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Sabalenka: joias de US$ 400 mil e US$ 23 milhões em patrocínios

Aryna Sabalenka de vestido Nike magenta e raquete Wilson na final do US Open 2024

Aryna Sabalenka entra na quadra Arthur Ashe neste sábado (12), às 17h de Brasília, para tentar o terceiro título seguido do US Open, contra Elena Rybakina. No pescoço, leva um colar de 83,2 quilates em pedras coloridas.

O conjunto que ela usou no torneio inteiro soma 127,14 quilates entre colar, pulseira e brincos, avaliado em cerca de US$ 400 mil segundo a WWD. É a peça mais visível de uma carteira comercial que a Forbes estima em US$ 23 milhões por ano fora da quadra, a maior entre as tenistas em atividade na lista da revista.

O colar de 127 quilates e a “tática” do brilho

As joias são da Material Good, joalheria de Nova York com loja principal no SoHo. Todas as peças são em ouro amarelo 18 quilates, cravejadas com safiras, turmalinas, granadas, zircões, espinélios, crisoberilo e tanzanita. O colar tem 83,2 quilates, a pulseira, 28,36, e os brincos, 15,58.

O desenho, segundo a marca, partiu do tema do US Open deste ano, “Celebrating Our New York Story”, com pedras de várias partes do mundo para representar a cidade multicultural. As peças têm perfil baixo e cravação aberta, pensadas para acompanhar o movimento em quadra. “A suíte deste US Open é o nosso visual mais ousado, e ela faz cada peça parecer natural”, disse Atara Lev, chefe de design da joalheria, à revista JCK.

Sabalenka estreou o conjunto em 25 de agosto, nas duplas mistas ao lado de Novak Djokovic. Depois de vencer Taylor Townsend nas oitavas, brincou com o assunto na entrevista em quadra: “A principal tática é distrair as adversárias com o brilho.”

Veja as joias de Sabalenka no US Open 2026 no perfil oficial da Material Good

Como a Material Good virou parceira

Não houve abordagem de agência. Segundo a JCK, a própria Sabalenka entrou numa loja da Material Good por conta própria, e a parceria nasceu dali. Ela conquistou o US Open de 2025 usando brincos de diamante da marca e, em fevereiro de 2026, foi anunciada como a primeira embaixadora de joias da história da empresa.

Desde então, cada Grand Slam ganhou uma coleção própria: tons do litoral de Melbourne no Australian Open, granadas em Roland Garros e esmeraldas em Wimbledon. “Essas peças me lembram que a confiança está nos detalhes”, escreveu a tenista ao apresentar o conjunto de Wimbledon.

Quanto Sabalenka ganha com patrocínios

A conta mudou rápido. Na lista de atletas mulheres mais bem pagas da Forbes, publicada em dezembro de 2025, Sabalenka aparecia em 2º lugar, com US$ 30 milhões: metade em prêmios (US$ 15 milhões, recorde do circuito) e metade em marcas.

Na lista de tenistas mais bem pagos de 2026, divulgada pela Forbes em 28 de agosto, ela é a 4ª colocada, com US$ 36,1 milhões em 12 meses: US$ 13,1 milhões em quadra e US$ 23 milhões fora dela. Os dois levantamentos cobrem períodos diferentes e são estimativas da revista, já que nenhum contrato tem valor divulgado.

Tenista (Forbes 2026)TotalEm quadraFora da quadra
Jannik SinnerUS$ 58 miUS$ 23 miUS$ 35 mi
Carlos AlcarazUS$ 53,7 min/dn/d
Serena WilliamsUS$ 40,1 min/dn/d
Aryna SabalenkaUS$ 36,1 miUS$ 13,1 miUS$ 23 mi
Coco GauffUS$ 35,5 miUS$ 7,5 miUS$ 28 mi
Elena RybakinaUS$ 17,4 miUS$ 11,4 miUS$ 6 mi
Fonte: Forbes, lista de tenistas mais bem pagos de 2026 (estimativas)

Com Serena aposentada, Sabalenka é a tenista em atividade mais bem paga do ranking, US$ 600 mil à frente de Coco Gauff, que fatura mais com marcas, mas bem menos em prêmios. Para comparar com o circuito masculino, vale ver quanto ganha Novak Djokovic.

Aryna Sabalenka no treino do DC Open 2024 com roupa Nike e raquete Wilson
Sabalenka no treino do DC Open 2024. Foto: Hameltion (CC BY-SA 4.0)

Nike e Wilson: os contratos de base

Os dois patrocínios mais antigos também são os mais visíveis. A Nike veste Sabalenka desde o início da carreira profissional, da roupa ao tênis. A Wilson fornece as raquetes desde o juvenil, e hoje ela joga com a Blade 98.

Em 24 de agosto, a Wilson lançou a Blade V10 Tiger Edition, “desenhada e inspirada” pela bielorrussa. É uma edição limitada com estampa de tigre verde e o rosto de um tigre na garganta da raquete, como a tatuagem que a tenista tem no braço. As especificações são idênticas às do modelo comum. A mudança é só visual, e é justamente isso que vende.

Veja a Blade V10 Tiger Edition no perfil oficial da Wilson Tennis

Emirates, Gucci e o salto para o luxo

Em 2026, a carteira mudou de patamar. Em 15 de janeiro, a Emirates, companhia aérea oficial dos quatro Grand Slams, anunciou Sabalenka como a primeira embaixadora de tênis de sua história. Para marcar o acordo, a tenista apresentou em Dubai, onde fica sua base de treinos, um Airbus A380 com pintura especial inspirada nos quatro majors.

“Ela não é só uma campeã em quadra, é um ícone global que inspira milhões com sua determinação e profissionalismo”, afirmou Boutros Boutros, vice-presidente executivo de marketing da Emirates. Sabalenka ligou o contrato a algo maior: “Essa parceria também mostra o que nós, mulheres no esporte, podemos conquistar no cenário mundial.”

Veja o A380 Grand Slam no perfil oficial da Emirates

Uma semana depois, durante o Australian Open, a Gucci a nomeou embaixadora global. Em agosto veio a capa da revista TIME, com a chamada “Tour de Force”: Sabalenka posou com um maiô preto da Gucci numa quadra na Flórida e se tornou a primeira bielorrussa a estampar a capa.

Na relojoaria, a relação com a Audemars Piguet começou por acaso. Na festa do título do US Open de 2024, Sabalenka usou um Royal Oak Offshore com mostrador arco-íris, e as fotos viralizaram. Em outubro daquele ano, a marca suíça a anunciou como “amiga da marca”, grupo do qual Serena Williams faz parte desde 2014. O Atleta Pro já mostrou quanto custam os relógios dos tenistas.

Veja Sabalenka na loja da Gucci em Nova York no perfil oficial da tenista

A lista completa: de tequila a cuidados com o cabelo

Além dos contratos grandes, a carteira tem uma camada de marcas de consumo, várias fechadas às vésperas do US Open:

  • Stella Artois (março de 2026): embaixadora depois de ganhar Indian Wells e Miami em sequência. Entrou num grupo que já tinha Maria Sharapova, Jessica Pegula e Donna Vekic.
  • IM8 (junho de 2025): marca de suplementos cofundada por David Beckham. Sabalenka é embaixadora global e acionista. “Descobri a IM8 pelo meu preparador físico”, contou à Sports Illustrated.
  • Electrolit (agosto de 2025): bebida de hidratação de origem mexicana, contrato de vários anos.
  • Maestro Dobel: tequila oficial do US Open. Criou o drinque “Sabalenka Smash Margarita” e, em 2025, pagou a primeira rodada para torcedores de Nova York durante o torneio.
  • Moroccanoil (agosto de 2026): primeira atleta embaixadora da marca de produtos para cabelo, patrocinadora do Miami Open.
  • Beats by Dre (agosto de 2026): entrou para o time de atletas da marca de fones de ouvido.
  • Whoop, pulseira que monitora recuperação, e SharkNinja, de eletrodomésticos, completam a lista de parceiras citada pela Forbes em abril.
Aryna Sabalenka sorri em entrevista na quadra do US Open 2024 vestindo Nike
Sabalenka em entrevista no US Open 2024. Foto: Ocoudis (CC0)

A conexão brasileira: Oakberry e Georgios Frangulis

Uma das parcerias mais longas tem sotaque paulistano. Em janeiro de 2023, a Oakberry, rede brasileira de açaí, fechou contrato de dois anos com Sabalenka, que ganhou um bowl com o próprio nome, o “Power Serve Bowl”.

O fundador e CEO da marca é Georgios Frangulis, nascido em São Paulo. Os dois ficaram noivos em março de 2026, com um anel de 12 quilates desenhado por Isabela Grutman. A Oakberry passou de mil lojas em mais de 50 países e faturou mais de R$ 1 bilhão em 2025, segundo Frangulis à Forbes Brasil, com projeção de R$ 1,5 bilhão para 2026. Ele também é sócio do Le Mans FC, clube de futebol da França.

A empresa por trás da atleta

A estrutura mudou em 2025, quando Sabalenka trocou a IMG pela Evolve, agência fundada por Naomi Osaka e pelo empresário Stuart Duguid. O primeiro grande evento dessa fase foi a “Batalha dos Sexos” contra Nick Kyrgios, outro cliente da agência, em 28 de dezembro de 2025, em Dubai. Ele venceu por 6/3 e 6/3, com o lado dela da quadra 9% menor.

A estratégia declarada é a autenticidade. “Eu sou só eu mesma. O que você vê é o que você tem”, disse à Forbes em abril. Ao Tennis.com, contou que sentia que as pessoas não entendiam quem ela era, porque em quadra parecia agressiva demais. A resposta foi mostrar a personalidade fora dela, com vídeos, a série “Aryna’s Arena” e humor nas redes.

O que isso ensina sobre alta performance

A carteira de Sabalenka não foi montada por um departamento de vendas. Ela entrou sozinha na loja da Material Good, conheceu a IM8 pelo preparador físico, já usava Moroccanoil e já voava de Emirates. A marca veio depois do uso real, e é isso que torna os contratos defensáveis, renováveis e multiplicáveis.

O outro ponto é o resultado em quadra. Os US$ 23 milhões em marcas cresceram junto com dois títulos seguidos do US Open, o Sunshine Double de 2026 e a liderança do ranking, que passa para Rybakina na segunda-feira (14). Patrocínio acompanha consistência: brilho sem processo dura uma temporada. Neste sábado, contra Rybakina, o que está em jogo é o terceiro título em Nova York, e o colar de 127 quilates só aparece porque ela chegou lá.

A carreira do atleta também é uma empresa.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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