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Camarotes ultra VIP movimentam milhões na Fórmula 1 em São Paulo

Arquibancada lotada e carros de Fórmula 1 na reta dos boxes de Interlagos, vista do alto, durante o GP de São Paulo

Neste domingo (8), quando as luzes se apagarem para a largada do GP de São Paulo, boa parte do dinheiro do fim de semana já terá mudado de mão. Os ingressos da edição de 2026 foram vendidos em 17 de novembro de 2025, quase um ano antes da corrida, e acabaram em menos de uma hora. Camarotes incluídos. A pré-venda para clientes de Porto Bank e Amex, na semana anterior, se esgotou em minutos.

Em Interlagos, a F1 é corrida e também é balcão de negócios. Há lugar de R$ 30 mil por pessoa, prédio novo de 22 mil metros quadrados só para hospitalidade e mais de 400 empresas usando o fim de semana para receber cliente, fornecedor e parceiro. A conta fecha na cidade: R$ 2,3 bilhões de impacto econômico em 2025, segundo a FGV.

Quanto custa um camarote no GP de São Paulo 2026

O camarote mais caro com preço público em 2026 custa R$ 30 mil pelos três dias. Abaixo dele, os clubes oficiais de hospitalidade partem de R$ 8.300. Os valores de entrada, vendidos pela Eventim, ficaram assim:

EspaçoPreço a partir de (3 dias)O que oferece
Terrace 1 (Soccer Hospitality)R$ 30.000Open bar premium, refeições, visita aos boxes, vista da Ferradura
Grand Prix ClubR$ 20.900Área central, lounge, visita aos boxes
Pit Stop ClubR$ 10.750Vista dos boxes
Orange Tree ClubR$ 8.300Lounge de hospitalidade
Arquibancada Setor BR$ 5.290Assento, sem serviço
Arquibancada Setor GR$ 495Assento, sem serviço

Acima de todos está o Paddock Club, vendido pela própria Fórmula 1 e instalado sobre os boxes. Revendedoras internacionais anunciam o pacote de três dias por mais de US$ 8 mil.

Nos camarotes, comida e bebida entram no preço. É por isso que a distância entre o Setor G e o Terrace 1 chega a 60 vezes: o torcedor da arquibancada compra um assento, o convidado do camarote compra três dias de serviço, acesso e companhia.

O que R$ 30 mil compram em Interlagos

O Terrace 1 é operado pela Soccer Hospitality, empresa que administra dez camarotes em estádios de futebol, como Allianz Parque, Neo Química Arena e Morumbis, e no Carnaval de São Paulo. A operação fatura mais de R$ 30 milhões por ano e tem mais de 200 funcionários fixos, segundo a Máquina do Esporte. A F1 entrou no portfólio em 2025.

Pelo pacote de 2026, o convidado leva visita aos boxes das equipes em horários definidos pela organização, ambiente climatizado, café da manhã, almoço e bufê ao longo do dia, além de open bar com cerveja, vinho, espumante e uísque. A estrutura recebe até 300 convidados por dia, ao lado da pista e com vista para a curva da Ferradura. Todo dia há sorteio de um capacete inspirado no modelo de Ayrton Senna, produzido pelo escritório de Sid Mosca, que pintava os capacetes do tricampeão.

“Chegar ao segundo ano do Terrace 1 reforça que estamos no caminho certo”, disse Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, à Gazeta Esportiva.

A demanda sustenta o preço. Em 2025, pacotes de até R$ 25 mil se esgotaram em agências especializadas. Joaquim Lo Prete, diretor da Absolut Sport no Brasil, agência de viagens esportivas, contou à CNN Brasil que a receita líquida da empresa com o GP cresceu 124% em relação a 2024. Cerca de um terço dos compradores desses pacotes era estrangeiro.

O prédio de 22 mil metros quadrados que mudou o negócio

A virada de chave veio em 2025, com a estreia do Hospitality Center. É um prédio de 22 mil metros quadrados na área central do autódromo, com capacidade para até 6 mil pessoas, parte do investimento de cerca de R$ 500 milhões da Prefeitura de São Paulo em Interlagos.

Até então, a hospitalidade do GP vivia de estrutura temporária, montada e desmontada a cada edição. O prédio fixo deu às empresas o que elas procuravam: lounges próprios, com vista para as curvas do Pinheirinho e do Bico de Pato, onde podem levar dezenas de convidados com padrão de evento corporativo.

Vista aérea do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, com o miolo do circuito e os prédios da área central
Vista aérea de Interlagos em dezembro de 2025. Foto: ProtoplasmaKid, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Grand Prix Club funciona ali e recebeu cerca de 3 mil pessoas por dia na estreia, segundo a Exame. Uma conta de ordem de grandeza, feita pelo Atleta Pro com os números divulgados: 3 mil lugares pelo preço de entrada de cerca de R$ 20 mil passam de R$ 60 milhões em ingressos, só nesse setor. É estimativa, já que lounges corporativos são negociados à parte.

