Placar

ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

FuelTech lança a FT470: tecnologia da FT700 por R$ 4.990 e sem tela

Anderson Dick, fundador e CEO da FuelTech, segura a nova central de injeção FT470

A FuelTech colocou à venda nesta quinta-feira (8) a FT470, nova central de injeção eletrônica da linha Vision FT. O preço de tabela no Brasil é R$ 4.990, sem chicote. A FT700, que inaugurou a linha e segue como topo da marca, custa R$ 24.900. São cinco vezes de diferença para uma central que, segundo a própria fabricante, roda o mesmo software.

A conta fecha porque a FT470 abre mão da peça que sempre foi a cara das centrais FuelTech: a tela. No lugar do display colorido preso ao painel, ela conversa por Wi-Fi ou USB-C com o celular, o tablet, a central multimídia Android do carro ou o notebook. A tela, na definição da marca, “é a que você já tem”.

O que a FuelTech lançou

A FT470 é uma VCU, sigla em inglês para unidade de controle do veículo. É o termo que a FuelTech usa para centrais que gerenciam o motor e, cada vez mais, outros sistemas do carro. Ela entra na linha Vision FT ao lado da FT700 e da FT700PLUS, e a marca a descreve como “herdeira direta da plataforma FT700”: software, datalogger e funções que a irmã mais cara amadureceu em pista.

Pela ficha publicada na loja, a central controla motores a pistão de 1 a 16 cilindros, do motor de moto ao V8 sequencial com borboleta eletrônica, além de motores rotativos de 2, 3 e 4 rotores e motor elétrico (um, ou mais de um com funções customizadas), sempre “conforme a aplicação”. O combustível pode ser gerenciado por eficiência volumétrica (VE) ou pelo modo por tempo de injeção da FuelTech, em malha fechada: a central compara o lambda medido com o alvo e corrige. Num 4 cilindros, uma única FT470 cuida de injeção sequencial, ignição, borboleta eletrônica, comando variável, bomba de combustível e nitro progressivo.

O lançamento é mundial. Nos Estados Unidos, a FT470 entrou no mesmo dia na loja da FuelTech USA, por US$ 999. Anderson Dick, fundador e CEO global da FuelTech, resume a proposta: “A FT470 foi construída sobre a mesma plataforma VisionFT da FT700, em um formato que se instala onde ficava a central original e transforma em painel o celular ou o tablet que você já carrega. Com o Flex I/O, ela acompanha o projeto à medida que ele cresce. Da oficina à pista de arrancada, ela vai aonde você for”.

Dragster laranja com a marca FuelTech na lateral, parado na pista de arrancada nos Estados Unidos
Dragster com gerenciamento FuelTech em prova de bracket racing nos Estados Unidos (Foto: FuelTech USA)

Os números da FT470

ItemFT470
Preço no Brasil (sem chicote)R$ 4.990
Preço nos EUAUS$ 999
Saídas20, todas também auxiliares
Entradas7 dedicadas, até 27 usando saídas como entradas
Sensor de pressão (MAP) interno7 bar absoluto, até 6 bar de pressão positiva
Sonda widebandcondicionador embutido para 1 sonda (Bosch LSU 4.2, 4.9, 5.2 ou NTK)
Dataloggermemória 16 vezes maior que a da linha PowerFT, até 100 Hz
Funções customizadas38 tipos de bloco
Alertas de proteção do motor46 tipos
ConectorAMP Superseal 1.0 de 44 vias
Rede CANduas redes CAN FD, com importação e exportação de arquivos DBC
ConexãoWi-Fi 2,4 GHz e USB-C
Medidas e peso149 x 144 x 45 mm, 300 g

O recurso que a FuelTech mais destaca é o Flex I/O. As 20 saídas podem virar entradas quando não estão sendo usadas para comandar nada. Na prática, o preparador decide se o projeto precisa ler mais sensores ou acionar mais atuadores, em vez de aceitar uma divisão fixa de fábrica. Na frase da marca, “a VCU se adapta ao projeto, não o projeto à VCU”.

