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Djokovic vira sobre Humbert na Basileia e segue na briga por Turim

Novak Djokovic comemora vitória sobre Ugo Humbert no ATP 500 da Basileia em 2026

Novak Djokovic precisou de 2h26 para voltar a vencer na Basileia, onde não jogava havia 15 anos. Nesta quarta-feira, 28 de outubro, o sérvio de 39 anos virou sobre o francês Ugo Humbert por 4/6, 6/3 e 6/4 na estreia do ATP 500 suíço, torneio que não disputava desde 2011.

A vitória vale mais do que a vaga na segunda rodada. Djokovic chegou à Suíça como 11º colocado na corrida para o ATP Finals de Turim e segue vivo na briga pela classificação de número 19 da carreira, um recorde. A conta ainda é apertada, e cada partida desta reta final pesa como uma decisão.

Como Djokovic virou o jogo contra Humbert

O começo foi do francês. Canhoto, agressivo e confortável em quadra coberta, Humbert quebrou o saque de Djokovic no início, abriu 3 a 1 e fechou o primeiro set por 6/4 sem devolver a vantagem. Segundo o relato oficial da ATP, o 38º do ranking incomodou o sérvio com a direita potente e bolas muito retas nas trocas cruzadas.

O segundo set começou com ameaça de nova quebra, e Djokovic precisou salvar break points no primeiro game de serviço. Logo em seguida, no primeiro game de devolução, quebrou o saque do francês com um grito que mudou o clima da quadra central. A partir dali, o sérvio passou a ganhar pontos de posições defensivas, no que a ATP chamou de “modo bloqueio”. Humbert pediu atendimento médico para a lombar quando perdia por 4 a 1 no segundo set, que terminou 6/3.

No terceiro, Djokovic quebrou no quinto game, salvou um break point no seguinte e administrou a vantagem até fechar com um winner de direita na paralela, como descreveu a BBC. “Eu estava sob ataque desde o primeiro ponto e tive que aguentar a tempestade”, disse o sérvio depois do jogo. “Consegui encontrar meu ritmo no começo do segundo set.”

Novak Djokovic acerta um backhand contra Ugo Humbert no ATP 500 da Basileia em 2026
Djokovic na estreia contra Humbert, na quadra central da Basileia. Foto: ATP Tour / reprodução.

A volta a um torneio que ele venceu em 2009

A Basileia tem um lugar particular na carreira de Djokovic. Em 2009, na primeira vez que disputou o torneio, ele foi campeão vencendo Roger Federer na final, dentro da casa do suíço. A última participação tinha sido em 2011. Para voltar em 2026, o sérvio aceitou um convite da organização.

O jogo contra Humbert também foi o primeiro de Djokovic em quadra coberta nesta temporada. Ele não jogava um torneio indoor desde o título de Atenas, em novembro do ano passado. “É meu primeiro jogo indoor, então eu esperava estar um pouco enferrujado em uma chave difícil”, afirmou. “É uma grande vitória para mim. Sei que há várias coisas que posso fazer melhor, mas vitória é vitória.”

O adversário não era um sorteio qualquer para uma estreia. Humbert conquistou quatro de seus sete títulos de ATP em quadras cobertas, justamente o piso em que a bola anda mais rápido e o tempo de reação encurta.

Vista geral da quadra central do ATP 500 da Basileia, na Suíça
A quadra central do Swiss Indoors, na Basileia. Foto: ATP Tour / reprodução.

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A conta de Djokovic para chegar ao ATP Finals de Turim

Só os oito melhores da temporada disputam o ATP Finals. Djokovic é o 11º na corrida e entrou na Basileia 319 pontos atrás do espanhol Rafael Jódar, que hoje ocupa a última vaga. Jódar também venceu na estreia nesta semana e somou os mesmos 50 pontos, o que mantém a distância e transforma cada rodada em pressão direta sobre o rival.

Atrás de Djokovic, o americano Taylor Fritz também corre por fora. Ele é o 12º, 155 pontos atrás do sérvio, e venceu Rinky Hijikata por 6/4 e 7/6(3) no dia do seu aniversário de 29 anos, com 19 aces. Como o Atleta Pro mostrou na semana passada, a corrida pelas últimas vagas de Turim ficou aberta justamente no grupo em que Djokovic está.

A classificação teria peso histórico. Se chegar a Turim, Djokovic vai disputar o torneio de fim de ano pela 19ª vez, mais do que qualquer outro tenista. Para isso, o caminho mais curto passa por somar o máximo de pontos possível na Basileia e na reta final do calendário.

Os números de uma longevidade rara

A vitória sobre Humbert foi a 20ª de Djokovic em torneios do circuito em 2026. É a 21ª temporada seguida em que ele chega a pelo menos 20 vitórias no ano, segundo a ATP. O sérvio também ampliou para 33 a sequência de vitórias seguidas contra tenistas franceses.

Há ainda um marco em jogo na Basileia. Djokovic encerrou neste mês de outubro, no ATP 500 de Pequim, uma espera de um ano pelo título de número 102 da carreira. Se for campeão na Suíça, chega a 103 e iguala Roger Federer como o segundo maior vencedor de títulos de simples na Era Aberta, de acordo com a BBC.

Struff no caminho, Borges na sequência

O próximo adversário é o alemão Jan-Lennard Struff, que bateu o compatriota Yannick Hanfmann por 6/4 e 6/3. Struff chega embalado: venceu cinco de suas últimas seis partidas e, na semana passada, eliminou o cabeça de chave número 1 Arthur Fils em Bruxelas a caminho da primeira final de ATP desde 2024. O retrospecto, porém, é todo do sérvio: 8 vitórias em 8 jogos.

Se mantiver a escrita, Djokovic encontra nas quartas de final o português Nuno Borges, que abriu a quarta-feira na quadra central com uma virada sobre o norueguês Casper Ruud por 1/6, 6/3 e 6/4. Borges chegou às quartas de final pela quinta vez na temporada.

Uma semana de despedidas e permanências na Basileia

A vitória de Djokovic veio um dia depois de a Basileia se despedir de Stan Wawrinka. O suíço de 41 anos, tricampeão de Grand Slam, encerrou a carreira na terça-feira, 27, ao perder para o tcheco Jiri Lehecka por 7/5 e 7/6(2), diante da torcida de casa. Djokovic treinou com Wawrinka durante a semana e o chamou de “lenda”.

“Stan teve uma carreira incrível. O competidor que ele é em quadra, o talento, a força, a potência, a precisão: ele tinha tudo”, afirmou o sérvio, segundo a BBC. O contraste da semana é evidente. Enquanto um contemporâneo fecha o livro, Djokovic, dois anos mais novo que Wawrinka, segue disputando cada ponto da corrida com tenistas de uma geração bem mais nova.

O que a virada de Djokovic ensina sobre alta performance

A frase de Djokovic depois do jogo resume um princípio que vale para qualquer atleta: aguentar a tempestade antes de impor o próprio jogo. Contra um adversário que começou melhor, em um piso que não jogava havia quase um ano, ele não tentou ganhar todos os pontos de uma vez. Primeiro sobreviveu aos break points do início do segundo set, depois encontrou o ritmo e só então passou a pressionar.

O segundo aprendizado é sobre adaptação. Djokovic admitiu que esperava estar “enferrujado” na primeira partida indoor do ano. Em vez de negar a dificuldade, ele a tratou como parte do plano: a meta da estreia era vencer, não jogar perfeitamente. Para quem treina e compete, separar o desempenho ideal do resultado necessário é uma ferramenta de gestão emocional tão importante quanto qualquer golpe.

O terceiro é a consistência ao longo do tempo. Vinte vitórias por temporada durante 21 anos seguidos não dependem de um pico de talento, mas de rotina, recuperação e capacidade de ajustar o corpo e o jogo a cada fase da carreira. Aos 39 anos, Djokovic continua mostrando que longevidade no alto rendimento é construída, não herdada.

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