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Motocross das Nações 2026: França em casa desafia Austrália bicampeã

Tom Vialle, da seleção francesa, contorna uma curva de terra com a moto número 28 no Mundial de Motocross de 2022

O Motocross das Nações volta a Ernée, no noroeste da França, neste fim de semana. Nos dias 3 e 4 de outubro, 33 seleções disputam no Circuito Raymond Demy o Troféu Chamberlain, a taça da competição por países mais tradicional do motocross, disputada desde 1947 e tratada no paddock como a Copa do Mundo da modalidade.

A França joga em casa com um retrospecto que assusta: venceu as duas últimas edições realizadas em Ernée, em 2015 e 2023, e busca o oitavo título da sua história. Do outro lado está a Austrália, bicampeã em 2024 e 2025, que chega sem os irmãos Lawrence e com um trio de estreantes. O Brasil também está no gate, com Fábio Santos, Enzo Lopes e Guilherme Bresolin, depois de conquistar em 2025 o melhor resultado da sua história na prova.

Como funciona o Motocross das Nações

Cada país inscreve três pilotos, um por classe: MXGP, a das motos de 450 cc; MX2, a das 250 cc; e Open, que aceita qualquer cilindrada. É um esporte individual que, por um fim de semana, passa a ser disputado em equipe.

No sábado, cada classe faz uma bateria classificatória. As 19 melhores seleções vão direto para o domingo. As demais disputam a Final B, que abre mais uma vaga, e o grid das provas principais fecha com 20 países.

No domingo são três baterias, sempre com duas classes juntas na pista: MXGP com MX2, MX2 com Open e, por fim, Open com MXGP. Cada piloto corre duas vezes, e a posição de chegada vira pontuação: o primeiro soma 1 ponto, o segundo soma 2, e assim por diante. De seis resultados, cada seleção descarta o pior e soma os outros cinco. Ganha quem tiver menos pontos.

A conta não perdoa quem erra duas vezes. Em 2025, em Ironman, nos Estados Unidos, a Austrália venceu com 19 pontos (1, 1, 1, 3 e 13). Estados Unidos e França empataram com 33, e os americanos ficaram com o vice pelo segundo lugar de Eli Tomac na última bateria.

O histórico: EUA no topo, França no embalo recente

Os Estados Unidos são os maiores campeões, com 23 títulos, 13 deles seguidos entre 1981 e 1993. A Grã-Bretanha, dona da primeira edição, tem 16, e a Bélgica, 15. A França vem logo atrás, com sete taças: 2001, 2014, a sequência de quatro entre 2015 e 2018 e o título de 2023.

Nas edições mais recentes, o troféu mudou de mãos com frequência. A Holanda ganhou pela primeira vez em 2019, em Assen, a Itália venceu em 2021 e os Estados Unidos conquistaram o último título americano em 2022, em RedBud. A Austrália, com Jett e Hunter Lawrence, venceu em Matterley Basin em 2024 e defendeu a taça em 2025, a primeira dobradinha desde a série francesa.

O Brasil já recebeu a prova: a edição de 1999 foi disputada em Indaiatuba (SP) e terminou com vitória da Itália.

Largada de uma bateria do Motocross das Nações de 2025 em Ironman, nos Estados Unidos, com pilotos de várias seleções disputando a primeira curva diante da torcida com bandeiras
Largada no Motocross das Nações de 2025, em Ironman: a Austrália venceu com 19 pontos. Foto: Infront Moto Racing/MXGP

França em casa: Febvre, Vialle e Valin

Ernée é o palco onde a França costuma crescer. A pista recebeu a prova em 2005, com vitória americana sobre franceses e belgas, e voltou a sediá-la em 2015 e 2023, as duas vezes com título francês. A edição de 2020, que também seria lá, foi cancelada pela pandemia. Em 2023, a organização tratou o evento como o Motocross das Nações de maior público da história, e a imprensa francesa estimou perto de 100 mil pessoas nos três dias.

O chefe de equipe é Gautier Paulin, que esteve nos cinco títulos franceses entre 2014 e 2018. Na MXGP, a França leva Romain Febvre, da Kawasaki. Campeão mundial em 2025, ele terminou 2026 como vice, com 805 pontos, atrás do holandês Jeffrey Herlings (973). Febvre já ganhou o Motocross das Nações quatro vezes: 2015, 2016, 2017 e 2023.

Na Open, a França tem Tom Vialle, da Honda. Ele voltou ao Mundial em 2026 depois de três anos nos Estados Unidos, onde foi bicampeão da 250SX Leste do Supercross, e fechou a temporada da MXGP em quarto, com 641 pontos. Vialle fez parte do time campeão de 2023, na mesma pista.

A dúvida é Mathis Valin, da Kawasaki, na MX2. Ele conquistou em 2026 a primeira vitória em Grande Prêmio, mas caiu na classificatória do GP de Portugal, no fim de junho, com lesão no punho e compressão de vértebras. Não correu mais o Mundial e volta à competição justamente em casa, pelo segundo ano seguido na seleção.

Pilotos da seleção francesa erguem o Troféu Chamberlain no pódio do Motocross das Nações de 2023 em Ernée, com as equipes da Austrália e da Itália ao lado
A França ergue o Troféu Chamberlain em Ernée, em 2023. Foto: Infront Moto Racing/MXGP

Austrália bicampeã sem os Lawrence

A Austrália defende o título com os números 1, 2 e 3 nas motos e um time inteiro de estreantes: Jed Beaton (MXGP, Yamaha), Alex Larwood (MX2, Honda) e Aaron Tanti (Open, Yamaha). Segundo a MXGP, é a primeira vez desde 1997 que o país leva três novatos à prova. “Vai ser difícil ocupar o lugar dos Lawrence”, reconheceu Tanti. O chefe de equipe é Michael Byrne, ex-piloto da seleção.

Estados Unidos mudaram o time na reta final

Os americanos perseguem o 24º título, e a formação mudou no último fim de semana. Chance Hymas, escalado na MXGP, fraturou ossos do punho na sexta-feira (25), ao exagerar num salto triplo no treino da final do SuperMotocross, e foi cortado. Julien Beaumer, da KTM, vice-campeão da 250 do AMA Pro Motocross de 2026, assume a vaga na MXGP.

O capitão é Cooper Webb, tricampeão da 450SX do Supercross, que corre na Open pela Husqvarna. É a quarta participação dele no Motocross das Nações, e ele subiu ao pódio nas três anteriores (2015, 2016 e 2024). “Adoro a pressão e o clima dessa corrida. Não existe nada igual”, disse Webb. Levi Kitchen, da Kawasaki, estreia na MX2.

Holanda, Bélgica e Espanha na briga

A Holanda tem o campeão mundial de 2026. Jeffrey Herlings conquistou em 2026 o sexto título mundial, o terceiro na MXGP, na estreia pela Honda, e corre na Open. Roan van de Moosdijk está confirmado, e Glenn Coldenhoff, de 35 anos, foi chamado no lugar de Kay de Wolf, que operou a mão. É a 14ª convocação de Coldenhoff, peça do título holandês de 2019, em Assen, quando ele venceu as duas baterias que disputou.

A Bélgica aposta nos irmãos Lucas e Sacha Coenen e em Liam Everts. Sacha e Everts terminaram o Mundial de MX2 em terceiro e quarto. A Espanha tem Jorge Prado, tetracampeão mundial, na MXGP, e Guillem Farrés, campeão mundial da MX2 em 2026, o primeiro título da Triumph na categoria.

O Brasil em Ernée: Fábio Santos, Enzo Lopes e Bresolin

Em 2025, o Brasil passou em 17º na classificação de sábado e fechou o domingo em 12º, com 110 pontos, o melhor resultado do país na história da competição. Por isso, a seleção usa os números 34, 35 e 36.

Na MXGP, Fábio Santos, da Yamaha, faz a nona participação, recorde entre os brasileiros. Na Open, Enzo Lopes, da Honda, disputa a quinta. Na MX2, Guilherme Bresolin, de 20 anos, pilota uma Kawasaki. Campeão brasileiro da MX2 em 2023, ele já correu o Motocross das Nações naquele ano, também em Ernée.

A vaga de Bresolin era de outro piloto. A Confederação Brasileira de Motociclismo havia escolhido Salvador Perez, de 18 anos, campeão brasileiro da MX2 em 2026. A FIM, porém, não aprovou a inscrição por causa dos prazos regulamentares para troca de federação. Bresolin, que era reserva, virou titular.

Há ainda um reencontro curioso. Coldenhoff, o reforço da Holanda, passou a temporada correndo no Brasil pela Yamaha e foi campeão da MX1 no dia 13 de setembro, em Brumadinho (MG). Terminou empatado com Enzo Lopes em 407 pontos e levou o título no desempate por vitórias, 12 a 5. Em Ernée, os dois voltam a dividir a pista, agora por seleções diferentes.

O primeiro objetivo brasileiro é ficar entre os 19 melhores no sábado e evitar a Final B. O lado mental de uma prova em que cada erro pesa para a seleção inteira é tema de motocross e enduro: o impacto do treinamento mental. Na motovelocidade, o Brasil vive outra temporada de estreia, a de Diogo Moreira na MotoGP 2026.

Horários do Motocross das Nações em Brasília

Em outubro, a França está cinco horas à frente de Brasília. Os horários abaixo seguem o programa divulgado pela imprensa francesa e batem com a grade de transmissão da MXGP-TV. A organização ainda pode ajustar a programação.

Sábado (3/10): classificação

  • 9h30: bateria classificatória da MXGP
  • 10h30: bateria classificatória da MX2
  • 11h30: bateria classificatória da Open

Domingo (4/10): baterias que valem o título

  • 6h: Final B
  • 8h10: bateria 1 (MXGP e MX2)
  • 9h40: bateria 2 (MX2 e Open)
  • 11h08: bateria 3 (Open e MXGP)

As baterias do domingo têm 30 minutos mais duas voltas.

Onde assistir ao Motocross das Nações 2026

A transmissão oficial é da MXGP-TV, plataforma de streaming paga do Mundial, que mostra ao vivo a classificação de sábado e as baterias de domingo. No Brasil, o BandSports exibe as etapas do Mundial de Motocross em 2026, num acordo viabilizado pela Yamaha, mas até a publicação desta matéria não havia anúncio de transmissão do Motocross das Nações em canal brasileiro.

O que o Motocross das Nações ensina sobre alta performance

A regra do descarte explica por que a prova é tão particular. Um piloto pode vencer as duas baterias e a seleção perder se os companheiros forem mal. O que decide é a regularidade dos três, e uma queda só é perdoada uma vez. Em 2025, a Austrália ganhou porque somou três vitórias e ainda teve um terceiro lugar para proteger o resultado.

O caso de Salvador Perez mostra outro lado da carreira. O campeão brasileiro da MX2 perdeu a vaga fora da pista, num prazo de federação. Para quem vive de competir, documentação, calendário e regulamento fazem parte do trabalho tanto quanto o treino. É a mesma lógica de quem transformou o motocross em carreira dentro e fora das pistas, como Milton Petry.

E Coldenhoff é o exemplo de processo. Terceiro colocado do Mundial em 2025, ele ficou sem equipe de fábrica para 2026, foi correr no Brasil, venceu 12 vezes e, aos 35 anos, voltou a ser chamado pela seleção do seu país.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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