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Verstappen vence o caos de Sepang e Antonelli abre 84 pontos

Max Verstappen no pódio do GP do Bahrein em Sepang 2026 ao lado de Kimi Antonelli e Lewis Hamilton

Max Verstappen venceu o GP do Bahrein de Fórmula 1 neste domingo (4), em Sepang, na Malásia, numa corrida que atrasou 93 minutos, teve bandeira vermelha antes da largada, chuva, troca de pneus de chuva para pneus lisos e dois safety cars. O holandês da Red Bull largou na pole, perdeu a ponta na largada e a retomou na volta 13 com uma ultrapassagem por fora sobre Kimi Antonelli.

Foi a primeira vitória de Verstappen em 2026 e a 72ª da carreira. Antonelli terminou em segundo, a 2s307, e Lewis Hamilton completou o pódio pela Ferrari. George Russell, que vinha em terceiro, abandonou com falha no motor a seis voltas do fim. Com isso, a vantagem de Antonelli no campeonato saltou de 66 para 84 pontos.

Por que o GP do Bahrein foi disputado na Malásia

A etapa estava marcada para abril, no Bahrein, e foi cancelada por causa do conflito no Oriente Médio. A Fórmula 1 levou a corrida para Sepang, que não recebia a categoria desde 2017, e manteve o nome de GP do Bahrein. Com o cancelamento da Arábia Saudita, a temporada ficou com 23 etapas, e esta foi a 16ª.

Na classificação de sábado, Verstappen fez a pole com 1min35s130, 0s298 à frente de Hamilton. Isack Hadjar, companheiro de Verstappen, foi o terceiro mais rápido, mas cumpriu punição de cinco posições e largou em oitavo. Com isso, Antonelli subiu para a terceira posição no grid, com Charles Leclerc em quarto e Russell em sétimo.

Carros sem potência e 93 minutos de atraso

A chuva forte adiou a largada, prevista para as 15h locais, em 40 minutos. Quando os carros finalmente saíram para a volta de apresentação, vários deles pararam de responder ao acelerador. “Não consigo acelerar! Não está funcionando”, avisou Verstappen pelo rádio. “Estou pisando no acelerador e nada acontece”, relatou Hamilton.

Segundo a ESPN, um erro no software dos motores híbridos impedia o sistema elétrico de entregar potência abaixo de 50 km/h em pista molhada. O problema atingiu Red Bull, Ferrari, Audi, Williams, Racing Bulls e outras equipes. A direção de prova deu bandeira vermelha, e a FIA enviou uma atualização de software para as 11 equipes instalarem antes de liberar a corrida.

“Não conseguimos testar o software tanto quanto gostaríamos, porque houve muito pouca pista molhada neste ano”, explicou Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA. A largada só aconteceu às 16h33 locais, 93 minutos depois do horário marcado.

Carros da Fórmula 1 na pista molhada de Sepang diante da arquibancada pintada com a bandeira da Malásia no GP do Bahrein 2026

A aposta errada da Ferrari

Com a pista ainda molhada, Red Bull e Mercedes largaram com pneus intermediários. A Ferrari apostou nos pneus lisos macios para Hamilton e Leclerc. A escolha deu errado logo de cara. Hamilton, que largava em segundo, despencou para o décimo lugar nas primeiras voltas.

“Meu coração afundou. Pensei: acabou a corrida”, contou o inglês depois da prova. Mesmo assim, ele recusou a parada para trocar de pneu. “A gente já tinha tomado a decisão. Tínhamos que conviver com ela.”

Na frente, a Mercedes aproveitou a largada. Antonelli e Russell pularam para primeiro e segundo, e Verstappen ainda precisou se defender de Liam Lawson, da Racing Bulls, que chegou a ocupar o terceiro lugar.

A ultrapassagem que decidiu a corrida

Na volta 8, Valtteri Bottas, da Cadillac, que tinha largado com pneus lisos, rodou e parou na brita. O safety car entrou e abriu a janela para todos trocarem os intermediários por pneus lisos. A Mercedes colocou pneus médios nos dois carros. A Red Bull foi mais agressiva e escolheu os macios para Verstappen e Hadjar.

A diferença apareceu na relargada. Na volta 13, Verstappen atacou Antonelli por fora na curva 1, segurou o lado de fora na curva 2 e saiu dela na liderança. Russell aproveitou a briga e também passou o companheiro. Antonelli se reorganizou e retomou o segundo lugar na volta 21, com uma ultrapassagem sobre Russell na curva 4.

A partir daí, Verstappen controlou a prova com cerca de cinco segundos de vantagem. Atrás dele, Hamilton fazia a corrida de recuperação do dia: com a pista secando, os pneus lisos passaram a funcionar, e o heptacampeão já era quinto na volta 24.

O motor de Russell e a última relargada

Na volta 43, Alex Albon parou a Williams com problema no câmbio. A direção de prova acionou o safety car virtual, e Verstappen e Hamilton aproveitaram para trocar pneus. Quando o safety car real entrou para retirar o carro de Albon, Verstappen voltou à liderança, com Antonelli em segundo e Russell em terceiro.

Foi atrás do safety car que o campeonato de Russell praticamente acabou. A seis voltas do fim, o motor da Mercedes falhou na reta principal e o inglês estacionou antes da curva 1. Ao sair do carro, levou as mãos ao capacete.

