ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Anderson Dick comprou um Corvette C4 para um amigo cruzar os EUA

Foto de Equipe Atleta Pro
Equipe Atleta Pro
Anderson Dick ao lado do Corvette C4 vermelho comprado nos Estados Unidos

Num galpão de self storage na Geórgia, nos Estados Unidos, Anderson Dick abre a porta metálica e mostra um Corvette C4 vermelho parado no fundo. Antes de qualquer coisa, ele avisa: o carro não é dele. Comprou para um amigo. E o amigo ainda nem pode ter o nome revelado, porque a esposa não sabe da compra.

A brincadeira esconde uma história que diz muito sobre como o fundador da FuelTech transformou uma paixão de infância em método, empresa e comunidade. É a história de um carro que vai atravessar duas vezes um continente, e de uma decisão tomada em sete minutos.

Anderson Dick ao lado do Corvette C4 vermelho comprado nos Estados Unidos
Anderson Dick e o Corvette C4 comprado para um amigo, guardado em um galpão na Geórgia.

A decisão de sete minutos

A conversa que originou tudo aconteceu em 12 de junho, na última etapa da Copa FT BR Sport de arrancada, no Brasil. Um amigo comentou com Anderson que havia perdido a caravana do ano anterior por não ter um carro pronto, e que o sonho dele era fazer a caravana nos Estados Unidos.

Entre essa frase e o carro comprado, foram cerca de sete minutos. Anderson lembra do raciocínio: compra um carro nos Estados Unidos, deixa guardado, faz a caravana americana e depois manda para o Brasil. O pátio para guardar já existe. O plano estava pronto antes do café esfriar.

O carro apareceu quase sozinho. Um Corvette C4 1994/95, câmbio manual, na faixa dos 13 a 15 mil dólares no anúncio. Anderson conta que olhou as fotos e nem precisou pensar muito no preço: no Brasil, um C4 nesse estado passa de 300 mil reais. Importando direto, o amigo chega com o carro por menos do que ele vale no mercado brasileiro, e ainda faz duas viagens de sonho no processo.

Quem é Anderson Dick

Para quem acompanha o mundo da alta performance automotiva, o nome dispensa apresentações. Para quem chega agora: Anderson Dick é engenheiro eletricista formado pela UFRGS e fundou a FuelTech em 2003, em Porto Alegre. A empresa nasceu de um projeto de conclusão de curso, um módulo de injeção eletrônica para carros de corrida, montado à mão num quarto de poucos metros quadrados.

Duas décadas depois, a FuelTech exporta tecnologia para dezenas de países e virou referência global em eletrônica de alta performance. O que era um controlador de turbo feito no dormitório hoje comanda carros de arrancada que passam de 2.000 cavalos. A garagem pessoal de Anderson, batizada de AFD, acompanhou o crescimento: Corvettes, uma Mercedes SL 600 V12, Mustangs, picapes antigas.

Duas caravanas, um continente cada

O plano do Corvette tem duas pernas. A primeira acontece nos Estados Unidos. A caravana sai da FuelTech USA no fim de outubro e vai dirigindo até Las Vegas, onde acontece o SEMA Show, o maior salão de customização automotiva do mundo, entre 3 e 6 de novembro de 2026. O amigo anônimo vai ao volante do próprio C4, na estrada, com o grupo.

Depois do SEMA, o carro embarca para o Brasil. Anderson explica no vídeo que o transporte marítimo leva em média 25 dias, e que, começando o processo na hora certa, o Corvette chega antes do Natal. Aí entra a segunda perna: uma caravana que sai de São Paulo em 21 de janeiro de 2027, passa por Curitiba e termina no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita (RS), palco do FuelTech Show.

Corvette C4 vermelho na garagem cercado de carros clássicos durante a inspeção
O C4 passou por inspeção na garagem do especialista Felipe Andreis, cercado de clássicos americanos.

A casa comporta o tamanho da história. A inauguração do FuelTech Velopark, em fevereiro de 2026, reuniu cerca de 20 mil pessoas e mais de mil carros customizados, com uma caravana que saiu de São Paulo e cruzou cerca de 1.200 km até o Rio Grande do Sul. O mesmo Corvette, portanto, vai rodar de Atlanta a Las Vegas e depois de São Paulo ao autódromo gaúcho, tudo no espaço de poucos meses.

