volta depois de uma fratura. O jornal AS contabiliza 27 fraturas sofridas pelo espanhol desde o grave acidente de Portimão, em 2021, contando quedas em corridas, em testes e em treinos fora das pistas.
A lista inclui quatro fraturas no teste de pré-temporada de Sepang, em 2025, na mão direita e no pé esquerdo, e 11 costelas fraturadas no GP do Catar do mesmo ano, na temporada de estreia pela Aprilia. Perto disso, a lesão atual é a mais simples do retrospecto: segundo o AS, uma fratura que não é completa nem exige cirurgia.
Ele não é o único a correr contra o relógio na Malásia. Raúl Fernández, da Trackhouse, que se retirou da Sprint australiana ainda sentindo a fratura no indicador direito sofrida na Indonésia, também foi liberado para o TL1 e vai decidir depois se segue no fim de semana. A Honda recebe de volta Joan Mir e Luca Marini, recuperados de doença. Fermín Aldeguer, com uma fratura na mão direita, segue fora e será substituído de novo por Iker Lecuona na Gresini.
Horários do GP da Malásia de MotoGP em Brasília
Pela programação oficial, a MotoGP entra na pista às 10h45 de sexta-feira no horário local, o que corresponde às 23h45 desta quinta-feira (29) em Brasília. É o treino que vai definir o futuro imediato de Martín.
- TL1: quinta-feira (29), às 23h45
- Treino que define os classificados direto ao Q2: sexta-feira (30), às 4h
- TL2: sexta-feira (30), às 23h10
- Classificação: sexta-feira (30), às 23h50
- Sprint: sábado (31), às 4h
- Warm Up: sábado (31), às 23h40
- Corrida (20 voltas): domingo (1º de novembro), às 4h
A Sprint da Austrália, que mudou a liderança do campeonato, foi contada em detalhes na matéria sobre a vitória de Márquez e a fratura de Martín em Phillip Island.
O que o caso Martín ensina sobre alta performance
A primeira lição está no formato da decisão. Martín não foi liberado para o GP inteiro, e sim para uma sessão, com nova avaliação logo em seguida. É a lógica do retorno progressivo: expor o corpo a uma carga real, observar a resposta e só então dar o próximo passo. Para atletas e treinadores de qualquer modalidade, a volta depois de uma lesão funciona melhor como uma sequência de checagens do que como um sim ou não definitivo.
A segunda está no peso do contexto. O próprio piloto admitiu que, fora de uma briga pelo título, estaria com o braço imobilizado. Risco e recompensa mudam conforme o momento da temporada, e por isso a decisão nunca é só do atleta: passa pela equipe médica, pelo time e por critérios objetivos, como dor, força e controle.
A terceira é sobre expectativa. Ao dizer que espera pouco do fim de semana, Martín troca a meta de vencer pela de limitar o prejuízo. Em fases de recuperação, ajustar o objetivo ao que o corpo permite é o que preserva a temporada, e a carreira, para quando o desempenho completo voltar.
Fontes: MotoGP, liberação de Martín para o TL1, MotoGP, resumo do dia de mídia em Sepang, MotoGP, boletim da Aprilia, MotoGP, programação do GP da Malásia, MotoGP, prévia do GP da Malásia, AS e Cadena SER.
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