
Lewis Hamilton tem 41 anos, sete títulos mundiais e contrato com a Ferrari até pelo menos o fim de 2027. Fora do carro, o inglês montou um portfólio que já se parece com o de um executivo: uma bebida sem álcool com investimento da Pernod Ricard, uma marca de roupas, uma produtora de cinema cujo primeiro filme ganhou um Oscar, uma fatia do Denver Broncos, da NFL, e uma fundação que leva o número dele no nome.
Nem tudo deu certo. A rede de hambúrguer vegano que ele apoiava desde 2019 fechou as portas no Reino Unido e entrou em liquidação em 2025. Esta reportagem mostra, empresa por empresa, o que o piloto construiu, o que ainda funciona em 2026 e quanto dinheiro passa por esse portfólio.
Quanto Lewis Hamilton ganha dentro e fora da pista
A resposta curta: cerca de US$ 100 milhões em um ano, segundo a Forbes. Na lista dos atletas mais bem pagos do mundo divulgada em 22 de maio de 2026, Hamilton aparece em 10º lugar, o único piloto no top 10. A revista estima US$ 70 milhões vindos da pista (salário e bônus da Ferrari) e US$ 30 milhões de fora dela, entre patrocínios e negócios.
Foi a primeira vez que um piloto de Fórmula 1 chegou aos nove dígitos em uma temporada. O recorde anterior da categoria também era dele: US$ 82 milhões em 2021, ainda pela Mercedes. A lista completa está na matéria sobre os atletas mais bem pagos do mundo em 2026.
O salário da Ferrari nunca foi divulgado oficialmente. Sites especializados em contratos, como o Spotrac, estimam um fixo de US$ 60 milhões por ano, com bônus por desempenho por cima. É estimativa de imprensa. A comparação com os outros pilotos do grid está no levantamento dos pilotos mais bem pagos da F1.
As empresas de Lewis Hamilton em 2026, uma por uma
Desde setembro de 2025, os negócios do piloto estão reunidos sob a Lewis Hamilton Ventures, nome novo da antiga Project 44. A empresa, com sede em Londres, abriga a marca de roupas Plus 44, a bebida Almave e a produtora Dawn Apollo. Hamilton aparece como CEO, e Ross Connolly é o diretor de operações, segundo o portal FashionUnited. A fundação Mission 44 fica de fora da estrutura, mas trabalha em conjunto com ela.
| Negócio | Setor | Desde | Situação em 2026 |
|---|---|---|---|
| Almave | Destilado de agave sem álcool | 2023 | Em expansão, com investimento minoritário da Pernod Ricard |
| Plus 44 | Moda e lifestyle | Início da década | Ativa, com coleções e pop-up em Singapura |
| Dawn Apollo | Cinema e TV | 2022 | Ativa, com acordo de first-look com a Skydance Sports |
| Denver Broncos (NFL) | Participação minoritária | 2022 | Franquia avaliada em US$ 9,18 bilhões pela Sportico |
| Mission 44 | Fundação filantrópica | 2021 | Ativa, no quinto ano |
| Neat Burger | Restaurantes veganos | 2019 | Fechada no Reino Unido, em liquidação desde julho de 2025 |
| X44 | Equipe da Extreme E | 2021 | Encerrada em fevereiro de 2024 |
Fonte: levantamento da Atleta Pro com base em Forbes, Sportico, The Spirits Business, FashionUnited, The Caterer e comunicados das empresas.
Almave: a tequila sem álcool que atraiu a Pernod Ricard
A Almave é o negócio mais estruturado do portfólio. Hamilton lançou a marca em outubro de 2023, em parceria com a Casa Lumbre, incubadora mexicana de bebidas, e com a Copper, empresa de gestão de carreira que o representa. O produto foi desenvolvido com o mestre destilador mexicano Iván Saldaña.
Tecnicamente, não é tequila. A Almave usa agave azul cozido devagar, mas pula a fermentação e vai direto para as destilações. Sem fermentação, o teor alcoólico fica abaixo de 0,5%, e o produto não pode usar o nome tequila. A linha tem três rótulos: Blanco e Ámbar, de agave azul, e Humo, lançado em agosto de 2025 como alternativa ao mezcal, feito de agave espadín.
O sinal de que a marca tinha fôlego veio em agosto de 2024, quando a Pernod Ricard, dona de marcas como Absolut e Chivas Regal, comprou uma participação minoritária. Os valores não foram divulgados. Em 2026, a Almave deu dois passos no maior mercado do mundo: em fevereiro, o Blanco chegou a centenas de lojas da rede Target nos Estados Unidos, a US$ 29,99, e em setembro a espanhola González Byass USA virou importadora exclusiva no país, com distribuição da Southern Glazer’s.
Plus 44: a marca de roupas com o número do carro
A Plus 44 é a marca de roupas e lifestyle do piloto. O nome junta o número que ele usa na Fórmula 1 e o código telefônico do Reino Unido. O catálogo tem moletons, camisetas, agasalhos e peças de streetwear, vendidas pela loja online e em edições limitadas ligadas ao calendário da F1.
Nesta semana, a marca abriu a primeira loja temporária no Sudeste Asiático, no shopping do Marina Bay Sands, em Singapura, de 5 a 11 de outubro, na semana do GP. A coleção de Singapura foi feita com o artista local Jahan Loh. No mesmo complexo, a Almave serve um drinque sem álcool batizado de “The Lewis” e fica à venda nos restaurantes do resort até setembro de 2027.
A moda vem de antes da marca própria. Em março de 2018, a Tommy Hilfiger anunciou Hamilton como embaixador global da linha masculina, parceria que rendeu coleções assinadas pelos dois sob o nome TommyXLewis. A marca não o acompanhou para a Ferrari. Desde julho de 2024, ele é embaixador e designer convidado da Dior, com coleções cápsula lançadas em 2024 e 2025.
Neat Burger fechou? O que aconteceu com a rede vegana
Sim. A Neat Burger fechou os últimos restaurantes do Reino Unido em abril de 2025 e entrou em liquidação voluntária em julho do mesmo ano. É o fracasso mais visível da carreira empresarial do piloto.
A rede nasceu em Londres em 2019, com Hamilton como investidor desde o início e o ator Leonardo DiCaprio entre os apoiadores. Chegou a ter oito restaurantes na capital inglesa e abriu unidades em Nova York, Dubai e Milão. Segundo a revista The Caterer, foi avaliada em 51 milhões de libras depois de uma rodada de investimento em 2021.
Os números não acompanharam. A empresa teve prejuízo de 7,9 milhões de libras em 2022. Quatro lojas de Londres fecharam no fim de 2023, citando queda no movimento. As unidades de Nova York e Dubai fecharam em 2024. Em abril de 2025, as duas últimas do país, em Camden e Wembley, encerraram as atividades, com cerca de 150 empregos perdidos. Em 22 de julho de 2025, a empresa nomeou a consultoria FRP Advisory como liquidante. Na Itália, onde a marca era tocada por outra empresa, a unidade do shopping Merlata Bloom, em Milão, também fechou, segundo a imprensa local.
Dawn Apollo: a produtora do filme F1
A Dawn Apollo é a aposta de Hamilton para o pós-carreira. O piloto criou a produtora em 2022, também com a Copper, para contar histórias com protagonistas que o cinema costuma deixar de lado. Na época, disse que queria que a transição para o trabalho em tempo integral na empresa fosse “sem rupturas” quando parasse de correr.
O primeiro grande projeto foi “F1”, filme da Apple Original Films estrelado por Brad Pitt, dirigido por Joseph Kosinski e produzido por Jerry Bruckheimer, com Hamilton entre os produtores. Lançado em junho de 2025, faturou cerca de US$ 630 milhões de bilheteria no mundo, o maior resultado de um filme de automobilismo. Em 15 de março de 2026, ganhou o Oscar de Melhor Som. Hamilton não foi à cerimônia: estava correndo na China.
Em setembro de 2026, a produtora fechou um acordo plurianual de first-look com a Skydance Sports, braço esportivo da Paramount Skydance. Na prática, a Skydance passa a ter prioridade para avaliar e financiar os projetos da Dawn Apollo (ficção, documentário, reality e animação) antes de outros compradores. Hamilton será produtor executivo de todos. Os valores não foram divulgados.

Lewis Hamilton é dono do Denver Broncos?
Em parte. Em agosto de 2022, Hamilton entrou como sócio minoritário no grupo da família Walton-Penner, herdeiros do Walmart, que comprou o Denver Broncos por US$ 4,65 bilhões, na época o maior valor já pago por uma franquia esportiva. Ele foi o terceiro sócio minoritário anunciado, depois da executiva Mellody Hobson e da ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice.
O tamanho da fatia de Hamilton nunca foi divulgado. O que se sabe é como o ativo andou: na avaliação anual da Sportico, publicada em agosto de 2026, o Broncos vale US$ 9,18 bilhões, 40% a mais que em 2025 e praticamente o dobro do preço pago quatro anos antes. Quem quiser acompanhar o time tem o guia de onde assistir à NFL no Brasil.
Mission 44 e a X44: a fundação e a equipe de corrida
A Mission 44 foi lançada em julho de 2021 com uma promessa de 20 milhões de libras do bolso do próprio piloto. A fundação nasceu das conclusões da Comissão Hamilton, estudo feito com a Royal Academy of Engineering sobre a falta de jovens negros na engenharia e no automobilismo britânico, que fez dez recomendações. Hoje apoia jovens de grupos sub-representados com bolsas e parcerias com escolas e governo. Em 2026, no quinto ano, foi a instituição parceira do Festival of Speed de Goodwood.
