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Márquez vence sprint no Catar e pode ser campeão da MotoGP hoje

Marc Márquez, da Ducati, faz sinal de positivo depois de vencer a sprint do GP do Catar de 2026 em Lusail

Marc Márquez chega ao domingo (8) em Lusail com a primeira chance real de fechar a temporada 2026 da MotoGP. No sábado (7), o piloto da Ducati venceu uma sprint caótica no Catar: bandeira vermelha na segunda volta, Francesco Bagnaia levado de maca, um toque polêmico com o pole Marco Bezzecchi e um Jorge Martín correndo com o punho direito fraturado.

Com os 12 pontos da vitória, o espanhol de 33 anos foi a 411 pontos, 49 à frente de Martín. A conta para o título no GP do Catar é simples e apertada: Márquez precisa vencer a corrida principal, marcada para as 13h de Brasília, e torcer para que Martín não marque nenhum ponto. Qualquer outro resultado leva a decisão para Portugal.

Bandeira vermelha, Bagnaia fora e uma nova sprint de 10 voltas

A sprint largou às 19h de Doha com Bezzecchi, dono da pole com recorde do circuito (1min50s028), segurando Márquez na primeira curva. A disputa durou pouco. No fim da primeira volta, Fermín Aldeguer, da Gresini, freou tarde demais na curva 16 ao tentar passar Pedro Acosta e acertou a traseira da Ducati de Bagnaia, que foi arremessado da moto.

A direção de prova mostrou a bandeira vermelha enquanto o italiano era atendido na brita. Segundo a MotoGP, ele estava consciente e falando quando foi levado ao centro médico. O diagnóstico veio à noite: duas fraturas no pé direito, no quarto e no quinto metatarsos, que o tiram do GP de domingo. “Os exames iniciais revelaram duas fraturas no pé direito”, informou Angel Charte, diretor médico da MotoGP, em comunicado oficial.

Aldeguer recebeu punição de duas voltas longas para a relargada e terminou em 11º. “Quero pedir desculpas ao Pecco e a toda a equipe dele. Cometi um erro ao tentar uma ultrapassagem”, disse o espanhol em declaração divulgada pela equipe. A prova recomeçou com 10 voltas, uma a menos que o previsto, e só 17 motos no grid.

O toque com Bezzecchi na curva 1

Na relargada, Márquez saiu melhor e assumiu a ponta. Bezzecchi tentou o troco na curva 15 da segunda volta, mas o espanhol retomou a posição por fora. O lance que mudou a briga pelo título veio no início da quarta volta: Márquez abriu um pouco a trajetória na curva 1, o italiano mergulhou por dentro e, quando o piloto da Ducati voltou para a linha ideal, as motos se tocaram. Bezzecchi caiu.

Os comissários analisaram o lance e decidiram não punir ninguém: foi considerado incidente de corrida. “Fiquei surpreso de encontrar o Marco por dentro, porque eu estava na mesma linha que sempre faço”, disse Márquez. “Mas é verdade que ele tem algo a mais de velocidade nesta pista.”

Bezzecchi preferiu não alimentar a polêmica. “Não há muito a acrescentar ao que está nas imagens. Tentei fazer a minha linha. Eu estava por dentro e, um segundo depois, estava no chão”, afirmou. “Não adianta ficar bravo agora, eu só estaria gastando energia.”

Marco Bezzecchi, da Aprilia número 72, segue Marc Márquez, da Ducati número 93, em curva do circuito de Lusail no GP do Catar de 2026
Bezzecchi e Márquez em Lusail: o italiano largou na pole com recorde do circuito e caiu na quarta volta da sprint. Foto: MotoGP

Martín, com o punho quebrado, sai do 11º lugar para o pódio

A queda de Bezzecchi abriu caminho para o outro piloto da Aprilia. Martín, que quebrou o punho direito há duas semanas, no GP da Austrália, largou em 11º e escolheu o pneu traseiro macio para a relargada, a mesma opção de Márquez e diferente da maior parte do grid. Na sexta posição já na primeira volta, ele aproveitou a confusão do toque para chegar à liderança por alguns instantes.

Márquez respondeu na hora. Marcou as voltas mais rápidas da prova nas passagens 5 e 7 e abriu mais de um segundo. Nas voltas finais, Martín passou a se defender de Fabio Di Giannantonio, da VR46, que fez a ultrapassagem na curva 2 da última volta. A troca de posições foi decisiva: com o segundo lugar, Martín teria eliminado a chance de título de Márquez já neste domingo.

Márquez cruzou a linha em 18min46s450, com Di Giannantonio a 0s862 e Martín a 1s519. Foi a 25ª vitória dele em sprints, recorde da categoria, segundo a MotoGP. “As últimas voltas foram mais difíceis, com o pneu e com a mão. Estou muito orgulhoso. Não foi fácil, mas fizemos um grande trabalho. Amanhã vai ser difícil, mas vou dar o meu melhor”, disse Martín.

Jorge Martín, da Aprilia, com gelo no punho direito fraturado no pódio da sprint do GP do Catar de 2026 em Lusail
Jorge Martín com gelo no punho direito depois do terceiro lugar na sprint de Lusail. Foto: MotoGP

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A conta do título neste domingo no Catar

Depois da sprint, a classificação ficou assim: Márquez com 411 pontos, Martín com 362 e Bezzecchi com 332. Pedro Acosta, quarto com 299, saiu matematicamente da briga. Restam 99 pontos em jogo: os 25 do GP de domingo e as duas últimas etapas completas da temporada, com sprint e corrida principal.

Para ser campeão já em Lusail, Márquez precisa de duas coisas ao mesmo tempo. A primeira depende dele: vencer as 22 voltas do GP. A segunda, não: Martín não pode marcar ponto, ou seja, tem de abandonar ou terminar fora dos 15 primeiros, as posições que pontuam na corrida de domingo. Com essa combinação, a vantagem chegaria a 74 pontos, o total que ainda restaria em disputa nas duas últimas etapas. Qualquer ponto de Martín adia a decisão para Portugal.

Bezzecchi, a 79 pontos, ainda não está eliminado na matemática, de acordo com a MotoGP, mas a queda na sprint deixou o italiano dependendo de uma sequência improvável. Se o título vier, será o oitavo de Márquez na classe rainha da MotoGP.

Jorge Martín, da Aprilia número 89, e Marc Márquez, da Ducati número 93, lado a lado em disputa de posição na sprint do GP do Catar de 2026
Martín e Márquez lado a lado em Lusail: 49 pontos separam os dois antes do GP do Catar. Foto: MotoGP

Um grid desfalcado em Lusail

A sprint já tinha começado com ausências. A Yamaha não foi ao Catar: a empresa japonesa manteve uma restrição de viagens a regiões afetadas pela guerra no Oriente Médio, e as quatro motos da marca ficaram fora da etapa. A MotoGP disse estar “decepcionada” com a decisão e avisou que a fabricante pode sofrer consequências esportivas, a serem definidas pela FIM.

Na Gresini, Iker Lecuona, vice-campeão do Mundial de Superbike em 2026, ocupou a vaga de Álex Márquez e levou o último ponto da sprint, com o nono lugar. Raúl Fernández, da Trackhouse, foi o quarto, à frente de Johann Zarco, da LCR Honda, e de Acosta, da KTM.

Moreira largou em 16º e terminou em 10º

O brasileiro Diogo Moreira, estreante pela LCR Honda, ganhou seis posições em relação ao grid e cruzou em 10º, a 9s220 do vencedor. Ficou a uma posição de pontuar: na sprint, só os nove primeiros marcam pontos. Na briga direta pelo último ponto, Lecuona levou a melhor.

“Me senti melhor hoje do que ontem, embora ainda tenha dificuldade na volta rápida, o que complicou a classificação”, disse Moreira em declaração divulgada pela equipe. “Acho que podemos fazer uma boa corrida amanhã, e o objetivo é terminar no top 10.” O brasileiro é o 15º do campeonato, com 78 pontos.

No fim de semana passado, Márquez venceu o GP da Malásia, em Sepang, e chegou ao Catar com 44 pontos de vantagem. A sprint ampliou a diferença em cinco pontos, o mínimo necessário para manter vivo o match point de domingo.

O que a sprint do Catar ensina sobre alta performance

A tarde em Lusail mostrou duas formas de lidar com a pressão. Márquez, que precisava de pelo menos cinco pontos sobre Martín para seguir com chance de título no domingo, teve o airbag do macacão acionado no toque com Bezzecchi, segundo o MCNews, levou algumas curvas para voltar ao ritmo e, ainda assim, controlou a prova com as melhores voltas no meio da corrida. Campeão experiente gerencia risco: atacou quando precisou e administrou a vantagem quando ela apareceu.

Martín mostrou o outro lado. Com o punho fraturado, apostou no pneu macio, que quase não tinha usado no fim de semana, para ganhar posições cedo, e aceitou pagar o preço nas voltas finais. Para qualquer atleta, a lição é a mesma: estratégia não é só ritmo, é saber em que momento gastar a energia que se tem. Neste domingo, às 13h de Brasília, os dois voltam a fazer essa conta, agora valendo o título.

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