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Quanto ganha Kimi Antonelli: salário 35 vezes menor que Verstappen

Kimi Antonelli, piloto da Mercedes, com o boné azul do número 12 cercado por fotógrafos no GP da Holanda de 2026, em Zandvoort

Kimi Antonelli chega ao GP dos Estados Unidos, em Austin, como líder do Mundial de Fórmula 1 e com a primeira chance de ser campeão. No contracheque, porém, o italiano de 20 anos está entre os pilotos mais baratos do grid. O salário-base dele na Mercedes em 2026 é estimado em US$ 2 milhões por ano, cerca de R$ 10 milhões, segundo levantamento do site RacingNews365.

É 35 vezes menos que o salário estimado de Max Verstappen (US$ 70 milhões) e 17 vezes menos que o do companheiro George Russell (US$ 34 milhões), que está 102 pontos atrás dele na tabela. Todos os valores deste texto são estimativas de imprensa: a Mercedes não divulga contratos, e cada veículo chega a um número diferente.

Quanto ganha Kimi Antonelli na Mercedes

A estimativa mais repetida para 2026 é a do RacingNews365, publicada em fevereiro: US$ 2 milhões de salário-base. O número não inclui bônus por resultado nem contratos de patrocínio pessoal, e a Mercedes nunca confirmou nenhum valor.

Os bônus são a parte que pode mudar a conta. Na lista da Forbes dos pilotos mais bem pagos de 2025, Antonelli aparece em 10º, com US$ 12,5 milhões no ano de estreia: US$ 5 milhões de salário e US$ 7,5 milhões em bônus. A comparação já mostra a primeira divergência entre fontes: a Forbes estimou um fixo de US$ 5 milhões em 2025, e o RacingNews365 fala em US$ 2 milhões para 2026.

Na Itália, o jornal Milano Finanza, citando o site F1 Salaries, calculou em setembro que os bônus por vitória, pole e metas de temporada podem levar os ganhos de pista do piloto a cerca de US$ 14 milhões em 2026, com mais US$ 1,5 milhão de patrocinadores pessoais como IWC, Monster Energy e Alpinestars. O valor de cada bônus não foi publicado por nenhum veículo. Na F1, a premiação oficial vai para as equipes, conforme o Mundial de Construtores; o piloto recebe o que estiver previsto no próprio contrato.

Em reais, pela cotação de 23 de outubro (PTAX de R$ 5,04), o fixo estimado de Antonelli equivale a cerca de R$ 840 mil por mês ou R$ 438 mil por corrida nas 23 etapas do calendário. Verstappen, no mesmo cálculo, recebe perto de R$ 29,4 milhões por mês.

Por que o líder ganha tão pouco

O contrato é de piloto estreante. A Mercedes anunciou Antonelli como substituto de Lewis Hamilton em 31 de agosto de 2024, quando ele tinha 18 anos e ainda corria na Fórmula 2. Em outubro de 2025, a equipe confirmou a dupla para 2026 exercendo uma opção do contrato, sem negociar novos termos. O próprio piloto disse na época que corre “ano a ano”.

Para 2027, o chefe da equipe, Toto Wolff, afirmou em junho, no GP da Áustria, que a Mercedes vai manter Russell e Antonelli. A duração e os valores do vínculo do italiano não foram divulgados.

Salário de Antonelli comparado a Verstappen, Hamilton e Russell

Entre os pilotos que brigam no topo do campeonato, Antonelli tem de longe o menor salário estimado. A tabela abaixo reúne os seis maiores salários-base do grid em 2026, o brasileiro Gabriel Bortoleto e o líder, com a conversão aproximada para reais e os pontos depois do GP de Singapura, a 17ª das 23 etapas.

PilotoEquipeSalário-base 2026 (estimativa)Em reais (aprox.)Pontos em 2026
Max VerstappenRed BullUS$ 70 miR$ 353 mi221
Lewis HamiltonFerrariUS$ 60 miR$ 302 mi229
Charles LeclercFerrariUS$ 34 miR$ 171 mi215
George RussellMercedesUS$ 34 miR$ 171 mi238
Lando NorrisMcLarenUS$ 30 miR$ 151 mi201
Fernando AlonsoAston MartinUS$ 20 miR$ 101 mi7
Gabriel BortoletoAudiUS$ 2 miR$ 10 mi10
Kimi AntonelliMercedesUS$ 2 miR$ 10 mi340

Fonte dos salários: RacingNews365 (fevereiro de 2026), estimativa com base em fontes do paddock, sem bônus nem patrocínio pessoal. Conversão pela PTAX de 23/10/2026 (R$ 5,04). Pontos após o GP de Singapura, segundo a classificação publicada pelo Crash.net.

Para o ranking de todo o grid, com salário e bônus de cada um pela Forbes, veja a lista completa dos pilotos mais bem pagos da F1.

Verstappen

Verstappen é o mais bem pago do grid em todas as estimativas, mas o tamanho da diferença varia conforme a fonte. O RacingNews365 fala em US$ 70 milhões de salário-base em 2026. Na lista de atletas mais bem pagos do mundo publicada pela Forbes em maio, o holandês aparece em 14º, com US$ 86 milhões em 12 meses: US$ 78 milhões vindos da pista e US$ 8 milhões de patrocínios.

