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Zverev garante o nº 1 de 2026 e é o primeiro alemão no topo do ano

Alexander Zverev com a raquete e a bola na mão durante o Masters 1000 de Xangai 2026
Alexander Zverev com a raquete e a bola na mão durante o Masters 1000 de Xangai 2026
Zverev em Xangai, onde a conta do número 1 de 2026 fechou. Foto: Divulgação/ATP Tour

Alexander Zverev vai terminar 2026 como número 1 do mundo. O alemão de 29 anos garantiu o posto na segunda-feira (12), sem entrar em quadra: a derrota de Carlos Alcaraz para o belga Zizou Bergs no Masters 1000 de Xangai tirou do espanhol a última chance matemática de alcançá-lo até o fim da temporada. Com Jannik Sinner fora do circuito até o Australian Open de 2027, a corrida acabou com quase dois meses de antecedência.

É o primeiro alemão da história a fechar um ano no topo do ranking da ATP e o mais velho a conquistar o posto pela primeira vez. O título simbólico coroa a temporada mais completa da carreira dele, com os dois primeiros Grand Slams, em Roland Garros e no US Open, e encerra um debate que já começou: Zverev herdou o número 1 das lesões dos rivais ou construiu o lugar ponto a ponto?

Como a conta fechou em Xangai

O ranking mudou de dono por causa de um jogo de terceira rodada. Bergs, 39º do mundo, venceu Alcaraz por 7/5 e 7/6 (4), fechou o jogo no primeiro match point com o nono ace e conseguiu, segundo a AP, a maior vitória da carreira. Foram 24 bolas vencedoras do belga contra 16 do espanhol, que tinha sido campeão em Tóquio uma semana antes, depois de quase oito meses sem título por causa de uma lesão no punho.

Alcaraz era o único que ainda podia, na teoria, passar Zverev. Sinner, dono do número 1 há meses, anunciou no dia 6 de outubro que encerrou a temporada para tratar uma inflamação no joelho direito, como o Atleta Pro contou em Sinner encerra 2026 para tratar o joelho e abre o nº 1 para Zverev. O italiano não joga desde 12 de julho, quando venceu justamente Zverev na final de Wimbledon, e vai perder 3.050 pontos até dezembro sem poder defendê-los.

O próprio Zverev resumiu a matemática em Xangai: depois do anúncio de Sinner, disse, ele ficou “4 mil pontos à frente de todo mundo” na corrida da temporada.

Número 1 do ano não é o mesmo que número 1 da semana

Há uma diferença importante entre as duas coisas. O número 1 de fim de ano é quem lidera o ranking publicado em 23 de novembro, depois do ATP Finals de Turim. Esse já é de Zverev. O número 1 do ranking semanal, porém, ainda é de Sinner, porque os pontos que o italiano somou em 2025 só vão saindo da conta à medida que os torneios correspondentes acontecem.

Na atualização do dia 10 de outubro, Zverev tinha 9.720 pontos no ranking ao vivo, 1.230 atrás de Sinner. Pelas contas da ATP, a ultrapassagem pode acontecer já em 2 de novembro, em dois cenários: título em Xangai e semifinal no ATP 500 de Viena, ou final em Xangai e título em Viena. Se não for ali, acontece até o fim do ano de qualquer jeito.

Quando a troca vier, Zverev será o 30º jogador a chegar ao número 1 desde a criação do ranking, em 1973, o primeiro novo integrante do grupo desde Sinner, em junho de 2024, e só o segundo alemão, depois de Boris Becker, em 1991.

Alexander Zverev bate backhand de duas mãos no Masters 1000 de Xangai 2026
O backhand de duas mãos, a arma mais confiável de Zverev. Foto: Divulgação/ATP Tour

Os recordes do número 1 de 2026

Becker chegou ao topo em 1991, mas nunca terminou uma temporada lá. Zverev será o primeiro alemão a fazer isso e o 20º jogador da história a fechar um ano como número 1, segundo o presidente da ATP, Andrea Gaudenzi. A lista tem de Jimmy Connors e Björn Borg a Pete Sampras, Roger Federer e Rafael Nadal, e inclui Gustavo Kuerten, número 1 do fim de 2000.

Entre os jogadores em atividade, só três tinham conseguido: Novak Djokovic, oito vezes, Alcaraz, duas, e Sinner, uma.

A idade também entra para a história. Na data do ranking final, Zverev terá 29 anos e 217 dias, o que faz dele o mais velho a conquistar o posto pela primeira vez. Ele passa Andre Agassi, que tinha três dias a menos em 1999, e Andy Murray, 20 dias mais novo em 2016.

“Foi uma temporada fantástica pra mim, ganhando em Paris e em Nova York, e saber que vou terminar o ano no topo do ranking é um sonho realizado”, disse Zverev à ATP. “Muito trabalho e esforço foram feitos para chegar aqui, principalmente depois de voltar da lesão no tornozelo.”

A temporada que sustentou o posto

O número 1 de Zverev se apoia sobretudo nos Grand Slams. Ele chegou a pelo menos a semifinal nos quatro e somou 25 vitórias e 2 derrotas nesses torneios em 2026:

  • Australian Open: semifinal, perdida para Alcaraz num jogo de 5 horas e 27 minutos.
  • Roland Garros: título em cinco sets sobre o italiano Flavio Cobolli, na quarta final de Slam da carreira. Foi o primeiro alemão campeão em Paris na Era Aberta.
  • Wimbledon: vice, com derrota para Sinner em quatro sets.
  • US Open: título sobre Ben Shelton, por 6/3, 7/6 (2), 5/7 e 6/2, em 13 de setembro. A história da final está em Zverev campeão do US Open 2026.

Com a final em Londres, Zverev virou o primeiro alemão a disputar a decisão dos quatro Grand Slams. Ao vencer o US Open, também entrou num grupo pequeno: é o quarto homem da Era Aberta a ganhar o segundo Slam no mesmo ano do primeiro, depois de Jimmy Connors (1974), Guillermo Vilas (1977) e Sinner (2024).

Nos Masters 1000, a regularidade foi alta, mas com um teto claro. Ele chegou pelo menos à semifinal em Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Madri, onde foi vice, e perdeu para Sinner em todos esses torneios. Em setembro, ainda fechou a vitória da Europa na Laver Cup. Depois das quartas de final em Xangai, o retrospecto da temporada era de 62 vitórias e 14 derrotas.

Herdou ou conquistou? A crítica ao número 1

Parte da torcida e da imprensa reagiu com ressalvas. O argumento: Zverev chega ao topo porque Sinner e Alcaraz passaram boa parte do segundo semestre machucados, e até Xangai tinha só 2 vitórias em 10 jogos contra adversários do top 10 em 2026.

A americana Jessica Pegula saiu em defesa dele num podcast. “Tem gente dizendo que ele não é o número 1 de verdade. Quem se importa?”, disse, lembrando que o alemão ganhou dois Grand Slams na temporada.

Os números dão argumentos aos dois lados. O ranking da ATP mede 12 meses de resultados, e ninguém somou tantos pontos quanto Zverev nos torneios que realmente aconteceram. Dois Slams e uma final em quatro tentativas são campanha de número 1 em qualquer época. Ao mesmo tempo, o retrospecto contra os melhores do mundo mostra o que ainda falta. Em Xangai, ele começou a responder: venceu o australiano Alex de Minaur, 9º do ranking, por 6/4 e 6/4 nas quartas, salvou os cinco break points que enfrentou e chegou à semifinal do torneio pela primeira vez desde 2019.

Alexander Zverev corre para a rede na quadra central do Masters 1000 de Xangai 2026
Zverev disputa a semifinal de Xangai contra Davidovich Fokina. Foto: Divulgação/ATP Tour

Nove anos entre o top 10 e o topo

A distância entre o talento e o topo explica o peso da conquista. Zverev entrou no top 10 em maio de 2017, aos 20 anos, e era apontado desde então como o próximo número 1. Ganhou o ATP Finals duas vezes, em 2018 e 2021, e o ouro olímpico de Tóquio. Mas perdeu as três primeiras finais de Grand Slam da carreira, no US Open de 2020, em Roland Garros em 2024 e no Australian Open de 2025.

No meio do caminho, a lesão mais grave. Na semifinal de Roland Garros de 2022, contra Rafael Nadal, rompeu ligamentos do tornozelo direito e saiu de quadra numa cadeira de rodas. Dias depois, já fora do circuito, subiu ao número 2 do mundo pela primeira vez, o melhor ranking da carreira até aqui. Perdeu o resto daquela temporada. Em 2024, voltou a terminar o ano como número 2, atrás de Sinner.

Em 2026, o roteiro virou: duas finais de Slam vencidas, uma perdida, e o número 1 garantido aos 29 anos.

O que vem pela frente

Em Xangai, Zverev enfrenta o espanhol Alejandro Davidovich Fokina na semifinal, com vantagem de 6 vitórias a 1 no confronto direto. Depois vêm o ATP 500 de Viena, o Masters 1000 de Paris e o ATP Finals de Turim, de 15 a 22 de novembro, onde ele busca o terceiro título. O guia de transmissão está em onde assistir ao ATP Finals 2026.

O tornozelo segue no radar. Contra Alexander Bublik, nas oitavas, ele segurou o pé direito várias vezes no segundo set e disse depois que o tornozelo “estava reclamando”. Atribuiu o incômodo ao volume de jogos, o que chamou de “um bom sinal”.

O que isso ensina sobre alta performance

A trajetória de Zverev é um caso claro de processo mais tempo. Talento ele tinha aos 20 anos, quando entrou no top 10. O que transformou talento em número 1 foram nove temporadas acumulando pontos, três finais de Slam perdidas e uma lesão que o tirou do circuito por meses, sem que ele abandonasse o projeto.

Também é um exemplo de foco no que está sob controle. Zverev não escolheu as lesões de Sinner e Alcaraz, e não tem como responder à crítica de que o número 1 veio por ausência dos rivais. O que ele controlava era estar inteiro e competitivo em todos os torneios grandes do ano, e foi o que fez: semifinal ou mais nos quatro Slams. Ranking premia quem aparece, de janeiro a novembro.

E fica a lição das derrotas. Cada final perdida desde 2020 foi tratada como evento, não como sentença. Zverev chegou ao topo aos 29 anos porque continuou voltando.

Processo mais tempo é igual a resultado.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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