Lando Norris transformou a pole de sábado em vitória no GP de São Paulo de Fórmula 1. Neste domingo (8), o piloto da McLaren venceu as 71 voltas em Interlagos com 14s6 de vantagem sobre Max Verstappen, numa corrida que começou com pista molhada, secou no meio e terminou com chuva forte nas voltas finais.
É a terceira vitória de Norris em 2026 e a segunda seguida dele em Interlagos, depois do triunfo em 2025. Verstappen largou em 21º, por punição de troca de motor, e subiu ao segundo lugar. Isack Hadjar completou o pódio e deu à Red Bull dois carros entre os três primeiros. George Russell e Kimi Antonelli fecharam em quarto e quinto, resultado que garantiu à Mercedes o título de construtores de 2026.
Antonelli liderou o começo, mas a corrida virou na volta 20
Todos largaram com pneus intermediários, às 14h. Antonelli, que já tinha garantido o título de pilotos na corrida anterior, no México, saiu da primeira fila e tomou a ponta na largada. Liam Lawson, da Racing Bulls, pulou para o segundo lugar e deixou Norris em terceiro por algumas voltas, até o britânico passá-lo na volta 7.
Com a pista secando, Lewis Hamilton foi o primeiro a trocar para pneus de pista seca, na volta 15, e o resto do pelotão parou em seguida. Antonelli chegou a abrir mais de oito segundos, mas passou a reclamar do carro pelo rádio. “Tem algo estranho com o carro”, disse o italiano, segundo o acompanhamento ao vivo do RacingNews365. Na volta 20, ele rodou na curva 1 e entregou a liderança a Norris. Antonelli já tinha rodado antes mesmo da largada, na curva 12, a caminho do grid.
Russell também perdeu tempo cedo: rodou na saída dos boxes durante a primeira rodada de paradas e teve de se recuperar no pelotão.

A remontada de Verstappen, de 21º a 2º
Verstappen começou o domingo no fundo do grid, depois das punições por troca de componentes do motor. Em cinco voltas já era sétimo. Na volta 12, passou Lawson e entrou no top 5.
Na metade da prova, a Red Bull pediu que Hadjar abrisse passagem para o companheiro, o que aconteceu na volta 38. Verstappen não conseguiu se aproximar de Norris, e Hadjar perguntou pelo rádio se a ordem continuaria valendo. “Se ele não conseguir passar o Lando, a gente fica assim?”, questionou o francês, segundo o GPblog. Poucas voltas depois, Verstappen fez uma segunda parada para colocar pneus macios novos.
A remontada lembra a de 2024, quando o holandês venceu em Interlagos largando em 17º. Desta vez, a recuperação parou no segundo lugar.
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A chuva voltou e embaralhou o fim
A chuva reapareceu por volta da volta 49. Norris parou na volta 50 para pneus macios novos e chegou a ver Hadjar e Antonelli passarem à frente, que ainda não tinham feito a segunda parada. A vantagem deles durou pouco: Hadjar parou na volta 51, e Antonelli na volta 54, devolvendo a ponta ao piloto da McLaren.
Com a chuva apertando na volta 62, os líderes voltaram aos intermediários. A troca saiu sem sustos para Norris, que administrou a vantagem até a bandeirada. Na Mercedes, Antonelli recebeu ordem para deixar Russell passar na volta 65, e o britânico ficou com o quarto lugar.
Os comissários anunciaram que investigariam, depois da corrida, uma possível liberação insegura de Antonelli nos boxes, num lance perto da Alpine de Franco Colapinto. Até a publicação desta matéria, a classificação oficial mantinha o italiano em quinto.

Hamilton pontua no 400º GP; Bortoleto e Câmara longe dos pontos
Oscar Piastri foi sexto, com a outra McLaren. Charles Leclerc passou Lawson nas voltas finais e ficou em sétimo, à frente do neozelandês. Hamilton terminou em nono na sua 400ª largada na Fórmula 1, depois de partir em 20º e de rodar a poucas voltas do fim. Nico Hülkenberg completou o top 10 com a Audi.
Os brasileiros não pontuaram. Gabriel Bortoleto, da Audi, foi o 16º. Rafael Câmara terminou em 20º na estreia pela Haas, um dia depois de bater na classificação. Lance Stroll abandonou com a Aston Martin, e Valtteri Bottas nem largou: a Cadillac foi retirada do grid por um problema na porca da roda.
Os dez primeiros do GP de São Paulo 2026
| Posição | Piloto | Equipe |
|---|---|---|
| 1º | Lando Norris | McLaren |
| 2º | Max Verstappen | Red Bull |
| 3º | Isack Hadjar | Red Bull |
| 4º | George Russell | Mercedes |
| 5º | Kimi Antonelli | Mercedes |
| 6º | Oscar Piastri | McLaren |
| 7º | Charles Leclerc | Ferrari |
| 8º | Liam Lawson | Racing Bulls |
| 9º | Lewis Hamilton | Ferrari |
| 10º | Nico Hülkenberg | Audi |
Fonte: relatório oficial da Fórmula 1. O grid e o horário da prova estão no serviço do GP de São Paulo, e a classificação de sábado em Norris crava pole sob chuva em Interlagos.
O que a vitória em Interlagos ensina sobre alta performance
Norris não foi o mais rápido em todos os momentos do domingo. Antonelli abriu vantagem no começo, e Verstappen foi o carro mais agressivo na pista. A diferença esteve em errar menos: com três mudanças de condição em 71 voltas, o britânico não rodou, acertou o momento das paradas e manteve o ritmo quando a chuva voltou.
O contraste com Antonelli é a lição. O campeão rodou duas vezes, uma delas antes de a corrida começar. Em condição instável, quem consegue manter a cabeça fria e executar o plano sem pressa ganha posições que o ritmo puro não garante. Para o atleta e o treinador, é o argumento a favor de treinar a tomada de decisão sob pressão, e não só a velocidade.
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