Em agosto, a Red Bull anunciou a renovação dele até o fim de 2030, sem revelar valores. Desde então circulam estimativas de US$ 100 milhões a US$ 107 milhões de fixo por ano a partir de 2027, atribuídas ao jornalista Joe Saward e ao analista suíço Marc Limacher. Quando Nico Rosberg perguntou na Sky Sports se o número era de US$ 80 milhões por ano, o chefe da Red Bull, Laurent Mekies, respondeu que a informação não estava correta e atribuiu a renovação à confiança do piloto na equipe.

Hamilton

Lewis Hamilton, o piloto que Antonelli substituiu na Mercedes, tem o segundo maior salário e a maior renda total. O RacingNews365 estima o fixo da Ferrari em US$ 60 milhões; a Forbes, em US$ 70 milhões. Somados os US$ 30 milhões de patrocínios e negócios, o heptacampeão chegou a US$ 100 milhões e ficou em 10º na lista geral de atletas da revista. As empresas e os investimentos dele fora da pista estão em Lewis Hamilton empresário.

Kimi Antonelli e George Russell, companheiros de Mercedes, lado a lado no paddock do GP da Holanda de 2026
Antonelli e Russell em Zandvoort, em agosto: o salário-base estimado do inglês é 17 vezes maior. Foto: Steffen Prößdorf (CC BY-SA 4.0)

Russell

O contraste mais direto está dentro da Mercedes. George Russell renovou no fim de 2025 num acordo que ele mesmo descreveu como de vários anos, com cláusulas de desempenho para 2027. O RacingNews365 estima o fixo em US$ 34 milhões; o PlanetF1 publicou US$ 30 milhões. Pelas duas contas, Russell recebe pelo menos 15 vezes mais que o companheiro que lidera o campeonato.

Charles Leclerc divide com Russell o terceiro lugar da tabela, com US$ 34 milhões. Lando Norris, campeão de 2025, aparece com US$ 30 milhões no RacingNews365, mas soma US$ 60 milhões na lista da Forbes de maio (US$ 55 milhões da pista), porque os bônus do título entram na conta da revista.

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Antonelli é o piloto que custa menos por ponto no topo do grid

Dividir o salário-base estimado pelos pontos conquistados até Singapura mostra o tamanho da distorção. Antonelli tem 17,6% dos 1.933 pontos distribuídos aos pilotos na temporada e, pelas estimativas do RacingNews365, recebe cerca de 0,6% da soma dos salários-base do grid, que fica perto de US$ 350 milhões. A conta abaixo é do Atleta Pro.

  • Kimi Antonelli: cerca de US$ 5,9 mil por ponto (340 pontos).
  • George Russell: cerca de US$ 143 mil por ponto (238 pontos).
  • Charles Leclerc: cerca de US$ 158 mil por ponto (215 pontos).
  • Lando Norris: cerca de US$ 149 mil por ponto (201 pontos).
  • Lewis Hamilton: cerca de US$ 262 mil por ponto (229 pontos).
  • Max Verstappen: cerca de US$ 317 mil por ponto (221 pontos).
  • Fernando Alonso: cerca de US$ 2,9 milhões por ponto (7 pontos).

A conta não mede talento: o carro pesa muito na pontuação, e a Mercedes ganhou 11 das 17 corridas do ano. Mas Russell guia o mesmo carro, ganha 17 vezes mais e tem 102 pontos a menos. O salário de F1 é fixado antes da temporada, com base no histórico, e por isso anda atrás do resultado. Antonelli é hoje o maior exemplo desse atraso no grid. O peso das equipes nessa engrenagem aparece no ranking de quanto vale cada equipe da F1, que tem a Ferrari em US$ 6,5 bilhões.

Antonelli e Bortoleto têm o mesmo salário estimado

O RacingNews365 atribui a Gabriel Bortoleto o mesmo salário-base de Antonelli: US$ 2 milhões por ano, cerca de R$ 10 milhões, sem contar bônus. A Audi não divulga o contrato.

O brasileiro é o 15º do Mundial, com 10 pontos, em sua segunda temporada na F1 e a primeira da Audi como equipe própria. O começo de ano em que os pontos dele eram todos os pontos da equipe foi contado em Bortoleto tem 10 pontos na F1, e a Audi inteira também tem 10. Segundo levantamento da ESPN sobre os contratos do grid, ele tem vínculo garantido até pelo menos o fim de 2026, e a vaga para 2027 ainda não foi oficializada.

Os dois disputaram a Fórmula 2 de 2024, estrearam na F1 em 2025 e assinaram como estreantes. A diferença de pontos entre eles mostra quanto o carro pesa, e o salário igual mostra que, na hora de assinar, os dois valiam o mesmo para o mercado. O custo de chegar até ali está em como ser piloto de F1.

