Lilli Tagger precisou de apenas 52 minutos para garantir a vaga na final do Guangzhou Open. Neste sábado (31), a austríaca de 18 anos, cabeça de chave 4, venceu a espanhola Kaitlin Quevedo por 6/2 e 6/0, sem enfrentar um único break point, e chegou à terceira final da carreira em torneios WTA 250.
No domingo (1º), ela enfrenta a britânica Harriet Dart, de 30 anos, que saiu do qualifying e vai disputar a primeira final de simples dela no circuito WTA. A programação oficial marca a decisão para não antes das 16h30 na China, 5h30 de Brasília.
Quevedo não teve nenhum break point
Os números oficiais da WTA explicam a velocidade do jogo. Tagger ganhou 55 dos 78 pontos disputados. No saque, venceu os 19 pontos jogados com o primeiro serviço e 9 dos 12 com o segundo. Em sete games de serviço, perdeu só três pontos, com cinco aces e nenhuma dupla falta.
Do outro lado, Quevedo venceu 15 dos 28 pontos com o primeiro saque e sofreu pressão quase constante. Foram 14 break points para a austríaca, que converteu cinco.
O primeiro set durou 31min35. A primeira quebra veio com o placar em 1/1, e a segunda abriu 5/2. O segundo foi ainda mais rápido, 20min44, com três quebras e apenas sete pontos conquistados pela espanhola em 32 disputados.

Da vitória sobre Venus Williams à virada contra Shi Han
A semana da austríaca começou na terça-feira (27), com um jogo de forte apelo histórico: 6/2 e 6/2 sobre Venus Williams, de 46 anos, em 1h12, com 29 winners. Segundo a Associated Press, os 28 anos de diferença entre as duas seriam um recorde em partidas da WTA.
Na quinta-feira (29), o placar se repetiu contra a polonesa Magda Linette, agora em 1h07. O teste mais duro veio na sexta-feira (30), contra a chinesa Shi Han, convidada da organização. Tagger esteve 4/2 atrás no set decisivo e virou para fechar em 6/4, 3/6 e 7/5, depois de 2h38.
Menos de 24 horas depois, gastou um terço desse tempo para resolver a semifinal. Pelos tempos oficiais, foi o jogo mais curto dela na semana. Somadas as quatro partidas, Tagger passou 5h51 em quadra.
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Quevedo chegou embalada pelo título em São Paulo
A espanhola de 20 anos, número 86 do mundo, não era uma adversária qualquer neste momento da temporada. Em setembro, conquistou o primeiro título da carreira no SP Open, em São Paulo, ao virar sobre a argentina Nadia Podoroska por 4/6, 6/4 e 6/2.
Em Guangzhou, Quevedo havia eliminado Sofia Kenin por 6/4, 6/7 (5) e 6/4, Anna Bondar por 7/5 e 6/3 e Jil Teichmann por 7/6 (2) e 6/3. Era o primeiro encontro entre ela e Tagger, e a austríaca não deu espaço para a sequência continuar.
Dart chega à final pelo caminho mais longo
Número 115 do mundo, Harriet Dart precisou passar por duas rodadas de qualifying antes de entrar na chave principal. Depois, derrubou Tatiana Prozorova, a cabeça de chave 2, Janice Tjen, e a cabeça 5, Paula Badosa. Cinco das seis vitórias dela no torneio foram em três sets.
A semifinal deste sábado seguiu o roteiro. Contra a chinesa Sun Xinran, de 16 anos, campeã juvenil do US Open, a britânica perdeu o primeiro set, salvou match points com 5/5 no segundo e venceu por 5/7, 7/6 (1) e 6/0, em 2h29.

“Foi uma jornada muito longa. Eu queria tanto isso, às vezes até demais. Finalmente estar aqui significa o mundo para mim”, disse Dart depois do jogo, segundo o jornal The Independent. Segundo a federação britânica, um título no domingo também a recoloca no top 100.
Parte da reação de Dart na temporada passa por Marion Bartoli, campeã de Wimbledon em 2013. Segundo a BBC, as duas moram perto e começaram a trabalhar juntas neste ano, de forma pontual.
Tagger venceu o único duelo entre as duas
As finalistas se enfrentaram uma vez, em janeiro, na decisão do W100 de Fujairah, torneio do circuito ITF. Tagger venceu por 6/4 e 6/2. O contraste de desgaste em Guangzhou também favorece a austríaca: nas simples, Dart já acumula 12h46 em quadra, somados qualifying e chave principal, mais do que o dobro do tempo da rival.
Nascida em Lienz e treinada por Francesca Schiavone, campeã de Roland Garros em 2010, Tagger adotou a esquerda de uma mão aos 12 anos. Foi vice em Jiujiang, em 2025, e campeã em Praga, em julho, quando saltou de número 74 para 45 do mundo. Hoje é a 53ª do ranking.
A semifinal teve ainda uma coincidência: foi com os mesmos 6/2 e 6/0 que ela derrotou a britânica Hannah Klugman na final juvenil de Roland Garros, em 2025. Agora, outra britânica separa a austríaca do segundo título na WTA. No mesmo domingo, o circuito também decide o WTA 500 de Tóquio, entre Diana Shnaider e Leylah Fernandez.
O que isso ensina sobre alta performance
A vitória de Tagger mostra o valor da recuperação dentro da competição. Um dia depois de 2h38 de disputa, ela foi direta: protegeu o primeiro saque, não cedeu chances de quebra e ficou menos de uma hora em quadra antes da decisão. Eficiência também é preparação para a rodada seguinte.
Dart traz a lição complementar. Aos 30 anos, chegar à primeira final depois de seis jogos e match points salvos mostra que a evolução nem sempre segue o calendário esperado. Para atletas e treinadores, a mensagem é prática: manter o processo funcionando também nas temporadas em que o resultado demora a aparecer.
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