Antes de virar estrela de televisão, Richard Rawlings vendia impressão. Era dono de uma gráfica e agência de publicidade em Dallas, a Lincoln Press, quando abriu uma pequena oficina de carros clássicos em 2002. Dois anos depois, vendeu a gráfica e ficou só com a oficina. O nome dela era Gas Monkey Garage.
Duas décadas depois, a oficina sobreviveu a uma coisa que derruba a maioria das marcas nascidas na TV: o fim do programa. Fast N’ Loud saiu do ar em 2020, depois de 16 temporadas no Discovery Channel, e a Gas Monkey seguiu com vídeo novo toda semana no YouTube e 5,5 milhões de seguidores no Instagram. No fim de outubro de 2026, ela ganhou um capítulo brasileiro: depois de receber a caravana da FuelTech a caminho do SEMA Show, Rawlings transformou a visita em data fixa no calendário da casa.
Antes dos carros, uma gráfica
Rawlings nasceu em Fort Worth, no Texas, em 1969. Ia a salões de automóvel com o pai e comprou o primeiro carro aos 14 anos. A carreira, porém, começou longe da graxa: em 1999, ele fundou a Lincoln Press, empresa de impressão e publicidade em Dallas.
A Gas Monkey Garage nasceu em 2002 como um negócio paralelo, de customização de clássicos e hot rods. Em 2004, Rawlings vendeu a gráfica e apostou tudo na oficina, com o mecânico Aaron Kaufman, parceiro dos primeiros anos e do programa que viria depois.
A origem explica muito do que veio depois. Quem passa anos vendendo publicidade para os outros aprende cedo que marca é ativo. A Gas Monkey nunca foi tratada só como oficina.

Fast N’ Loud: a oficina que virou programa de TV
Em 2012, a Gas Monkey virou cenário de Fast N’ Loud, no Discovery Channel. No Brasil, o programa passou no Discovery Turbo com o nome de Dupla do Barulho. A fórmula era simples: achar um carro esquecido, comprar barato, reconstruir na oficina e vender com lucro, com a negociação aparecendo na tela.
Foram 16 temporadas, de 2012 a 2020. O último episódio, “Flippin’ The Bird”, foi ao ar em 2020, com um Pontiac Firebird e participação do ex-jogador da NFL DeMarcus Ware. Rawlings confirmou o fim do programa no fim daquele ano, no podcast de Joe Rogan.
Alguns carros nunca saíram da casa. Na visita da caravana brasileira, a equipe da Gas Monkey mostrou o primeiro carro construído para a televisão e o Pontiac do último episódio, dois dos três que, segundo a própria equipe, Rawlings diz que não vende de jeito nenhum.
Em volta do programa, uma marca
O programa deu audiência. Rawlings transformou a audiência em empresa. Em 2018, a revista Entrepreneur descreveu a Gas Monkey como uma marca multimilionária espalhada por três prédios no noroeste de Dallas. A linha do tempo mostra como cada frente nasceu em volta da TV:
| Ano | O que nasceu em volta do programa |
|---|---|
| 2013 | Gas Monkey Bar N’ Grill, restaurante e bar no noroeste de Dallas |
| 2014 | Segunda unidade do bar, no aeroporto DFW, e a casa de shows Gas Monkey Live |
| 2014 | Rawlings estrela comerciais nacionais da Dodge |
| 2015 | Autobiografia “Fast N’ Loud: Blood, Sweat and Beers” |
| 2017 | Garage Rehab, segundo programa no Discovery, sobre oficinas em crise |
| 2019 | Licenciamento da marca para uma linha de energéticos |
| 2022 | Patrocínio master de Peter Hickman e da FHO Racing no TT da Ilha de Man |
Nem tudo deu certo. A Gas Monkey Live fechou em maio de 2020, e o restaurante Richard Rawlings’ Garage, aberto em Harker Heights em 2016, encerrou as atividades em 2019. Mas a lógica se manteve: o carro é o produto, e a marca é o que paga as contas.
Garage Rehab é o exemplo mais claro. Rawlings levou ao Discovery, por volta de 2015, a ideia de um programa em que ele e os coapresentadores Russell Holmes e Chris Stephens recuperam oficinas mecânicas em dificuldade. Em vez de vender carro, o programa vende gestão.

