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US Open entra na semana decisiva com Alcaraz x Shelton nesta terça

Elena Rybakina sorri em quadra com a raquete na mão durante torneio de tênis

O último Grand Slam do ano chegou às quartas de final sem os dois jogadores que dominaram a conversa do tênis masculino nos últimos três anos. Jannik Sinner, número 1 do mundo, desistiu do torneio em 21 de agosto por causa do joelho direito. Novak Djokovic, quarto cabeça de chave, caiu logo na estreia, em cinco sets, para o argentino Mariano Navone.

O que sobrou é uma chave aberta como não se via há tempos em Flushing Meadows, com uma disputa de número 1 em jogo no lado feminino, três americanos vivos no masculino e uma brasileira, Luisa Stefani, como última representante do país no torneio.

A ausência de Sinner virou um dado histórico

O US Open de 2026 é a 146ª edição do torneio e vai de 30 de agosto a 13 de setembro. Sinner anunciou a desistência a nove dias do início da chave, depois de já ter pulado o Masters 1000 do Canadá e Cincinnati. Ele não jogava desde o bicampeonato em Wimbledon, em julho.

Desde que o ranking da ATP existe, em 1973, o número 1 do mundo faltou ao US Open exatamente duas vezes. A primeira foi Pete Sampras, em 1999, com uma hérnia de disco sentida em um treino no Grandstand. A segunda é esta.

Djokovic, aos 39 anos, perdeu para Navone por 7/6 (5), 5/7, 4/6, 6/2 e 6/1, em 4h36. Foi a primeira vez que ele caiu na rodada de abertura do US Open e a eliminação mais precoce dele em um Grand Slam desde o Aberto da Austrália de 2006. Depois do jogo, o sérvio falou em enjoo e cãibras que o acompanham há praticamente toda a temporada.

As quartas masculinas: Zverev de um lado, Alcaraz do outro

Com Sinner fora e Djokovic eliminado, a chave masculina ficou partida entre o cabeça de chave 1 e o campeão defensor.

ConfrontoDia
Frances Tiafoe (11) x Alex Michelsenterça, 8 de setembro
Carlos Alcaraz (2) x Ben Shelton (8)terça, 8 de setembro
Alexander Zverev (1) x Botic van de Zandschulpquarta, 9 de setembro
Karen Khachanov x Alexander Blockx (28)quarta, 9 de setembro
Alexander Zverev prepara o backhand em quadra de saibro em Roland Garros
Alexander Zverev, campeão de Roland Garros em 2026, é o cabeça de chave 1 do US Open. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Zverev chega como cabeça 1 e com um título de Grand Slam no currículo, conquistado neste ano em Roland Garros, onde bateu Flavio Cobolli em cinco sets e virou o primeiro alemão a vencer um major de simples masculino desde Boris Becker, em 1996. Na quarta rodada, passou por Luciano Darderi (21) por 6/2, 6/2 e 7/6.

Alcaraz defende o título de 2025 e já ganhou o Aberto da Austrália em janeiro. Contra Tommy Paul (20), venceu por 6/4, 6/3 e 6/4. Nesta terça ele encara Ben Shelton, oitavo cabeça e número 1 dos Estados Unidos, no jogo da sessão noturna. É o mesmo espanhol que passou quatro meses parado e voltou com a cabeça intacta.

Três americanos nas quartas e um jejum de 23 anos

O lado de baixo da chave virou território dos Estados Unidos. Frances Tiafoe bateu Daniil Medvedev (7) por 7/6 (1), 6/4 e 7/6 (6), na primeira vitória dele sobre o russo em oito encontros no circuito. Com o resultado, Tiafoe chegou a dez vitórias em dez jogos no Louis Armstrong Stadium.

Ben Shelton em entrevista coletiva durante torneio da ATP
Ben Shelton, número 1 dos Estados Unidos, enfrenta Carlos Alcaraz nas quartas do US Open. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Do outro lado da quadra estará Alex Michelsen, de 22 anos, número 46 do mundo e sem nenhum set perdido no torneio. Ele eliminou Tomas Martin Etcheverry (27) por 7/6 (6), 6/4 e 6/4 e chega às quartas de um Grand Slam pela primeira vez.

Nenhum tenista americano vence um Grand Slam de simples masculino desde Andy Roddick, aqui mesmo, em 2003. Shelton, Tiafoe e Michelsen são as três chances de encerrar a conta, e duas delas se anulam nesta terça.

Alexander Blockx faz história para a Bélgica

A surpresa da chave atende por Alexander Blockx, 21 anos, 28º cabeça, jogando o US Open pela primeira vez. Ele eliminou Francisco Cerundolo (24) por 6/3, 4/6, 7/5 e 7/5 e virou o primeiro belga a alcançar as quartas de final do torneio.

Blockx já havia derrubado Flavio Cobolli na terceira rodada e revelou depois que jogou a partida contra Cerundolo com uma dor aguda na costela, medicado pelo departamento médico. Segundo ele, teria pensado em abandonar se tivesse perdido o terceiro set. Na temporada, o belga também chegou à semifinal do Masters 1000 de Madri e à final de Estoril. Ele é o quinto jogador nascido em 2005 ou depois a alcançar as quartas de um major.

Nas quartas, pega Karen Khachanov, que passou por Learner Tien (14) em cinco sets, por 7/5, 4/6, 6/7 (6), 6/1 e 6/4.

No feminino, quatro campeãs de Grand Slam e o posto de número 1 em jogo

A chave feminina segurou as favoritas e entregou as quartas mais fortes do torneio em anos.

ConfrontoDia
Aryna Sabalenka (1) x Linda Noskova (6)terça, 8 de setembro
Jessica Pegula (3) x Emma Navarro (26)terça, 8 de setembro
Elena Rybakina (2) x Zheng Qinwenquarta, 9 de setembro
Coco Gauff (4) x Mirra Andreeva (5)quarta, 9 de setembro

Sabalenka defende o título de 2025. Noskova venceu Wimbledon neste ano. Andreeva ganhou Roland Garros. Rybakina levou o Aberto da Austrália. As quatro campeãs de major da temporada feminina estão vivas na mesma rodada.

O prêmio extra é o topo do ranking. Rybakina garante o posto de número 1 do mundo se vencer Zheng e chegar à semifinal. Mesmo se perder nas quartas, ela só perde a chance de assumir a liderança caso Sabalenka, Gauff ou Pegula fiquem com o título. Vice ou semifinal não bastam para as rivais.

Na quarta rodada, Rybakina passou por Naomi Osaka (13) por 6/1 e 6/4, Gauff venceu Iva Jovic (14) por 6/1 e 6/4, e Andreeva virou sobre Anastasia Potapova (24) por 5/7, 6/4 e 6/3.

Zheng Qinwen salvou 0 a 5 duas vezes seguidas

O jogo mais improvável da semana passada foi o de Zheng Qinwen contra Iga Swiatek. A chinesa, campeã olímpica em 2024 e ex-número 4 do mundo, hoje aparece na 121ª posição depois de uma cirurgia no cotovelo e precisou passar pelo qualifying para entrar na chave principal.

Contra Swiatek, oitava cabeça e campeã do US Open de 2022, Zheng perdeu os cinco primeiros games e venceu por 7/5 e 6/3. Dois dias antes, tinha feito a mesma coisa contra Madison Keys (22): estava 0 a 5 no set decisivo e ganhou os sete games seguintes, fechando em 1/6, 7/6 (3) e 7/5.

Ela é a primeira tenista vinda do qualifying a alcançar as quartas do US Open desde Emma Raducanu, que em 2021 venceu o torneio inteiro saindo da mesma condição.

O Brasil no torneio: Luisa Stefani é a única viva

Pela primeira vez desde 2018, o US Open não teve nenhum brasileiro na chave de simples. João Fonseca desistiu por causa de um incômodo abdominal, o mesmo que o tirou de Cincinnati antes da terceira rodada, e voltou ao Brasil para tratamento. Beatriz Haddad Maia está afastada do circuito por seis meses para cuidar da saúde mental, com retorno previsto apenas para 2027. Nenhum dos quatro brasileiros do qualifying passou.

Nas duplas, Marcelo Melo caiu na segunda rodada ao lado do australiano John Peers, para os americanos Brandon Carpico e Nikita Samuel Filin, por 3/6, 7/6 (0) e 6/4.

Restou Luisa Stefani. A paulista, quarta do mundo em duplas, joga ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, terceira colocada, e garantiu vaga nas quartas na segunda-feira ao vencer a japonesa Eri Hozumi e a eslovena Andreja Klepac por 6/0 e 6/3. A dupla soma três títulos WTA na temporada, em Dubai, Estrasburgo e Eastbourne, e foi finalista de Wimbledon.

Stefani busca o primeiro Grand Slam de duplas femininas. Ela já tem um major na galeria: o de duplas mistas do Aberto da Austrália de 2023, ao lado de Rafael Matos, na primeira conquista de uma dupla totalmente brasileira em um Slam. A chave de duplas mistas deste ano, aliás, já tinha dado o que falar na primeira semana, quando Djokovic e Sabalenka caíram na estreia.

Datas, horários e onde assistir

As quartas de final de simples acontecem nesta terça, 8, e na quarta, 9. As semifinais femininas ficam para quinta-feira, 10, e as masculinas para sexta, 11. A final feminina é no sábado, 12, e a masculina no domingo, 13, as duas no Arthur Ashe Stadium.

No Brasil, o torneio passa na ESPN e no Disney+, que dá acesso simultâneo às quadras do complexo, e o SporTV exibe partidas selecionadas. O guia completo está em onde assistir o US Open 2026 ao vivo no Brasil.

A premiação de 2026 é a maior da história do tênis: 108 milhões de dólares distribuídos, cerca de 20% acima de 2025. Os campeões de simples levam 5,5 milhões de dólares cada, o vice fica com 2,8 milhões e quem cai nas quartas de final embolsa 780 mil dólares.

O que a semana decisiva ensina sobre alta performance

A primeira semana deste US Open desmontou a ideia de que carreira se sustenta em talento e ranking. Djokovic, o jogador mais vitorioso da história dos Grand Slams, foi eliminado na estreia por um adversário fora do top 30 porque o corpo cobrou uma conta acumulada na temporada inteira. Sinner, líder do ranking, assistiu ao torneio de casa.

Do outro lado da mesma chave, Zheng Qinwen voltou de uma cirurgia, aceitou disputar o qualifying como 121ª do mundo e salvou 0 a 5 em duas partidas seguidas. Blockx jogou quatro sets com dor na costela e decidiu continuar. Tiafoe perdeu seis dos sete jogos anteriores contra Medvedev e ganhou justamente o que valia.

O placar de uma semana não mede quem tem mais recurso técnico. Mede quem chega inteiro e quem consegue responder quando o jogo vira. Isso vale para o atleta amador que entra em uma prova de fim de semana tanto quanto para quem disputa 5,5 milhões de dólares em Nova York.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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