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Mr. Olympia 2026: 10 curiosidades do maior palco do fisiculturismo

Phil Heath e Kai Greene posando lado a lado no palco de uma competição de fisiculturismo

O Mr. Olympia 2026 começa nesta quinta-feira, 24 de setembro, em Las Vegas, e vai até domingo, 27. É a 62ª edição do campeonato que decide quem é o melhor fisiculturista do mundo, e a maior delegação brasileira já montada: 58 atletas classificados, 22 homens e 36 mulheres.

O Brasil chega defendendo três títulos conquistados em 2025. Antes de a primeira pose entrar no palco da Orleans Arena, vale entender de onde vem o evento que transformou o levantamento de peso em espetáculo de arena.

1. O nome saiu do rótulo de uma cerveja

Na primavera de 1965, Larry Scott jantava com Joe Weider e a mulher dele, Betty, no restaurante El Matador, em Los Angeles. Betty sugeriu criar uma competição em que os campeões do Mr. Universo pudessem continuar disputando, em vez de encerrarem a carreira no topo.

Faltava o nome. Segundo o relato mais repetido pelos registros da época, Joe Weider olhou para a garrafa que Scott bebia, leu no rótulo “Olympia Beer” e decidiu ali: o campeonato se chamaria Mr. Olympia.

2. A primeira edição foi no Brooklyn, com 1.000 dólares de prêmio

O primeiro Mr. Olympia aconteceu em 18 de setembro de 1965, na Brooklyn Academy of Music, em Nova York. Larry Scott venceu e levou US$ 1.000. Ele repetiria o título em 1966 e se aposentaria invicto no evento.

Derek Lunsford ergue o troféu Sandow no palco do Mr. Olympia 2025
Derek Lunsford com o Sandow e a medalha de campeão do Mr. Olympia 2025.

Sessenta e um anos depois, o campeão do Open em 2025, Derek Lunsford, embolsou US$ 600 mil, dentro de uma bolsa total que passou de US$ 2 milhões. O valor da premiação de 2026 ainda não foi anunciado pela organização.

3. O campeão de 1965 não ganhou o troféu Sandow

A estatueta que virou símbolo do fisiculturismo não estava lá no começo. Larry Scott recebeu uma coroa vermelha superdimensionada, colocada na cabeça pelo próprio Joe Weider. Em 1969, Sergio Oliva levou um prato de prata.

Retrato em preto e branco de Eugen Sandow, considerado o pai do fisiculturismo moderno
Eugen Sandow, nome por trás do troféu do Mr. Olympia. Foto: Wellcome Collection / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O Sandow, homenagem ao alemão Eugen Sandow, considerado o pai do fisiculturismo moderno, só entrou na premiação na segunda metade dos anos 1970. Os registros divergem sobre a primeira entrega: parte das fontes aponta 1976, e parte credita Frank Zane, campeão de 1977, como o primeiro a levantar a estatueta.

4. Oito títulos é o teto, e duas pessoas chegaram lá

Ronnie Coleman e Lee Haney dividem o recorde, com oito conquistas cada um. Haney venceu de 1984 a 1991. Coleman, de 1998 a 2005. Nenhum dos dois perdeu um Olympia depois de ganhar o primeiro.

Logo atrás vêm Arnold Schwarzenegger, com sete (1970 a 1975 e 1980), e Phil Heath, também com sete, todos seguidos, de 2011 a 2017.

5. Arnold venceu aos 23 anos e nunca ninguém repetiu

Em 1970, Arnold Schwarzenegger venceu o Mr. Olympia com 23 anos e dois meses. Ele segue sendo o campeão mais jovem da história do evento.

Arnold Schwarzenegger posa sobre um palco circular cercado de público em 1976
Arnold Schwarzenegger posa diante do público em 1976, no auge da era de ouro do fisiculturismo.

No outro extremo da escala de idade, o recorde de precocidade entre competidores é de Harold Poole, que subiu ao palco da primeira edição, em 1965, com 21 anos.

6. O Brasil levou 60 anos para ter um campeão homem

Ramon Rocha Queiroz, o Ramon Dino, nascido em Rio Branco, no Acre, venceu o Classic Physique em 2025 e virou o primeiro brasileiro campeão do Olympia na chave masculina.

Ramon Dino ergue o troféu no palco do Mr. Olympia Brasil de 2024
Ramon Dino comemora o título do Mr. Olympia Brasil de 2024, que o classificou para Las Vegas.

A conta até chegar lá é a parte que interessa para quem treina: segundo lugar em 2022, segundo lugar em 2023, quarto lugar em 2024, título em 2025. Ele tirou a carteira profissional em 2018, ao vencer o Mr. Olympia Brasil, e levou sete anos para chegar ao topo.

7. No feminino, o Brasil já era potência

A hegemonia brasileira no Wellness existe desde que a categoria foi criada, em 2021. Eduarda Bezerra venceu em 2025 e mantém a sequência do país.

Natália Abraham Coelho conquistou o bicampeonato no Women’s Physique no mesmo ano. Somando tudo, 2025 foi o melhor resultado brasileiro da história do evento: três campeões, 11 medalhistas e 55 classificados. Em 2026 são 58 classificados, número recorde.

8. Não é uma competição, são 12

O Mr. Olympia deixou de ser só o Open masculino há tempos. O 212 entrou em 2012, o Men’s Physique em 2013, o Classic Physique em 2016. Hoje o fim de semana distribui títulos em 12 divisões, incluindo Bikini, Figure, Fitness, Wellness, Ms. Olympia e a categoria em cadeira de rodas.

Além das finais profissionais, o calendário tem o Amateur Olympia, que começou na segunda-feira, 21, e a World Fitness Expo, montada no Las Vegas Convention Center.

9. A final do Ramon Dino mudou de dia em 2026

Uma alteração de programação diz muito sobre o tamanho que o Classic Physique ganhou. A final da categoria saiu de sábado e foi para a sexta-feira, 25, com palco só dela, separada da final do Open.

Na sexta também são decididos Figure, Women’s Physique, Wellness, 212 e Ms. Olympia. No sábado, 26, ficam Fitness, Men’s Physique, Bikini e o Mr. Olympia.

10. O Open está aberto como não ficava há anos

Derek Lunsford defende o título depois de perdê-lo em 2024 para Samson Dauda e retomá-lo em 2025. Ele e Jay Cutler são os únicos homens a recuperarem o Olympia depois de serem destronados no palco.

A lista de quem pode tirar o título dele inclui o próprio Dauda, Hadi Choopan, Andrew Jacked e Nick Walker. No Classic Physique, o retrovisor tem uma marca pesada: Chris Bumstead venceu seis vezes seguidas, de 2019 a 2024, a maior sequência da categoria, e anunciou a aposentadoria no palco do último título.

O que isso ensina sobre alta performance

A linha do tempo do Ramon Dino é o resumo mais honesto do que o Olympia cobra. Dois vice-campeonatos, um quarto lugar e só então o título. Entre a primeira final e a estatueta, quatro temporadas inteiras de dieta, palco e avaliação pública.

Derrota, nesse caminho, é evento, não identidade. O quarto lugar de 2024 não disse quem ele era, disse o que faltava ajustar. Quem trata o resultado ruim como sentença sai do ciclo seguinte antes de ele começar.

Vale também para o calendário: nenhum dos recordistas do evento venceu com pico isolado. Haney e Coleman sustentaram nível máximo por oito anos seguidos. Alta performance, no fisiculturismo como em qualquer esporte, é o que a pessoa consegue repetir, não o que ela consegue uma vez.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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