Max Verstappen perdeu o título de 2025 por dois pontos para Lando Norris. Na conta bancária, a história foi outra: o holandês fechou a temporada como o piloto mais bem pago da Fórmula 1 pela quarta vez seguida, com US$ 76 milhões entre salário e bônus.
O número é da lista anual da Forbes, publicada em dezembro. Ela mostra um grid em que o salário fixo não explica tudo. Hamilton tem o maior contrato da categoria e ficou em segundo. Norris ganhou mais em bônus do que em salário. E o piloto que lidera o Mundial de 2026, Kimi Antonelli, aparece só em décimo.
Os 10 pilotos mais bem pagos da F1 em 2025
Juntos, os dez primeiros da lista receberam US$ 363 milhões das equipes na temporada 2025. Os valores somam salário e bônus por desempenho, e deixam de fora patrocínio pessoal, venda de produtos e impostos.
| # | Piloto | Equipe em 2025 | Salário | Bônus | Total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Max Verstappen | Red Bull | US$ 65 mi | US$ 11 mi | US$ 76 mi |
| 2 | Lewis Hamilton | Ferrari | US$ 70 mi | US$ 0,5 mi | US$ 70,5 mi |
| 3 | Lando Norris | McLaren | US$ 18 mi | US$ 39,5 mi | US$ 57,5 mi |
| 4 | Oscar Piastri | McLaren | US$ 10 mi | US$ 27,5 mi | US$ 37,5 mi |
| 5 | Charles Leclerc | Ferrari | US$ 30 mi | US$ 0 | US$ 30 mi |
| 6 | Fernando Alonso | Aston Martin | US$ 24 mi | US$ 2,5 mi | US$ 26,5 mi |
| 7 | George Russell | Mercedes | US$ 15 mi | US$ 11 mi | US$ 26 mi |
| 8 | Lance Stroll | Aston Martin | US$ 12 mi | US$ 1,5 mi | US$ 13,5 mi |
| 9 | Carlos Sainz | Williams | US$ 10 mi | US$ 3 mi | US$ 13 mi |
| 10 | Kimi Antonelli | Mercedes | US$ 5 mi | US$ 7,5 mi | US$ 12,5 mi |
Fonte: Forbes, estimativa com base em documentos financeiros, processos judiciais, imprensa e conversas com gente do setor. As equipes não divulgam contratos.
Verstappen no topo mesmo sem o título
O contrato de Verstappen com a Red Bull rendeu cerca de US$ 65 milhões fixos em 2025. Os outros US$ 11 milhões vieram de bônus por vitórias e pontos, numa temporada em que ele buscou o quinto título até a última corrida, em Abu Dhabi, e terminou vice.
Em 2024, com o tetracampeonato, a conta tinha sido de US$ 75 milhões: US$ 60 milhões de salário e US$ 15 milhões de bônus. Ou seja, o holandês ganhou menos em bônus sem o título e, mesmo assim, faturou US$ 1 milhão a mais, porque o fixo subiu.
O vínculo segue longo. Em agosto de 2026, a Red Bull anunciou a renovação de Verstappen até o fim de 2030.
Hamilton tem o maior salário do grid
Nenhum piloto recebe um fixo maior que Lewis Hamilton. A Ferrari pagou a ele US$ 70 milhões de salário em 2025, a primeira temporada do heptacampeão em Maranello. O que faltou foi bônus: apenas US$ 500 mil, reflexo de um ano de estreia difícil na equipe italiana.

Fora da pista, a ordem se inverte. Pelo levantamento do Sportico, que soma patrocínios e negócios pessoais, Hamilton faturou US$ 100 milhões em 2025: US$ 70 milhões da Ferrari e US$ 30 milhões em contratos comerciais. Foi o primeiro piloto de F1 a chegar a nove dígitos num único ano. Verstappen, na mesma conta, somou US$ 83 milhões, com apenas US$ 8 milhões fora das pistas.
A diferença mostra como a marca pessoal pesa no bolso. O peso dos patrocinadores na categoria, das equipes aos pilotos, já foi tema do Atleta Pro em quem são os patrocinadores da F1 em 2026.
McLaren: o bônus que vale mais que o salário
O caso mais curioso da lista é o do campeão. Lando Norris tinha salário de US$ 18 milhões em 2025, menos de um terço do fixo de Verstappen. Os bônus da temporada do título somaram US$ 39,5 milhões, quase 70% de tudo que ele recebeu da McLaren.

Com sete vitórias e 18 pódios, Norris superou Verstappen por dois pontos e virou o 35º campeão mundial da história. Em 2024, ele tinha recebido US$ 35 milhões (US$ 12 milhões de salário e US$ 23 milhões de bônus). O título valeu um salto de US$ 22,5 milhões em um ano.
O companheiro Oscar Piastri segue o mesmo modelo. O australiano tinha US$ 10 milhões fixos e levou US$ 27,5 milhões em bônus na temporada em que disputou o título com Norris até a reta final. A estrutura da McLaren paga pouco no fixo e muito no resultado.
Leclerc: US$ 30 milhões e nenhum centavo de bônus
Charles Leclerc é o retrato oposto. O monegasco recebeu US$ 30 milhões de salário da Ferrari e nada em bônus, segundo a Forbes. É o único dos cinco primeiros da lista que dependeu inteiramente do contrato fixo.
Mais abaixo, Fernando Alonso aparece em sexto, com US$ 24 milhões de salário e US$ 2,5 milhões de bônus na Aston Martin. George Russell, líder da Mercedes em 2025, teve US$ 15 milhões fixos e US$ 11 milhões em bônus. Lance Stroll, filho do dono da Aston Martin, Lawrence Stroll, fecha o top 8 com US$ 13,5 milhões.
O líder de 2026 é o 10º da lista
A lista da Forbes olha para 2025, e a temporada atual já embaralhou a ordem na pista. Depois do GP da Espanha, em 13 de setembro, Kimi Antonelli lidera o Mundial de 2026 com 292 pontos, 81 à frente do companheiro George Russell.
Em 2025, o italiano recebeu US$ 5 milhões de salário e US$ 7,5 milhões em bônus, o suficiente para fechar o top 10. É o menor valor da tabela, pago ao piloto que hoje lidera o campeonato. A trajetória dele está em 10 curiosidades sobre Antonelli.
Verstappen, o mais bem pago, é o sexto do campeonato de 2026, com 145 pontos. Hamilton é o terceiro (191), Norris o quarto (186) e Leclerc o quinto (167).
Quanto ganha Gabriel Bortoleto
O brasileiro não aparece entre os dez mais bem pagos. Na segunda temporada pela Audi, o salário de Gabriel Bortoleto é estimado em US$ 2 milhões por ano pelo site RacingNews365, com possibilidade de bônus. A Audi não divulga o valor.
Em pista, Bortoleto é o 14º do Mundial, com 10 pontos. O peso desses pontos para a equipe foi contado em Bortoleto tem 10 pontos na F1, e a Audi inteira também tem 10. E o custo de chegar ao grid, do kart à F1, está em como ser piloto de F1.
A folha de pagamento do grid cresceu 14%
Em 2024, os dez pilotos mais bem pagos somaram US$ 317 milhões, segundo a mesma Forbes. Em 2025, foram US$ 363 milhões, alta de cerca de 14,5% em um ano.
O salto tem dois motores. O primeiro é a transferência de Hamilton para a Ferrari, que elevou o fixo dele de US$ 55 milhões para US$ 70 milhões. O segundo são os bônus da McLaren, que colocaram dois pilotos da equipe entre os quatro primeiros.
Nem todo dinheiro do esporte funciona assim. No UFC, por exemplo, a bolsa é negociada luta a luta, como mostra o levantamento dos lutadores do UFC mais bem pagos. No tênis, o peso está no patrocínio, caso de quanto ganha Novak Djokovic.
O que a folha da F1 ensina sobre alta performance
A lista mostra que contrato alto e resultado são coisas diferentes. Hamilton tem o maior salário do grid e somou só US$ 500 mil em bônus. Norris tinha um fixo modesto e transformou a temporada em US$ 39,5 milhões extras.
Para qualquer atleta, a lição é a mesma: o fixo é negociado com base no passado, e o bônus é pago pelo que se entrega agora. Quem vive de resultado precisa de processo para sustentar a performance temporada após temporada, e não de um pico isolado.
A segunda lição está em Antonelli. O piloto que lidera o Mundial era o 10º mais bem pago do grid um ano atrás. Remuneração acompanha a performance com atraso, e quem constrói o resultado primeiro negocia o contrato depois.
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