ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Olimpíada de LA 2028 pode movimentar US$ 40,6 bilhões, diz estudo

Vista aérea do Los Angeles Memorial Coliseum, estádio que recebe a abertura e o atletismo da Olimpíada de Los Angeles 2028

Faltam menos de dois anos para Los Angeles acender a pira olímpica pela terceira vez, e a conta da festa já começou a ser feita. Um estudo divulgado em 15 de setembro projeta que a Olimpíada e a Paralimpíada de 2028 podem movimentar entre US$ 20,5 bilhões e US$ 40,6 bilhões na economia da Grande Los Angeles.

O número é grande, e a distância entre o piso e o teto também. Entender por que as duas pontas estão tão afastadas diz muito sobre como uma cidade ganha (ou deixa de ganhar) dinheiro com os Jogos.

Quem fez o estudo e o que ele projeta

O levantamento foi feito pelo Instituto de Economia Aplicada da LAEDC, a corporação de desenvolvimento econômico do condado de Los Angeles, a pedido do LA28, o comitê organizador dos Jogos. A área analisada cobre cinco condados: Los Angeles, Orange, Riverside, San Bernardino e Ventura.

Os principais números, segundo o comitê:

IndicadorProjeção
Atividade econômicaUS$ 20,5 bi a US$ 40,6 bi
Empregos sustentados126 mil a 224 mil
Impostos (federal, estadual e local)US$ 5,1 bi a US$ 5,9 bi
Investimento em infraestruturaUS$ 8,35 bi
Gasto direto de visitantes (condado de LA)US$ 1,6 bi a US$ 4,3 bi
Visitantes esperadoscerca de 2 milhões

“A escala e a amplitude da atividade econômica associada aos Jogos de 2028 são significativas, mesmo quando vistas por uma lente conservadora”, afirmou Stephen Cheung, presidente da LAEDC.

Reynold Hoover, CEO do LA28, apostou no legado: “O impacto dos Jogos LA28 será sentido muito além do momento em que a última medalha for entregue.”

Por que a projeção vai de US$ 20 bi a US$ 40 bi

A LAEDC usou dois métodos diferentes, e cada um produz uma ponta da faixa.

O mais conservador, recomendado pela AISTS (a academia internacional de ciência e tecnologia do esporte, ligada ao movimento olímpico), conta só o dinheiro novo que entra na região por causa dos Jogos, vindo de fora dela. O outro, baseado no modelo de insumo-produto IMPLAN, mede a atividade econômica bruta, incluindo o efeito em cadeia de cada dólar gasto dentro da própria região.

Na prática, o primeiro responde “quanto a cidade ganha que não ganharia sem a Olimpíada”. O segundo responde “quanto dinheiro circula por causa da Olimpíada”, mesmo que parte dele apenas troque de lugar dentro da economia local.

Obras, e não arenas, puxam a conta

A maior fatia do impacto vem dos US$ 8,35 bilhões em infraestrutura: transporte, aeroporto, mobilidade, acessibilidade e adaptação de sedes.

O detalhe que diferencia Los Angeles de sedes anteriores é o que não entra nessa lista: nenhuma arena permanente será construída para os Jogos. A cidade vai usar estruturas que já existem, como o Los Angeles Memorial Coliseum, o SoFi Stadium (que recebe a natação numa piscina temporária) e arenas já usadas por times profissionais da cidade.

É o oposto do modelo que deixou elefantes brancos em sedes como Atenas 2004 e Rio 2016, onde parte das arenas ficou subutilizada depois dos Jogos.

O comitê também definiu uma meta de compras: 75% do que pode ser contratado localmente deve ir para empresas da Grande Los Angeles, e 25% desse total para pequenos negócios e fornecedores locais.

Trompetistas da banda do Exército dos EUA na cerimônia de abertura da Olimpíada de Los Angeles 1984, no Coliseum
Cerimônia de abertura dos Jogos de Los Angeles 1984, no Coliseum. Foto: Força Aérea dos EUA (domínio público)

O precedente de 1984

Los Angeles tem um trunfo que poucas sedes têm: já provou que dá para fazer Olimpíada sem quebrar a cidade.

Em 1984, depois do prejuízo histórico de Montreal 1976, quase nenhuma cidade queria sediar os Jogos. Los Angeles aceitou com uma condição: financiamento privado e uso de estruturas existentes. O resultado foi um superávit de US$ 232,5 milhões.

Pelo acordo, 40% da sobra ficou no sul da Califórnia, cerca de US$ 93 milhões, e virou o fundo que deu origem à LA84 Foundation. Desde 1985, a fundação já investiu mais de US$ 220 milhões em esporte para crianças e jovens da região.

