ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Pantoja encara Van no UFC 331 pelo cinturão que perdeu em 26 segundos

Joshua Van e Alexandre Pantoja se encaram na coletiva de imprensa do UFC 331

A primeira luta durou 26 segundos e não respondeu nada. Em dezembro de 2025, no UFC 323, Alexandre Pantoja caiu de mau jeito, deslocou o cotovelo esquerdo e viu o cinturão peso-mosca do UFC trocar de dono sem que a disputa tivesse, de fato, começado. Joshua Van saiu do octógono campeão.

Nove meses depois, a pergunta volta para o mesmo lugar. Neste sábado (19), na Crypto.com Arena, em Los Angeles, Van e Pantoja fazem a revanche na luta principal do UFC 331. O card principal começa às 22h (horário de Brasília), com transmissão do Paramount+.

Alexandre Pantoja e Joshua Van se encaram na pesagem do UFC 323, em dezembro de 2025
Foto: Getty Images

Como Pantoja perdeu o cinturão

O brasileiro chegou ao UFC 323 como o campeão mais estável da divisão. Tinha conquistado o cinturão em julho de 2023, no UFC 290, com vitória por decisão dividida sobre Brandon Moreno, e emendou quatro defesas seguidas: Brandon Royval (UFC 296), Steve Erceg (UFC 301, no Rio de Janeiro), Kai Asakura (UFC 310) e Kai Kara-France (UFC 317). Somava oito vitórias seguidas.

Contra Van, a luta mal teve tempo de mostrar alguma coisa. Pantoja caiu, tentou apoiar o braço esquerdo no chão e deslocou o cotovelo. O árbitro interrompeu aos 26 segundos do primeiro round, e a vitória entrou no cartel de Van como nocaute técnico.

A recuperação começou quase de imediato. “Dois, três dias após minha lesão em Vegas, voltei para a Flórida e já comecei a fazer fisioterapia na primeira semana”, contou ao Ag. Fight, em abril. A pressa cobrou o preço: ao voltar a treinar força, forçou demais e desenvolveu uma tendinite, que só melhorou depois de dez dias de descanso no Brasil. Na mesma entrevista, projetou estar “no ápice” em junho.

Van, o campeão que ainda precisa convencer

Do outro lado está um campeão de 24 anos com uma trajetória fora do comum. Joshua Van nasceu em Hakha, capital do estado de Chin, em Mianmar. Aos 9 anos, fugiu com os pais e as quatro irmãs para um campo de refugiados na Malásia. Aos 12, chegou a Houston, nos Estados Unidos, onde vive até hoje.

Com o cinturão, virou o primeiro homem nascido na Ásia a conquistar um título do UFC, segundo a imprensa americana. E tratou de mostrar que não dependia do acidente de dezembro: em maio, no UFC 328, em Newark, defendeu o título contra o japonês Tatsuro Taira com nocaute técnico no quinto round, depois de acertar mais de uma dúzia de golpes sem resposta nos primeiros 90 segundos do último assalto.

Os números do UFC ajudam a explicar por que ele virou campeão tão cedo:

  • 17 vitórias e 2 derrotas na carreira profissional.
  • 7 vitórias seguidas no octógono.
  • 8,43 golpes significativos conectados por minuto, a maior média da história do peso-mosca do UFC.

O que Pantoja leva para a revanche

Aos 36 anos, Pantoja chega com o currículo mais pesado da história da divisão. Segundo o UFC, ele é o lutador com mais vitórias (14), mais interrupções (8) e mais finalizações (6) do peso-mosca. No total, tem 30 vitórias e 6 derrotas no MMA profissional.

Se vencer, entra num grupo pequeno. Só dois lutadores recuperaram o cinturão peso-mosca do UFC depois de perdê-lo: o mexicano Brandon Moreno e o brasileiro Deiveson Figueiredo. Pantoja seria o terceiro.