O jogo de garimpar clássico americano

A parte técnica da compra ficou com Felipe Andreis, apresentado por Anderson como o mago das exportações para o Brasil. A rotina dele é garimpar carros no Facebook Marketplace americano, comprar, revisar e mandar para o Brasil já em ordem. Só neste ano, até o fim de junho, Felipe já tinha vendido 18 carros, fazendo sozinho a busca, a negociação e a logística.

A lógica que os dois defendem é simples. O mercado americano tem oferta enorme, mas a janela do que realmente presta é pequena. Comprar um carro muito acabado sai caro para recuperar e demora. Melhor pagar um pouco mais por um exemplar pronto e sair feliz. E a hora de fazer manutenção e comprar peças é ainda nos Estados Unidos, onde tudo é mais barato e as peças podem seguir dentro do próprio carro no embarque.

Picapes Ford Bull Nose alinhadas no pátio prontas para exportação ao Brasil
Parte do estoque de Felipe: picapes Ford Bull Nose, carroceria que não existiu no Brasil e virou objeto de desejo.

Na conversa, Anderson e Felipe apontam os alvos do momento para quem pensa em importar: o próprio Corvette C4, os Pontiac Firebird de terceira geração (que nunca vieram ao Brasil) e os Mustang dos anos 1960. Carros dos anos 1990 que ainda cabem no bolso, mas que já começaram a subir de preço. O recado é que quem espera demais paga mais caro.

Por que justo um C4

O Corvette C4 comprado é quase uma cápsula do tempo. São 30 mil milhas originais, interior conservado, borrachas sem ressecamento, estepe que nunca rodou. Dentro dele, os manuais de fábrica, a nota de compra de quase 40 mil dólares nos anos 1990 e até uma fita VHS de propaganda de época, guardada intacta.

Por baixo, uma relíquia que arrancou risadas: uma chave reserva escondida com ímã dentro do chassi, o velho truque de deixar a cópia grudada no carro. Detalhes que, para Anderson, valem tanto quanto a mecânica. Ele repete no vídeo que dá muito valor ao histórico do carro, e que um exemplar tão inteiro deveria valer duas ou três vezes o que foi pago. Só foi vendido no lugar errado, para o cliente errado.

O veredito da inspeção foi curto: muito carro por pouco dinheiro. A lista de serviço se resume a itens baratos, palhetas, discos de freio, fluidos, um kit de correias. Nada que tire o C4 da categoria de compra quase perfeita para trazer ao Brasil.

Anderson Dick sorrindo durante a inspeção do Corvette C4 sobre o elevador
Anderson durante a inspeção: o histórico do carro, para ele, pesa tanto quanto a mecânica.

O menino de 1994

No meio da vistoria, Anderson procura no celular e mostra uma foto antiga. É ele, em 1994, aos 13 anos, sentado com um catálogo de Corvette em um encontro de carros. Ao fundo, um C4 vermelho de teto removível, igualzinho ao que agora dorme no galpão da Geórgia.

A cena fecha o círculo. Foi olhando fotos e catálogos de Corvette que o menino de Santa Cruz do Sul se apaixonou por carro. Anos depois, o mesmo garoto montaria um módulo de injeção no quarto e construiria uma empresa que exporta para o mundo. Hoje ele compra o carro dos sonhos para um amigo viver a mesma história, só que em escala de caravana continental.

O que isso ensina sobre alta performance

A história parece ser sobre um carro, mas é sobre método. Anderson não improvisou: transformou paixão em rotina, rotina em empresa e empresa em comunidade. As caravanas, o autódromo, o FuelTech Show, tudo é ritual construído em cima de uma obsessão antiga, e é o ritual que sustenta a performance ao longo dos anos.

Para o atleta, para o treinador, para qualquer um que persegue alto desempenho, a lição é direta. Talento e força bruta abrem a porta, mas quem dura é quem tem sistema: a jogada certa no tempo certo (comprar antes de o preço subir), a disciplina de fazer a manutenção onde é mais barato, e a comunidade que empurra o grupo inteiro para frente. O sonho vira projeto quando ganha calendário, logística e gente ao lado. Anderson resolveu o do amigo em sete minutos porque o sistema já estava montado. O resto foi execução.

Quer conhecer a tecnologia por trás dos carros de alta performance?

Descubra a FuelTech, a empresa brasileira de injeção eletrônica que virou referência mundial no automobilismo.

Conheça a FuelTech

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: