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Rebeca Andrade estreia segunda no Mundial; Brasil mira vaga em LA 2028

Rebeca Andrade, com as mãos na cintura, durante treino da seleção brasileira na Holanda antes do Mundial de Ginástica Artística 2026

O Mundial de Ginástica Artística de 2026 começou neste sábado (17), no Rotterdam Ahoy, em Roterdã, na Holanda, e o Brasil já está no tablado. A seleção masculina abriu a competição às 5h de Brasília, na primeira subdivisão da classificatória. A feminina, com Rebeca Andrade, estreia na segunda-feira (19), às 14h35.

Não é um Mundial qualquer. Roterdã é a primeira competição de classificação por equipes para os Jogos de Los Angeles 2028, e as três seleções que subirem ao pódio na final por equipes de cada gênero saem da Holanda com a vaga olímpica garantida. É também a volta de Rebeca a um Mundial depois de Paris 2024, agora como especialista em salto e trave.

Rebeca Andrade, com as mãos na cintura, durante treino da seleção brasileira na Holanda antes do Mundial de Ginástica Artística 2026
Rebeca Andrade em treino na Holanda, na preparação para Roterdã. Foto: MeloGym/CBG

Programação do Brasil no Mundial, em horário de Brasília

Roterdã está 5 horas à frente de Brasília até o sábado, 24. No domingo, 25, a Holanda sai do horário de verão e a diferença cai para 4 horas, por isso a última sessão de finais começa às 10h, e não às 9h. As finais só têm Brasil se a seleção ou os ginastas se classificarem.

DiaDisputaHorário de Brasília
sábado, 17/10Classificatória masculina, subdivisão 1 (Brasil)5h
domingo, 18/10Classificatória feminina, subdivisão 1 (Estados Unidos)11h
segunda, 19/10Classificatória feminina, subdivisão 9 (Brasil, com Rebeca)14h35
segunda, 19/10Classificatória feminina, subdivisão 10 (China)16h10
terça, 20/10Final por equipes masculina14h30
quarta, 21/10Final por equipes feminina14h30
quinta, 22/10Final do individual geral masculino14h30
sexta, 23/10Final do individual geral feminino14h30
sábado, 24/10Finais de salto e barras assimétricas (F); solo, cavalo com alças e argolas (M)9h
domingo, 25/10Finais de trave e solo (F); salto, barras paralelas e barra fixa (M)10h

Na classificatória, o Brasil feminino começa pelas barras assimétricas e termina no salto. Rebeca entra só em dois aparelhos: trave e salto. Se as brasileiras avançarem, ela pode voltar na final por equipes de quarta (21), na final do salto de sábado (24) e na da trave de domingo (25).

Onde assistir ao Mundial de Ginástica no Brasil

A transmissão está confirmada. Os canais SporTV, na TV por assinatura e no Globoplay com canais, exibem ao vivo as finais a partir de terça (20). A CazéTV transmite de graça no YouTube, e o canal Time Brasil, do COB, também mostra as finais. As emissoras não divulgaram a grade completa das classificatórias até a publicação desta matéria.

O guia com todos os canais e o horário de cada subdivisão está na matéria Mundial de Ginástica 2026: onde assistir e horários de Rebeca.

O que está em jogo: a primeira vaga para Los Angeles 2028

Pelo sistema de classificação olímpica da Federação Internacional de Ginástica, as três equipes mais bem colocadas na final por equipes de Roterdã garantem, cada uma, uma vaga de cinco ginastas em Los Angeles. Cada gênero terá 12 equipes nos Jogos. As outras nove vagas por equipe saem das classificatórias do Mundial de 2027, em Chengdu, na China, que também distribui vagas individuais para países sem time completo.

O formato da classificatória pesa na conta. Cada país escala até quatro ginastas por aparelho e só as três melhores notas contam. As oito melhores equipes vão à final, em que três competem por aparelho e todas as notas valem. Não há margem para queda.

A comissão técnica brasileira trata o pódio como bônus. A meta declarada é acertar as séries, chegar à final por equipes e preservar as principais atletas. O foco é a classificação olímpica no Mundial de 2027, e terminar entre as oito em Roterdã ajuda a garantir a vaga para Chengdu sem depender do Pan-Americano do ano que vem.

A seleção brasileira convocada para Roterdã

A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) divulgou a lista final em 7 de outubro: seis ginastas por gênero. Cinco competem e um fica como reserva.

Feminino

Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidelis, Sophia Weisberg e Gabriela Bouças. Rebeca, Flávia e Lorrane estavam no bronze por equipes de Paris 2024. Thais volta a um Mundial depois de sete anos, e Sophia, de 16 anos, e Gabriela, de 17, representam a renovação. A CBG não anunciou a reserva; a projeção do site Olimpíada Todo Dia aponta Gabriela Bouças. Flávia, campeã brasileira do individual geral em 2026, deve competir nos quatro aparelhos.

As seis ginastas da seleção brasileira feminina, de collant preto escrito Brasil, posam diante da trave no treino em Roterdã
As seis convocadas da seleção feminina no treino em Roterdã. Foto: MeloGym/CBG

Masculino

Arthur Nory compete no solo, no salto, nas barras paralelas e na barra fixa, e Johnny Oshiro, no cavalo com alças e nas argolas. Vitaliy Guimarães, Diogo Soares e Patrick Sampaio fazem o individual geral. Bernardo Miranda completa a lista. A escalação foi definida pelo coordenador Hilton Dichelli depois do treino de pódio de quarta (14). Nory, campeão mundial na barra fixa em 2019, venceu o aparelho na Copa do Mundo de Szombathely, na Hungria, em setembro.

Três nomes de peso ficaram fora. Caio Souza, principal generalista do país, lesionou o bíceps direito em Szombathely e passou por cirurgia. Jade Barbosa retoma a carreira depois da maternidade, e Júlia Soares se recupera de lesão.

Os seis ginastas da seleção brasileira masculina abraçados no treino de pódio do Mundial, no Rotterdam Ahoy
A seleção masculina no treino de pódio do Rotterdam Ahoy, na quarta-feira (14). Foto: MeloGym/CBG

Rebeca Andrade em Roterdã: favorita no salto, sem o Cheng por enquanto

Dona de seis medalhas olímpicas e nove em Mundiais, três delas de ouro, Rebeca é a ginasta mais condecorada inscrita em Roterdã. Desde agosto de 2025 ela não compete mais no solo, e as barras assimétricas estão fora do programa deste ano, enquanto ela reformula a série. Sem esses dois aparelhos, não disputa o individual geral.

No salto, chega como a favorita ao tricampeonato mundial (ganhou em 2021 e 2023). Com um Yurchenko com dupla pirueta e um Lopez, ela fez média de 14,549 na classificatória do Pan-Americano do Rio, em junho, a maior do mundo em 2026. No treino de pódio, deixou de lado o Cheng, o salto mais difícil do seu repertório. “Hoje ainda não era o momento de fazer a pirueta e meia”, disse o técnico Francisco Porath ao Olimpíada Todo Dia, que não descarta usar o Cheng apenas em uma eventual final: “Estando na final, olhamos a matemática da coisa para decidir.”

Na trave, na única competição em que fez o aparelho em 2026, Rebeca tirou 14,100 na classificatória. As rivais se aproximam dos 15 pontos, e ali ela corre por fora.

O retorno dela depois de quase dois anos longe das competições, e o que isso cobra da cabeça de uma atleta, está em Rebeca Andrade volta ao Mundial: a cabeça de quem parou e se reconstruiu.

As rivais: Estados Unidos sem Simone Biles, China em alta e russas barradas

Estados Unidos. Os americanos venceram os últimos sete Mundiais por equipes, desde 2011, mas vão a Roterdã sem Simone Biles. A equipe tem Skye Blakely, Charleigh Bullock, Reese Esponda, Claire Pease e Hezly Rivera, e só Blakely já havia disputado um Mundial.

China e Japão. A China venceu o Campeonato Asiático e os Jogos Asiáticos deste ano e divide com a argelina Kaylia Nemour as maiores notas da temporada na trave, com Zhang Qingying e Ke Qinqin. O Japão chega com Aiko Sugihara, campeã mundial no solo.

Rússia. Campeã europeia em agosto, a equipe russa perdeu força antes de entrar no ginásio: a Holanda negou visto a Angelina Melnikova, atual campeã mundial do individual geral e do salto, a Viktoria Listunova e a Anna Kalmykova. A federação russa disse que vai recorrer ao COI e à World Gymnastics.

No salto, as maiores ameaças a Rebeca são a americana Claire Pease, que tem o Cheng, e a sul-coreana Yeo Seo-jeong, ouro nos Jogos Asiáticos com média de 14,483. No masculino, Japão e China devem decidir o ouro por equipes.

O Brasil masculino já competiu: e agora?

A classificatória masculina só termina no domingo (18), depois da sexta subdivisão, e só então sai a lista dos oito finalistas por equipe e dos classificados para as finais individuais. A meta realista, segundo a avaliação da imprensa especializada, é um lugar entre as 12 primeiras equipes, a mesma faixa que dá vaga olímpica no Mundial de 2027. Nas finais por aparelho, Nory na barra fixa é a principal aposta.

Perguntas frequentes

Quando o Brasil compete no Mundial de Ginástica 2026?

A seleção masculina estreou no sábado (17), às 5h de Brasília. A feminina, com Rebeca Andrade, compete na segunda-feira (19), às 14h35.

Em quais aparelhos Rebeca Andrade compete em Roterdã?

Salto e trave. Ela não faz mais o solo e deixou as barras assimétricas fora do programa deste ano, por isso não disputa o individual geral.

Onde assistir ao Mundial de Ginástica Artística 2026?

SporTV (TV paga e Globoplay), com as finais a partir de 20 de outubro, CazéTV, de graça no YouTube, e Time Brasil nas finais.

Quantas vagas para Los Angeles 2028 o Mundial distribui?

Três por gênero: as equipes medalhistas da final por equipes garantem a vaga. As outras nove vagas por equipe saem do Mundial de 2027, em Chengdu.

Simone Biles está no Mundial de Roterdã?

Não. Ela não foi convocada para a equipe dos Estados Unidos, que tem Skye Blakely, Charleigh Bullock, Reese Esponda, Claire Pease e Hezly Rivera.

O que Roterdã ensina sobre alta performance

O Brasil chega a Roterdã com uma prioridade clara, e ela não é a medalha desta semana. A comissão técnica escolheu o salto seguro de Rebeca na classificatória, deixou o Cheng para a hora em que a matemática pedir e mede o sucesso pela vaga em Chengdu e pela saúde das ginastas. Com três medalhistas de Paris e duas adolescentes de olho em 2032 no mesmo time, o ciclo tem centro e data.

Atleta que trata cada competição como final da vida costuma chegar quebrado na que importa. Alta performance é saber qual prova é degrau e qual é o destino, e competir bem nas duas.

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Diogo Moraes

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