Quando Jannik Sinner ergueu o troféu dourado de Wimbledon no último domingo, as câmeras do mundo inteiro miraram o rosto do italiano. Os apaixonados por relógio, porém, olharam para o pulso.
Preso ali, entre o suor da final e o ouro da taça, estava um Rolex Cosmograph Daytona de ouro rosa avaliado em cerca de R$ 365 mil. Não era a primeira vez. Era, na verdade, exatamente o mesmo relógio que Sinner usou ao vencer Wimbledon em 2025.
Um Daytona de ouro rosa batizado de “Sundust”
O modelo é o Rolex Cosmograph Daytona referência 126515LN, um dos cronógrafos mais desejados da marca suíça. A caixa de 40 mm é feita em ouro Everose, a liga de ouro rosa 18 quilates patenteada pela Rolex, e traz o mostrador na cor Sundust, um tom rosado que dá nome à peça entre colecionadores.

O bisel é de cerâmica Cerachrom preta com escala taquimétrica, e a pulseira é a Oysterflex, de borracha por fora e lâmina metálica por dentro. No coração do relógio bate o calibre 4131, movimento automático com 72 horas de reserva de marcha.
O preço de tabela gira em torno de US$ 44.800. No Brasil, a conta chega perto de R$ 365 mil, quando a peça aparece disponível, o que é raro.
O relógio virou amuleto
O detalhe que transformou o acessório em notícia não é o preço. É a repetição. Sinner usou esse mesmo Daytona ao conquistar seu primeiro Wimbledon, em 2025, e voltou a colocá-lo no pulso para erguer o troféu de novo em 2026. O relógio deixou de ser um item de coleção e virou parte do ritual de vitória do número 1 do mundo.

A coleção de relógios do italiano é estimada em cerca de R$ 665 mil, com outras peças da mesma marca. Mas foi o Daytona rosa que ganhou status de amuleto, presente nos dois momentos mais importantes da carreira dele em Londres.
A virada sobre Zverev e o quinto Grand Slam
Para chegar à foto com o troféu, Sinner precisou trabalhar. Na final, ele bateu o alemão Alexander Zverev por 6/7 (7), 7/6 (2), 6/3 e 6/4, depois de perder o primeiro set, numa partida de três horas e 46 minutos na quadra central.

Foi o quinto título de Grand Slam da carreira e o segundo seguido em Wimbledon. Com a vitória, Sinner se tornou o décimo tenista da Era Aberta a defender com sucesso o título de simples masculina do torneio.
De quebra, negou a Zverev a chance de virar o primeiro homem desde 1968 a emendar seu primeiro Grand Slam, conquistado em Roland Garros neste ano, com outro no Major seguinte. O alemão chegava embalado, mas parou no italiano.
Rolex e Wimbledon: a marca no pulso dos campeões
A ligação entre o relógio e o troféu não é aleatória. A Rolex é cronometrista oficial de Wimbledon desde 1978, e Sinner integra o grupo de atletas embaixadores da marca, ao lado de nomes como Roger Federer e Carlos Alcaraz.
Colocar o relógio no pulso na hora da premiação faz parte de um acordo comercial, mas escolher a mesma peça duas vezes é decisão do atleta. Wimbledon, aliás, virou palco de grandes marcas para muito além das raquetes: a própria cerveja oficial do torneio transformou o evento em vitrine de marketing esportivo.
O que o relógio de Sinner ensina sobre alta performance
Por trás do luxo, existe um princípio que todo atleta pode copiar de graça: o poder do ritual. Campeões repetem gestos, objetos e rotinas não por superstição vazia, mas porque a repetição reduz a ansiedade e cria uma âncora mental nos momentos de maior pressão.
O mesmo relógio, o mesmo aperto de mão, a mesma ordem de aquecimento. Cada detalhe estável é uma variável a menos com que a cabeça precisa se preocupar na hora decisiva.
Sinner não venceu Wimbledon por causa do relógio. Mas o relógio conta uma história sobre como ele opera: consistência, identidade e um repertório de hábitos que se mantêm iguais enquanto o adversário muda. Para o atleta amador, a lição não custa R$ 365 mil. Custa disciplina.
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