Lewis Hamilton passou três anos e três meses sem largar na frente num grande prêmio. Na véspera de uma corrida que pode dar o título a outro piloto, encerrou a espera. O heptacampeão fez 1min16s514 na última tentativa do Q3 e conquistou neste sábado (31) a pole do GP da Cidade do México, a primeira dele em um GP pela Ferrari, com vantagem de apenas 0s009 sobre George Russell.
O resultado coloca lado a lado, na primeira fila do Autódromo Hermanos Rodríguez, os únicos dois pilotos que ainda podem adiar a festa de Kimi Antonelli, a dois pontos do título. O líder do campeonato fez o quinto tempo, mas sai em quarto por causa de uma punição a Max Verstappen. A corrida começa às 17h de domingo (1º), horário de Brasília.
A pole que veio depois de um carro parado na pista
O número 105 estende o recorde de Hamilton na Fórmula 1. A última pole havia sido no GP da Hungria de 2023, ainda pela Mercedes. Pela Ferrari, ele só tinha sido o mais rápido na classificação para a sprint da China, em 2025. Aos 41 anos, também se tornou o pole position mais velho desde Mario Andretti, que largou na frente com a própria Ferrari no GP da Itália de 1982, segundo a BBC.
O fim de semana não apontava para isso. Na sexta-feira, no meio do segundo treino livre, Hamilton avisou pelo rádio: “Tem algo errado com o carro. Perdi toda a potência na curva 13”. A Ferrari mandou parar na pista, e ele perdeu a simulação de corrida. No sábado de manhã, ficou em sexto no terceiro treino, a 0s469 de Lando Norris.
Na classificação, a virada foi construída aos poucos. Hamilton liderou o Q1 e estava apenas em quarto depois da primeira tentativa do Q3, quando errou no setor do meio. Charles Leclerc, o mais rápido dos dois treinos de sexta, parecia encaminhar a pole com 1min16s647.
“Estou sem palavras”, disse Hamilton à BBC. “Foi um fim de semana muito difícil. Tivemos o problema de motor ontem, o que nos deixou em desvantagem, e não fizemos uma simulação longa. Fizemos um ótimo trabalho no acerto, e fazer a pole aqui é especial. É a minha primeira pela Ferrari, e a 105ª. Gosto desse número.”

Nove milésimos e um erro na curva 13 decidiram a pole
Os cinco primeiros ficaram separados por menos de dois décimos. Russell tomou a ponta com 1min16s523 nas tentativas finais, e a liderança durou segundos. Hamilton fechou a volta 0s009 mais rápido. Leclerc ficou em terceiro, a 0s119.
Verstappen era a maior ameaça. Segundo a BBC, o holandês estava com o melhor tempo depois de dois setores, mas travou os pneus na curva 13, na entrada do trecho do estádio, e arruinou a volta. Ele fechou em quarto e cai uma posição no grid por causa do toque com Liam Lawson no treino de sexta. Lawson também perde um lugar: fez o oitavo tempo e larga em nono, atrás do companheiro de Racing Bulls Arvid Lindblad.
A McLaren, que parecia forte de manhã, perdeu rendimento. Norris liderou o último treino por 0s001 sobre Antonelli, mas terminou em sexto, a 0s310. Oscar Piastri foi a maior surpresa do dia: eliminado no Q2, com o 13º tempo, ele ficou fora do Q3 pela primeira vez desde o próprio GP do México de 2024, segundo o Grande Prêmio.
Isack Hadjar foi o sétimo, depois de errar na primeira tentativa do Q3, e Pierre Gasly fechou o top 10 com a Alpine.
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A conta do título: Antonelli larga em 4º e ainda tem margem
Antonelli chegou ao México com 365 pontos, contra 242 de Russell e 241 de Hamilton. Mesmo com os dois rivais na primeira fila, o cenário segue amplamente favorável ao italiano da Mercedes, que venceu nove corridas no ano e ficou doente nesta semana: uma infecção viral o tirou dos compromissos com a imprensa de quinta-feira, segundo a Associated Press.
