Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de agosto de 17 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.
O tênis brasileiro tem dois extremos do tempo conectados nesta segunda-feira de agosto. Maria Esther Bueno venceu Wimbledon três vezes sem ter nenhuma brasileira pra copiar o caminho; João Fonseca, com apenas 20 anos, igualou em Cincinnati uma marca de Masters 1000 que só Guga Kuerten tinha alcançado. A edição desta semana passa também por Ítalo Ferreira, que voltou lesionado ao mar em Teahupo’o e saiu de lá na liderança da WSL, e por Jakob Ingebrigtsen ressurgindo depois de 11 meses longe das pistas direto para o ouro no Europeu.
Maria Esther Bueno: a rainha que o Brasil não esperava

Maria Esther Bueno cresceu em frente a um clube de tênis em São Paulo e aprendeu o esporte observando através da grade. Não havia nenhuma referência de brasileira, ou sul-americana, vencendo um Grand Slam. Esse caminho ela teria que abrir sozinha, sem manual e sem predecessora pra consultar.
Em 1959, aos 19 anos, ela desembarcou em Wimbledon e venceu a final contra a americana Darlene Hard por 6/4 e 6/3. Voltaria a levantar o troféu em 1960 e em 1964, sempre com o estilo fluido que lhe rendeu o apelido de “bailarina do tênis”. A elegância não era enfeite: ela antecipava jogadas enquanto as rivais ainda estavam em modo de reação.
Bueno encerrou a carreira com 19 títulos de Grand Slam: 7 em simples, 11 em duplas e 1 em duplas mistas. Foi número 1 do mundo em quatro temporadas diferentes, numa época em que a gestão da própria carreira dependia quase inteiramente da atleta e de seu círculo imediato.
O que torna a trajetória de Bueno ainda mais singular é o contexto em que ela aconteceu. Ela competiu num circuito dominado por americanas e australianas, construiu uma identidade técnica própria e conquistou credibilidade dentro de um ambiente que não havia sido preparado pra receber uma brasileira como favorita. A cobertura da imprensa internacional da época descrevia seu jogo com mais surpresa do que reverência, e mesmo assim ela voltou a Wimbledon e venceu de novo.
A conexão com o presente ficou clara em Cincinnati, no dia 16 de agosto de 2026: João Fonseca igualou a marca de 10 vitórias em Masters 1000 na mesma temporada que Guga Kuerten tinha estabelecido em 2003. Cada geração de tenistas brasileiros herda algo daquela paulistana de 19 anos que chegou a Wimbledon como se soubesse exatamente onde estava indo, mesmo sem precedente pra confirmar que era possível.
Maria Esther Bueno foi introduzida no Hall da Fama do Tênis Internacional em 1978 e continua sendo a maior campeã de Grand Slams da história do tênis sul-americano. Em 2019, a arena de tênis do Parque Ibirapuera, em São Paulo, passou a levar o seu nome: um reconhecimento tardio, mas justo.
O que aconteceu no esporte

Ítalo cai na semifinal, mas assume a ponta da WSL
Ítalo Ferreira entrou na água em Teahupo’o depois de quatro dias parado por causa de uma lesão nas costas e ainda assim chegou à semifinal do Tahiti Pro. Perdeu para o havaiano Seth Moniz por 15.76 a 13.83 e ficou com o terceiro lugar, conforme relatou o Atleta Pro.
O resultado não impediu a virada no ranking. Ítalo começou a etapa com 33.845 pontos, apenas 85 atrás do italiano Leonardo Fioravanti, e saiu de Teahupo’o com 39.930 pontos, uma vantagem de 5 mil pontos sobre o novo segundo colocado. Fioravanti caiu ainda na segunda rodada e jogou as chances de título pra longe.
Na final, Seth Moniz viveu a virada da própria carreira: bateu Griffin Colapinto por 18.17 a 14.67 e conquistou sua primeira vitória no Championship Tour em sete temporadas. Faltam cinco das doze etapas da WSL 2026, com Ítalo na cola do título.

Fonseca iguala Guga e avança em Cincinnati
João Fonseca bateu o holandês Botic van de Zandschulp por 6/4 e 7/6 (7/2) na estreia do Masters 1000 de Cincinnati, no dia 16 de agosto, e avançou à terceira rodada, onde enfrenta o australiano Christopher O’Connell. A marca histórica foi confirmada pela CNN Brasil.
Foi o décimo triunfo de Fonseca em Masters 1000 na temporada 2026, igualando a marca que Guga Kuerten tinha estabelecido sozinho em 2003. O brasileiro também se tornou o primeiro tenista abaixo dos 20 anos a chegar à terceira rodada de Cincinnati em duas temporadas consecutivas desde Pete Sampras e Michael Chang, há 35 anos.
Cincinnati é a última grande parada antes do US Open, que começa no fim do mês. O torneio distribui US$ 9.415.725 em premiação, com US$ 1.151.380 para o campeão de simples: o contexto financeiro e competitivo não poderia ser mais favorável para Fonseca continuar escrevendo história.

Ingebrigtsen volta de cirurgia com ouro no Europeu
Jakob Ingebrigtsen passou por uma cirurgia no tendão de Aquiles e ficou 11 meses sem competir. Voltou no dia 10 de agosto, em Birmingham, direto para a final dos 5.000 m do Campeonato Europeu, e saiu com o ouro, como detalhou o Atleta Pro.
A corrida foi longe de tranquila. O norueguês largou em 20º lugar, assumiu a ponta faltando 1.600 m, ficou preso na cerca na última volta e ainda precisou fechar os últimos 100 m em 12,7 segundos para cravar 13min15s29 e garantir o título. Foi seu quarto título europeu seguido nos 5.000 m.
Depois da prova, Ingebrigtsen contou que decidiu trocar o medo de não estar pronto pela curiosidade de descobrir onde estava o seu nível atual. A resposta veio no degrau mais alto do pódio, depois de 11 meses de espera.
Radar do Esporte

Do grid da F3 ao faturamento de R$ 200 milhões em drones
Adriano Buzaid correu Fórmula 3 na Inglaterra entre 2006 e 2010, contra futuros pilotos de F1 como Daniel Ricciardo, Valtteri Bottas e Sergio Pérez. Terminou em 4º na temporada de 2010, com vitórias em Silverstone e Snetterton, mas o dinheiro para subir de categoria acabou antes do talento, como contou o Atleta Pro.
Ele trocou o cockpit pelos drones e fundou a Gohobby, que faturou R$ 200 milhões em 2025, alta de 55% sobre o ano anterior, puxada pelos drones agrícolas, responsáveis por 60% da receita. A meta é chegar a R$ 300 milhões em 2026 e R$ 500 milhões em 2028, já com eVTOLs e robôs humanoides no portfólio.
Cincinnati confirma premiação recorde antes do US Open
O Masters 1000 de Cincinnati confirmou premiação total de US$ 9.415.725 para a edição de 2026. Quem levantar o troféu de simples fatura US$ 1.151.380, e a dupla campeã divide mais US$ 468.200, de acordo com o Tennis Nerd.
É o penúltimo grande cheque do calendário antes do US Open, historicamente o torneio mais rico do ano. O crescimento da premiação nos Masters 1000 acompanha um circuito cada vez mais disputado no topo, exatamente onde Fonseca está tentando abrir espaço.
PUMA fecha com a Meia Maratona do Rio
A PUMA fechou acordo para ser a marca esportiva oficial da 28ª Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, disputada no último domingo. O pacote inclui logo na camisa oficial, loja na EXPO e ativações ao longo do percurso, segundo o Mania de Corrida.
A parceria reforça o vínculo da marca com a Confederação Brasileira de Atletismo, que já colabora com a PUMA há anos. É mais um capítulo da disputa entre grandes marcas por espaço no boom da corrida de rua no Brasil.
Insight de Performance
Jakob Ingebrigtsen resumiu numa frase o que separa quem trava de quem volta: trocar a pergunta “e se eu não estiver pronto” por “o que eu vou descobrir hoje”. É o mesmo mecanismo que levou Maria Esther Bueno a Wimbledon em 1959 sem nenhuma referência pra copiar. Curiosidade tira o cérebro do modo defesa e coloca no modo exploração: você para de calcular o risco de falhar e começa a coletar informação sobre o que está acontecendo com o seu corpo e o seu jogo.
Pra quem treina, o gatilho é simples: antes de qualquer prova ou retomada depois de uma lesão, troque a meta de resultado por uma pergunta de processo. Não “vou bater meu recorde”, mas “como meu corpo responde no quilômetro 15 hoje”. A ansiedade cai porque, com curiosidade no comando, não existe resposta errada. Medo pergunta se você vai falhar. Curiosidade pergunta o que você vai aprender. Escolha a pergunta antes da largada.
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