Como um título pode mudar o contrato de Antonelli

O título costuma ser o momento em que um piloto renegocia o próprio preço, e os dois últimos campeões mostram o tamanho do salto. Verstappen conquistou o primeiro título em dezembro de 2021 e, três meses depois, assinou com a Red Bull até 2028. A agência AFP estimou o novo contrato em até 40 milhões de libras por temporada; outros veículos falaram em 40 a 50 milhões de euros.

Com Norris, o efeito apareceu primeiro nos bônus. Pela Forbes, ele recebeu US$ 35 milhões em 2024 e US$ 57,5 milhões em 2025, o ano do título, dos quais US$ 39,5 milhões em bônus. Em agosto de 2026, a McLaren estendeu o contrato até pelo menos 2030; a agência britânica PA estimou o novo acordo em até US$ 35 milhões por ano.

Kimi Antonelli pilota a Mercedes W17 número 12 em Zandvoort, no GP da Holanda de 2026
A Mercedes número 12 de Antonelli em Zandvoort: oito vitórias em 17 corridas na temporada. Foto: Steffen Prößdorf (CC BY-SA 4.0)

Antonelli pode encurtar esse caminho. Se vencer em Austin neste domingo (25), com Russell em nono ou pior e Hamilton em quinto ou pior, vira o campeão mais jovem da história, com 20 anos e 61 dias, e tira o recorde de Sebastian Vettel, campeão em 2010 aos 23 anos e 134 dias. As contas completas estão em Antonelli pode ser campeão em Austin e bater recorde de Vettel. A corrida começa às 17h (horário de Brasília), sem sprint no fim de semana, e o guia de transmissão está em onde assistir ao GP dos EUA.

O site britânico Crash.net escreveu que seria de imaginar um contrato muito maior para o italiano em caso de título. Nenhum veículo publicou quanto valeria o bônus de campeão no contrato atual.

Há ainda um fator jurídico que pode tornar públicos os números. Na Itália, o ex-empresário Giovanni Minardi processa Antonelli no Tribunal de Bologna e pede de 10% a 20% dos ganhos do piloto até 2028. Segundo a agência LaPresse, o tribunal mandou Mercedes e Antonelli apresentarem até 6 de novembro todos os contratos assinados entre os dois e os registros de pagamento. O piloto diz ter agido dentro da lei, e nenhuma responsabilidade foi reconhecida até agora.

Perguntas frequentes

Qual o salário de Kimi Antonelli na Mercedes?

O salário-base de Antonelli em 2026 é estimado em US$ 2 milhões por ano (cerca de R$ 10 milhões) pelo RacingNews365. Com bônus por resultado, estimativas italianas falam em até US$ 14 milhões. A Mercedes não divulga o valor.

Quanto Antonelli ganha por mês?

Pelo salário-base estimado, cerca de US$ 167 mil por mês, perto de R$ 840 mil pela cotação de 23 de outubro de 2026. O valor não inclui bônus nem patrocínios.

Antonelli ganha mais ou menos que George Russell?

Bem menos. O salário-base de Russell é estimado em US$ 34 milhões pelo RacingNews365 (US$ 30 milhões pelo PlanetF1), de 15 a 17 vezes o de Antonelli, que lidera o campeonato com 102 pontos de vantagem sobre o companheiro.

Até quando vai o contrato de Antonelli com a Mercedes?

A Mercedes confirmou Antonelli para 2026 exercendo uma opção do contrato, e Toto Wolff disse em junho de 2026 que a dupla com Russell segue em 2027. A duração e os valores do vínculo não foram divulgados.

Antonelli ganha o mesmo que Gabriel Bortoleto?

Pela estimativa do RacingNews365, sim: os dois têm salário-base de US$ 2 milhões por ano em 2026, sem contar bônus. Mercedes e Audi não divulgam os contratos.

Quem é o piloto mais bem pago da F1 em 2026?

Max Verstappen, com salário-base estimado em US$ 70 milhões pelo RacingNews365, 35 vezes o de Antonelli. Lewis Hamilton vem em seguida, com US$ 60 milhões, e tem a maior renda total quando entram patrocínios: US$ 100 milhões, segundo a Forbes.

O que o salário de Antonelli ensina sobre alta performance

O salário de um piloto de F1 é negociado com base no que ele já provou. Verstappen recebe pelos quatro títulos que tem, Hamilton pelos sete. Antonelli assinou com a Mercedes aos 18 anos, antes de estrear na categoria, e o vínculo de 2026 foi renovado por opção, sem novos termos. Por isso hoje lidera o Mundial recebendo uma fração do que ganha o grid veterano.

Para qualquer atleta, a lição está na ordem dos fatores. O resultado vem primeiro e o contrato vem depois, quase sempre com atraso. Quem espera ser bem pago para então render inverte essa ordem. Antonelli treinou, competiu e venceu oito vezes num carro que poderia ter sido de outro piloto, sabendo que a conta só seria acertada na mesa de negociação seguinte. As origens dessa trajetória estão em 10 curiosidades sobre Antonelli.

Também vale o outro lado da tabela. Salário alto não garante ponto, como mostram os pilotos que ganham dezenas de milhões e somam um dígito no campeonato. O que sustenta a carreira é o processo que gera resultado temporada após temporada, e não o número assinado no contrato.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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