O Flamengo perdeu a vaga na final da Libertadores nos pênaltis, no Maracanã, e tentou recuperá-la no tribunal. Nesta quarta-feira (28), a resposta da Conmebol chegou: a Comissão Disciplinar da entidade rejeitou integralmente a reclamação do clube carioca contra a escalação do defensor Marcos Rojo pelo Estudiantes, assim como o pedido de medidas cautelares. A decisão mantém a final da Copa Libertadores 2026 como estava: Palmeiras x Estudiantes, no dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
O caso misturou regulamento, janela de transferências e uma liminar da Corte Arbitral do Esporte (CAS). O Flamengo pedia que o jogo de volta da semifinal fosse transformado em vitória por 3 a 0, o que o colocaria na decisão. Ainda existe uma porta jurídica aberta, mas, segundo a ESPN, o clube não deve usá-la.
O que a Conmebol decidiu nesta quarta-feira
A decisão foi anunciada primeiro pelo próprio Estudiantes, nas redes sociais. “O Club Estudiantes de La Plata informa que a Comissão Disciplinar da Conmebol resolveu rejeitar integralmente a reclamação apresentada pelo Flamengo em relação à suposta escalação irregular de Marcos Rojo na semifinal da Copa Conmebol Libertadores 2026, assim como seu pedido de medidas cautelares. Nos vemos no dia 28, família!”, publicou o clube argentino.
Segundo a ESPN, a Conmebol recusou a representação que o Flamengo havia apresentado em 23 de outubro, um dia depois da eliminação. O Estudiantes entregou sua defesa dentro do prazo, na segunda-feira (26), de acordo com a coluna de Diogo Dantas, no jornal O Globo.
Por que o Flamengo pedia o 3 a 0
A tese rubro-negra se apoiava no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol. Em caso de escalação indevida, diz o texto, a equipe responsável “será considerada perdedora desse encontro por 3 a 0”. Aceito o argumento, o 0 a 0 do Maracanã viraria vitória do Flamengo.
O ponto central era a inscrição de Rojo. O defensor de 36 anos, ex-Manchester United, deixou o Racing de forma conturbada e foi contratado pelo Estudiantes depois do fechamento da janela de transferências na Argentina. Segundo nota oficial do Flamengo, a janela argentina havia se encerrado em 2 de setembro, e Rojo disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro. Segundo o ge, o Estudiantes pagou US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) pela contratação.
A Associação do Futebol Argentino (AFA) autorizou a inscrição de Rojo no campeonato nacional, no lugar do lesionado Gabriel Neves. Na Libertadores, a história foi outra. O Estudiantes pediu a inclusão do jogador em 9 de outubro, e a Conmebol recusou o pedido duas vezes, em 14 e 15 de outubro, segundo a nota do Flamengo. Por isso, Rojo ficou fora do jogo de ida, na Argentina.
O clube carioca também citou um precedente. Nas oitavas de final da Libertadores de 2018, o Santos escalou o uruguaio Carlos Sánchez de forma irregular contra o Independiente, e o empate por 0 a 0 virou derrota por 3 a 0. A ESPN ressalta a diferença entre os casos: o Santos infringiu uma regra da própria Conmebol, enquanto Rojo entrou em campo amparado por uma decisão de uma instância superior.

A liminar do CAS que liberou Rojo
Barrado pela Conmebol, o Estudiantes recorreu ao CAS, o Tribunal Arbitral do Esporte, sediado na Suíça, e indicou o Flamengo como parte do processo. Na quarta-feira, 21 de outubro, véspera do jogo de volta, o tribunal concedeu uma medida cautelar que autorizou Rojo a jogar. Segundo a Folha de S.Paulo, o argumento acolhido foi o de que o próprio regulamento da Conmebol atribui à associação nacional a avaliação das condições de jogo do atleta, e a AFA havia autorizado a inscrição.
O detalhe que alimentou a esperança rubro-negra estava no fim do documento, ao qual o ge teve acesso. O CAS negou um dos pedidos do Estudiantes: o de determinar que a participação do jogador não poderia ser usada pela Conmebol como fundamento para sanção esportiva ou disciplinar. O texto, assinado por Antonio de Quesada, diz que a rejeição desse ponto “não implica reconhecer o cabimento de uma eventual sanção”, mas que “corresponde ao Estudiantes e ao jogador realizar uma avaliação de riscos” caso o laudo final não confirme a elegibilidade de Rojo.
Foi nessa brecha que o Flamengo se apoiou. Antes da partida, o clube avisou ao CAS e ao Estudiantes que, se Rojo fosse escalado, apresentaria a reclamação prevista no artigo 24.1.b do Código Disciplinar. Rojo foi titular na lateral esquerda no Maracanã, e o Flamengo cumpriu o que havia anunciado.
Atleta Pro News
O esporte que importa, 3 vezes por semana no seu e-mail
Resultados, bastidores e histórias do esporte, direto na sua caixa de entrada. Grátis.
Ao assinar, você aceita receber os e-mails do Atleta Pro. Dá para sair quando quiser. Política de privacidade.
Flamengo ainda pode recorrer, mas deve parar por aqui
Pelo regulamento, o Flamengo tem sete dias para levar o caso à Comissão de Apelações da Conmebol, mediante o pagamento de uma taxa de US$ 3 mil (cerca de R$ 16 mil), segundo o ge. A ESPN apurou, porém, que o clube não deve apresentar uma nova defesa. Na visão da diretoria, se a própria Conmebol entende que o jogador estava apto, não há motivo para insistir. Ainda segundo a ESPN, a Conmebol não cogita mudar a decisão.
Em nota oficial, o Flamengo afirmou que “recebe com tranquilidade a decisão da Conmebol de rever sua posição anterior” e que “acompanhará os desdobramentos do recurso interposto pelo Estudiantes perante o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS/TAS)”. O processo principal no CAS, que vai julgar o mérito da inscrição de Rojo, segue aberto.
A iniciativa rubro-negra provocou reação em São Paulo. Dias antes da decisão, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, criticou a ação em entrevista à TV Palmeiras. “Coisa feia. Ridículo. A presidente do Palmeiras é muito sincera. O que me interessa é que o Palmeiras está em mais uma final e conseguimos esse êxito dentro das quatro linhas”, disse a dirigente, ao ge.
Como o Estudiantes eliminou o Flamengo no Maracanã
Dentro de campo, o confronto foi decidido nos detalhes. Depois do 0 a 0 na ida, na Argentina, o jogo de volta, em 22 de outubro, também terminou sem gols. O Flamengo jogou com um a mais quase todo o segundo tempo: aos quatro minutos, Rodríguez, do Estudiantes, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Mesmo assim, segundo a Folha, o time carioca acertou apenas três das 11 finalizações que tentou.
Nos pênaltis, o protagonista foi o goleiro uruguaio Fernando Muslera, de 40 anos. Ele defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, e o Estudiantes venceu por 3 a 2. Do lado argentino, só Cetré desperdiçou: ele escorregou e tocou na bola com os dois pés, a cobrança precisou ser repetida, e na segunda tentativa ele mandou para fora.

Palmeiras x Estudiantes: o que está em jogo em Montevidéu
A final em jogo único acontece no sábado, 28 de novembro, no Centenário, palco da primeira final de Copa do Mundo, em 1930. Segundo a ESPN, a venda de ingressos deve começar nesta quinta-feira (29). Quem quiser se programar para assistir pode consultar o guia do Atleta Pro sobre onde assistir à final da Libertadores 2026.
A decisão vale mais do que uma taça. Segundo levantamento da Folha, Brasil e Argentina somam 25 títulos cada na história da Libertadores, e o campeão de 2026 vai desempatar a disputa entre os dois países. O último clube de fora do Brasil a vencer o torneio foi o River Plate, em 2018. Desde então, clubes brasileiros conquistaram as sete edições seguintes.
O Palmeiras, de Abel Ferreira, chega à segunda final seguida. Em 2025, perdeu a decisão para o próprio Flamengo por 1 a 0, em Lima. Nesta edição, eliminou o Fluminense nos pênaltis na semifinal e busca o quarto título, o que o igualaria ao rival carioca. O Estudiantes tenta a quinta conquista; a última foi em 2009, contra o Cruzeiro.
O que isso ensina sobre alta performance
A primeira lição é a mais simples: o resultado que conta é o que se constrói no campo. O Flamengo teve mais de 40 minutos com um jogador a mais e não transformou a vantagem numérica em gol. Depois, buscou no regulamento o que não conseguiu na bola. No alto rendimento, energia gasta com o que está fora do seu controle raramente devolve o que a execução deixou escapar.
A segunda é sobre preparação para o momento decisivo. Muslera, aos 40 anos, foi o jogador mais importante de uma semifinal continental justamente no fundamento que menos perdoa improviso. Defender três cobranças seguidas não é sorte acumulada: é estudo prévio dos batedores e controle emocional diante da torcida adversária.
A terceira vale para qualquer modalidade: a gestão fora de campo também decide competições. Inscrição, prazos e documentação parecem burocracia até ameaçarem uma vaga. Do amador ao profissional, quem cuida desses detalhes com o rigor do treino evita que uma temporada dependa de um tribunal.
Quer decidir dentro de campo, e não depender do tribunal?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a preparação mental e os métodos da alta performance para o seu treino.







