O ciclismo tem uma longa lista de campeões, mas apenas um recebeu o apelido que nenhum adversário ousava contestar: O Canibal. Eddy Merckx, o belga que dominou o peloton entre 1965 e 1978, não apenas vencia: ele destruía a concorrência com uma frieza desconcertante. Com o Tour de France 2026 largando em Barcelona no dia 5 de julho, o mundo do ciclismo volta os olhos para Tadej Pogacar, o esloveno que está a um título de igualar a maior marca da história do esporte. Para entender o que está em jogo, é preciso entender quem criou esse padrão impossível.
Eddy Merckx, O Canibal: a história do maior ciclista de todos os tempos

Em 1969, em seu primeiro Tour de France, Eddy Merckx fez algo que nenhum ciclista havia conseguido antes, e que ninguém repetiu desde então: venceu a classificação geral, a classificação dos pontos (maillot vert) e a classificação da montanha (maillot à pois) ao mesmo tempo. Chegou a Paris com 17 minutos e 54 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, Roger Pingeon. A margem era tão absurda que parecia um erro de cálculo.
O apelido “O Canibal” nasceu nesse mesmo verão, quando a filha de um companheiro de equipe perguntou por que ele precisava ganhar absolutamente tudo. A criança usou a palavra “canibal” sem entender o peso do termo, e a imprensa imediatamente a adotou. Era perfeito. Merckx não corria para vencer: ele corria para eliminar qualquer possibilidade de derrota. Montanhas, contrarrelógios, clássicas, Monumentos, criteriums, provas de um dia. Tudo era alvo.
Ao longo de 14 anos de carreira profissional, Merckx acumulou 525 vitórias oficiais, incluindo 5 Tours de France (1969, 1970, 1971, 1972 e 1974), 5 Giros d’Italia, 1 Vuelta a España e 3 títulos mundiais. Ele é o único ciclista a ter vencido os três Grand Tours com tamanha consistência, e os números colocam qualquer comparação num plano diferente: Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Miguel Indurain ganharam 5 Tours, mas nenhum chegou perto da versatilidade de Merckx. Ele não escolhia batalhas: ele as travava todas.
O que tornava Merckx tecnicamente inigualável era a combinação rara de potência aeróbica, escalada e capacidade no contrarrelógio na mesma pessoa. Ele podia atacar sozinho a 80 quilômetros da chegada, abrir um minuto de vantagem subindo um Alpe d’Huez sem aviso e sustentar o ritmo até a linha de chegada. Seus rivais não precisavam ser fracos para perder: bastava serem humanos.
Em 1972, Merckx estabeleceu o recorde mundial da hora, pedalando 49,431 km em 60 minutos no velódromo de Cidade do México, em altitude. O recorde ficou em pé por 12 anos. Agora, com 80 anos, Merckx ainda acompanha o ciclismo de perto, e sua opinião sobre Pogacar é categórica: “O quinto será neste ano. E depois seis, sete…”
Em julho de 2026, Tadej Pogacar parte de Barcelona rumo ao seu possível quinto Tour de France. Se vencer, entra no seleto grupo dos cinco recordistas, ao lado de Merckx, Hinault, Anquetil e Indurain. Resta saber se alguém será capaz de parar o novo Canibal, antes que ele também invente um número impossível.
O que aconteceu no esporte

Brasil x Haiti: a noite de mostrar quem manda
Esta sexta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), o Brasil entra em campo contra o Haiti pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026, no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. Após o empate frustrante de 1×1 com o Marrocos na estreia, o técnico Carlo Ancelotti promete mudanças na escalação: Rayan e Luiz Henrique devem ganhar oportunidades, com Endrick como opção para o segundo tempo.
O Haiti chegou fragilizado ao confronto, após perder para a Escócia na primeira rodada. Os modelos de probabilidade dão ao Brasil 83% de chance de vitória. Uma vitória coloca a seleção na liderança do grupo com 4 pontos, em posição confortável para avançar ao mata-mata. Ancelotti avisou: “Vai ser difícil. Nenhum jogo na Copa é fácil.” O jogo tem transmissão pelo SBT e streaming.
Fonseca cai em Halle, mas a grama de Wimbledon espera
Na terça-feira (16/06), João Fonseca sofreu uma derrota pesada na estreia em Halle (Alemanha): 6-2, 6-2 para o veterano alemão Yannick Hanfmann, em pouco mais de uma hora. Foi a primeira partida do brasileiro na grama em 2026, e a superfície rápida segue sendo seu ponto mais fraco no circuito: ele tem apenas 5 vitórias em 12 partidas no piso de grama. De acordo com o Lance!, o histórico negativo na grama é o principal desafio que Fonseca precisa superar antes de Wimbledon.
A boa notícia: Fonseca avançou às semifinais das duplas ao lado do alemão Daniel Altmaier, e seguiu treinando em Halle antes de se deslocar para Eastbourne. Wimbledon começa em 29 de junho, e o sorteio já definiu o rival de estreia do brasileiro no Grand Slam inglês.
Brasil feminino: seis vitórias, zero derrotas na VNL 2026

A seleção feminina de vôlei segue imparável na Liga das Nações 2026. Na quinta-feira (18/06), em Ancara (Turquia), o Brasil derrotou a Bélgica por 3 sets a 2 (25-20, 22-25, 23-25, 25-22 e 15-13) e chegou a seis vitórias em seis jogos, liderando a competição com 100% de aproveitamento. Confira os resultados completos em Olympics.com.
Depois de fechar a primeira semana em Brasília sem derrotas, a equipe de Zé Roberto também começou a semana turca com vitória sobre a França (3-0). O time é o mais consistente da competição até o momento, e o principal candidato ao título da edição 2026 da VNL feminina.
Radar do Esporte
O esporte virou o ativo mais disputado do streaming

Segundo análise da consultoria Ampere, as plataformas de streaming vão investir US$14,2 bilhões (cerca de R$75 bilhões) em direitos esportivos em 2026, crescimento de 7% em relação ao ano anterior. A Amazon Prime Video lidera com 27% do total, aproximadamente US$3,8 bilhões, impulsionada pelo contrato de 11 anos com a NBA. O Paramount+ também entrou forte: fechou um acordo de US$1,1 bilhão por ano pelos direitos do UFC nos EUA. Todos os detalhes estão na análise da Máquina do Esporte.
O esporte ao vivo é a última trincheira do broadcasting linear e a primeira aposta do streaming premium: quem tem os jogos ao vivo, tem os assinantes. A briga pelos direitos esportivos já não é sobre audiência, é sobre retenção e diferenciação de plataforma.
VAR no tênis: Wimbledon quebra 139 anos de tradição
Pela primeira vez em 139 anos de história, o All England Club vai adotar um sistema de revisão em vídeo em Wimbledon 2026. A tecnologia estará disponível na Quadra Central, na Quadra 1 e em outras quatro quadras, permitindo que os jogadores contestem decisões de dupla quica, bola tocada e lances difíceis. A ATP Tour confirmou o anúncio em março de 2026.
Wimbledon se torna o terceiro Grand Slam a adotar o recurso, depois do US Open e do Australian Open. A inovação chega em boa hora: no ano em que João Fonseca (cabeça 25) promete brigar por espaço na grama, qualquer lance duvidoso poderá ser revisado antes de mudar o rumo de um jogo.
Estrella Galicia 0,0 nomeia o GP do Brasil de MotoGP

O Grande Prêmio do Brasil de MotoGP passou a ter nome oficial: Estrella Galicia 0,0 GP do Brasil. A cervejeira espanhola assinou o contrato de naming rights para a corrida de Goiânia, realizada em março de 2026 no Autódromo Internacional Ayrton Senna. A prova foi dominada pela Aprilia: Marco Bezzecchi venceu com mais de três segundos de vantagem, puxando a dobradinha com Jorge Martin. Mais detalhes sobre o acordo em Grande Prêmio.
Com mais de 60 mil espectadores no autódromo e agora um patrocinador-título confirmado, o GP do Brasil consolida sua posição como a única etapa da América Latina no calendário do MotoGP. Os naming rights sinalizam um passo importante na profissionalização e internacionalização do evento.
Insight de Performance
Quando perguntavam a Merckx por que ele precisava ganhar absolutamente tudo, ele não sabia explicar com palavras. E esse “não saber” é exatamente o ponto. Os psicólogos do esporte chamam de flow state: o estado em que o atleta age sem calcular, sem duvidar, sem questionar. Merckx entrava nesse estado com uma naturalidade desconcertante. O que os rivais interpretavam como frieza era, na verdade, a ausência completa do medo de perder. Ele não pensava em ganhar: ele simplesmente pedalava.
Para o atleta amador, a mensagem é direta: você não precisa ser Merckx para cultivar essa mentalidade, mas precisa treinar a cabeça com a mesma disciplina que treina o corpo. Antes de cada prova ou sessão difícil, defina um objetivo claro e específico. Visualize o percurso. Separe o que é dor de abandono do que é desconforto de crescimento. O “canibalismo” de Merckx não nasceu do talento bruto: nasceu de uma concentração inabalável no próximo pedal, no próximo metro, no próximo segundo. Campeonatos não são vencidos na linha de chegada: são vencidos nos treinos em que você decide não parar.
Quer treinar essa mentalidade de forma estruturada? Na Atleta Pro Academy, você acessa métodos de preparação mental e física usados por atletas de alto desempenho, adaptados para quem treina com seriedade fora do profissionalismo. Venha treinar como um profissional.
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