No meio da maior Copa do Mundo da história, com 48 seleções em campo pela primeira vez, o presidente da FIFA já colocou uma ideia ainda maior sobre a mesa: um Mundial de 64 times em 2030.
Gianni Infantino confirmou nesta segunda-feira (13) que a entidade vai analisar a proposta assim que a atual edição terminar. Se sair do papel, a Copa do centenário teria 128 partidas, o dobro do formato que valeu de 1998 a 2022. O número que parecia teto virou piso de um debate muito maior.
O que Infantino disse
A confirmação veio em entrevista à emissora suíça Blue Sport. Questionado sobre a expansão, Infantino foi direto: “São todas questões que vamos examinar depois da Copa do Mundo”. Ele não deu detalhes de formato nem de calendário, mas deixou clara a filosofia por trás da ideia.
“Acho importante que, quando se quer organizar uma Copa do Mundo, você a faça para o mundo inteiro, não só para a Europa e a América do Sul, mas efetivamente para o mundo todo”, afirmou o dirigente, que já havia liderado a expansão anterior, de 32 para 48 seleções.
Para Infantino, ampliar o torneio é uma questão de incentivo. “Toda nação deveria poder sonhar em disputar uma Copa do Mundo”, disse. “Se você não dá aos países menores a chance de participar, eles perdem o estímulo para continuar melhorando.”

De onde veio a ideia dos 64 times
A proposta não é de Infantino. Ela nasceu na América do Sul. Em março de 2025, numa reunião do Conselho da FIFA, o presidente da Federação Uruguaia de Futebol, Ignacio Alonso, levantou a ideia de uma Copa de 64 seleções para marcar os 100 anos do torneio. A CONMEBOL, confederação sul-americana, abraçou a causa.
O simbolismo é forte. A primeira Copa do Mundo foi disputada no Uruguai, em 1930. Por isso a edição de 2030 já é planejada como uma celebração do centenário: os jogos de abertura acontecem na América do Sul, com uma partida cada em Uruguai, Argentina e Paraguai, antes de o torneio migrar para as sedes principais na Espanha, em Portugal e no Marrocos.
A tese da CONMEBOL é que uma data tão redonda merece um formato único, aberto a mais seleções de todos os continentes. Uma festa “por uma única vez”, nas palavras dos dirigentes sul-americanos.
48 já foi um salto: os números da Copa de 2026
Para entender o tamanho do que se propõe, vale olhar a Copa que está rolando agora. A edição de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, começou em 11 de junho e é a primeira com 48 seleções. São 104 jogos ao longo de 39 dias, um evento que já é o maior da história do futebol.
Passar para 64 times levaria esse número a 128 partidas. Na prática, seriam duas Copas de 1998 empilhadas: naquele formato, de 32 seleções, o Mundial tinha 64 jogos no total.
Infantino usou o desempenho de 2026 como argumento a favor. “Todas as seleções jogaram em alto nível. Times de todos os continentes marcaram gols e somaram pelo menos um ponto”, afirmou. Ele citou a África como prova: “Nove das dez seleções africanas chegaram ao mata-mata. Na última Copa, eram apenas cinco. Isso mostra como é importante incluir todos e dar essa oportunidade.”
O melhor símbolo dessa tese talvez seja Cabo Verde, arquipélago de pouco mais de 500 mil habitantes que estreou em Copas e avançou às fases eliminatórias, um resultado impensável no formato antigo.

A resistência: por que a Europa é contra
Nem todo mundo aplaude. A oposição mais barulhenta vem da UEFA. O presidente da confederação europeia, Aleksander Ceferin, classificou a proposta como uma “má ideia” e disse não apoiá-la, nem para o torneio nem para as eliminatórias do continente.
Os argumentos contrários se dividem em três frentes. A primeira é a qualidade: dobrar o número de vagas tende a diluir o nível técnico e a encher a fase de grupos de jogos desequilibrados. A segunda é o calendário: mais seleções significam mais rodadas classificatórias e menos espaço num ano que já vive lotado de competições. A terceira é a carga sobre os jogadores, que teriam ainda mais partidas somadas a uma temporada de clubes cada vez mais longa.
O impasse expõe a velha disputa de poder do futebol. De um lado, América do Sul e uma FIFA interessada em inclusão (e em receita). De outro, uma Europa que exporta a maioria dos craques e teme pagar a conta do inchaço.
Os outros incêndios que Infantino teve que apagar
A expansão não foi o único tema espinhoso da entrevista. Infantino também defendeu as pausas para hidratação criadas nesta Copa, vistas por muita gente como uma jogada para render mais intervalos comerciais à TV. Segundo ele, no Mundial de Clubes do ano passado, as paradas ocorreram em cerca de 60% dos jogos, só nos de calor mais forte, e geraram reclamação justamente por não serem iguais para todos.
O dirigente ainda rebateu as críticas aos preços altos dos ingressos. “Os estádios estão cheios, a taxa de ocupação está em 99,7% e deve chegar a 99,9% no fim”, disse, lembrando que ingressos revendidos no mercado secundário chegam a quatro ou cinco vezes o valor original. A FIFA, segundo ele, deve arrecadar entre 13 e 14 bilhões de francos suíços com o torneio de 39 dias.
O que a Copa gigante ensina sobre alta performance
Por trás do debate político existe uma lição que vale para qualquer atleta. A expansão amplia a porta, mas não rebaixa o degrau. Cabo Verde não chegou ao mata-mata porque a FIFA foi generosa: chegou porque construiu, ao longo de anos, uma base capaz de aproveitar a vaga no momento em que ela apareceu.
Oportunidade sem preparo é vaga desperdiçada. Um Mundial de 64 seleções vai colocar em campo dezenas de times que nunca sonharam com isso, e a diferença entre os que farão história e os que apenas farão número será a mesma de sempre: quem trabalhou a base física, tática e mental antes de o convite chegar.
A porta está se abrindo mais. A pergunta que separa quem entra de quem só assiste continua sendo individual, e ela não depende da FIFA.
Quer treinar com a mentalidade e os métodos da alta performance?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.





