Lando Norris acertou a volta decisiva no início do Q3 para garantir a pole position do GP de São Paulo de Fórmula 1. O piloto da McLaren marcou 1min27s470 com a pista de Interlagos encharcada, neste sábado (7), e viu a chuva apertar logo depois, sem que nenhum rival conseguisse melhorar.
É a terceira pole seguida de Norris em Interlagos. Segundo o ge, só Felipe Massa e Mika Häkkinen tinham largado na frente no circuito paulistano por três anos consecutivos. A classificação, no entanto, conta só parte da história: cinco pilotos foram punidos por troca de peças do motor, e a ordem de largada da corrida deste domingo (8) ficou bem diferente da tabela de tempos.
A chuva parou a classificação por quase uma hora e meia
Os três treinos livres foram disputados com pista seca. A chuva chegou no fim do TL3 e ganhou força justamente na hora da classificação. A direção de prova mostrou a bandeira vermelha com menos de três minutos de Q1, antes de qualquer tempo registrado, com carros aquaplanando e pouca visibilidade. A sessão ficou parada por 1h24min, de acordo com o ge.
Na volta, todos saíram com pneus de chuva extrema, e a liderança trocou de mãos várias vezes. Norris fechou o Q1 na frente, com 1min30s939. Ficaram pelo caminho as duas Alpine de Franco Colapinto e Pierre Gasly, Lance Stroll, as duas Cadillac de Valtteri Bottas e Sergio Pérez e Gabriel Bortoleto, da Audi, último colocado depois de bater no muro.
No Q2, Max Verstappen nem saiu dos boxes, já sabendo que largaria no fim do grid. Arvid Lindblad parou na curva 5 com um problema na unidade de potência, e a troca para os pneus intermediários derrubou os tempos. A menos de um minuto do fim, a batida de Rafael Câmara provocou a segunda bandeira vermelha e encerrou a sessão. Lewis Hamilton, Oscar Piastri, Câmara, Lindblad, Carlos Sainz e Verstappen foram eliminados.
Russell foi o mais rápido do dia, mas ficou sem a pole
A volta mais veloz de toda a classificação não foi a de Norris. Pela classificação final da FIA, George Russell cravou 1min26s745 no Q2. No Q3, porém, o britânico da Mercedes terminou a 0s204 de Norris, e saiu irritado com a própria equipe.
A Mercedes mandou Russell abortar a segunda volta rápida no fim do Q3. Toto Wolff explicou que o piloto estava ligeiramente à frente do tempo de Norris naquele trecho, mas se aproximava da Williams de Alex Albon, e a equipe achou que ele perderia tempo. Wolff admitiu, depois, que deveriam ter mantido a tentativa, diante da chegada da chuva na volta seguinte. A chuva voltou a apertar, e ninguém melhorou mais.
Norris resumiu a estratégia em uma frase. “Era fazer duas voltas no começo e não cometer erros, e foi exatamente o que fizemos”, disse o piloto à F1. Kimi Antonelli, que já garantiu o título mundial de 2026, terminou em terceiro e admitiu dois erros grandes na última tentativa.

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Classificação não é grid: como as punições mexeram na largada
O top 10 do Q3 teve nove equipes diferentes, sinal de como a chuva embaralhou a hierarquia. A Audi, com Nico Hülkenberg em sexto, teve sua melhor classificação até agora, segundo o diretor Allan McNish. Mas a ordem de largada só sai depois das punições, e o grid provisório da FIA, divulgado às 20h de sábado e ainda sujeito a alterações, mudou quatro dos cinco primeiros lugares.
| Classificação | Piloto | Tempo no Q3 | Larga em |
|---|---|---|---|
| 1º | Lando Norris (McLaren) | 1min27s470 | 1º |
| 2º | George Russell (Mercedes) | 1min27s674 | 7º |
| 3º | Kimi Antonelli (Mercedes) | 1min28s095 | 2º |
| 4º | Charles Leclerc (Ferrari) | 1min28s289 | 14º |
| 5º | Liam Lawson (Racing Bulls) | 1min28s321 | 3º |
| 6º | Nico Hülkenberg (Audi) | 1min28s668 | 4º |
| 7º | Isack Hadjar (Red Bull) | 1min28s763 | 5º |
| 8º | Oliver Bearman (Haas) | 1min29s831 | 6º |
| 9º | Fernando Alonso (Aston Martin) | 1min30s311 | 8º |
| 10º | Alexander Albon (Williams) | 1min30s456 | 9º |
As decisões dos comissários explicam cada salto. Russell perdeu 5 posições pelo sexto motor a combustão da temporada. Leclerc perdeu 10 pelo quinto motor. Verstappen e Pérez receberam 30 posições cada um por três novos componentes da unidade de potência, e Hamilton somou 75: 10 por um motor novo usado no TL3 e mais 65 por outros sete elementos novos usados na classificação. Os três largam nas últimas posições.
O grid completo, com horário e onde assistir, está em GP de São Paulo de F1 hoje: horário, grid e onde assistir.
Câmara e Bortoleto batem no mesmo sábado
Na primeira classificação da carreira na F1, Rafael Câmara viveu a sessão inteira no limite. No Q1, o estreante da Haas aquaplanou na reta, rodou, furou um pneu e danificou a asa dianteira. Voltou dos boxes, passou ao Q2 e brigava por vaga no Q3 quando travou as rodas na última curva e bateu. Ainda teve uma volta de 1min31s470 apagada por limite de pista na curva 8. Terminou em 13º e, com as punições, larga em 11º.
“Foi a primeira vez que eu andei em um carro de Fórmula 1 na chuva”, disse Câmara ao ge. O chefe da Haas, Ayao Komatsu, saiu em defesa do piloto de 21 anos: Komatsu afirmou que o desempenho até a batida justificava a contratação para a próxima temporada. A chegada dele à equipe está contada em Rafael Câmara estreia na F1 em Interlagos no lugar de Ocon.

Bortoleto teve o sábado mais duro. O piloto da Audi travou as rodas na curva 12, a Junção, passou pela grama e bateu no muro, com danos na asa traseira. Não houve tempo para o reparo, e ele ficou em 22º, com 1min41s564. “Tudo por causa do meu erro de hoje”, disse, segundo o Extra. As punições o levam ao 19º lugar no grid.
O que está em jogo na corrida deste domingo
A largada é às 14h (horário de Brasília), com 71 voltas e nova previsão de chuva, segundo as próprias equipes. Antonelli larga ao lado de Norris, Russell sai em sétimo, e as duas Ferrari partem do meio para trás. A combinação favorece a Mercedes na briga pelo título de construtores, que pode ser decidido em Interlagos, como mostra Mercedes pode ser campeã de construtores em Interlagos.
O que a pole de Norris ensina sobre alta performance
Norris não fez a volta mais rápida do dia. Fez a volta certa no momento certo: leu que a pista só pioraria, colocou duas tentativas limpas logo no início do Q3 e deixou a pressão para os rivais. Russell tinha mais velocidade e ficou sem a pole por uma decisão de segundos.
Em qualquer modalidade, a janela de desempenho máximo raramente fica aberta por muito tempo. O atleta que chega pronto no primeiro minuto, sem guardar nada para depois, costuma levar a vantagem quando as condições mudam.
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