A central também controla até quatro comandos de válvulas variáveis, câmbio automático (inclusive com modo adaptativo, conforme a aplicação) e injeção direta, com duas saídas para a bomba de alta pressão. Quatro saídas de meia ponte H comandam a borboleta eletrônica ou o motor de passo da marcha lenta. A ficha divulgada nos Estados Unidos fala em câmbio de até 10 marchas e até 12 estágios de nitro progressivo.

Por que a tela saiu da central

Até aqui, escolher uma FuelTech era também escolher o tamanho da tela. A FT550 vem com display colorido de 4,3 polegadas; a FT700, com um de 7 polegadas, instalado no painel. A FT470 rompe esse modelo e joga a interface para o aparelho que o dono do carro já carrega no bolso.

O app FuelTech Vision 3.0, lançado no mesmo dia, é gratuito, obrigatório para a FT470 e roda em Windows, macOS, Android e iOS, em nove idiomas. A versão nova deixa os mapas três vezes menores, gravados e ativados numa só operação. Pelo celular, o piloto ativa mapas e monta até quatro painéis de instrumentos personalizados. No notebook, o preparador edita o mapa em tempo real e abre o datalogger. A FuelTech descreve o uso simultâneo: o piloto acompanha os dados essenciais na pista enquanto o preparador ajusta parâmetros no box. E o carro funciona com o celular desligado, porque a central controla o motor sozinha.

Central FuelTech FT470 com celular e tablet rodando o app FuelTech Vision
A FT470 usa como tela o celular, o tablet, a multimídia ou o computador (Foto: Divulgação/FuelTech)

A comparação dentro da própria linha explica onde a FT470 se posiciona:

FT470FT550FT700
Telaapp no celular, tablet, multimídia ou PCTFT 4,3″ coloridaTFT 7″ colorida
Entradas configuráveis7 (até 27)1436
Saídas auxiliaresaté 20até 24até 50
Condicionador de wideband interno1nenhum2
Funções customizadassim, 38 blocosnãosim, 38 blocos
Alertas de proteção do motor46 tipos28 tipos46 tipos
GPSmódulo externonãointegrado
Preço de tabela no BrasilR$ 4.990R$ 8.350R$ 24.900

A própria FuelTech faz a conta na página do produto: quem monta uma FT550 precisa de um condicionador externo para ler a sonda wideband, como o WB-O2 Nano, e o conjunto sai por R$ 8.999. A FT470, com o condicionador embutido, custa R$ 4.009 a menos. Na escada de preços da marca, ela fica R$ 600 acima da FT450, a central de entrada da linha PowerFT, vendida a R$ 4.390.

Feita para morar onde ficava a ECU original

Outra mudança de projeto está no lugar de instalação. A FT470 foi desenhada para ocupar o espaço da central original do carro, o que encurta o chicote, reduz os furos na parede corta-fogo e, segundo a fabricante, é o que viabiliza chicotes plug-and-play sobre a instalação de fábrica. Com os tampões instalados nas vias não usadas do conector, a central é resistente à água.

Segundo a FuelTech, é o primeiro lançamento da marca que já chega com vários chicotes específicos prontos, vendidos separadamente. Eles cobrem motores de 4 e de 6 cilindros, os câmbios automáticos de 10 marchas 10R80 e 10L80 e o motor VW/Audi de 180 cv, o do Golf GTI e do Audi A3. A FT470 com o chicote pronto de 4 cilindros sai por R$ 7.389 na loja.

A FuelTech também pensou em quem já tem central da marca no carro. Há chicotes adaptadores para trocar a FT450 (R$ 629), a FT550 (R$ 699) ou a FT600 (R$ 1.399) pela FT470 sem refazer a instalação, e o app importa o mapa da linha PowerFT já convertido para a linha Vision. A rede CAN customizável permite conversar com a rede original do carro, ler velocidade de roda e botões sem gastar entrada física e devolver o RPM para o painel de fábrica continuar funcionando.

Chicote pronto de 4 cilindros e chicote adaptador da FT450 e FT550 para a central FuelTech FT470
Chicote pronto de 4 cilindros (à esquerda) e chicote adaptador para quem já tem FT450 ou FT550 (Foto: Divulgação/FuelTech)

Arrancada: a alavanca fala direto com a central

Para quem corre, a FT470 traz integrados dois recursos que costumavam exigir hardware à parte. A leitura do sensor de força da alavanca de câmbio (strain gauge) e o controle de marchas (gear controller) já vêm na central, sem caixa adicional. Acelerômetro e giroscópio também são internos: medem a largada, alimentam o controle de tração e mostram o que pneu e suspensão estão fazendo diante da tração real da pista.

