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Copa FT BR Sport de Arrancada: 3ª etapa no Velopark de 31/7 a 2/8

Foto de Equipe Atleta Pro
Equipe Atleta Pro
Dois carros largam lado a lado sob luz artificial na pista de arrancada do Autódromo FuelTech Velopark

Existem esportes em que o atleta erra e tem tempo de corrigir. O maratonista perde ritmo no quilômetro 20 e recupera no 35. O tenista entrega um game e ganha o set. A arrancada não oferece esse luxo.

São 201 metros. Pouco mais de quatro segundos, nas categorias de ponta. Um piloto que solta o pé um décimo depois do farol verde já perdeu. E é para esse tipo de execução, onde não existe segundo tempo, que 180 pilotos de três países voltam ao Rio Grande do Sul no fim de julho. De 31 de julho a 2 de agosto, o Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita (RS), recebe a 3ª etapa da Copa FT BR Sport de Arrancada.

O que é a Copa FT BR Sport de Arrancada

A Copa é a principal competição de arrancada disputada no Autódromo FuelTech Velopark, na BR-386, km 430. O calendário de 2026 tem cinco etapas: abril, junho, a etapa agora em julho e agosto, setembro, e a decisão de 3 a 6 de dezembro, quando a última rodada se junta ao Festival FT de Arrancada.

São 33 categorias no total, um leque que vai do Drag Junior, disputado por pilotos mirins em faixas de 6,9s e 7,9s, até a Pro Mod, onde os carros passam de 4 mil cavalos e cruzam a linha acima dos 300 km/h. Entre os dois extremos estão as classes de Dianteira, Traseira, Força Livre, Super Livre, Standard, 4×4 e as motos da Drag Bike. Quem está chegando agora ao esporte encontra o funcionamento das regras, das distâncias e das classes no guia completo da corrida de arrancada.

Essa amplitude é o que sustenta a competição. O mesmo fim de semana comporta um adolescente aprendendo a dosar embreagem e uma máquina de competição internacional. É a estrutura de um esporte que cresce por baixo, não só por cima. Quem quiser entender a engenharia que sustenta essas máquinas encontra o detalhamento na reportagem sobre os carros de mais de 4 mil cv da arrancada brasileira.

Carro de arrancada faz burnout envolto em fumaça antes da largada no Autódromo FuelTech Velopark
O burnout aquece os pneus até a temperatura em que a borracha agarra o asfalto. É preparação, não espetáculo.

A 2ª etapa bateu recorde e mudou o patamar

O contexto que essa terceira etapa herda é de alta.

A rodada de 12 a 14 de junho registrou 180 pilotos inscritos, número recorde da competição, vindos de Brasil, Argentina e Uruguai. Mais de 10 mil pessoas passaram pelo autódromo nos três dias. A premiação passou de R$ 200 mil em produtos de marcas de alta performance.

Roderjan Busato venceu a Pro Mod, repetindo o resultado da etapa de estreia. Fernando Boiani levou a Drag Bike. Beatriz Dansiguer Ferretti venceu na ST. Ao todo, 30 categorias tiveram campeão.

A chuva forte de sexta-feira obrigou a organização a remanejar os treinos classificatórios para sábado e domingo, comprimindo a programação. Álex Wagner, diretor do autódromo, resumiu o fim de semana:

“Mesmo com as condições climáticas adversas da sexta-feira, marcada por chuva intensa, equipes, pilotos e toda a organização demonstraram comprometimento e profissionalismo para entregar um final de semana memorável. O resultado foi um evento espetacular, com arquibancadas cheias, público altamente engajado e um ambiente familiar.”

Por que argentinos atravessam 1.320 km para correr aqui

O dado mais revelador da última etapa não é o número de inscritos. É a origem deles.

A equipe Piedigrossi saiu de Buenos Aires com cinco pilotos e mais de 40 integrantes, encarando 1.320 km de estrada para disputar um fim de semana de provas. Eric Dillard, dono da Pro Line Racing, e Junot Medina, ambos dos Estados Unidos, estiveram no autódromo como visitantes. A Costa Rica também apareceu na lista de presenças internacionais.

Luis Ruggiero, argentino de 52 anos, correu pela primeira vez no Velopark a bordo de uma GM Silverado 1981 de 1.100 cavalos. A avaliação dele explica o movimento:

“Na Argentina, não temos uma pista como esta, com uma aderência incrível para as puxadas. O circuito é, sem dúvida, de nível internacional, muito parecido com o que existe nos Estados Unidos.”

Aderência de pista, em arrancada, não é detalhe de conforto. É a variável que decide se os 4 mil cavalos viram tempo ou viram fumaça. Um piso que segura o carro nos primeiros metros transforma potência em cronômetro. Um piso ruim transforma potência em prejuízo.

O que decide uma corrida de quatro segundos

Quem assiste de fora vê barulho e fumaça. Quem compete vê um problema de execução.

A largada é comandada pela árvore, a coluna de luzes que conta o tempo até a luz verde. O cronômetro do piloto começa a correr no instante em que ela acende, e o tempo de reação é medido em milésimos de segundo. Reagir cedo demais queima a largada e elimina. Reagir tarde demais entrega a prova.

Depois vem a saída, os primeiros metros em que o carro precisa colocar a força no chão sem perder tração. É ali que a maioria das corridas é ganha ou perdida, muito antes da linha de chegada.

E há o burnout, aquele giro de pneus na fumaça antes da largada, que o público entende como espetáculo e o piloto entende como preparação: aquecer a borracha até a temperatura em que ela agarra o asfalto.

Nada disso admite recuperação. Não existe “vou compensar no fim”. Em quatro segundos, o resultado é a soma de decisões tomadas em milésimos e de meses de preparação que aconteceram longe da pista.

Como assistir à 3ª etapa

A etapa acontece de sexta-feira, 31 de julho, a domingo, 2 de agosto, no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul. A sexta costuma concentrar treinos e classificatórios; o fim de semana, as eliminatórias e finais.

Famílias caminham pela área de público da Copa FT BR Sport de Arrancada no Autódromo FuelTech Velopark
Mais de 10 mil pessoas passaram pelo autódromo nos três dias da última etapa.

A estrutura para o público inclui arquibancadas cobertas com visão da pista, praça de alimentação, área kids, lounge VIP, mais de 20 expositores, acesso a boxes e paddock, área de camping e churrasqueiras. Ingressos e inscrições de pilotos são vendidos pelo site oficial do autódromo.

Augusto Bublitz, administrador de 38 anos que levou os filhos gêmeos de 3 anos à última etapa, resumiu o formato:

“Gostamos muito de assistir às provas. A área kids e a praça de alimentação são muito completas, permitindo passar o dia com muito conforto.”

O que a arrancada ensina sobre alta performance

Todo atleta convive com a fantasia de que o talento aparece na hora H. A arrancada desmonta isso de maneira brutal, porque a hora H dura quatro segundos e não pergunta se você está pronto.

O que sobra, então, é o que foi feito antes. A calibragem do motor. O ajuste da suspensão. As centenas de largadas treinadas até a resposta ao verde virar reflexo, e não decisão. Quando a luz acende, não há espaço para pensar. Só para executar aquilo que já está automatizado.

Isso vale para o corredor no tiro de 100 metros, para o levantador na terceira tentativa, para o lutador nos primeiros dez segundos do round. É a mesma lógica que levou um engenheiro ao top 3 do Olympia: a janela de execução é curta e o preparo é longo, e quem inverte essa proporção perde.

Vale também fora da pista. O piloto que chega ao Velopark com um carro competitivo raramente pagou tudo do próprio bolso, e a lógica de conseguir patrocínio esportivo segue o mesmo princípio: a marca fecha com quem já construiu antes de pedir. Não é o número de seguidores que decide, e sim o que as marcas realmente procuram num atleta patrocinado.

A arrancada só torna visível o que os outros esportes escondem: o resultado não se constrói na prova, se revela nela.

De 31 de julho a 2 de agosto, em Nova Santa Rita, 201 metros vão revelar quem se preparou.

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