4 de setembro. Bruxelas. 9s90. Oblique Seville cruza a linha, fecha a Final da Diamond League e ainda manda o recado: “quero DOMINAR a próxima temporada.” E olha que isso é só a cereja de um ciclo que já tinha o ouro mundial dos 100m em Tóquio, em 2025: 9s77, batendo Kishane Thompson e Noah Lyles na cara. O jamaicano fechou 2026 como campeão mundial E campeão da Diamond League. Só isso já seria suficiente pra manchete. Mas a história por trás é o que realmente importa.

Porque antes de Tóquio, Glen Mills, o técnico que formou USAIN BOLT, olhou pro dedão machucado de Seville e disse: não corre. A cirurgia ficaria para depois. Lesão vinha desde o colégio. Qualquer pessoa razoável teria ficado de fora. Seville não ficou. E o motivo por trás dessa decisão é uma aula de mentalidade vencedora.
1. Quando você SABE, você SABE
A frase que Seville soltou depois é daquelas que ficam martelando: “às vezes, como atleta, você simplesmente sabe quando tem algo especial dentro de você.” Não é bravata. É o resultado de anos calibrando o próprio corpo, sabendo separar dor de limite real. Contrariar o próprio técnico não foi teimosia: foi confiança CONSTRUÍDA, testada, treinada. Isso não se improvisa na hora da prova. Se constrói muito antes.
2. Segura… segura… EXPLODE
A tática da final de Tóquio foi cirúrgica. Nas palavras dele: “quando ouvi o tiro, disse a mim mesmo: administre o ritmo na corrida e veja onde isso te leva.” Saída controlada pra proteger o pé. Avaliação em tempo real no meio da prova. E só nos últimos 40 metros, ataque total. Isso é controle emocional em estado bruto: a pressão de correr por um título mundial não tomou as rédeas. A cabeça mandou, não a ansiedade.

3. Correndo por quem não pôde ver
Em 2018, Seville perdeu o pai, Gerald, o homem que, nas palavras dele, era “o principal responsável por me empurrar a fazer isso, porque ele sempre foi meu apoiador”. Foi ANTES da primeira grande vitória do jovem Seville naquele mesmo ano. Todo ouro depois disso carrega esse peso. Seville falou que ganhar faria o pai “ficar feliz”. Isso não é motivação passageira que esfria depois de uma temporada ruim. Isso é combustível que não acaba.
4. A virada que ninguém viu: treinar para NÃO se machucar
Enquanto todo mundo fala de velocidade, a virada real de 2025 foi outra: mudanças drásticas na preparação física, foco total em ficar saudável, depois de temporadas inteiras perdidas para lesão. Parece pouco chamativo? É exatamente o oposto. Abrir mão de competir mais para chegar inteiro no dia que importa é uma das decisões mais difíceis que um atleta de elite pode tomar. E foi essa decisão, tomada fora da pista, que sustentou tudo que aconteceu dentro dela.
De St. Thomas para o topo do mundo
Jamaica, St. Thomas. Colégio Holmwood Technical, depois o lendário Calabar High, fábrica histórica de velocistas. Aos 18 anos, já correndo 10s13, a segunda marca mais rápida já vista naquela categoria de idade no país. Semifinal olímpica em Tóquio 2020. Quarto lugar em Eugene 2022. Quarto lugar em Budapeste 2023. Cada “quase” virando combustível, não desculpa. Até o ouro de 2025. Hoje, treinado por Glen Mills no Racers Track Club, o mesmo time que revelou Bolt, Seville não é sombra de ninguém. É protagonista da própria história.

O que vem por aí
Campeão mundial. Campeão da Diamond League. Em temporadas seguidas. E ele já avisou: quer dominar a próxima. A ambição tem lastro: menos lesões, preparação reformulada, e a prova concreta, sob a pior pressão possível, de que ele toma decisões frias quando mais importa. Só que ninguém garante nada no sprint de elite: a diferença lá na frente se mede em centésimos, e Thompson e Lyles não vão facilitar. O que Seville já provou é que sabe operar no limite. No esporte de elite, essa é a única vantagem que realmente dura.
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Perguntas frequentes
Por que Oblique Seville correu o Mundial de Tóquio contra a orientação de Glen Mills?
Seville chegou a Tóquio com o dedão machucado, uma lesão que vinha desde o colégio, e Glen Mills disse a ele para não correr. Seville correu mesmo assim, porque, nas palavras dele, às vezes o atleta simplesmente sabe quando tem algo especial dentro de si. Não foi teimosia: foi confiança construída em anos calibrando o próprio corpo.
Qual foi a estratégia de Seville na final dos 100m em Tóquio?
Saída controlada para proteger o pé, avaliação em tempo real no meio da prova e ataque total só nos últimos 40 metros. Ao ouvir o tiro, ele disse a si mesmo para administrar o ritmo e ver onde aquilo o levaria. Venceu com 9s77, à frente de Kishane Thompson e Noah Lyles.
Quem é o técnico de Oblique Seville?
Glen Mills, o técnico que formou Usain Bolt. Seville treina com ele no Racers Track Club, o mesmo time que revelou Bolt.
Qual o papel do pai na carreira de Oblique Seville?
O pai, Gerald, era o principal apoiador de Seville e quem o empurrou para o atletismo. Ele morreu em 2018, e desde então cada ouro de Seville carrega esse peso: o próprio atleta disse que ganhar faria o pai ficar feliz.
O que mudou na preparação de Oblique Seville?
Depois de temporadas inteiras perdidas para lesão, Seville fez mudanças drásticas na preparação física, com foco total em ficar saudável. É uma virada pouco chamativa, mas foi ela que sustentou os resultados na pista.
Quanto Oblique Seville correu na Final da Diamond League 2026?
Seville venceu os 100m da Final da Diamond League em 4 de setembro, em Bruxelas, com 9s90. Depois da prova, avisou que quer dominar a próxima temporada.
Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.
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