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Ferrari vale US$ 6,5 bilhões: quanto vale cada equipe da F1

Ferrari SF-26 de Lewis Hamilton contorna curva do Red Bull Ring no GP da Áustria de 2026

Uma equipe de Fórmula 1 vale, em média, US$ 3,6 bilhões, segundo o ranking mais recente da Forbes, publicado em novembro de 2025. A Ferrari lidera com US$ 6,5 bilhões, seguida pela Mercedes, com US$ 6 bilhões, e pela McLaren, com US$ 4,4 bilhões. A mais barata do grid, a Haas, foi avaliada em US$ 1,5 bilhão. A Sportico, que faz um levantamento próprio, chegou a números parecidos: média de US$ 3,42 bilhões e as dez equipes somando mais de US$ 34 bilhões.

Há dez anos, uma equipe pequena da F1 trocava de dono por um valor simbólico, às vezes por uma libra e a dívida. Hoje, nenhuma das dez avaliadas vale menos de US$ 1,5 bilhão, e só a NFL e a NBA têm média de valor por time maior que a da categoria. O salto tem explicação: um teto de gastos que fechou a torneira do prejuízo, um contrato comercial que divide o dinheiro com previsibilidade e uma vaga no grid que ficou cara e rara. A Cadillac, 11ª equipe, pagou centenas de milhões só para entrar.

Ferrari SF-26 de Lewis Hamilton contorna curva do Red Bull Ring no GP da Áustria de 2026
A Ferrari de Lewis Hamilton no GP da Áustria de 2026. A equipe italiana é a mais valiosa da F1, avaliada em US$ 6,5 bilhões pela Forbes. Foto: Lukas Raich (CC BY-SA 4.0)

Ranking: o valor das equipes de F1 segundo Forbes e Sportico

A Ferrari é a equipe mais valiosa da F1 nas duas listas. A ordem das três primeiras se repete, mas as contas mudam no meio do grid: a Sportico põe a McLaren acima da Red Bull e a Williams à frente da Alpine. As duas publicações avaliaram as dez equipes de 2025. A Cadillac, que estreou em 2026, ficou de fora dos dois levantamentos.

PosiçãoEquipeValor (Forbes, nov/2025)Valor (Sportico, nov/2025)Receita em 2024 (Forbes)
1FerrariUS$ 6,5 biUS$ 6,4 biUS$ 670 mi
2MercedesUS$ 6 biUS$ 5,88 biUS$ 799 mi
3McLarenUS$ 4,4 biUS$ 4,73 biUS$ 614 mi
4Red Bull RacingUS$ 4,35 biUS$ 4,32 biUS$ 618 mi
5Aston MartinUS$ 3,2 biUS$ 3 biUS$ 353 mi
6WilliamsUS$ 2,5 biUS$ 2,14 biUS$ 245 mi
7AlpineUS$ 2,45 biUS$ 2,08 biUS$ 300 mi
8Audi (ex-Sauber)US$ 2,4 biUS$ 1,88 biUS$ 240 mi
9Racing BullsUS$ 2,3 biUS$ 2,05 biUS$ 318 mi
10HaasUS$ 1,5 biUS$ 1,68 biUS$ 150 mi
11Cadillacnão avaliadanão avaliadaestreou em 2026

Fontes: Forbes (“Formula 1’s Most Valuable Teams 2025”, 20/11/2025) e Sportico (13/11/2025). A Forbes mede o valor de empresa (patrimônio mais dívida líquida) e estima receita e lucro operacional de 2024, sem negócios paralelos como a venda de motores.

A média da Forbes subiu 89% desde 2023. A da Sportico subiu 48% em um ano, e a própria publicação lembra que a Haas, última colocada em 2025, estaria em quarto lugar na lista de 2023. As próximas edições dos dois rankings costumam sair em novembro.

Quanto vale uma equipe de F1 e por que o preço disparou

Uma equipe de F1 vale hoje entre US$ 1,5 bilhão e US$ 6,5 bilhões porque deixou de ser um buraco de dinheiro e virou um ativo escasso com receita garantida. Três regras explicam a virada.

O teto orçamentário, desde 2021

Até 2020, ganhar na F1 dependia de gastar mais que o vizinho. Mercedes, Ferrari e Red Bull gastavam, pelas estimativas da época, mais de US$ 400 milhões por ano, e as pequenas operavam no vermelho para não ficar para trás. Em 2021, a FIA instituiu o teto de gastos: US$ 145 milhões naquele ano, US$ 135 milhões a partir de 2023.