A decisão só fica para o GP de São Paulo, no próximo fim de semana, em duas situações:
- Russell vence e Antonelli termina abaixo do nono lugar.
- Hamilton vence e Antonelli termina fora da zona de pontos.
Qualquer outro resultado dá o título ao italiano no domingo. Se o vencedor não for Russell nem Hamilton, ele é campeão mesmo sem marcar ponto. A pole de Hamilton, portanto, tem peso direto no campeonato: uma vitória do ferrarista não basta sozinha, mas obriga Antonelli a pontuar para fechar a conta.
Em jogo está também a história. Aos 20 anos, Antonelli pode ser o campeão mais jovem da F1, recorde de Sebastian Vettel desde 2010, e o primeiro italiano campeão desde Alberto Ascari, em 1953. A Mercedes ainda pode confirmar o Mundial de Construtores neste domingo, o primeiro desde 2021.

Bortoleto faz o 14º tempo depois de 20 minutos de pista
Para o Brasil, o sábado foi de sobrevivência. Gabriel Bortoleto chegou à classificação com cerca de 20 minutos de pista no fim de semana, segundo o Motorsport.com. Cedeu o carro a Freddie Slater no primeiro treino, só andou nos 15 minutos finais do segundo e, no terceiro, perdeu potência logo no início, com fumaça saindo do Audi. A equipe trocou a unidade de potência antes da classificação.
Mesmo assim, ele passou ao Q2 e fez 1min17s680, com o 14º tempo, a uma posição de Piastri e a três do companheiro Nico Hülkenberg, 11º. O número, porém, não é a posição final de largada. Bortoleto já tinha uma punição de cinco lugares por usar a sexta unidade de controle eletrônico na temporada, quando o limite é de três, segundo o Motorsport.com e o Autoracing. A troca de motor ainda pode gerar nova penalidade: antes da classificação, a Audi não informou se o componente era novo ou do rol já usado na temporada. O grid definitivo depende da confirmação da FIA.
Bottas no fim do grid, Pérez em casa e estreia na Haas
O restante do pelotão também teve história. Fernando Alonso provocou a bandeira vermelha do Q1 ao parar a Aston Martin no trecho do estádio, com suspeita de problema de pressão de água ligado ao sistema híbrido. Ele fez o 18º tempo e recebeu uma reprimenda dos comissários por deixar o carro sem recolocar o volante.
Sergio Pérez, que disputará o 300º GP da carreira diante da torcida mexicana, fez o 21º tempo com a Cadillac. Valtteri Bottas, o companheiro, foi o último e já sairia do fundo por causa de uma punição de 50 posições pela troca de componentes da unidade de potência. O japonês Ryo Hirakawa, chamado pela Haas no lugar de Esteban Ocon, fez o 19º tempo na primeira classificação da carreira na F1.
O que a pole de Hamilton ensina sobre alta performance
O primeiro aprendizado está na escala da diferença. Nove milésimos de segundo separam a pole do segundo lugar, e um erro numa única curva tirou Verstappen da disputa. No alto nível, a volta boa não é a que tem um trecho brilhante, e sim a que não desperdiça nenhum.
O segundo está na recuperação. Hamilton perdeu quilometragem na sexta, foi apenas sexto de manhã e entrou no Q3 sem a preparação que queria. A equipe compensou no acerto, e o piloto entregou quando a sessão valia mais. Plano interrompido não precisa virar desempenho comprometido, desde que o tempo restante seja usado no que mais pesa.
O terceiro está do outro lado do grid. Com 123 pontos de vantagem, Antonelli não precisa da pole nem da vitória. Saber o que a prova exige, e não o que o orgulho pede, é uma habilidade tão treinável quanto a velocidade. No domingo, o desafio dele será justamente esse: correr com ambição sem colocar em risco o que já construiu ao longo do ano.
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