A X44 foi a equipe de Hamilton na Extreme E, categoria de SUVs elétricos off-road. Com Sébastien Loeb e Cristina Gutiérrez, foi campeã de equipes em 2022, dois pontos à frente da equipe de Nico Rosberg, ex-companheiro e rival de Hamilton na Mercedes. Em fevereiro de 2024, a X44 deixou a categoria sem explicar o motivo.
Patrocínios: Dior, Lululemon e uma empresa de IA
Os US$ 30 milhões que a Forbes atribui ao que Hamilton ganha fora da pista vêm, em boa parte, de patrocínio pessoal. A Sportico lista como parceiros atuais a Dior, a Rimowa, a Electronic Arts, a Fanatics/Topps, a corretora CFI e a Perplexity, empresa de inteligência artificial. Em 2025, ele virou embaixador global da Lululemon, o primeiro piloto de F1 da marca canadense.
O perfil dos contratos diz muito sobre a estratégia. Quase nenhum é de produto automotivo. São marcas de moda, viagem, tecnologia e entretenimento, que continuam fazendo sentido depois que o capacete for pendurado. A lógica é parecida com a de outros atletas que transformaram imagem em patrimônio, como mostra a história de como Roger Federer virou bilionário com uma fatia da On.

O piloto continua sendo o motor do negócio
Nenhuma dessas empresas existiria no mesmo tamanho sem o piloto em atividade. A temporada de 2026 ajudou: em 14 de junho, Hamilton venceu o GP de Barcelona-Catalunha, a 106ª vitória da carreira e a primeira em Grande Prêmio pela Ferrari. Depois de 16 etapas, é o terceiro colocado do Mundial, com 214 pontos, e voltou ao pódio no domingo passado, na corrida caótica de Sepang.
Em maio, ao confirmar que o contrato vai até pelo menos 2027, ele respondeu às especulações sobre aposentadoria: “Tem muita gente tentando me aposentar”. A lista de ricos do jornal britânico Sunday Times estimou a fortuna dele em 435 milhões de libras em 2026, contra 350 milhões em 2024. São estimativas, não números oficiais.
O que os negócios de Hamilton ensinam sobre alta performance
O primeiro ponto é a ordem das coisas. Hamilton não trocou a pista pelos negócios: manteve a corrida no centro e usou o pico de visibilidade para abrir empresas que não dependem do resultado de domingo. A Atleta Pro Academy chama isso de tratar o atleta como empresa. Renda, patrocínio e imagem são trabalho, feito com método, e não um bônus que aparece quando o título vem.
O segundo é a identidade. Um atleta que é só o resultado dele perde tudo quando o resultado acaba. O portfólio de Hamilton foi desenhado a partir do que ele defende fora do carro (alimentação vegana, moda, inclusão no esporte, cinema), e por isso sobrevive à aposentadoria. A produtora, a fundação e a bebida continuam fazendo sentido quando ele não estiver mais no grid.
O terceiro é a derrota. A Neat Burger fechou com prejuízo, e a X44 saiu da Extreme E. Os dois casos não apagaram o resto, porque nenhum negócio carregava sozinho o futuro do piloto. Derrota é evento, não identidade, e diversificar é o que impede que um fracasso vire o fim da linha. O atleta amador e o profissional de modalidade menor não terão uma Pernod Ricard como sócia, mas podem aplicar a mesma lógica em escala própria: saber de onde vem cada fonte de renda e construir, desde já, algo que continue de pé quando a carreira terminar.
Perguntas frequentes sobre os negócios de Lewis Hamilton
Quais são as empresas de Lewis Hamilton?
Em 2026, os negócios ativos são a bebida sem álcool Almave, a marca de roupas Plus 44 e a produtora Dawn Apollo, reunidas na Lewis Hamilton Ventures. Ele também é sócio minoritário do Denver Broncos, da NFL, e mantém a fundação Mission 44.
A Neat Burger fechou?
Sim. A rede vegana apoiada por Hamilton e Leonardo DiCaprio fechou os últimos restaurantes do Reino Unido em abril de 2025 e entrou em liquidação voluntária em julho de 2025, depois de prejuízo de 7,9 milhões de libras em 2022.
A Almave é do Lewis Hamilton?
Sim. Hamilton é cofundador da Almave, destilado de agave sem álcool lançado em 2023 com a mexicana Casa Lumbre. A Pernod Ricard comprou uma participação minoritária em 2024.
Quanto Lewis Hamilton ganha na Ferrari?
O valor não é oficial. A imprensa especializada estima salário fixo de US$ 60 milhões por ano. A Forbes calcula US$ 70 milhões vindos da pista, com bônus, e US$ 100 milhões no total, contando patrocínios e negócios.
Qual é o patrimônio de Lewis Hamilton?
A lista de ricos do Sunday Times estimou a fortuna de Hamilton em 435 milhões de libras em 2026. É uma estimativa, já que o patrimônio real do piloto não é público.
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