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Verstappen sai de 21º a 2º em Interlagos: como foi a remontada

Max Verstappen pilota a Red Bull com pneus de pista seca em Interlagos, seguido pelo companheiro Isack Hadjar, no GP de São Paulo de Fórmula 1 2026

Max Verstappen voltou a fazer de Interlagos o palco de uma recuperação. Neste domingo (8), o piloto da Red Bull largou em 21º, penúltimo do grid, e terminou o GP de São Paulo de Fórmula 1 em segundo lugar, 14s602 atrás de Lando Norris, da McLaren, vencedor da prova.

É a terceira temporada seguida em que o holandês sai do fundo do pelotão para o pódio no autódromo paulistano. Em 2024, venceu largando em 17º. Em 2025, foi terceiro depois de partir do pit lane. Desta vez, os fãs o escolheram como Piloto do Dia, com 31,3% dos votos na enquete oficial da F1.

Por que Verstappen largou em 21º

A posição no grid não tinha relação com o ritmo. Verstappen foi o mais rápido do terceiro treino livre, no sábado, 0s025 à frente de Kimi Antonelli. Mas a Red Bull colocou no carro novos componentes da unidade de potência (motor a combustão, turbo e escapamento, segundo o RacingNews365), e a conta veio em forma de punição de 30 posições, registrada na nota oficial do grid.

Como iria para o fundo de qualquer jeito, a equipe usou a classificação sob chuva como ensaio. Verstappen marcou 1min31s238 e foi o terceiro no Q1. Depois, desceu do carro e não voltou para o Q2, para guardar pneus intermediários para uma corrida que prometia pista molhada, segundo o relato da própria Red Bull. Na largada, só Sergio Pérez, da Cadillac, também punido, estava atrás dele.

A largada: oito posições na primeira volta

A corrida começou com pista úmida e o grid inteiro de intermediários. Verstappen fechou a primeira volta em 13º, oito posições acima do ponto de partida, de acordo com a F1 e o Motorsport.com. Na quinta volta, já estava entre os oito primeiros, depois de superar Oscar Piastri, da McLaren, e Alex Albon, da Williams, no intervalo de duas curvas, segundo o relato oficial da categoria.

No caminho, passou também Lewis Hamilton, que tinha largado logo à frente dele, em 20º, e já sofria com o desgaste dos pneus traseiros. Depois vieram Nico Hülkenberg, da Audi, e Liam Lawson, da Racing Bulls, que havia andado em segundo no começo. Antes da décima volta, Verstappen era o sexto colocado.

Red Bull de Max Verstappen com pneus intermediários levanta água na pista molhada de Interlagos no GP de São Paulo de Fórmula 1 2026
Verstappen de pneus intermediários na pista molhada de Interlagos. Foto: Motorsport Images, reprodução/Motorsport.com.

A troca para pneus de pista seca e a passagem por Antonelli

Com a pista secando, Hamilton foi o primeiro a trocar para pneus de pista seca, e o pelotão foi atrás. A Red Bull segurou Verstappen uma volta a mais na pista do que a maioria dos ponteiros: ele parou ao fim da volta 17, junto com o líder Antonelli, e voltou em quarto, atrás do companheiro Isack Hadjar.

A Mercedes do novo campeão começou a dar sinais de problema. Antonelli avisou pelo rádio que havia algo estranho no carro, rodou na curva 1 na volta 20 e perdeu a liderança para Norris. Na volta 23, quando o italiano escapou outra vez na mesma curva, Verstappen subiu para terceiro, cerca de sete segundos atrás do líder.

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Ordem de equipe na volta 38

Hadjar, que tinha largado em quinto, segurava o segundo lugar. Verstappen se aproximou, e a Red Bull pediu ao francês que abrisse passagem. A troca aconteceu na curva 1, na volta 38, com Norris 9s2 à frente, segundo a F1.

A ultrapassagem combinada não mudou o cenário. Verstappen não conseguiu tirar a diferença para o líder, e Hadjar seguiu a menos de um segundo dele, a ponto de perguntar pelo rádio se as posições seriam desfeitas. Por volta da 46ª volta, a Red Bull chamou o holandês para um jogo novo de pneus macios. Ele voltou em quinto, enquanto Hadjar tentava ir até o fim sem outra parada.

As estratégias se encontraram nas voltas seguintes. Norris parou depois de 49 voltas, Hadjar logo em seguida, e Antonelli só fez a segunda troca ao fim da volta 53. Quando a ordem se reorganizou, Verstappen estava de novo em segundo, a cerca de sete segundos de Norris.

Os dois carros da Red Bull, de Max Verstappen e Isack Hadjar, em sequência na pista seca de Interlagos durante o GP de São Paulo 2026
As duas Red Bull em sequência na fase seca da corrida, que terminou com pódio duplo da equipe. Foto: Red Bull Content Pool.

A chuva voltou, e a diferença dobrou

A chuva, anunciada pelo rádio desde a metade da prova, chegou de vez nas voltas finais. A partir da volta 61, os pilotos começaram a voltar aos boxes para colocar intermediários, e em poucas voltas o pelotão inteiro tinha trocado. Norris controlou a pista molhada até a bandeirada, e a vantagem sobre Verstappen, que era de cerca de sete segundos, terminou em 14s602. Hadjar completou o pódio duplo da Red Bull, 24s485 atrás do vencedor.

Depois da corrida, Verstappen disse à Sky Sports F1 que o carro mudou de comportamento ao longo da prova. “Foi uma corrida desafiadora. As primeiras voltas, claro, eram muito importantes. Ultrapassei muitos carros, e aquele primeiro stint foi muito, muito forte”, afirmou. “Infelizmente, depois disso, não sei se pegamos algum tipo de dano, porque o carro parecia o completo oposto de tudo o que senti no fim de semana, com um equilíbrio muito estranho.”

Ele contou que, ao chegar ao segundo lugar, não conseguiu se aproximar de Norris, e que a equipe precisa entender o que deu errado. Mesmo assim, fez o balanço do dia: “Largar em 21º e estar no pódio em segundo é um resultado muito bom.”

O que o segundo lugar vale no campeonato

Os 18 pontos levaram Verstappen a 279 no Mundial de Pilotos, segundo a classificação oficial da F1. Ele segue em segundo, agora 17 pontos à frente de George Russell, da Mercedes, que tem 262. Hamilton é o quarto, com 261. O título já tem dono: Antonelli soma 390 pontos e garantiu o campeonato na etapa anterior, no México. A Mercedes, com o quarto lugar de Russell e o quinto de Antonelli, confirmou em Interlagos o título de construtores.

Restam três etapas: Las Vegas, de 20 a 22 de novembro, Catar e Abu Dhabi.

O que a remontada ensina sobre alta performance

A corrida de Verstappen começou a ser construída no sábado. Em vez de arriscar o carro numa classificação que não mudaria sua posição de largada, a Red Bull poupou pneus e tratou a sessão como preparação para o domingo. Com a pista úmida, ele fez o trabalho mais difícil nas primeiras voltas, quando o pelotão ainda estava embolado e cada curva podia render uma posição.

Também há uma lição no fim da prova. Verstappen admitiu que o carro piorou e que não teve resposta para Norris, mas não transformou o segundo lugar em frustração: de 21º a 2º, resumiu, é um resultado muito bom. Para atletas e treinadores, a mensagem é aceitar a condição que não se controla, planejar em função dela e atacar no momento em que a vantagem existe.

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