Na relargada, com quatro voltas pela frente, Verstappen abriu distância suficiente para não ser atacado por Antonelli na curva 1. A briga ficou para trás. Hamilton passou Hadjar e tomou o terceiro lugar, e uma volta depois Leclerc fez a mesma manobra para garantir o quarto. Hadjar, que largou em oitavo, terminou em quinto.

“Foi muito agitado, com muitas coisas diferentes na largada. Sem potência, a gente tinha que esperar ela voltar”, disse Verstappen. “Mas acertamos a escolha dos intermediários e, depois disso, passo a passo, fomos subindo.”

A primeira vitória da Ford desde 2003

A vitória tem peso que vai além do resultado do domingo. Em 2026, a Red Bull passou a usar a própria unidade de potência, desenvolvida em parceria com a Ford. Sepang foi a primeira vitória desse motor e a primeira da Ford na Fórmula 1 desde o GP do Brasil de 2003, em Interlagos, quando Giancarlo Fisichella venceu com a Jordan.

“Vencer a primeira corrida no primeiro ano com a nossa própria unidade de potência é bem impressionante”, afirmou Verstappen. “É uma vitória muito especial depois do ano que tivemos e da evolução que fizemos.”

Verstappen não vencia desde a última etapa de 2025, em Abu Dhabi. E a pista tem história para ele: foi em Sepang que conquistou o GP da Malásia de 2017, a última vez que a Fórmula 1 tinha corrido no circuito. Nove anos depois, voltou ao lugar mais alto do pódio no mesmo traçado.

Antonelli abre 84 pontos e Russell admite o fim

Para Antonelli, o segundo lugar teve gosto de vitória no campeonato. “Acho que hoje foi o máximo que podíamos fazer”, resumiu o italiano. Ele chega a 320 pontos, contra 236 de Russell, com sete corridas pela frente.

Kimi Antonelli ergue o troféu de segundo lugar no pódio do GP do Bahrein em Sepang 2026

Russell não escondeu a frustração. “Além da decepção. Aconteceu tantas vezes nesta temporada”, disse à ESPN. Foi o segundo abandono do inglês por problema no motor em 2026: o primeiro tinha sido no Canadá, por falha na bateria, quando liderava. Perguntado sobre as chances de título, foi direto: “É extremamente improvável.”

Toto Wolff, chefe da Mercedes, também reagiu com dureza. “Estou muito irritado. Foi uma das minhas piores experiências, para ser sincero”, afirmou. Pelas contas da ESPN, o terceiro lugar teria custado a Russell só três pontos em relação a Antonelli. O abandono custou 18.

Veja como ficou o campeonato de pilotos depois de Sepang:

PosiçãoPilotoEquipePontos
1ºKimi AntonelliMercedes320
2ºGeorge RussellMercedes236
3ºLewis HamiltonFerrari214
4ºCharles LeclercFerrari191
5ºLando NorrisMcLaren188
6ºMax VerstappenRed Bull188

Entre os construtores, a Mercedes tem 151 pontos de vantagem sobre a Ferrari.

Bortoleto assume o erro que custou pontos

Gabriel Bortoleto teve o melhor sábado da Audi nas últimas etapas: voltou ao Q3 e largou em décimo. A corrida, porém, mudou na mesma relargada da volta 13. O brasileiro tentou passar Carlos Sainz, da Williams, na curva 2, travou a roda dianteira e acertou o espanhol. Levou punição de 10 segundos e terminou em 18º.

“Ele abriu, vi uma oportunidade de ultrapassar, mas não percebi que a parte interna da curva 2 ainda estava um pouco molhada, então travei a roda dianteira e o acertei. Ali acabou a minha corrida e a dele”, contou Bortoleto ao Grande Prêmio. “Era um dia para marcar pontos, existia essa possibilidade, mas errei.”

O brasileiro segue com 10 pontos, em 14º no campeonato. Quem fechou a zona de pontuação foi o estreante Arvid Lindblad, da Racing Bulls, que largou em último (22º) e terminou em décimo.

Próxima etapa: Singapura, no domingo (11)

A Fórmula 1 não sai da Ásia. A próxima corrida é o GP de Singapura, no circuito de rua de Marina Bay, no domingo (11), às 9h de Brasília, com transmissão da Globo na TV aberta. Horários de todas as etapas e canais estão no guia de onde assistir à Fórmula 1 em 2026.

Para entender como a disputa chegou até aqui, vale ler a prévia do GP do Bahrein em Sepang e o relato da vitória de Russell em Baku, a corrida que tinha reaberto a briga.

O que Sepang ensina sobre alta performance

Hamilton é o melhor exemplo do domingo. A Ferrari apostou errado, ele perdeu oito posições em poucas voltas e ouviu do próprio coração que a corrida tinha acabado. Em vez de procurar culpado, assumiu a decisão tomada e correu com o que tinha. Terminou no pódio.

Bortoleto deu o outro lado da mesma lição. Não culpou a pista, a sinalização nem o carro: disse que errou. Responsabilidade acima de justificativa é o que permite corrigir o erro antes da próxima relargada.

E Antonelli mostrou que campeonato se ganha também nos dias em que não dá para vencer. Sem ritmo para Verstappen, ele fez o máximo possível, levou 18 pontos e saiu de Sepang mais perto do título do que entrou.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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