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Por que Gerdau, AWS e Honda compram camarote na F1

Empresa não compra camarote para assistir à corrida. Compra três dias de acesso exclusivo a quem ela quer vender. Na estreia do Grand Prix Club, cerca de 100 companhias usaram o espaço para relacionamento. A lista publicada pela Máquina do Esporte inclui Gerdau, Sportingbet, Porto Bank, Honda, White Martins, Petronas, Editora Globo, AWS, Puma, iFood Benefícios, KitKat, Intel, Castrol, Mercedes, Prudential, Mattel, Crowdstrike e Claro.

Somando patrocinadores da categoria, do GP e clientes de hospitalidade, mais de 400 empresas participaram da edição de 2025, segundo a organização. A MSC Cruzeiros dá nome ao evento. Moët & Chandon serve o Paddock Club. A BOSS montou camarote próprio com vista para a Ferradura. Fintechs, casas de apostas e marcas de luxo são os setores mais presentes.

A lógica é a de qualquer evento de relacionamento, com uma vantagem que o salão de convenções não tem: o convite é difícil de recusar. Um diretor que não aceitaria um almoço de negócios aceita passar o domingo a metros dos boxes da Ferrari.

Ferrari de Charles Leclerc em alta velocidade na pista de Interlagos durante o GP de São Paulo
A Ferrari de Charles Leclerc em Interlagos, em 2022. Foto: Leandro Neumann Ciuffo, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

“O entretenimento se potencializa quando você junta as pessoas certas nos lugares certos”, resumiu à Forbes Juan Moraes, PR oficial da Fórmula 1 no Brasil, que assinou três espaços de hospitalidade em 2025. “A marca deixa de ser só patrocinadora e vira parte da história.”

R$ 2,3 bilhões: o que a F1 deixa em São Paulo

O camarote é a ponta mais visível de uma engrenagem maior. O estudo da FGV sobre o GP de 2025, com dados do Observatório do Turismo da SPTuris, calculou R$ 2,3 bilhões de impacto econômico, crescimento real de 9,7% sobre 2024. Os números principais:

Indicador (GP 2025)Valor
Impacto econômico totalR$ 2,3 bilhões
Impacto diretoR$ 1,4 bilhão
Impacto indiretoR$ 894,2 milhões
Tributos geradosR$ 324,4 milhões
Retorno por R$ 1 investidoR$ 7,14
Público nos três dias303.627 pessoas (recorde)
Profissionais envolvidos23,7 mil (+17,3%)
Público de fora da capital75% (17% do exterior)

Hotéis premium da cidade operaram perto do limite no fim de semana, e restaurantes montaram cardápios especiais para a corrida. A exposição na mídia foi avaliada em US$ 516,6 milhões pela Formula Money, o maior valor já registrado pelo GP. É valor publicitário estimado, que não se soma ao impacto econômico.

Para 2026, o autódromo ganhou quase 8 mil novos assentos. O balanço da edição atual só sai depois da corrida, como já disse o prefeito Ricardo Nunes. Pesquisa feita com o público de 2025 mostrou que 94,8% pretendiam voltar.

Contrato até 2030 e a briga por 2035

Tudo isso tem prazo. Em novembro de 2023, a Fórmula 1 renovou o contrato com São Paulo até 2030, num anúncio feito por Stefano Domenicali, CEO da categoria, ao lado de Nunes e de Alan Adler, CEO do GP São Paulo. “Movimentamos toda uma cadeia de negócios, geramos empregos, aumentamos a arrecadação”, disse Adler no balanço de 2025.

No fim de outubro de 2026, a Prefeitura afirmou que quer estender o acordo até 2035 e aguarda resposta da F1. Até este sábado (7), não há confirmação oficial.

O mercado não espera. A Fórmula 1 já abriu lista de espera para a hospitalidade do GP de São Paulo de 2027. Quem vende camarote trabalha com um ano de antecedência, e quem compra também: o lounge de novembro entra no orçamento de marketing do ano anterior.

Para quem quer acompanhar a corrida pela TV, o guia onde assistir ao GP de São Paulo 2026 traz canais e horários. No grid, a estreia de Rafael Câmara pela Haas em Interlagos é o assunto do fim de semana. E o dinheiro da categoria vai muito além das arquibancadas: veja quanto vale cada equipe da F1 e quem são os pilotos mais bem pagos.

O que isso ensina sobre alta performance

O camarote de Interlagos explica uma regra que vale para qualquer atleta que busca patrocínio. A empresa que paga R$ 30 mil por convidado não está comprando um lugar para ver carro passar. Está comprando acesso, ambiente e a chance de estar perto de quem decide. O piloto é o motivo do evento, mas o negócio acontece no lounge.

Para o atleta, a lição é direta: patrocinador não compra só o logo na camisa. Compra o que o atleta consegue colocar na frente dele, seja audiência, relacionamento, história ou presença. Quem trata a carreira como empresa entende isso cedo e oferece mais que resultado.

A outra lição é sobre ambiente. Interlagos vende caro porque reúne, no mesmo lugar e na mesma hora, as pessoas certas. O atleta que escolhe com quem treina, com quem compete e com quem convive está fazendo a mesma conta, em escala menor.

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Diogo Moraes

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