ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Toomey venceu 8 das últimas 9 edições. Em 2026 ela não está lá

Tia-Clair Toomey no alto do pódio do CrossFit Games com a bandeira da Austrália

Nos últimos nove anos, o CrossFit feminino teve uma única resposta possível. Tia-Clair Toomey venceu os Games em 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2024 e 2025. A única edição que escapou foi a de 2023, quando ela não competiu porque estava grávida da primeira filha, Willow. Voltou 14 meses depois do parto e reconquistou o título como se nada tivesse acontecido.

Em 2026, pela segunda vez, o nome dela não aparece na lista dos 30 classificados. A australiana e o marido e treinador Shane Orr anunciaram em meados de maio a chegada do segundo filho, Koda. Nos Games que começaram na quarta-feira, dia em que Toomey completou 33 anos, San José assiste ao que o esporte não vê desde 2016: uma disputa feminina genuinamente aberta, com pelo menos cinco atletas plausíveis para o título.

Oito títulos em nove anos

A dimensão da dinastia fica clara na comparação. Rich Froning ganhou quatro títulos consecutivos entre os homens. Mat Fraser elevou a régua com cinco seguidos. Toomey tem oito, mais que os dois somados, e segundo levantamento da FloElite acumula 45 vitórias de prova na carreira, também mais que Fraser e Froning juntos.

Antes disso, ela já havia competido em outro esporte de alto nível: representou a Austrália no levantamento de peso nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, na categoria até 58 kg, terminando em 14º lugar. Foi no ano seguinte que ganhou o primeiro título de mais apta do mundo.

Tia-Clair Toomey corre com a camisa de líder ao lado de Haley Adams em prova do CrossFit Games

Por que ela não está em San José

A ausência não é aposentadoria. Toomey seguiu treinando durante a gestação e chegou a completar uma prova inteira de Hyrox ao lado do marido por volta do quarto mês de gravidez. Mas, ao falar sobre o futuro depois do segundo filho, ela indicou que dessa vez não pretende apressar o retorno como fez em 2024.

É uma decisão que muda o cálculo do esporte. O retorno de 2024, 14 meses após o nascimento de Willow, virou referência sobre o que o corpo de uma atleta de elite consegue recuperar depois de uma gestação. Dois anos depois, a mesma atleta escolhe o caminho oposto, e a escolha vale tanto quanto a anterior.

Quem herda o vazio

A primeira jornada, disputada na quarta-feira, já mostrou que ninguém vai administrar a liderança. A britânica Aimee Cringle abriu na frente com 458 pontos e três vitórias de prova: a corrida em trilha, o levantamento terra (193 kg) e a Grass Track Race, que venceu em 19min10s78.

Logo atrás vêm Lucy Campbell (420 pontos), que venceu a prova de natação em 10min55s, a australiana Madeline Sturt (407), vencedora da prova de abertura, Haley Adams (372) e a canadense Emma Lawson (364). Alex Gazan, sexta colocada, estabeleceu novo recorde feminino no CrossFit Total, com 417 kg somados entre agachamento, desenvolvimento e terra.

Cinco atletas separadas por menos de 100 pontos com 13 provas individuais ainda por disputar. Nos anos de Toomey, essa margem já estaria decidida.

Todos os campeões dos CrossFit Games

A lista completa desde a edição inaugural mostra por que a divisão feminina virou sinônimo de um nome só a partir de 2017.

AnoCampeãoCampeã
2007James FitzgeraldJolie Gentry
2008Jason KhalipaCaity Matter
2009Mikko SaloTanya Wagner
2010Graham HolmbergKristan Clever
2011Rich Froning Jr.Annie Thorisdottir
2012Rich Froning Jr.Annie Thorisdottir
2013Rich Froning Jr.Samantha Briggs
2014Rich Froning Jr.Camille Leblanc-Bazinet
2015Ben SmithKatrín Davíðsdóttir
2016Mat FraserKatrín Davíðsdóttir
2017Mat FraserTia-Clair Toomey
2018Mat FraserTia-Clair Toomey
2019Mat FraserTia-Clair Toomey
2020Mat FraserTia-Clair Toomey
2021Justin MedeirosTia-Clair Toomey
2022Justin MedeirosTia-Clair Toomey
2023Jeffrey AdlerLaura Horvath
2024James SpragueTia-Clair Toomey
2025Jayson HopperTia-Clair Toomey

Laura Horvath, a única mulher a interromper a sequência, venceu justamente na edição em que Toomey não competiu.

Vinte anos depois, os Games voltaram ao rancho

A edição de 2026 é a 20ª da história, e a organização escolheu marcar a data levando o esporte de volta à origem. A primeira jornada foi disputada no The Ranch, em Aromas, na Califórnia, o sítio que sediou a edição inaugural de 2007. A prova de abertura foi “The Hopper”, o mesmo treino usado naquele primeiro ano.

O outro retorno é mais delicado. A natação voltou ao programa depois de duas temporadas fora. Ela havia sido retirada após a morte do atleta sérvio Lazar Đukić, de 28 anos, que se afogou durante a prova de natação da primeira jornada dos Games de 2024, em Fort Worth. Em 2026, a prova de natação foi disputada como sétimo evento do dia de abertura.

Ao todo, são 20 provas pontuadas nesta edição, com 30 homens, 30 mulheres e 20 equipes. O Open de 2026 registrou cerca de 254 mil inscritos, alta de 8,1% em relação a 2025.

No masculino, o campeão em título começou em oitavo

A divisão masculina também abriu embaralhada. James Sprague lidera com 414 pontos, um ponto à frente de Dallin Pepper (413). Justin Medeiros aparece em terceiro (392), Jay Crouch em quarto (387) e Ricky Garard em quinto (386).

A liderança tem um detalhe simbólico: Sprague foi o campeão de 2024, e volta a aparecer no topo dois anos depois. Jayson Hopper, que herdou o título em 2025, começou apenas em oitavo, com 304 pontos. Colten Mertens foi o atleta mais dominante do dia em força pura: venceu o agachamento (252 kg), o desenvolvimento de ombro (118 kg) e a prova de abertura, além de bater o recorde masculino do CrossFit Total.

A competição vai até domingo (26), no SAP Center, com a maior parte da programação transmitida de graça e em português pelo canal da CrossFit Brazil no YouTube. O portal reuniu todos os horários de Brasília e o que passa em cada plataforma, além do perfil dos 31 brasileiros que disputam a competição.

O que isso ensina sobre alta performance

Dinastias escondem a profundidade real de um esporte. Enquanto Toomey vencia, era impossível saber quanto da distância entre ela e o pelotão vinha do talento dela e quanto vinha da ausência de concorrência preparada para brigar de igual para igual. A ausência da campeã é o único teste honesto dessa pergunta.

Há uma segunda leitura, menos óbvia. Toomey ganhou um título 14 meses depois de um parto e agora escolhe não repetir a operação. As duas decisões vieram da mesma atleta, com a mesma estrutura de treino e o mesmo treinador. O que mudou foi o contexto, e é isso que separa carreira longa de carreira brilhante e curta: a capacidade de ler quando o corpo e a vida permitem acelerar e quando permitem esperar.

Para o atleta amador, a tradução é direta. Ausência de calendário não é fracasso, e voltar não é obrigação de prazo. O que define a carreira não é nunca sair, é saber a que ponto voltar.

Quer treinar com a mentalidade e os métodos da alta performance?

Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: