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Brasil x Índia: por que a seleção vai jogar em Calcutá no sábado

Jogadores da seleção brasileira perfilados para a foto oficial antes do jogo contra o Marrocos pela Copa do Mundo de 2026, com a torcida ao fundo

A seleção brasileira entra em campo neste sábado (3) num lugar onde nunca jogou: Calcutá, na Índia. O amistoso contra os indianos, às 11h de Brasília, no Estádio Salt Lake, é o primeiro confronto da história entre as duas seleções e fecha a primeira Data Fifa depois da Copa do Mundo de 2026.

No papel, o jogo coloca frente a frente a quinta e a 138ª colocadas do ranking da Fifa. Fora dele, a viagem tem outra lógica. A CBF escolheu a Índia para agradecer à torcida que, segundo a própria entidade, é a maior torcida brasileira fora do Brasil. E, para Carlo Ancelotti, o sábado é mais uma chance de observar os jovens que começam o ciclo até 2030.

Horário, estádio e onde assistir

Os dados oficiais da partida, confirmados pela CBF:

  • Data: sábado, 3 de outubro de 2026
  • Horário: 11h de Brasília (19h30 em Calcutá, que está 8h30 à frente)
  • Local: Estádio Vivekananda Yuba Bharati Krirangan, conhecido como Salt Lake, em Calcutá
  • Capacidade: 63 mil lugares, segundo a CBF
  • Onde assistir: Globo, SporTV e GE TV, no YouTube

É a terceira partida da seleção nesta janela. Antes, o Brasil fez dois amistosos contra a Austrália: empatou por 1 a 1 em Townsville, na sexta-feira (25), e volta a enfrentar os australianos nesta terça-feira (29), no Suncorp Stadium, em Brisbane. De lá, a delegação embarca para a Índia.

Por que o Brasil vai jogar em Calcutá

A explicação oficial veio de Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral de Seleções Masculinas da CBF. “Contra a Índia, tem a questão técnica e muito um agradecimento aos indianos, que demonstraram durante a Copa um enorme carinho e torcida pela Seleção Brasileira. Então nada mais justo do que irmos lá em forma de agradecimento, mas também para fazer um grande enfrentamento”, disse, no anúncio dos adversários.

A resposta da cidade veio na bilheteria. Os ingressos foram vendidos só em formato digital, pelo aplicativo District, com preços entre 999 e 15 mil rúpias no primeiro lote. Segundo o jornal indiano Onmanorama, as categorias mais baratas se esgotaram em menos de uma hora depois da abertura das vendas.

Para a federação indiana, a AIFF, o jogo é histórico por um motivo esportivo: o Brasil será o adversário mais bem colocado no ranking que a seleção masculina da Índia já enfrentou desde que a Fifa criou a classificação, em 1992. “Receber uma seleção com a estatura do Brasil no nosso país é um momento extraordinário”, afirmou M. Satyanarayan, secretário-geral adjunto da entidade.

Fachada do Estádio Salt Lake, o Vivekananda Yuba Bharati Krirangan, em Calcutá, na Índia, cercado por jardim e palmeiras
O Estádio Salt Lake, inaugurado em 1984, recebe o primeiro Brasil x Índia da história. Foto: Vinayaraj (CC BY-SA 4.0)

Uma cidade que já parou por craques

Calcutá tem histórico de receber lendas do futebol. Em 1977, Pelé levou o New York Cosmos ao Eden Gardens para um amistoso contra o Mohun Bagan, que terminou empatado por 2 a 2 com o estádio lotado. Em setembro de 2011, foi a vez da Argentina de Lionel Messi: a seleção venceu a Venezuela por 1 a 0 no próprio Salt Lake, com gol de Nicolás Otamendi após escanteio cobrado por Messi.

O estádio também já recebeu a seleção brasileira de base. A equipe sub-17 jogou em Calcutá na Copa do Mundo da categoria, em 2017. Inaugurado em 1984, o Salt Lake é palco frequente do dérbi de Calcutá, entre Mohun Bagan e East Bengal.

O que o jogo vale para o Brasil

O amistoso chega num momento de reconstrução. O Brasil caiu nas oitavas de final da Copa de 2026 ao perder por 2 a 1 para a Noruega, no MetLife Stadium, com dois gols de Erling Haaland (relembre a eliminação). Com a queda, o jejum de títulos mundiais chegou a 24 anos, desde o penta de 2002.

Ancelotti deixou claro que a janela serve para abrir o grupo. “Com esses três amistosos, vamos começar o novo ciclo para projetar a Seleção nos objetivos dos próximos anos, que são a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030. Aproveitaremos os três amistosos para convocar novos jogadores para a Seleção, sobretudo jovens, que podem mostrar seu talento na Seleção nos próximos anos”, afirmou o técnico à CBF.

Os convocados

A lista original teve 26 nomes, oito deles estreantes, e dez jogadores que atuam no futebol brasileiro. Depois, João Pedro, do Chelsea, e Wesley, da Roma, foram cortados por lesão. Martinelli, do Fluminense, e Vanderson, do Monaco, entraram nos lugares deles.

  • Goleiros: Hugo Souza, Morisco e Otávio
  • Defensores: Artur Dias, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Jair, Marquinhos, Matheuzinho, Mauro Júnior, Vanderson e Vitor Reis
  • Meio-campistas: Andrey Santos, Breno Bidon, Bruno Guimarães, Danilo Santos, Douglas Luiz, Gabriel Bontempo e Martinelli
  • Atacantes: Endrick, Estêvão, Pedro, Raphinha, Rayan, Samuel Lino e Vinícius Júnior

Em Townsville, o time começou com nomes que estiveram no Mundial, como Vinícius Júnior, Raphinha, Estêvão e Bruno Guimarães, e sofreu para criar. A Austrália saiu na frente com um gol de falta de Nestory Irankunda, e o empate só veio no último lance, com Rayan, de cabeça, após escanteio de Raphinha. Rayan tinha entrado no segundo tempo, no lugar de Estêvão.

A escalação para Calcutá ainda não foi divulgada. Pelo histórico da janela, a tendência é de rodízio: para o segundo jogo contra a Austrália, Ancelotti preparou sete mudanças em relação à estreia, segundo a CNN Brasil. Quem teve poucos minutos nos dois primeiros jogos chega ao sábado com a última chance de se mostrar nesta janela.

Quem é a Índia de Khalid Jamil

A seleção indiana nunca disputou uma Copa do Mundo e ocupa a 138ª posição no ranking da Fifa. O técnico é Khalid Jamil, que montou um grupo de 26 jogadores para três amistosos seguidos contra seleções que foram ao Mundial: Panamá, Brasil e Uruguai. O jogo contra os uruguaios também será no Salt Lake, na terça-feira seguinte, dia 6.

“Esta é uma janela muito importante para nós, com três jogos desafiadores contra seleções que disputaram a Copa do Mundo”, disse Jamil ao anunciar a lista. O treinador descartou chamar de volta Sunil Chhetri, maior artilheiro da história da seleção indiana, com o argumento de que a Índia está construindo um time novo.

Vista aérea de Calcutá com o Estádio Salt Lake no centro da imagem, cercado por prédios e campos de futebol
O Salt Lake visto do alto, no bairro de mesmo nome, em Calcutá. Foto: Rameshng (CC BY-SA 3.0)

O primeiro teste deu confiança aos indianos. Em Bengaluru, a Índia empatou por 1 a 1 com o Panamá, 44º do ranking, 94 posições acima. Ryan Williams abriu o placar aos 41 minutos, e Omar Valencia empatou aos 23 do segundo tempo, num chute de fora da área.

Os nomes mais conhecidos do elenco indiano são o goleiro Gurpreet Singh Sandhu, o meia Anirudh Thapa e o atacante Ryan Williams, autor do gol contra o Panamá.

O que ainda está em aberto

Até a publicação desta matéria, nem Ancelotti nem Jamil tinham anunciado a escalação para sábado. O Brasil também ainda disputa o segundo amistoso contra a Austrália, em Brisbane, antes de viajar. O resultado da Índia contra o Brasil conta pontos no ranking da Fifa, mas não tem efeito em competição oficial.

Os objetivos declarados do ciclo são a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030, e a formação do grupo passa por janelas como esta. Para entender o caminho até 2030, vale ler a análise sobre a disputa por vagas na próxima Copa e a proposta de 64 seleções.

O que o jogo ensina sobre alta performance

Contra um adversário 133 posições abaixo no ranking, o placar diz pouco. O que Ancelotti vai medir em Calcutá é padrão: se o jovem que ganhou a primeira chance mantém a intensidade diante de um estádio cheio, do outro lado do mundo, no fim de uma viagem que passou por três cidades em pouco mais de uma semana.

Essa é a régua de quem compete de verdade. O jogo “fácil” é o que mais expõe processo, porque não há adversário forte para servir de justificativa. Quem sai de um amistoso assim com a vaga garantida na próxima lista é quem tratou os 90 minutos como se fossem de Copa. Na preparação de qualquer atleta, amador ou profissional, o recado é o mesmo: a oportunidade raramente avisa que é a última.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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