Seguranças e Dana White separam Alexandre Pantoja e Joshua Van na coletiva do UFC 331
Foto: Getty Images

A coletiva que esquentou a luta

A revanche ganhou tempero na coletiva de lançamento do evento, em 14 de agosto. Perguntado sobre a lesão que lhe deu o cinturão, Van disse que teria vencido de qualquer jeito naquela noite e interrompeu Pantoja quando era a vez do brasileiro falar.

Pantoja se levantou, avançou na direção do campeão e precisou ser contido por Dana White, presidente do UFC. “Quando alguém estiver falando, você fica quieto”, respondeu. Em outro momento, resumiu a leitura dele sobre dezembro: “Não perdi meu cinturão porque alguém me venceu. Perdi por causa do acidente.”

A frase é o centro da revanche. Para Pantoja, o UFC 331 é a chance de decidir no octógono o que a lesão deixou em aberto. Para Van, é a chance de encerrar de vez a conversa sobre sorte.

O card do UFC 331

A noite em Los Angeles tem 13 lutas e vários brasileiros. Além de Pantoja, Maurício Ruffy faz a luta coprincipal, em cinco rounds, contra o armênio Arman Tsarukyan, número 2 do ranking dos leves. Ruffy vem de um nocaute no primeiro round sobre Michael Chandler, em junho, no UFC Freedom 250.

Card principal (22h)

  • Peso-mosca (cinturão): Joshua Van x Alexandre Pantoja
  • Peso-leve: Arman Tsarukyan x Maurício Ruffy
  • Peso-pena: Patricio Pitbull x Dooho Choi
  • Peso-pesado: Gable Steveson x Sean Sharaf
  • Peso meio-pesado: Alonzo Menifield x Iwo Baraniewski

Card preliminar (18h30)

  • Peso-galo: Marlon Vera x Charles Jourdain
  • Peso-pesado: Tai Tuivasa x Robelis Despaigne
  • Peso-pena: Michael Aswell Jr. x Joo Sang Yoo
  • Peso-médio: Ryan Gandra x Ozzy Diaz
  • Peso-médio: Edmen Shahbazyan x Brunno Ferreira
  • Peso-mosca: Casey O’Neill x Eduarda Moura
  • Peso-pena: Giga Chikadze x Joanderson Brito

Onde assistir ao UFC 331 no Brasil

O UFC é exclusivo do Paramount+ no Brasil desde janeiro de 2026. O card preliminar e o card principal passam só na plataforma, sem cobrança extra para quem já é assinante.

O pré-show, às 17h30, é gratuito: vai ao ar no canal do UFC Brasil no YouTube, no TikTok do UFC Brasil e na Pluto TV.

  • Pré-show: 17h30 (YouTube e TikTok do UFC Brasil, Pluto TV e Paramount+)
  • Card preliminar: 18h30 (Paramount+)
  • Card principal: 22h (Paramount+)

O que a revanche ensina sobre alta performance

A primeira luta entre Van e Pantoja é um lembrete de que resultado e desempenho nem sempre andam juntos. Um campeão com quatro defesas perdeu o título sem trocar golpes de verdade. Um desafiante jovem ganhou o cinturão sem ter a chance de mostrar tudo o que sabe.

O que cada um fez depois é o que define o sábado. Pantoja tratou a lesão como um evento, não como uma sentença: começou a fisioterapia na primeira semana e, quando a pressa gerou uma tendinite, parou para respeitar o tempo do corpo. Van não esperou o debate sobre sorte acabar sozinho: foi para o quinto round contra Taira e resolveu com as próprias mãos.

É a mesma régua que vale para qualquer atleta. Derrota por acidente não apaga o que foi construído, e vitória que veio fácil não garante a próxima. No UFC 331, os dois entram no octógono para provar isso.

Para entender o lado mental da volta do brasileiro, leia também Pantoja volta pelo que é dele: a cabeça do campeão que quebrou o braço. E para saber quanto rende um cinturão, veja os lutadores do UFC mais bem pagos em 2026 e quanto paga o patrocínio no UFC.

Quer competir com a cabeça e o processo de quem disputa cinturão?

Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: