Na noite de quinta-feira (24), Lucas Castro publicou no Instagram uma frase curta: “Hoje nasceu a YASY”. Pouco mais de uma hora depois, a própria marca apresentou os dois primeiros produtos: pipocas doces nos sabores Caramelo Salgado e Chocolate Belga, com zero adição de açúcares, à venda no site yasy.com.br.
O nome de Castro dá peso ao lançamento. Foi ele quem saiu do balcão de uma loja de suplementos em Curitiba para criar a Dr. Peanut, marca de pasta de amendoim que passou de R$ 500 milhões em faturamento acumulado desde 2019 e foi vendida ao Grupo Supley. Na empresa nova, a sócia é a influenciadora Yasmin Castilho, dona de 5,4 milhões de seguidores no Instagram.
“Mas hoje não é a chegada. É o dia 1”, escreveu Castro.
O que é a Yasy
A Yasy se define como uma marca brasileira de produtos de consumo voltados ao bem-estar, “criada para tornar os pequenos prazeres do cotidiano mais leves, gostosos e desejáveis”. A estreia é na pipoca doce, uma categoria em que o sabor quase sempre vem do açúcar.
A linha de lançamento se chama Pipoca Zero e vem em lata de 90 g, que rende cerca de quatro porções de 25 g (uma xícara). Segundo a marca, o doce vem do isomalte, do maltitol e da stevia. Por porção, o rótulo traz:
| Sabor | Calorias | Fibras | Proteínas | Açúcares |
|---|---|---|---|---|
| Chocolate Belga | 79 kcal | 3,5 g | 0,8 g | 0 g |
| Caramelo Salgado | 81 kcal | 3,5 g | 0,7 g | 0 g |
Os dois sabores são zero lactose, zero gordura trans e fonte de fibras. A venda começou pelo site próprio, com entrega para todo o Brasil, em kits que vão de duas a 12 latas. O de entrada, o Happy Duo, traz uma lata de cada sabor por R$ 79,80.
A assinatura da marca é “It’s Easy to Be Happy” (é fácil ser feliz, em inglês), a mesma frase que abre a bio de Yasmin no Instagram. A empresa tem sede em Curitiba, a cidade onde a Dr. Peanut nasceu.

A alma e a experiência
Na página institucional, a Yasy apresenta os dois sócios com um rótulo cada. Yasmin é “a alma”. Castro é “a experiência”.
Yasmin Castilho tem mais de dez anos de produção de conteúdo. Ficou conhecida pelos vídeos de humor sobre a vida de casal, em que o marido, o empresário Lucas Provesi, é personagem recorrente. “A YASY tem muito de como eu gosto de viver. Comer uma coisa gostosa, cuidar de mim, estar com quem eu amo, dar risada, viajar, ficar em casa, aproveitar o dia”, diz ela no site da marca.
Castro entra com o que a Dr. Peanut ensinou: produto, indústria e escala. “Eu gosto de criar produtos que dão vontade de provar, comprar de novo e indicar para alguém. Na YASY, queremos juntar muito sabor, saudabilidade e inovação em produtos que façam sentido na vida das pessoas”, afirma.
A divisão de papéis é clara. De um lado, uma comunidade construída ao longo de uma década. Do outro, um empresário que já levou uma marca de alimento do balcão de uma loja a mais de dez países.

Da loja de suplementos aos R$ 500 milhões
A história de Castro começa no esporte. Em 2012, aos 21 anos, ele abriu uma loja de suplementos em Curitiba e chegou a administrar três unidades. Do balcão, via de perto o avanço do mundo fitness e percebeu que a pasta de amendoim, até então consumida quase só por quem treinava, podia ir além. A ideia era juntar as qualidades do produto a um sabor que agradasse fora da academia. O projeto saiu do papel no início de 2017, com investimento de R$ 50 mil, segundo a Forbes.
O diferencial foi o sabor. “A gente foi pioneiro no segmento de pasta de amendoim saborizada”, disse ele ao Esportelândia em 2022, durante a feira Brasil Trending Fitness Fair. Na mesma entrevista, explicou a aposta nos atletas: “Eu sempre acompanhei o fisiculturismo. Então eu tô há dez anos nesse mundo e eu sei a força que tem esses atletas.”
Na época, a Dr. Peanut patrocinava Rafael Brandão, Caike de Oliveira e Ramon Dino. Em outubro de 2025, Ramon se tornou o primeiro brasileiro campeão do Mr. Olympia na chave masculina, na Classic Physique.
O crescimento veio rápido. A marca faturou R$ 60 milhões em 2022 e R$ 160 milhões em 2024, segundo a Exame. Em janeiro de 2023, o Grupo Supley, dono da Max Titanium e da Probiótica, comprou metade da empresa. Dois anos depois, em janeiro de 2025, ficou com 100%.
Em dezembro de 2025, a Dr. Peanut passou de R$ 500 milhões em faturamento acumulado desde 2019. Castro comemorou o marco no Instagram e falou da decisão de vender: “Vender foi entender que o legado não está em controlar para sempre, e sim em construir algo sólido o suficiente para continuar crescendo sem você.”
| Quando | O que aconteceu |
|---|---|
| 2012 | Aos 21 anos, Castro abre uma loja de suplementos em Curitiba |
| 2017 | A Dr. Peanut sai do papel com R$ 50 mil de investimento |
| 2022 | A marca fatura R$ 60 milhões |
| Jan/2023 | O Grupo Supley compra metade da Dr. Peanut |
| 2024 | Faturamento de R$ 160 milhões |
| Jan/2025 | A Supley fica com 100% da Dr. Peanut |
| Dez/2025 | A Dr. Peanut passa de R$ 500 milhões em faturamento acumulado desde 2019 |
| 24/09/2026 | Castro e Yasmin Castilho lançam a Yasy |
A mesma lógica em outra prateleira
A Dr. Peanut nasceu na dieta de quem treina e cresceu quando chegou à mesa de sobremesa. Em agosto de 2024, a InfoMoney resumiu a ambição da marca no título “Não tão fitness: Dr. Peanut quer fazer da pasta de amendoim a nova Nutella“. O portfólio ganhou alfajor, wafer e barra de proteína, sempre com a proposta de zero açúcar.
A Yasy faz o caminho contrário, com o mesmo princípio. Parte de um doce que ninguém associa a dieta, a pipoca caramelizada, e tira o açúcar e a lactose sem abrir mão do sabor. Nos dois casos, o produto é pensado primeiro para dar vontade de comer e só depois para caber na rotina de quem cuida da alimentação.
É a mesma régua que Castro descreve no site da marca: um produto que dê vontade de provar, comprar de novo e indicar para alguém.
Marca antes da prateleira
A Yasy não estreou só com um produto. Estreou também com um programa. O LUCAAAS! Talk Show, publicado no YouTube, é descrito pela empresa como uma das primeiras propriedades de conteúdo da marca.
O nome vem de um bordão. “LUCAAAS!” é o grito com que Yasmin chama o marido nos vídeos, um código que a comunidade dela conhece há anos. O primeiro episódio tem o próprio Lucas Provesi como convidado. Os próximos anunciados são com o criador de conteúdo Lucas Rangel e com Dani Choma, conhecida pelas receitas e pelos vídeos sobre maternidade.
A marca explica a estratégia numa frase: “criando desejo antes da distribuição, comunidade antes da conversão e relevância antes da escala”. É a lógica do energético Dane-se, que montou a plateia antes de ter a lata. A diferença é que a Yasy já nasce com as duas metades prontas: a audiência de Yasmin e a experiência industrial de Castro.
O que a Yasy ensina sobre alta performance
O dia 1 depois do pódio. Castro vendeu uma marca que passou de R$ 500 milhões em faturamento e voltou ao ponto de partida de qualquer marca nova: produto na lata e cliente por conquistar. Todo atleta que ganha um título grande encontra a mesma pergunta do outro lado, e agora? Quem não se confunde com o próprio resultado consegue recomeçar. “Hoje não é a chegada. É o dia 1.”
Legado acima de troféu. A frase de Castro sobre a venda da Dr. Peanut serve para qualquer carreira no esporte. O que fica não é o controle, é o que foi construído bem o bastante para seguir sem o fundador. No esporte, é o exemplo que continua quando o atleta para de competir.
Processo mais tempo. “Foram meses de ideia, conversa, teste, erro, acerto”, escreveu Castro sobre a Yasy. Entre a loja de 2012 e a venda de 2025 foram 13 anos. O que aparece na prateleira é a última etapa de um processo que quase ninguém vê.
O atleta também é uma empresa. Castro conhece de perto a força dos fisiculturistas para divulgar uma marca, e agora se associa a uma criadora com 5,4 milhões de seguidores. A lógica que sustenta a Yasy é a mesma de quem vive de patrocínio: audiência abre a porta, produto bom mantém o cliente. Postar é trabalho, feito todo dia.
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