Quatro anos depois de perder a única final de WTA da carreira, Claire Liu tem outra chance de levantar um troféu no circuito principal. A americana venceu a russa Alexandra Shubladze por 7/5 e 6/4, neste sábado (7), e está na decisão do Prudential Hong Kong Tennis Open, torneio WTA 250 disputado em quadra dura no Victoria Park.
Foram 1h58 de jogo e cinco quebras de saque a favor de Liu, segundo a Tennis Majors. Atual 102ª do ranking, a jogadora de 26 anos encerrou a semana da 136ª colocada, que tinha saído do qualifying e derrubado duas cabeças de chave pelo caminho. No domingo (8), ela joga pelo primeiro título de simples da WTA.
Cinco quebras e um segundo saque decisivo
O primeiro set foi de vantagens que não duravam. Liu confirmou o saque sem perder ponto no game de abertura e quebrou logo em seguida para fazer 2/0. Shubladze devolveu a quebra na hora, quebrou de novo e virou para 3/2. A americana empatou em 3/3.
A parcial seguiu equilibrada até o fim. Shubladze confirmou o serviço sem perder ponto para igualar em 5/5, mas perdeu o saque quando estava em 5/6. Liu fechou o set em 7/5 na segunda chance que teve.
No segundo set, as duas salvaram dois break points nos primeiros games de saque. A diferença, mais uma vez, estava no segundo serviço. Os números da Tennis Majors mostram o desequilíbrio:
- Pontos ganhos com o segundo saque: Liu 50%, Shubladze 21%
- Break points: Liu converteu 5 de 11
- Break points salvos por Shubladze: 6 de 11
- Duração: 1h58
Com o segundo saque da russa tão vulnerável, Liu criou 11 chances de quebra. Converteu menos da metade, mas foi o suficiente para fechar em sets diretos.

Uma cabeça de chave no caminho até a final
A campanha de Liu em Hong Kong começou com vitória por 6/2 e 6/4 sobre Tatiana Prozorova, vinda do qualifying. O resultado mais forte veio na segunda rodada, contra a britânica Katie Boulter, cabeça de chave número 8: 7/5 e 6/4.
Nas quartas, a americana passou pela turca Zeynep Sonmez, 67ª do mundo, por 6/1 e 6/4. Foi a primeira semifinal dela na temporada, segundo a WTA, e a segunda vitória em dois confrontos com Sonmez.
Depois daquele jogo, Liu admitiu que a temporada asiática não vinha bem. “Minha gira na Ásia foi um pouco instável. Sentia que não conseguia encontrar um tênis bom e consistente, então fico feliz que isso esteja acontecendo agora, na última semana do ano”, disse, segundo o site oficial do torneio.
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O fim da semana de sonho de Shubladze
Para Shubladze, a derrota encerra uma semana que já estava acima de qualquer previsão. A russa de 21 anos venceu dois jogos no qualifying, contra a chinesa Zhang Ying (6/4 e 6/3) e a australiana Emerson Jones (6/4 e 6/2), antes de entrar na chave principal.
Já na estreia, derrubou a compatriota Liudmila Samsonova, cabeça de chave número 7, por 5/7, 6/1 e 6/2. Depois, saiu de um set atrás contra Elena Pridankina e venceu por 6/7 (6/8), 6/1 e 6/3. Nas quartas, eliminou a romena Sorana Cirstea, cabeça de chave número 1, por 6/2 e 6/3, no que pode ter sido o último jogo da carreira da veterana.
Antes da semifinal, ela tinha falado em manter a cabeça no presente. “Amanhã vai ser difícil, mas vou tentar fazer o meu melhor”, afirmou, segundo a organização do torneio. A russa sai de Hong Kong com cinco vitórias na semana, contando o qualifying.

Final no domingo contra Eala ou Sakkari
A adversária de Liu na decisão sai da outra semifinal, entre a filipina Alexandra Eala, cabeça de chave número 2 e 17ª do ranking, e a grega Maria Sakkari, quarta favorita. Eala chegou à penúltima rodada depois de vencer Antonia Ruzic num jogo de 11 quebras.
Será a segunda final de Liu no circuito principal. A primeira foi em Rabat, em 2022, quando perdeu para a italiana Martina Trevisan por 6/2 e 6/1. Em 2023, a americana chegou ao melhor ranking da carreira, perto do top 50. Segundo o Tennis Uptodate, a campanha desta semana já garante a volta dela ao top 100.
O que a vitória ensina sobre alta performance
O placar de 7/5 e 6/4 não conta a história toda. Liu enfrentou uma adversária embalada, perdeu uma vantagem de quebra no começo e viu o primeiro set chegar a 5/5. O que decidiu foi a capacidade de pressionar o ponto mais frágil da rival, jogo após jogo, mesmo convertendo menos da metade das chances.
Para atletas e treinadores, o segundo saque volta a aparecer como o golpe mais exposto do tênis. Ganhar 21% dos pontos com ele, como Shubladze, transforma cada game de saque numa defesa. Ganhar 50%, como Liu, dá margem para errar o primeiro serviço sem entregar o jogo.
Há ainda uma lição sobre o calendário. Liu chegou a Hong Kong sem uma semifinal na temporada e com uma gira asiática que ela mesma classificou como instável. No que ela chamou de última semana do ano, encontrou o melhor tênis. Uma sequência ruim não precisa definir o fim da temporada: quem continua competindo com clareza ainda pode mudar o tom do ano.
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