Atleta Pro News
O esporte que importa, 3 vezes por semana no seu e-mail
Resultados, bastidores e histórias do esporte, direto na sua caixa de entrada. Grátis.
Ao assinar, você aceita receber os e-mails do Atleta Pro. Dá para sair quando quiser. Política de privacidade.
O programa acabou, a Gas Monkey ficou
Quando Fast N’ Loud saiu do ar, a Gas Monkey mudou de canal. A bio do perfil no Instagram, que tem 5,5 milhões de seguidores, anuncia episódio novo no YouTube toda semana. O perfil pessoal de Rawlings soma mais 3,3 milhões.
Na visita da caravana, a equipe mostrou o andar onde fica a produção: criadores, câmeras e editores trabalhando dentro do mesmo prédio da oficina. “A gente tem mais episódios no YouTube hoje do que no Discovery Channel”, disse um dos funcionários aos brasileiros. Segundo a equipe, a oficina também faz tours gratuitos às segundas e sextas, com inscrição pelo site.
A mudança diz muito sobre o modelo. A TV deu o alcance, mas a Gas Monkey nunca dependeu de uma emissora para existir. Quando o contrato acabou, a marca já tinha bar, licenciamento, loja, patrocínio e uma equipe de conteúdo própria.
A quinta-feira dos brasileiros na Gas Monkey
Na quinta-feira, 29 de outubro, a caravana brasileira que cruzava os Estados Unidos rumo ao SEMA Show parou em Dallas. O grupo, com Anderson Dick, fundador da FuelTech, e Tiago Kfouri, o TK, tinha saído dias antes da sede americana da FuelTech, em Ball Ground, na Geórgia, na largada com mais de 50 carros.

A parada virou socorro. A Gas Monkey abriu a oficina para os carros da caravana que tinham dado problema na estrada, incluindo a Mercedes de Anderson, como o Atleta Pro contou na reportagem sobre a chegada a Las Vegas. “A regra do evento da SEMA é que o carro sempre tem que chegar lá, não importa como”, explicou a equipe da casa no vídeo do Macchina. “Muita gente ajudou a gente ao longo dos anos.”
Teve churrasco no pátio, tour pela coleção particular de Rawlings, uma F-250 da Jones Cascavel Diesel dando zerinho em volta do monster truck com a bandeira do Brasil para fora da janela e uma live de Lucas Fontana dentro da oficina, com Anderson e Rawlings lado a lado. O carrossel de Diogo Moraes, publicado em parceria com a Gas Monkey e com Rawlings, resume a trajetória:
A visita completa está no vídeo do canal Macchina, de TK:
Brazil Day: a data fixa no calendário da Gas Monkey
Dias depois, na semana da feira em Las Vegas, Rawlings anunciou nas redes sociais que a visita vira tradição. “Toda quinta-feira antes do SEMA agora é Brazil Day”, escreveu, ao contar que a turma brasileira tinha passado pela Gas Monkey a caminho da feira.
O Brasil não é público pequeno para a casa. Na conversa com a caravana, a equipe da Gas Monkey disse que o país foi o segundo maior mercado de Fast N’ Loud, atrás só dos Estados Unidos. Os brasileiros também chegaram a propor a vinda de Rawlings ao país em janeiro, para uma caravana por aqui. Por enquanto, é convite, sem nada confirmado.
O certo é a data: a próxima quinta-feira antes do SEMA Show já tem dono.
O que a Gas Monkey ensina sobre alta performance
Todo programa de TV acaba. Toda carreira esportiva também. A diferença entre Rawlings e a maioria das marcas que nasceram na televisão está no que ele construiu enquanto o programa ainda estava no ar: bar, licenciamento, patrocínio, segundo programa e uma equipe de conteúdo própria. Quando a vitrine principal fechou, o negócio já tinha outras portas.
Para o atleta, a lição é a mesma. O resultado é a vitrine, e ela tem prazo de validade. Imagem, rede de contatos, conteúdo e patrocínio são trabalho de todo dia, feito enquanto a carreira está no auge, e não quando ela termina. O atleta é uma empresa, e a Gas Monkey mostra que dá para a marca continuar rodando depois que a câmera desliga.
A outra lição é o ambiente. A caravana brasileira chegou a Las Vegas porque uma oficina de Dallas abriu as portas para quem estava quebrado na estrada. Ninguém faz esse caminho sozinho.
O resultado é a vitrine. A carreira é a empresa.
Na Atleta Pro Academy, atletas aprendem a construir imagem, patrocínio e carreira que duram além do pódio.