Esse legado é o argumento central do LA28, que repete a fórmula: o comitê é privado, trabalha com orçamento de mais de US$ 7,1 bilhões e conta com patrocínio, ingressos, licenciamento e o repasse do COI para fechar a conta.

Quem paga se der errado

O modelo privado não significa risco zero para o contribuinte. O acordo com a prefeitura exige que o LA28 mantenha um fundo de contingência de US$ 270 milhões controlado pela cidade. Se ele se esgotar, a prefeitura cobre os primeiros US$ 270 milhões de prejuízo adicional, e o estado da Califórnia assume os US$ 270 milhões seguintes.

O ponto mais sensível é a segurança, que fica fora do orçamento do comitê. O governo federal reservou US$ 1 bilhão para a área, mas não há garantia de que o valor cubra todo o custo policial da cidade, segundo o LAist.

A ressalva dos economistas

Estudos de impacto encomendados por comitês organizadores costumam ser recebidos com cautela, e este não foi exceção.

Andrew Zimbalist, professor emérito de economia do Smith College e um dos principais estudiosos do custo de sediar Olimpíadas, disse ao Politico que o modelo de insumo-produto tem falhas e que o saldo real depende de uma troca pouco óbvia: “Se o número de pessoas que vêm por causa da Olimpíada for maior que o número de pessoas que deixam de vir por causa da Olimpíada, pode haver um impacto líquido positivo.”

É o chamado efeito deslocamento. O turista comum, o congresso de negócios e a produção de cinema que evitam a cidade por causa de hotel caro, trânsito e segurança reforçada também entram na conta, só que do lado negativo.

Arena do vôlei de praia lotada aos pés da Torre Eiffel na Olimpíada de Paris 2024
Arena do vôlei de praia aos pés da Torre Eiffel, em Paris 2024. Foto: DarDarCH (CC0)

O que Paris 2024 ensina

A comparação mais próxima é Paris. Antes dos Jogos, o Centro de Direito e Economia do Esporte da Universidade de Limoges projetou impacto líquido de 6,7 bilhões a 11,1 bilhões de euros na região de Paris, somando o período de 2018 a 2034.

Durante os Jogos, o Insee, instituto oficial de estatística da França, estimou que a Olimpíada acrescentaria cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento do PIB francês no terceiro trimestre de 2024, puxado principalmente pela venda de ingressos e pelos direitos de transmissão.

As duas medidas não se comparam diretamente, porque uma olha 16 anos e a outra, um trimestre. Mas mostram por que número de manchete precisa ser lido com cuidado: o efeito imediato de uma Olimpíada existe e é mensurável, e o que decide se a conta fecha é o que fica depois.

O calendário de LA 2028

A Olimpíada de Los Angeles vai de 14 a 30 de julho de 2028, com competições começando dois dias antes da abertura. A Paralimpíada acontece de 15 a 27 de agosto.

Serão 36 esportes e 351 provas com medalha, com cinco modalidades entrando no programa: flag football e squash estreiam, enquanto críquete, lacrosse e beisebol/softbol voltam. É a terceira vez que Los Angeles sedia os Jogos, depois de 1932 e 1984, e a primeira vez que recebe a Paralimpíada.

Para quem acompanha a preparação brasileira, o ciclo já está em andamento. A esgrimista Bia Bulcão, por exemplo, mira Los Angeles 2028 depois de ser campeã sul-americana.

O que isso ensina sobre alta performance

A Olimpíada de Los Angeles é, antes de tudo, um mercado. Até US$ 40 bilhões em circulação, patrocinadores disputando espaço e cerca de 2 milhões de visitantes significam que a atenção do mundo vai estar concentrada num lugar só durante três semanas.

Para o atleta, a lição é a mesma que vale para a cidade: o evento não resolve nada sozinho. Los Angeles só tem superávit em 1984 como argumento porque planejou o financiamento antes, e não depois, de acender a pira. Quem chega a 2028 com imagem construída, patrocinador fechado e presença digital trabalhada colhe o pico de atenção. Quem começa a pensar nisso em julho de 2028 chega tarde.

O ciclo olímpico dura quatro anos, e dois deles já passaram. O dinheiro que os Jogos movimentam é da cidade. O que o atleta leva de Los Angeles depende do que ele construiu antes de chegar lá, como mostra a lista dos atletas mais bem pagos do mundo, onde patrocínio pesa tanto quanto resultado.

Quer tratar a sua carreira como a de um atleta olímpico?

Conheça a Atleta Pro Academy e construa carreira, imagem e patrocínio com quem vive o esporte de alto rendimento.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: