Bandeira vermelha. Chuva pesada. Safety car. Abandonos. O GP do Bahrein, em Sepang, virou uma loucura neste domingo (4/10)… e quem saiu de lá com a bandeira quadriculada? Max Verstappen.
Fim do jejum. Primeira vitória de 2026, a primeira desde Abu Dhabi 2025. Vitória número 72 na carreira, igualando Michael Schumacher em vitórias por uma única equipe.

E agora a pergunta que importa para VOCÊ, atleta: como a cabeça dele aguentou, e o que você leva disso para o seu treino?
O contexto (sem maquiagem)
2026 não tem sido fácil. Regulamento novo, hierarquia mudada, Kimi Antonelli e a Mercedes na frente, com 320 pontos. O título está longe. Verstappen passou meses sem vencer. E mesmo assim: venceu.
Esses são os seis pontos principais que reconheço em Max Verstappen e na sua última vitória…
1. Foco no processo
Sem título à vista, muita gente desliga. Ele fez o contrário. Volta a volta, abrindo mais de 11 segundos de vantagem até a volta 42. Sem olhar a tabela. Sem desculpa.
Processo vence placar. Quando você olha para o resultado, a ansiedade sobe e a execução cai. Quando olha para a ação, a cabeça fica livre para decidir bem. E tem um bônus: quem vive de metas de processo coleciona pequenas vitórias até nas fases em que o placar não ajuda. É isso que mantém a motivação de pé quando ela mais quer cair.
PASSO A PASSO:
- Antes do próximo treino ou jogo, escreva 3 metas que dependam 100% de VOCÊ. Exemplo: respirar fundo na pressão, comunicar toda jogada, aquecimento completo.
- Zero meta de placar ou resultado.
- Logo depois, dê nota de 0 a 10 para cada uma.
- Repita por 2 semanas e descubra qual item vive te derrubando. É ali que você vai focar.
2. Caos não é problema. É terreno.
Chuva, bandeira vermelha, reinício. O despreparado reclama. O preparado pergunta: “o que eu controlo agora?” Largada, freada, linha, pneu. O resto é ruído.
Reclamar da chuva não seca a pista. Só rouba a atenção que você vai precisar na próxima curva. Quem aceita a condição e pergunta “como eu uso isso a meu favor?” transforma o caos em vantagem: se todo mundo está desconfortável, vence quem se incomoda menos e decide melhor.

3. Errou? Reset!
A largada não foi perfeita e ele precisou recuperar posição cedo. E daí? Respirou, voltou ao presente, atacou a próxima curva.
Erro é dado, não sentença. O que decide o jogo são os 30 segundos DEPOIS do erro, porque o segundo erro, aquele que vem da cabeça ainda presa no primeiro, quase sempre custa mais caro. E atenção: ninguém inventa um bom reset no meio da pressão. Você usa o que já treinou.
PASSO A PASSO:
- Escolha UMA respiração lenta e profunda. Ela é sempre o primeiro movimento depois do erro.
- Defina uma palavra-gatilho curta: “próxima”, “agora”, “limpa”.
- Escolha um ponto para olhar: a linha, a bola, uma marca no chão.
- Treine a sequência INTEIRA nos treinos, depois de erros pequenos, até ficar automática.
- Só então leve para a competição. Mesma sequência, sempre.
4. Identidade que não depende do resultado
Jejum corrói a autoimagem de muita gente. A voz interna pergunta: “será que eu ainda sou bom?”. Verstappen segue sendo quem corre para ganhar, e é por isso que continua tomando decisões para VENCER, não para não errar.
Quem você é não pode oscilar com a última corrida. Separe o resultado da semana do valor da sua carreira. Mantenha à vista as provas concretas da sua história: treinos duros concluídos, evolução técnica, superações. A lembrança do último jogo não pode ser a única voz na sua cabeça.
5. Paciência é arma
Esperar não é ficar parado. É manter o padrão alto até a janela abrir. E a chuva de Sepang foi essa janela: quando o clima embaralha tudo, a diferença deixa de ser só de máquina e passa a ser de leitura, calma e execução.
Em fase ruim, não force a virada. Proteja a consistência. Quem abandona o processo na seca chega despreparado à chuva.
6. Os alicerces que ninguém vê
Sono, nutrição, preparação física, simulador. Nada disso passa na transmissão, mas é o que sustenta a cabeça fria na volta 40.
Você ganha na segunda-feira de manhã, não no domingo. E o simulador entrega uma ideia para qualquer esporte: ensaie a pressão ANTES de precisar dela. Treine cansado, treine com barulho, treine o fim do set. Some a isso a visualização na primeira pessoa, com um imprevisto no meio e você respondendo com calma. Quem já viveu o caos na cabeça não congela quando ele chega.

De onde vem isso
Filho de piloto, F1 ainda adolescente, pressão desde cedo. Mais de uma década depois, essa blindagem mental é parte do que o mantém competitivo em temporadas difíceis.
E o recado para quem está começando é poderoso: resiliência não nasce pronta. Ela é treinada. Repetição, pressão gradual e muita recuperação de situações difíceis.
E agora?
Singapura, 9 a 11 de outubro. Vitória não garante tendência: Mercedes forte, regulamento novo, e previsão esportiva nunca é certeza. Mas a mensagem de Sepang é clara.
A chuva vai chegar para todo mundo. A pergunta é: você vai estar preparado?
Leia também: Verstappen vence o caos de Sepang e Antonelli abre 84 pontos · Kimi Antonelli em Baku: o que o pior fim de semana revela sobre um campeão
Perguntas frequentes
Quem venceu o GP do Bahrein de 2026 em Sepang?
Max Verstappen, da Red Bull, no domingo 4 de outubro, numa corrida com chuva pesada, bandeira vermelha, safety car e abandonos. Foi a primeira vitória dele em 2026 e a primeira desde Abu Dhabi 2025.
Quantas vitórias Max Verstappen tem na Fórmula 1?
Com Sepang, são 72 vitórias na carreira. O número iguala Michael Schumacher em vitórias por uma única equipe.
Como manter o foco quando a competição sai do controle?
Trocando a reclamação pela pergunta “o que eu controlo agora?”. Na pista, isso é largada, freada, linha e pneu; o resto é ruído. Se todo mundo está desconfortável, vence quem se incomoda menos e decide melhor.
O que fazer logo depois de errar numa competição?
Ter um reset treinado: uma respiração lenta e profunda, uma palavra-gatilho curta e um ponto para olhar. Os 30 segundos depois do erro decidem o jogo, e ninguém inventa um bom reset no meio da pressão: a sequência precisa ser treinada antes.
O que são metas de processo no esporte?
São metas que dependem 100% do atleta, como respirar fundo na pressão ou fazer o aquecimento completo, sem nenhuma meta de placar. A sugestão é escrever três antes do treino ou jogo, dar nota de 0 a 10 a cada uma logo depois e repetir por duas semanas para descobrir o ponto que mais derruba.
Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.
Quer treinar a cabeça para decidir bem quando tudo dá errado?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para o seu treino.







