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Bezzecchi vence em Mandalika e Martín volta à liderança por 2 pontos

Marco Bezzecchi, da Aprilia, grita de alegria com o troféu de vencedor enquanto recebe um banho de espumante no pódio do GP da Indonésia de MotoGP de 2026, em Mandalika

Marco Bezzecchi saiu de Mandalika com o troféu que o sábado parecia ter tirado dele. Um dia depois de cair na primeira volta da sprint, o italiano da Aprilia caçou Raúl Fernández, assumiu a ponta na volta 19 e venceu o GP da Indonésia de MotoGP neste domingo (11), com 4s260 de vantagem. Jorge Martín completou o pódio e, com o terceiro lugar, recuperou a liderança do campeonato que Marc Márquez tinha tomado na véspera.

A briga pelo título segue no detalhe: Martín tem 355 pontos, Márquez tem 353, e faltam cinco etapas. Diogo Moreira, da LCR Honda, largou em 20º, chegou a andar na zona de pontos e terminou em 16º, sem pontuar, na pista onde já foi campeão de corrida na Moto3 e na Moto2.

Marco Bezzecchi, com a Aprilia número 72, contorna uma curva à frente da Ducati número 93 de Marc Márquez no circuito de Mandalika, no GP da Indonésia de MotoGP de 2026
Bezzecchi (72) à frente de Marc Márquez (93) em Mandalika. Foto: MotoGP/Dorna

Da queda na sprint à vitória no domingo

O fim de semana da Aprilia em Lombok começou pela pole. No sábado, Raúl Fernández, da Trackhouse, fez 1min28s852 no Q2 e conquistou a primeira pole position da carreira na MotoGP, 0s109 à frente de Bezzecchi. A primeira fila se completou com Fabio Di Giannantonio, da VR46. Márquez largou em quarto e Martín, em quinto.

A sprint, horas depois, terminou para os dois pilotos da primeira fila antes de a primeira volta acabar. Fernández e Bezzecchi se tocaram na saída da curva 1 e foram ao chão juntos. Fernández saiu da queda com uma fratura na mão direita.

No domingo, o espanhol correu machucado e mesmo assim pulou na frente. Segurou o ataque de Bezzecchi na primeira curva e os dois abriram distância do resto do pelotão. A perseguição durou 18 voltas. Na 19ª, Bezzecchi freou mais tarde que o rival na curva 1, tomou a liderança e não a devolveu mais. No caminho, fez a volta mais rápida da prova, 1min29s960, novo recorde de volta em corrida no circuito, segundo a cronometragem oficial.

Foi a quinta vitória de Bezzecchi em corridas de domingo em 2026 e a primeira desde o GP da Itália, em Mugello, no fim de maio. “Estou muito, muito feliz”, disse o italiano depois da prova. Fernández terminou em segundo, a 4s260, e Martín, em terceiro, a 6s890. Ai Ogura, também da Trackhouse, fechou em quarto, e a Aprilia ocupou os quatro primeiros lugares da corrida.

A prova teve quatro abandonos. Fermín Aldeguer caiu logo no começo, Jack Miller e Francesco Bagnaia caíram na sexta volta, e Toprak Razgatlioglu recolheu a Yamaha da Pramac aos box. Aleix Espargaró, que substituía Joan Mir na Honda de fábrica, não largou.

A arquibancada acompanhou tudo de perto: segundo a organização, 157.875 pessoas passaram por Mandalika nos três dias do evento, recorde de público do GP da Indonésia. Em 2025, foram 140.324.

Márquez liderou por um dia

O sábado tinha sido de Márquez. Com Bezzecchi e Fernández fora da sprint, Martín liderou boa parte das 13 voltas, mas perdeu a ponta para o espanhol da Ducati e, num erro na penúltima volta, caiu para quarto. Márquez venceu, com Ogura em segundo e Di Giannantonio em terceiro, e assumiu a liderança do campeonato pela primeira vez em 2026, com 343 pontos contra 339.

Marc Márquez, de macacão da Ducati e boné de pódio, morde a medalha de vencedor da corrida sprint do GP da Indonésia de MotoGP de 2026 diante da torcida em Mandalika
Márquez comemora a vitória na sprint, no sábado (10). Foto: MotoGP/Dorna

A liderança durou 24 horas. No domingo, Márquez chegou a andar em terceiro no começo, mas foi ultrapassado por Martín, Pedro Acosta e Ogura e cruzou a linha em sexto, a 10s778 do vencedor. Ainda assim, foi a primeira vez que o espanhol recebeu a bandeirada de uma corrida de domingo em Mandalika: em quatro visitas anteriores, tinha caído no warm-up de 2022, abandonado em 2023 e 2024 e se machucado na primeira volta de 2025.

Martín somou 22 pontos no fim de semana (6 na sprint e 16 na corrida), exatamente o mesmo que Márquez (12 e 10). Por isso, a diferença voltou ao ponto de partida: dois pontos, os mesmos com que os dois chegaram à Indonésia. “Seguimos na briga e seguimos na liderança”, resumiu Martín.

Pos.PilotoEquipePontos
1ºJorge MartínAprilia Racing355
2ºMarc MárquezDucati Lenovo353
3ºMarco BezzecchiAprilia Racing309
4ºAi OguraTrackhouse259
5ºPedro AcostaRed Bull KTM258
15ºDiogo MoreiraLCR Honda74

Bezzecchi, que tinha saído do sábado 59 pontos atrás do líder, encerrou o domingo a 46. Restam cinco fins de semana, e cada um distribui até 37 pontos, 185 no total. Em caso de empate, o critério é o número de vitórias em corridas de domingo, e aí Márquez tem vantagem ampla: seis contra uma de Martín.

Diogo Moreira: 20º no grid, 16º na bandeirada

Para Moreira, a Indonésia não repetiu o roteiro das outras visitas. Foi em Mandalika que o brasileiro venceu pela primeira vez no Mundial, na Moto3, em 2023, e foi ali também que ganhou a corrida da Moto2 em 2025, a caminho do título. Desta vez, como estreante na classe principal, passou o fim de semana atrás de ritmo, como mostrou a prévia do Atleta Pro para o GP da Indonésia: duas quedas na sexta-feira e vaga no Q1.

No Q1 de sábado, ficou em 11º, com 1min30s725, a 22 milésimos do companheiro de equipe, Johann Zarco. O tempo valeu o 21º lugar no grid da sprint, que ele terminou em 17º, a 19s562 de Márquez. Depois da prova, à agência indonésia Antara, Moreira apontou onde estava o problema: não era tração, e sim a falta de aderência do pneu dianteiro na hora de frear para entrar nas curvas. Disse ainda que a equipe analisava os dados e que a solução não tinha aparecido.

Diogo Moreira, de capacete e luvas com as cores do Brasil, ergue os braços ao comemorar a vitória na Moto2 no GP da Indonésia de 2025, em Mandalika
Moreira comemora a vitória na Moto2 em Mandalika, em outubro de 2025. Foto: MotoGP/Dorna

No domingo, a punição de grid a Razgatlioglu colocou o brasileiro em 20º. Ele completou a primeira volta em 19º e, com as quedas de Aldeguer, Miller e Bagnaia, foi subindo até entrar na zona de pontos: na nona volta, era o 15º. Segurou a posição até a metade da prova, perdeu a disputa com Franco Morbidelli, da VR46, e terminou em 16º, a 34s168 de Bezzecchi, à frente apenas de Maverick Viñales. Zarco foi o 13º e Luca Marini, o melhor da Honda, o 12º.

Foi a segunda corrida de domingo seguida sem pontos para Moreira, que tinha caído em Motegi uma semana antes, um dia depois do segundo lugar na sprint do Japão, o primeiro pódio de um brasileiro na MotoGP desde Alex Barros. Com 74 pontos, ele caiu de 14º para 15º no campeonato, empatado com Fabio Quartararo, que leva vantagem no critério de desempate. Na disputa de estreante do ano, a vantagem segue em 56 pontos sobre Razgatlioglu, que tem 18.

Próxima parada: Phillip Island

A MotoGP volta entre 23 e 25 de outubro, no GP da Austrália, em Phillip Island, a 18ª das 22 etapas. Depois vêm Malásia, Catar, Portugal e Valência, que fecha a temporada no fim de novembro. No Brasil, as sessões passam na ESPN e no Disney+. Canais, narração e o serviço oficial da categoria estão no guia de onde assistir à MotoGP em 2026.

Na Moto2, categoria em que Moreira foi campeão no ano passado, a corrida de Mandalika ficou com Izan Guevara, à frente de Manuel González.

O que Mandalika ensina sobre alta performance

Bezzecchi e Fernández terminaram o sábado no mesmo lugar, no chão da curva 1. A diferença entre os dois no domingo não foi a moto, porque os dois correm de Aprilia. Foi a capacidade de deixar a queda no sábado e voltar inteiro para a corrida que valia 25 pontos, mesmo com um rival que conhecia cada ponto de freada dele.

No caso de Moreira, a régua é outra. Um estreante que sobe ao pódio numa semana e fecha a seguinte em 16º não está andando para trás: está aprendendo a ler uma moto que ainda não lhe dá aderência na frente, numa pista em que já venceu com outro equipamento. Ele mesmo tratou a dificuldade como um problema técnico a resolver com dados, não como um mau momento. Pódio não vira identidade, 16º lugar também não. O que conta é o que a equipe leva de Mandalika para Phillip Island.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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