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Sergio Pérez renova com a Cadillac até 2029 antes do 300º GP

Sergio Pérez com uniforme da Cadillac na Fórmula 1

Sergio Pérez chega ao Grande Prêmio do México com o futuro resolvido. A Cadillac anunciou nesta quarta-feira (28), na Cidade do México, que o piloto mexicano de 36 anos renovou contrato com a equipe americana até, pelo menos, o fim da temporada de 2029. O vínculo anterior terminava em 2027.

O anúncio chega a quatro dias de uma data simbólica. Se largar no domingo (1º), no Autódromo Hermanos Rodríguez, Checo fará o 300º Grande Prêmio da carreira e vai ultrapassar Sebastian Vettel na lista de pilotos com mais largadas da história da Fórmula 1. Tudo isso a bordo de um carro que, depois de 18 etapas, ainda não somou um ponto sequer.

O que diz o novo contrato de Pérez com a Cadillac

O comunicado oficial fala em uma extensão de vários anos, que compromete o mexicano com o projeto americano “até pelo menos 2029”. Na prática, Pérez garante as temporadas de 2027, 2028 e 2029. Ele terá 39 anos quando o novo acordo chegar ao fim.

“Entrar na Cadillac desde o primeiro dia foi um projeto em que eu realmente acreditei, e estender meu compromisso parece uma continuação natural deste capítulo”, disse Pérez. “Construir uma equipe de Fórmula 1 do zero exige tempo, trabalho incansável e paciência, mas o progresso que estamos fazendo juntos é incrivelmente gratificante. Ainda há muito trabalho pela frente e estou totalmente comprometido com os próximos três anos.”

O CEO da equipe, Dan Towriss, tratou a renovação como peça de continuidade. “Construir uma equipe competitiva na F1 é uma jornada de longo prazo, e garantir o talento e a liderança de Checo nos dá a continuidade e o compromisso de que precisamos para avançar sobre a base sólida do nosso primeiro ano”, afirmou.

Segundo a Cadillac, o retorno técnico e a leitura de corrida do mexicano ajudaram a acelerar o desenvolvimento do chassi e a organizar a operação de pista nas três bases do time: Silverstone, na Inglaterra, e Indianápolis e Charlotte, nos Estados Unidos.

Sergio Pérez pilota a Cadillac MAC-26 durante a classificação do GP da Itália de 2026, em Monza
Pérez com a Cadillac MAC-26 na classificação do GP da Itália, em setembro. Foto: Eustace Bagge/Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

Os números que pesaram a favor do mexicano

A temporada de estreia da Cadillac tem sido dura. A equipe ocupa a última posição no Mundial de Construtores, sem pontos, e nenhum dos dois pilotos pontuou até aqui. Em Austin, no domingo passado, Valtteri Bottas abandonou nas voltas finais com suspeita de problema na unidade de potência.

Dentro da garagem, porém, os dados favorecem Pérez. Levantamento publicado pelo site oficial da Fórmula 1 mostra o mexicano à frente de Bottas por 10 a 8 nas classificações. Nas corridas em que os dois cruzaram a linha de chegada, o placar é de 6 a 1 para Checo. Ele também fez a volta mais rápida da equipe em 14 Grandes Prêmios, contra 3 do finlandês.

A própria análise da F1 faz uma ressalva: a Cadillac costuma rodar estratégias e configurações diferentes nos dois carros para acelerar o aprendizado. Ainda assim, com a confiabilidade pesando contra Bottas, que soma oito abandonos no ano, a comparação ajuda a explicar por que o time decidiu fechar primeiro a vaga do mexicano.

300 largadas e um lugar entre os sete mais longevos

Pérez estreou na Fórmula 1 no GP da Austrália de 2011, pela Sauber. Desde então, passou por McLaren, Force India, Racing Point e Red Bull, até chegar à Cadillac. Hoje ele soma 299 largadas, o mesmo número de Sebastian Vettel, segundo as estatísticas de recordes da categoria.

Ao alinhar no grid do México, o mexicano chega a 300 e assume sozinho o sétimo lugar da lista histórica. À frente dele ficam apenas Fernando Alonso (443), Lewis Hamilton (398), Kimi Räikkönen (349), Rubens Barrichello (322), Michael Schumacher e Jenson Button (306 cada). No grid atual, só Alonso e Hamilton têm mais experiência.

O currículo inclui seis vitórias, 39 pódios, três poles e o vice-campeonato de 2023, pela Red Bull. Pérez também carrega uma marca que diz muito sobre persistência: precisou de 190 largadas para vencer pela primeira vez, no GP de Sakhir de 2020, o maior intervalo da história até uma vitória. E terminou 255 das 299 corridas que disputou, aproveitamento de 85%.

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A volta para casa depois de um ano fora

A renovação acontece em um momento de reencontro. Depois de deixar a Red Bull no fim de 2024, Pérez passou 2025 fora do grid e não correu no México no ano passado. A Cadillac programou para esta quarta-feira, às 10h locais, uma exibição do mexicano no Paseo de la Reforma, uma das avenidas mais conhecidas da capital, para abrir a semana do GP.

“Não corri aqui no ano passado, então estou superanimado por voltar, e que esta seja a minha 300ª corrida é incrível”, disse Pérez na prévia divulgada pela equipe. “Ter um piloto na F1 foi algo enorme para o México, e eu tive um apoio incrível ao longo da carreira.”

O retrospecto em casa ajuda a entender a expectativa. Em nove edições do GP do México disputadas antes deste fim de semana, Pérez pontuou em seis e subiu ao pódio em 2021 e em 2022. O desafio agora é outro: levar um carro novo ao circuito mais alto do calendário, a 2.240 metros de altitude, onde o ar rarefeito reduz a pressão aerodinâmica e a capacidade de refrigeração. O Atleta Pro explicou como a altitude muda os carros da F1 no México.

A corrida está marcada para domingo, 1º de novembro, às 17h de Brasília. O guia com horários e transmissão do GP do México 2026 traz a programação completa.

Sergio Pérez pilota a Force India no GP do México de 2015, no Autódromo Hermanos Rodríguez
Pérez no GP do México de 2015, ano em que a prova voltou ao calendário. Foto: Christian Ramiro González Verón/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

E a segunda vaga, com Bottas ou Colton Herta?

Com Pérez garantido, a atenção se volta para o outro carro. Segundo o site oficial da F1, Bottas assinou um contrato de vários anos para voltar ao grid, mas a Cadillac ainda não exerceu a opção que o manteria na equipe em 2027.

A mesma análise aponta o finlandês como favorito para seguir no time, mas coloca o americano Colton Herta, piloto de testes da Cadillac, como candidato real. A equipe nunca escondeu o desejo de ter um piloto dos Estados Unidos, desde que a escolha seja por mérito. Herta, aliás, vai substituir Bottas no primeiro treino livre desta sexta-feira, no México, na sua quinta participação em uma sessão de FP1 pelo time.

2029, o ano em que a Cadillac quer ter motor próprio

O prazo do contrato não é casual. A Cadillac usa hoje motores Ferrari, enquanto a General Motors desenvolve sua própria unidade de potência nos Estados Unidos, com estreia prevista para 2029, conforme reportou o Grande Prêmio. Se o cronograma for cumprido, Pérez estará na equipe quando o carro passar a ser inteiramente americano.

Na terça-feira, em entrevista coletiva na Cidade do México citada pelo jornal El Financiero, o piloto já indicava que via o projeto como algo de mais fôlego. “Sabíamos que ia ser complicado. Começar do zero é difícil, mas espero que, na metade da próxima temporada, estejamos brigando por coisas importantes”, disse.

O que a renovação de Pérez ensina sobre alta performance

A primeira lição está na forma de medir o desempenho. Quando o equipamento não permite brigar por pontos, o resultado bruto diz pouco. A Cadillac olhou para o que estava sob controle do piloto: comparação direta com o companheiro de equipe, ritmo de volta e consistência. Para atletas e treinadores, o raciocínio é o mesmo: em fases de construção, a referência mais honesta é o próprio histórico e quem divide as mesmas condições.

A segunda está no valor da experiência. Uma equipe nova precisa de informação de qualidade para evoluir, e um piloto com quase 300 corridas traduz sensações do carro em dados úteis para os engenheiros. É um ativo que não aparece na tabela, mas acelera o desenvolvimento.

A terceira é sobre paciência. Pérez esperou 190 largadas pela primeira vitória e agora assina por mais três temporadas em um projeto que ainda não pontuou. Longevidade no alto rendimento raramente é linear: depende de terminar provas, aprender com cada etapa e continuar disponível quando a oportunidade aparece.

Fontes: comunicado oficial da Cadillac, prévia oficial da Cadillac para o GP do México, análise do site oficial da Fórmula 1, Sky Sports, Grande Prêmio, El Financiero e recordes da Fórmula 1.

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