Gabriel Bortoleto terminou o GP da Cidade do México a uma posição dos pontos e, horas depois, herdou o décimo lugar. Oscar Piastri, que havia cruzado a linha em sétimo, recebeu 10 segundos de punição por causar a colisão com Arvid Lindblad e caiu para 15º, segundo a F1. O brasileiro da Audi soma um ponto.
A decisão dos comissários veio depois da bandeirada e muda a parte de baixo da zona de pontuação, sem tocar nas seis primeiras posições nem no título de Kimi Antonelli. Às 22h10 de Brasília, a tabela oficial da F1 seguia provisória e ainda não mostrava a nova ordem.
O que os comissários decidiram sobre Piastri e Lindblad
O piloto da McLaren vinha em recuperação depois de largar em 12º. Chegou ao sétimo lugar nas paradas, mas foi superado por Lindblad em uma relargada. Na volta 59, segundo o PlanetF1, tentou o contra-ataque por fora na curva 1. Segurou a manobra até o pneu dianteiro tocar a traseira esquerda da Racing Bulls, que levantou por um instante e foi parar nas barreiras. Lindblad abandonou e saiu ileso.
Os comissários ouviram os dois pilotos e representantes das equipes, além de examinar dados de posicionamento, vídeo e câmeras de bordo. A conclusão foi contra Piastri: como nunca esteve totalmente ao lado da Racing Bulls, ele não tinha direito à curva.
O documento diz que Lindblad se defendeu aliviando os freios, não forçou o rival para fora da pista e ainda deixou espaço por fora, algo a que não era obrigado. Para os comissários, Piastri poderia ter evitado a colisão indo mais para a esquerda depois da curva 1, ainda que precisasse sair da pista antes da curva 2.

Piastri culpou Lindblad, e Rosberg apoiou a punição
Antes do veredito, Piastri viu o lance de outra maneira. Em declaração publicada pelo The Race, disse que tentou primeiro por dentro, mas Lindblad fechou a porta muito tarde, e por isso acabou por fora. O australiano afirmou ainda que foi empurrado para tão longe que não havia como ir mais à esquerda, e que as rodas dos dois carros se encaixaram.
Lindblad preferiu não comentar em detalhes sem ter visto as imagens, mas defendeu a própria postura. Ao PlanetF1, disse que estava em uma disputa real, que Piastri passou mais de 10 voltas preso atrás dele e que não facilitaria uma ultrapassagem por fora.
Campeão de 2016 e comentarista da Sky, Nico Rosberg considerou a decisão correta, segundo o PlanetF1. Ele ponderou que o lance não é totalmente claro, mas achou justa a punição, porque Piastri nunca esteve de fato por fora e precisava recuar.
A conta ficou pesada para o australiano. Piastri havia passado por uma classificação que ele mesmo não soube explicar, com eliminação no Q2, e disse no sábado que a meta era chegar aos pontos. Conseguiu na pista e perdeu no papel: são 6 pontos a menos e, segundo a F1, a quarta etapa dele sem pontuar em 2026, depois de Austrália, Hungria e Azerbaijão.
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Como fica a ordem do GP do México depois da punição
Piastri tinha cruzado a linha 19,475s atrás de Max Verstappen. Com os 10 segundos, o tempo vai a 29,475s, o que o coloca entre Carlos Sainz (28,638s) e Nico Hülkenberg (29,977s). A conta confere com o 15º lugar informado pela F1.
Verstappen, Lewis Hamilton, Antonelli, Charles Leclerc, Lando Norris e George Russell seguem do primeiro ao sexto lugar. A ordem divulgada pelo Motorsport.com a partir daí é esta:
- 7º: Franco Colapinto (Alpine), 6 pontos
- 8º: Liam Lawson (Racing Bulls), 4 pontos
- 9º: Pierre Gasly (Alpine), 2 pontos
- 10º: Gabriel Bortoleto (Audi), 1 ponto
- 11º a 14º: Isack Hadjar, Ryo Hirakawa, Alex Albon e Carlos Sainz
- 15º a 17º: Oscar Piastri, Nico Hülkenberg e Sergio Pérez
Essa lista ainda não é a classificação homologada. Na página de resultados da F1, Piastri continuava em sétimo com 6 pontos e Bortoleto em 11º com zero, na mesma ordem de chegada. A diferença está explicada ali mesmo: uma nota registra a punição de 10 segundos, aplicada depois da corrida. O resultado segue marcado como provisório, e a punição não afeta a vitória de Verstappen.
O que um ponto muda para Bortoleto e para a Audi
Segundo o Motorsport.com, é a primeira vez que Bortoleto pontua desde o oitavo lugar no GP da Bélgica, em julho. O ponto também é o único da Audi no México, já que Hülkenberg ficou fora da zona de pontuação.
O fim de semana do brasileiro começou mal. Ele cedeu o carro a Freddie Slater no primeiro treino livre e, segundo o Grande Prêmio, teve problemas técnicos que quase o impediram de andar nas duas sessões seguintes. A própria Audi registrou que ele foi “direto para a classificação”. Terminou em 14º, largou em 13º com a desclassificação de Lawson e ganhou duas posições na pista.

A margem foi pequena: Bortoleto cruzou a linha 0,558s atrás de Gasly e 0,462s à frente de Hadjar.
Entre os construtores, o efeito vai além da Audi. Segundo o The Race, a Alpine fica com 8 pontos pelo sétimo e pelo nono lugares, contra 4 da Racing Bulls, na disputa pelo quinto lugar. A equipe de Lindblad segue 29 pontos à frente.
O próximo compromisso é em casa. Depois da corrida, em entrevista ao SporTV reproduzida pelo Grande Prêmio, Bortoleto projetou Interlagos, palco do GP de São Paulo, de 6 a 8 de novembro: “Se a gente tiver um final de semana limpo, sem nenhum problema, a gente tem de estar lá na frente”.
O que a punição ensina sobre alta performance
O caso tem dois lados da mesma lição. Piastri fez uma boa recuperação durante 58 voltas e perdeu o resultado em um único ataque, em uma colisão que os comissários consideraram evitável. Quando a posição vale 6 pontos, a decisão de insistir ou desistir de uma manobra precisa levar em conta tudo o que está em jogo.
Bortoleto mostra o outro lado. Chegou à corrida quase sem quilometragem, ganhou posições e terminou colado no grupo da frente. O ponto veio de uma decisão alheia, mas ele só o herdou porque estava ali, logo atrás da zona de pontuação, e não mais longe. Manter-se perto em um dia ruim é o que permite aproveitar o erro de outra pessoa.
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