O pacote inclui controle de tração ativo, corte na troca de marcha sem tirar o pé (o flat shift) e câmbio automático com modo adaptativo, conforme a aplicação. No computador, o app traz um editor gráfico de arrancada no formato do FTManager, o software da linha PowerFT, e um relatório de corrida em PDF gerado a partir dos logs do fim de semana. A memória, segundo a marca, comporta “um dia de pista inteiro ou uma noite inteira de passadas”.

É o tipo de recurso que decide prova na corrida de arrancada, modalidade em que a passada dura poucos segundos e não admite correção. No FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita (RS), a tecnologia da marca já aparece no topo da tabela: a Hayabusa de Murilo Gomes, que venceu a Drag Bike na 1ª etapa da Copa FT BR Sport, corre com uma FT700PLUS. A final da temporada será disputada no Festival FT de Arrancada.

O que não vem na caixa

A página da FT470 é direta sobre o que precisa ser comprado à parte. A sonda wideband não acompanha a central. Tempo de volta e análise de pista dependem do módulo GPS externo: o FT GPS CAN entrou na loja no mesmo dia, por R$ 1.990. Injetores de baixa impedância, abaixo de 7 ohms, ou em quantidade acima do limite das saídas exigem um driver peak and hold externo, e a injeção direta pede o driver PH-HV, também vendido separadamente. O monitoramento de detonação lê um sensor.

Há ainda uma promessa anunciada junto, mas fora da compra. A FuelTech prepara o FT Pilot, um assistente de acerto com inteligência artificial que vai ler o log, explicar o que aconteceu “na linguagem do preparador” e propor alterações no mapa, que só chegam à central com a aprovação do dono do carro. A marca afirma que ele vai funcionar com toda a linha Vision (FT700, FT700PLUS e FT470) e com a PowerFT (FT450, FT500, FT550 e FT600), mas o produto ainda não foi lançado e não faz parte desta compra.

Todas as funções da FT470 vêm liberadas, sem licença cobrada por recurso e com atualização de software gratuita.

Da FT700 à FT470

A plataforma Vision FT foi apresentada pela FuelTech no PRI Show de 2022, em Indianápolis, uma das principais feiras da indústria de peças de competição dos Estados Unidos. A FT700 e a FT700PLUS abriram a pré-venda em junho de 2024 e começaram a ser entregues no fim daquele ano.

Dois anos depois, a mesma base de software chega a uma central que custa um quinto do preço. É o caminho clássico da tecnologia de competição: nasce no carro de ponta, ganha rodagem em pista e desce para o preparador de rua. A FuelTech, com sede em Porto Alegre, operação americana em Ball Ground, na Geórgia, e produtos vendidos em mais de 100 países, aposta que o celular do cliente substitui com folga o display que ficava no painel.

O que isso ensina sobre alta performance

Durante muito tempo, dado foi privilégio de equipe grande. Log de alta frequência, acelerômetro medindo a largada e relatório de corrida eram coisa de carro com orçamento de Pro Mod. A FT470 coloca esse pacote ao alcance de quem prepara o carro na garagem.

Mas o dado não ajusta o carro sozinho. A memória 16 vezes maior só vale se alguém abrir o log, entender por que o pneu patinou no segundo 1,2 e mexer no mapa certo. Até o FT Pilot, a promessa de inteligência artificial da marca, foi desenhado para propor, não para decidir: o ajuste só vai para a central depois que alguém aprova.

A lógica é a mesma para qualquer atleta. Relógio com GPS, sensor de potência e monitor de sono ficaram baratos, e a leitura desses números continua sendo trabalho de quem treina. Medir, ler, ajustar e repetir: é esse ciclo, feito todo fim de semana, que transforma equipamento em resultado. Na arrancada, a passada dura poucos segundos. Tudo o que decide esses segundos acontece antes.

Conheça a FT470 por dentro

Ficha técnica completa, chicotes e opções de compra na loja oficial da FuelTech.

Ver a FT470 na FuelTech

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: