Por quase dois sets, a noite de sexta-feira (6) em Paris parecia pertencer a Taylor Fritz. O americano tinha vencido um tie-break de 22 pontos, abriu vantagem no segundo set e chegou duas vezes a um ponto da vitória contra Carlos Alcaraz. Bastava um ponto para tirar o espanhol do Masters 1000 de Paris e garantir a própria vaga no ATP Finals.
O ponto não veio. Alcaraz salvou os dois match points, virou para 6/7 (10), 7/5 e 6/3 e chegou pela primeira vez à semifinal do torneio. A virada teve efeito em cadeia: com a derrota de Fritz, o compatriota de Alcaraz Rafael Jódar, de 20 anos, ficou com a oitava e última vaga do torneio que reúne os oito melhores da temporada, em Turim.
Um tie-break de 22 pontos e um set perdido
Alcaraz, cabeça de chave 2 e número 3 do mundo, chegou às quartas com pouco tempo de quadra. Depois de estrear direto na segunda rodada e avançar nas oitavas com a desistência de Matteo Berrettini, ele tinha jogado só 1 hora e 41 minutos na Plenitude Arena antes de sexta, segundo a organização do torneio.
O começo foi bom. O espanhol quebrou o saque de Fritz no quinto game e sacou para fechar o set em 5/4. Ali perdeu a precisão. Segundo a ATP, o americano venceu 11 pontos seguidos a partir de 3/5 e 15/30 e passou à frente por 6/5. O tie-break durou quase 15 minutos: Fritz salvou três set points e converteu o terceiro que teve, por 12 a 10, depois de um forehand de Alcaraz para fora.
No início do segundo set, o americano chegou a ter 0/40 no saque do espanhol, que escapou. Fritz, porém, quebrou no sétimo game, abriu 4/3 e passou a controlar as trocas do fundo de quadra.

Como Alcaraz salvou os dois match points contra Fritz
O primeiro match point apareceu com Alcaraz sacando em 3/5. Fritz devolveu um segundo saque com um forehand cruzado vencedor e ficou a um ponto da semifinal. O espanhol respondeu subindo à rede, salvou a chance e, logo depois, confirmou o game com uma deixadinha de backhand que a ATP classificou como um dos pontos do ano. A Plenitude Arena ficou de pé.
Em 5/4, Fritz sacou para fechar o jogo e teve o segundo match point depois de uma sequência de voleios e passadas na rede. Alcaraz salvou com uma passada de forehand cruzada, quebrou o saque do americano e emendou quatro games seguidos para fechar o set em 7/5.
“Tentei não me deixar abater nos momentos difíceis do segundo set”, disse Alcaraz, em entrevista reproduzida pela ATP. “Tentei me manter forte mentalmente para salvar aqueles break points e match points.” Segundo ele, o apoio do público foi decisivo. “Com todo o apoio da torcida, foi possível. Para mim, essa é a primeira coisa e o principal motivo para eu ter voltado ao jogo hoje”, afirmou, segundo o Tennis Majors.
No terceiro set, o espanhol venceu quatro dos cinco primeiros games e reduziu os erros não forçados de 14, no segundo set, para 11. Sacando para a partida em 5/3, começou com uma dupla falta e depois ganhou quatro pontos seguidos. O jogo terminou no primeiro match point, com um saque seguido de um forehand fora do alcance de Fritz, depois de 2 horas e 43 minutos, segundo a organização do torneio.
Foi a sétima vez na carreira que Alcaraz venceu uma partida depois de salvar match points, segundo a ATP. Ele mesmo lembrou a final de Roland Garros de 2025, quando salvou três match points contra Jannik Sinner antes de ser campeão. “O jogo de hoje me lembrou um pouco aquela final”, disse. Com a vitória, o espanhol passou a 7 a 1 no confronto direto contra Fritz.
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Rafael Jódar entra no ATP Finals com recorde histórico
Fritz precisava chegar à semifinal para ultrapassar Jódar na corrida para Turim. Com a derrota, o americano termina a disputa em 11º, com 3.050 pontos, e perde a chance de disputar o ATP Finals pela quarta vez na carreira. Jódar, que tinha caído para Casper Ruud na segunda rodada em Paris, garantiu a vaga sem entrar em quadra, com 3.234 pontos.
O espanhol dependia de uma combinação improvável. Precisava que Alex de Minaur perdesse, o que aconteceu na quarta-feira (4) contra Tomás Martín Etcheverry, e que os americanos Fritz e Tommy Paul caíssem antes da semifinal. Paul foi eliminado por Ben Shelton mais cedo na sexta, resultado que também classificou Frances Tiafoe. Fritz caiu à noite.
A classificação reescreve a história do torneio. Jódar era o 168º do mundo em janeiro, e nenhum jogador tinha se classificado para o ATP Finals depois de começar a temporada tão atrás no ranking, segundo o Tennis Majors. A marca anterior era do argentino Mariano Puerta, 133º no início de 2005. O espanhol também é o primeiro a chegar ao torneio no mesmo ano da estreia no circuito principal.

Profissional em tempo integral só desde o início de 2026, Jódar conquistou o primeiro título da ATP em Marrakech, em abril, foi às quartas de final de Roland Garros e chegou ao top 10 em tempo recorde. Ele e Tiafoe vão estrear no ATP Finals, que será disputado de 15 a 22 de novembro, na Inalpi Arena, em Turim.
A lista dos oito classificados tem Alexander Zverev, Alcaraz, Shelton, Daniil Medvedev, Flavio Cobolli, Arthur Fils, Tiafoe e Jódar. Jannik Sinner, segundo colocado na corrida, encerrou a temporada para tratar uma inflamação no joelho. De Minaur e Fritz viajam a Turim como reservas e só jogam se algum classificado desistir. O torneio de Estocolmo, de 8 a 14 de novembro, último antes de Turim, não muda mais a ordem.
Alcaraz x Ruud na semifinal: horário e retrospecto
Alcaraz volta à quadra central neste sábado (7) contra o norueguês Casper Ruud, que venceu o português Nuno Borges por 7/6 (5) e 6/4. O jogo está marcado para não antes das 17h de Paris, 13h no horário de Brasília. A outra semifinal, entre Shelton e o francês Luca Van Assche, abriu a programação de simples às 10h30 de Brasília, também na quadra central.
O retrospecto favorece o espanhol, que venceu seis dos sete duelos contra Ruud, incluindo a final do US Open de 2022. “Já tivemos jogos duros. Ele venceu a maioria e me deu algumas lições aqui e ali”, disse o norueguês à ATP. “Tive a sorte de estar do lado vencedor uma vez. Vamos ver o que consigo fazer amanhã.”
Alcaraz chega embalado. Campeão em Viena na semana passada, com vitória sobre Alex de Minaur na final, ele soma sete vitórias seguidas e disputa a terceira semifinal de Masters 1000 na temporada. É o oitavo espanhol a chegar à semifinal em Paris e o primeiro desde Rafael Nadal, em 2020. Se for campeão, levará o nono título de Masters 1000 da carreira. Como nenhum dos quatro semifinalistas venceu o torneio, Paris terá um campeão inédito no domingo (8).
O que a virada de Alcaraz ensina sobre alta performance
O próprio Alcaraz explicou o que mudou. Na zona mista, disse que ficou nervoso, tomou decisões ruins no tie-break e só voltou a jogar solto depois do 3/5 no segundo set, quando decidiu apenas se divertir em quadra. “Quando comecei a soltar os golpes, encontrei meu sorriso de novo”, contou ao site do torneio. O nível técnico era o mesmo do início. O que mudou foi a forma de lidar com a pressão.
A lição vale para qualquer atleta. Match point contra não é hora de buscar o golpe perfeito, e sim de jogar o próximo ponto com clareza. Alcaraz salvou o primeiro subindo à rede e o segundo com uma passada, duas escolhas agressivas e bem treinadas. Quem chega aos momentos decisivos com um plano simples e o corpo solto tem mais chance de virar o jogo do que quem tenta se proteger do erro.
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