Com o custo limitado e a receita crescendo, a conta passou a fechar. É isso que o investidor compra: um negócio em que o concorrente rico não pode mais simplesmente gastar o dobro. Em 2026, o teto subiu para US$ 215 milhões, mas a F1 explica que o aumento é quase neutro, porque despesas que antes ficavam de fora, como a depreciação de investimentos, passaram a contar.

O Pacto de Concórdia e a divisão do dinheiro

O Pacto de Concórdia é o contrato que define quanto da receita da F1 vai para as equipes. A versão comercial que vale de 2026 a 2030 foi assinada pelas 11 equipes, incluindo a Cadillac, em março de 2025. Ela dá previsibilidade de cinco anos a quem compra uma participação, coisa rara no esporte.

O pagamento leva em conta a posição no Mundial de Construtores do ano anterior e o lucro da F1. Há bônus para quem foi campeã ou ficou entre as três primeiras na última década, e a Ferrari recebe um adicional histórico, estimado em dezenas de milhões de dólares por ano, segundo a Sportico.

A taxa antidiluição: entrar ficou caro

A peça que mais sustenta o valor das vagas é a taxa antidiluição. Quem quer criar uma equipe nova precisa pagar às já existentes, porque o bolo do prêmio passa a ser dividido por mais gente. No contrato anterior, a taxa era de US$ 200 milhões. Para entrar em 2026, a Cadillac pagou cerca de US$ 450 milhões, divididos entre as outras dez, segundo a imprensa internacional; o valor oficial não foi divulgado.

O CEO da F1, Stefano Domenicali, já disse mais de uma vez que não há espaço para uma 12ª equipe. Com a porta quase fechada, a única forma de entrar é comprar um pedaço de quem já está lá. É a escassez que puxa o preço.

Os negócios que colocaram preço nas equipes

Os rankings são estimativas, mas as vendas de participação dos últimos dois anos funcionaram como prova de preço. Os principais negócios:

Mercedes W17 de George Russell com a marca CrowdStrike na asa traseira no GP da Austrália de 2026
A Mercedes de George Russell em Melbourne, em 2026, com a CrowdStrike na asa traseira. O fundador da empresa, George Kurtz, virou sócio da equipe em novembro de 2025. Foto: Yu Chu Chin (CC BY-SA 4.0)

Mercedes: George Kurtz compra parte da fatia de Toto Wolff

Em novembro de 2025, Toto Wolff vendeu 15% da empresa pela qual detém um terço da Mercedes ao bilionário George Kurtz, cofundador e CEO da CrowdStrike, patrocinadora da equipe. Na prática, Kurtz ficou com cerca de 5% do time e entrou no comitê estratégico como conselheiro de tecnologia. Os termos não foram divulgados, mas pessoas próximas ao negócio disseram à Bloomberg que a transação avaliou a Mercedes em US$ 6 bilhões, recorde para uma equipe de F1. Wolff seguiu no comando, e a Mercedes-Benz e a Ineos continuam com um terço cada.

McLaren: fundos do Golfo compram os sócios minoritários

Em setembro de 2025, o fundo soberano do Bahrein, Mumtalakat, controlador da McLaren, e a CYVN Holdings, de Abu Dhabi, compraram os cerca de 30% que estavam com a MSP Sports Capital e outros investidores minoritários. A Bloomberg falou em avaliação acima de 3 bilhões de libras (US$ 4,1 bilhões); a Sportico e o Axios, em cerca de US$ 5 bilhões. A MSP tinha entrado em 2020, quando a equipe estava em crise de caixa na pandemia, num acordo que avaliava a McLaren em 560 milhões de libras.

Aston Martin: a montadora sai e Woody Johnson entra

Em julho de 2025, a fabricante Aston Martin Lagonda vendeu a participação minoritária que tinha na equipe por 110 milhões de libras, numa avaliação de 2,4 bilhões de libras, segundo a Bloomberg. Em 20 de agosto de 2026, o dono do New York Jets, Woody Johnson, comprou uma fatia minoritária e virou vice-presidente do conselho. O valor não foi divulgado; o site PlanetF1 apurou que o negócio avalia a equipe em US$ 3,5 bilhões, número que não tem confirmação oficial. Lawrence Stroll segue no controle, com a gestora Arctos Partners e o projetista Adrian Newey como minoritários.

Alpine: a venda que travou

A Alpine é o caso que mostra o teto da euforia. Em junho de 2023, a Otro Capital e outros investidores pagaram 200 milhões de euros por 24% da equipe, numa avaliação de cerca de US$ 900 milhões. O grupo atraiu atletas como Patrick Mahomes, Travis Kelce, Rory McIlroy e Anthony Joshua.

Em 2026, a Otro tentou vender a fatia. A Mercedes negociou, mas desistiu no fim de maio: segundo a imprensa europeia, a Otro pedia US$ 720 milhões pelos 24%, o que daria cerca de US$ 3 bilhões pela equipe, e a Mercedes via valor entre US$ 2,2 e 2,4 bilhões. A Renault, dona do restante e com poder de veto sobre a venda até setembro, encerrou as conversas. Até a última atualização, a participação seguia sem comprador.

Racing Bulls e Audi

A Racing Bulls, segunda equipe da Red Bull, recusou em 2025 uma proposta de cerca de US$ 2 bilhões, segundo a imprensa especializada. Do outro lado, a Audi completou a compra de 100% da Sauber no início de 2025 e trouxe como sócio minoritário o fundo soberano do Catar (QIA), que já é acionista do grupo Volkswagen. Os termos também não foram divulgados.

Quanto uma equipe de F1 ganha por ano: de onde vem a receita

Uma equipe de F1 faturou, em média, cerca de US$ 430 milhões em 2024, segundo a Forbes. A maior receita foi a da Mercedes, US$ 799 milhões, e a menor, a da Haas, US$ 150 milhões. O dinheiro vem de três fontes principais.

1. Prêmio da F1 (FOM). A Formula One Management, empresa da Liberty Media que explora a categoria, faturou US$ 3,87 bilhões em 2025, alta de 14%. Os direitos de transmissão responderam por 31,3% desse total, as taxas pagas pelos promotores das corridas por 26,7% e os patrocínios da própria F1 por 21,7%. Das contas da Liberty saíram US$ 1,4 bilhão para as equipes em 2025, contra US$ 1,27 bilhão em 2024, mais um pagamento extra de US$ 50 milhões ligado ao novo Pacto de Concórdia.

O valor acompanha o calendário. No primeiro semestre de 2026, com os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita cancelados em abril, os pagamentos às equipes caíram de US$ 627 milhões para US$ 500 milhões, porque foram oito corridas no período, contra 11 no ano anterior.

2. Patrocínio. É a fonte que mais cresce. O investimento global em patrocínio na F1 deve passar de US$ 3 bilhões em 2026, segundo a consultoria Ampere Analysis, puxado por tecnologia e inteligência artificial, como o portal mostrou no levantamento sobre os patrocinadores da F1 em 2026. O contrato da Mastercard como patrocinadora máster da McLaren, a partir de 2026, vale cerca de US$ 100 milhões por ano, segundo a imprensa americana.

3. Montadora e outros negócios. Equipes de fábrica recebem aporte da matriz, e algumas vendem motores e serviços de engenharia a rivais. A Forbes deixou essas receitas paralelas fora da conta.

Receita alta não quer dizer lucro. Das dez equipes avaliadas, quatro tiveram prejuízo operacional em 2024 pela Forbes: Williams (US$ 36 milhões negativos), Sauber (US$ 25 milhões), Aston Martin (US$ 18 milhões) e Alpine (US$ 13 milhões). A mais lucrativa foi a Mercedes, com US$ 202 milhões. O investidor paga bilhões pela vaga, pela marca e pela valorização futura, não pelo lucro do ano.

Quanto uma equipe de F1 gasta por ano

Uma equipe de F1 pode gastar até US$ 215 milhões por ano em 2026 com o carro e a operação de corrida, pelo teto da FIA. Isso inclui peças, desenvolvimento, a maior parte da folha de pagamento, equipamentos de garagem e transporte. Por temporada de 22 corridas, dá algo perto de US$ 10 milhões por etapa dentro do teto.

O gasto real é maior, porque várias despesas ficam fora do limite: salário dos pilotos, os três funcionários mais bem pagos, marketing, viagens, imóveis e a taxa de inscrição. O motor tem um teto próprio, de US$ 190 milhões em 2026, para quem fabrica. É por isso que a folha dos pilotos pesa à parte, como mostrou a lista dos pilotos mais bem pagos da F1, liderada por Max Verstappen, com US$ 76 milhões em 2025.

Cadillac de Valtteri Bottas faz curva no Red Bull Ring durante o GP da Áustria de 2026
Valtteri Bottas com a Cadillac no GP da Áustria de 2026, primeira temporada da 11ª equipe do grid. Foto: Lukas Raich (CC BY-SA 4.0)

A Cadillac, 11ª equipe: quanto vale quem acabou de chegar

A Cadillac ainda não tem avaliação da Forbes nem da Sportico. A equipe pertence à TWG Global, grupo de investimentos de Mark Walter e Dan Towriss, em parceria com a General Motors, e estreou no GP da Austrália de 2026 com Sergio Pérez e Valtteri Bottas, sob o comando de Graeme Lowdon. Usa motor Ferrari até a GM ter o próprio, prometido para 2030 no máximo.

O PlanetF1 estimou em agosto de 2026 que a Cadillac valeria US$ 1,6 bilhão, a menor do grid, número próprio do site e não de um ranking independente. O que se sabe com mais segurança é o custo de entrada: a taxa antidiluição de cerca de US$ 450 milhões, antes de um parafuso ser comprado. Em campo, a temporada de estreia tem sido de aprendizado: até o GP do Bahrein, disputado em Sepang, a equipe ainda não tinha marcado ponto e era a última entre os construtores. Fora da pista, rendeu histórias como a de Bottas, que foi de bicicleta de Sepang a Singapura entre dois GPs.

Quem quiser acompanhar a reta final do campeonato encontra datas e canais no guia de onde assistir à F1 2026.

O que o valor das equipes de F1 ensina sobre alta performance

O valor das equipes de F1 não subiu porque alguém descobriu um atalho. Subiu porque a categoria trocou o pico pelo processo. Antes do teto, as equipes queimavam dinheiro para ganhar uma temporada e quebravam na seguinte. Com regra de gasto, contrato de cinco anos e divisão previsível da receita, a F1 virou um negócio que se sustenta, e foi isso que atraiu fundos soberanos, bilionários da tecnologia e donos de times da NFL.

A Atleta Pro Academy ensina que alta performance é sustentável, não pico, e que o atleta é uma empresa. A lógica é a mesma para quem compete. Renda, patrocínio e imagem são construídos com processo e tempo, e o atleta que entende de onde vem cada fonte de receita, quanto custa a própria operação e quanto vale a vaga que conquistou negocia melhor do que aquele que só olha para o resultado do fim de semana. A McLaren valia 560 milhões de libras em 2020 e passou de US$ 4 bilhões cinco anos depois sem mudar de nome. Mudou de processo.

Perguntas frequentes

Qual é a equipe mais valiosa da F1?

A Ferrari, avaliada em US$ 6,5 bilhões pela Forbes e em US$ 6,4 bilhões pela Sportico, nos rankings publicados em novembro de 2025. A Mercedes vem em segundo, com cerca de US$ 6 bilhões.

Quanto vale uma equipe de F1 em média?

US$ 3,6 bilhões, segundo a Forbes, alta de 89% desde 2023. Pela Sportico, a média é de US$ 3,42 bilhões. Nenhuma das dez equipes avaliadas vale menos de US$ 1,5 bilhão.

Quanto uma equipe de F1 ganha por ano?

Em média, cerca de US$ 430 milhões de receita em 2024, segundo a Forbes, de US$ 150 milhões (Haas) a US$ 799 milhões (Mercedes). As equipes dividiram US$ 1,4 bilhão em prêmios da F1 em 2025, além do dinheiro de patrocínio.

Quanto uma equipe de F1 gasta por ano?

O teto da FIA em 2026 é de US$ 215 milhões por equipe. Salário dos pilotos, dos três funcionários mais bem pagos, marketing e viagens ficam fora desse limite, então o gasto total é maior.

Quanto a Cadillac pagou para entrar na F1?

Cerca de US$ 450 milhões de taxa antidiluição, divididos entre as dez equipes que já estavam no grid, segundo a imprensa internacional. O valor não foi confirmado oficialmente.

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