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Matheus Cunha faz 2 gols em 3 minutos e United vira sobre a Roma

Matheus Cunha, sem camisa e com a camisa vermelha do Manchester United na mão, comemora o gol da virada sobre a Roma em Old Trafford

Aos 17 minutos, o Manchester United perdia por 2 a 0 para a Roma em Old Trafford, ouvia vaias da própria torcida e caminhava para a quarta derrota seguida. Aos 86, Matheus Cunha arrancava a camisa e se jogava na arquibancada depois de marcar o gol da virada. Entre uma cena e outra, o brasileiro sofreu o pênalti do primeiro gol, empatou, virou e ainda foi expulso.

A vitória por 3 a 2 nesta terça-feira (3), pela quarta rodada da fase de liga da Champions League, encerrou uma sequência de nove jogos sem vencer em todas as competições. Foi a primeira vitória do time de Michael Carrick em 54 dias, segundo a Sky Sports, e um alívio para um técnico que, no intervalo, parecia perto da porta de saída.

Roma fez 2 a 0 em 17 minutos

O começo repetiu os problemas que levaram o United à crise. Com Luke Shaw lesionado, Carrick escalou Diogo Dalot improvisado na lateral esquerda, e o português subiu demais. Aos 11 minutos, Rodrigo Mora achou Matías Soulé livre do outro lado, e o argentino passou por Senne Lammens para abrir o placar.

O segundo gol veio seis minutos depois, de novo com Dalot fora de posição. Harry Maguire errou um corte, Soulé chutou, a bola bateu na mão de Ayden Heaven e o árbitro espanhol Jesús Gil Manzano marcou pênalti. Donyell Malen, ex-Aston Villa, converteu aos 17. A Roma, invicta na Serie A segundo a Sky Sports, ainda teve chances com Mora, Malen e Soulé para ampliar antes do intervalo.

O clima nas arquibancadas já era pesado antes da bola rolar. Balões verdes e dourados, as cores do protesto contra a família Glazer, dona do clube, tomaram o estádio. Quando o relógio marcou 20 minutos e 5 segundos, numa referência a 2005, ano da compra do United pelos Glazer, torcedores da Stretford End jogaram bolas de tênis no gramado. O time saiu vaiado para o vestiário.

Jogadores da Roma, de uniforme cinza, comemoram gol contra o Manchester United em Old Trafford pela Champions League
A Roma comemora um dos dois gols do primeiro tempo em Old Trafford. Foto: PA Images, reprodução/Belfast Telegraph.

O pênalti repetido que mudou o jogo

O segundo tempo começou com mais uma má notícia: o volante Carlos Baleba sentiu a parte de trás da coxa direita logo no início e deixou o campo. O clube confirmou a lesão depois do jogo. Youri Tielemans entrou no lugar dele, e o United passou a jogar com outra intensidade.

A virada começou num lance discutido. Cunha tabelou com Bruno Fernandes e caiu na área depois de um empurrão de Gianluca Mancini. O árbitro marcou, e o brasileiro chutou uma bola para a torcida, pedindo barulho. Bruno bateu, e o colombiano Devis Vásquez, terceiro goleiro da Roma e estreante no time, defendeu.

O lance não terminou ali. Bryan Cristante tinha invadido a área antes da cobrança, e Gil Manzano mandou repetir. Na segunda tentativa, Bruno chutou forte no alto e diminuiu aos 13 minutos do segundo tempo. Pouco depois, Bryan Mbeumo, lançado por Cunha, ficou cara a cara com Vásquez e acertou as duas traves numa só finalização, sem a bola entrar.

A Roma recuou. Maguire teve uma cabeçada bloqueada, Dalot viu outra ser tirada em cima da linha, e o United ainda pediu dois pênaltis. Aos 30 minutos do segundo tempo, Carrick colocou o jovem Shea Lacey no lugar de Amad Diallo, uma mudança que pesaria no fim.

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Dois gols de Cunha em três minutos

O empate saiu aos 38 minutos do segundo tempo. Bruno cruzou, o zagueiro argentino Leonardo Balerdi errou o tempo da bola, e Cunha dominou e bateu de perto. Três minutos depois, Kobbie Mainoo arrancou com a bola, Lacey tocou para dentro da área, e o camisa 10 ajeitou com o primeiro toque e chutou forte, no canto curto. A bola entrou depois de bater na parte de dentro da trave.

Na comemoração, Cunha tirou a camisa e foi para a arquibancada, o que rendeu o primeiro cartão amarelo. Já no fim, entrou forte em Balerdi, levou o segundo e foi expulso. Com um a menos, o United segurou o resultado. Depois do apito final, o brasileiro voltou ao gramado para festejar com a torcida, segundo o ge.

Para o paraibano, a noite teve gosto de resposta. Segundo o ge, ele não foi mais convocado por Carlo Ancelotti desde a Copa do Mundo, e o nome dele também não aparece na lista de 26 jogadores para os amistosos do Brasil contra Japão e Singapura, divulgada em 29 de outubro.

O fim do jejum e a pressão sobre Carrick

A vitória chegou três dias depois da derrota por 2 a 0 para o Chelsea, que tinha levado a sequência sem vitórias a nove partidas, com três empates e seis derrotas. Segundo a agência PA, foi apenas a terceira vitória do United na temporada.

A crise tinha ganhado um capítulo interno. Depois dos 4 a 1 sofridos diante do Como, na própria Champions, Bruno criticou a tática usada pelo técnico e acabou no banco na derrota por 3 a 0 para o Bournemouth. Depois da virada, o capitão falou sobre isso ao Amazon Prime: “O treinador tomou a decisão de me colocar no banco porque eu não estava rendendo naquele nível. Todo mundo achou que era uma punição pelo que eu disse. Se foi, foi certo”.

Bruno também falou sobre a torcida. “Os torcedores querem vencer, estão acostumados a ver este clube no topo, ganhando troféus. Para eles tem sido muito frustrante ver o clube nessa situação. Todos nós estamos frustrados e queremos sair disso. Espero que esta vitória seja o começo de algo bom”, disse.

Matheus Cunha, com a camisa vermelha do Manchester United, grita e segura a bola junto ao corpo depois de marcar o gol de empate contra a Roma
Cunha pega a bola no fundo da rede depois do gol de empate, aos 38 minutos do segundo tempo. Foto: Jon Super/AP, reprodução/KRQE.

Carrick evitou exageros. “Estou orgulhoso de muita gente, dos jogadores, e eles merecem muito crédito por superar uma situação difícil. É muito importante os jogadores saberem o que este lugar pode fazer. Não vou me empolgar demais, mas é uma noite importante”, afirmou na entrevista coletiva. Sobre Lacey, disse que o garoto “joga com um pouco de malícia” e elogiou também o trabalho defensivo dele no fim.

O adversário tinha um peso simbólico para o técnico. Em 2007, como jogador, Carrick marcou dois gols nos 7 a 1 sobre a mesma Roma, no jogo de volta das quartas de final da Champions, lembrou o Guardian.

O que vem pela frente para o United

Com a vitória, o United chegou a 6 pontos e ocupa o 17º lugar na fase de liga, segundo o ge. A Roma, que já tinha sofrido uma virada do Real Madrid na competição, é a 19ª, com 4 pontos. No formato atual, os oito primeiros vão direto às oitavas de final, e do 9º ao 24º disputam os playoffs.

O teste seguinte é no Campeonato Inglês, onde o time saiu da derrota para o Chelsea em 17º, com os mesmos 7 pontos do primeiro clube da zona de rebaixamento. O United recebe o Aston Villa no domingo (8), às 16h30 de Londres (13h30 de Brasília), em Old Trafford. A suspensão de Cunha pela expulsão vale para o próximo jogo da Champions, não para o campeonato nacional. O problema imediato de Carrick é a lesão de Baleba.

O que a virada do United ensina sobre alta performance

A virada sobre a Roma mostra que confiança não volta com discurso, volta com ação. No intervalo, o United era um time sem saída, vaiado e com o técnico ameaçado. O que mudou o jogo não foi um plano novo, mas uma sequência de pequenas atitudes: pressionar mais alto, ganhar o pênalti, bater de novo depois de errar.

O pênalti de Bruno é a imagem disso. O capitão errou a primeira cobrança diante de um estádio já nervoso e, segundos depois, teve de bater outra vez. Na repetição, chutou forte, no alto, e marcou. Saber zerar o erro anterior e executar de novo, sem carregar o peso dele, é uma habilidade que se treina.

Há também o lado de Cunha. O mesmo impulso que fez dois gols em três minutos gerou dois cartões amarelos evitáveis, e o United terminou com dez jogadores. Intensidade decide jogos, mas sem controle emocional ela cobra a conta. Os atletas que duram no alto nível aprendem a usar a energia sem perder a cabeça.

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