A seleção brasileira feminina entrou na final por equipes do Mundial de Ginástica Artística com a oitava e última vaga, e saiu dela em quinto lugar. Nesta quarta-feira (21), no Rotterdam Ahoy, em Roterdã, na Holanda, Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidelis e Sophia Weisberg somaram 159,730 pontos, sem nenhuma queda nas 12 séries.
O Brasil foi a única das oito finalistas a melhorar a nota da classificatória, em que tinha feito 159,131 na segunda-feira. A China ficou com o ouro, os Estados Unidos com a prata e o Japão com o bronze, e as três garantiram vaga nos Jogos de Los Angeles 2028. As brasileiras deixam a final com o objetivo que a comissão técnica tinha traçado para Roterdã: a vaga por equipes no Mundial de 2027, em Chengdu, na China, que distribui as outras nove vagas olímpicas.

A classificação da final por equipes do Mundial
| Posição | Equipe | Pontos |
|---|---|---|
| 1º | China | 165,764 |
| 2º | Estados Unidos | 165,531 |
| 3º | Japão | 164,063 |
| 4º | França | 161,130 |
| 5º | Brasil | 159,730 |
| 6º | Rússia | 159,394 |
| 7º | Itália | 158,129 |
| 8º | Canadá | 158,096 |
A China venceu por 0,233 ponto e conquistou o primeiro título mundial por equipes desde 2006. A virada saiu na trave, no terceiro aparelho: Zhang Qingying tirou 15,066, a maior nota do aparelho na final, e a americana Dulcy Caylor caiu na saída. Os Estados Unidos tinham vencido os sete Mundiais anteriores com disputa por equipes, desde 2011, e não perdiam o título desde 2010, também em Roterdã. O Japão voltou ao pódio por equipes pela primeira vez desde 1966.
O Brasil terminou a 1,403 ponto da França e a 4,333 do bronze japonês. Ficou à frente de duas equipes que tinham passado da classificatória bem acima dele: a Rússia, terceira na segunda-feira, e a Itália, quarta e vice-campeã olímpica em Paris. As duas tiveram quedas na trave.
Rotação a rotação: como o Brasil subiu três posições
Solo. Brasil e Canadá abriram a final pelo solo. Thais Fidelis fez 12,933, dois décimos acima da classificatória. Lorrane Oliveira chegou baixa na última acrobacia, evitou a queda e tirou 12,900. Flávia Saraiva cravava a série até a última diagonal, quando deu dois passos, um deles para fora do tablado, e ficou com 12,800. O Brasil fechou o aparelho com 38,633, em oitavo.
Salto. Com um desconforto muscular desde o treino de sexta-feira, Flávia fez um salto de dificuldade menor e repetiu os 13,000 da classificatória. Sophia Weisberg, de 16 anos, que tinha caído no salto na segunda-feira, acertou o Yurchenko com dupla pirueta e fez 14,033, a maior nota da carreira dela no aparelho. Rebeca fechou com o mesmo salto e 14,400 (5,0 de dificuldade e 9,400 de execução), a maior nota de salto da final inteira. Com 41,433, mais de um ponto acima da classificatória, o Brasil passou Itália e Rússia e foi a sexto.

Barras assimétricas. Thais abriu com uma série limpa e 12,466. Lorrane, especialista no aparelho, quase cravou e tirou 13,533, a maior nota brasileira nas barras. Flávia teve problemas na saída de novo e ficou com 13,133. O Brasil somou 39,132 e se manteve em sexto.
Trave. Thais perdeu ligações e teve dificuldade na saída: 13,033. Flávia, finalista do aparelho, teve dois desequilíbrios e fez 14,066. Rebeca, que tinha caído na trave na classificatória, fechou a participação brasileira sem queda e com 13,433, quatro décimos a mais. Com 40,532 e as quedas das canadenses no aparelho, o Brasil subiu para quinto.
Rebeca Andrade e a cabeça “blindada”
Rebeca competiu em dois aparelhos, salto e trave, como na classificatória. Ela não faz mais o solo e deixou as barras fora do programa de 2026. O salto repetiu os 14,400 de segunda-feira. A trave, que tinha custado uma queda e a vaga na final do aparelho, desta vez passou.
“Foi um dia muito bom, também um dia muito difícil para controlar o nervosismo, deixar a cabeça firme, blindada. É sempre mais complicado dentro da competição”, disse a ginasta de 27 anos ao ge. “Tô muito feliz por estar voltando, sem passar por cima de nada, sentindo cada momento, vencendo os meus desafios, que são só meus.”
Roterdã é o primeiro Mundial de Rebeca desde Antuérpia, em 2023. Em 2025, ela ficou o ano sem competir para recuperar corpo e cabeça depois das quatro medalhas em Paris. A história dessa pausa está em Rebeca Andrade volta ao Mundial: a cabeça de quem parou e se reconstruiu.

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Onde o pódio ficou longe: barras e solo
Os números da final mostram onde está a distância. No salto, o Brasil teve a quarta maior soma entre as oito equipes, e na trave também. Nas barras, fez a menor soma da final, e no solo, a segunda menor, à frente só da Itália. Foi ali que o pódio escapou: o Japão fez 1,3 ponto a mais nas barras e 1,8 a mais no solo.
A técnica Iryna Ilyashenko resumiu o dia em uma frase: “Tivemos alguns erros nas chegadas. Numa competição perfeita, daria para nos aproximarmos do pódio”. Lorrane, de 28 anos, apontou o que vem pela frente para quem vai herdar a equipe: “Nós, mais velhas, uma hora vamos parar. Então, a nova geração tem que vir e entender como funciona um Campeonato Mundial. Vai ter de correr atrás de uma série mais difícil para poder chegar numa final e até disputar uma medalha, sem Rebeca, sem Flávia daqui a um tempo”.
A vaga em 2027 e a nova geração
A meta declarada antes do Mundial era chegar à final e garantir o lugar por equipes em Chengdu, e as duas coisas saíram. “Nosso principal objetivo era a classificação para o Mundial de 2027, o que conseguimos. Sabemos que a caminhada é dura. O primeiro passo já demos. Agora é continuar treinando. Não há segredo. Já sabemos como é”, disse Flávia à CBG.
Juliana Fajardo, chefe da delegação em Roterdã, chamou a competição de laboratório: “Uma de nossas prioridades era trazer essas jovens para trabalharem e competirem com as mais experientes. Foi o primeiro Mundial do ciclo com competição por equipes. Nosso foco foi fazer desta competição um grande laboratório, que nos dará subsídios para a sequência do trabalho até Los Angeles”.
A equipe misturou três medalhistas de Paris (Rebeca, Flávia e Lorrane) com Thais Fidelis, de volta a um Mundial depois de sete anos, e Sophia Weisberg, estreante aos 16. Gabriela Bouças, de 17, ficou como reserva. Lorrane, que soma seis cirurgias na carreira, volta a uma final individual em Mundiais pela primeira vez desde Glasgow, em 2015.
“As atletas passaram bem pelo solo e lutaram. Isso inflamou todo mundo”, disse o técnico Francisco Porath Neto. “Foi uma competição sem quedas. Este é um Mundial do qual a gente sairá satisfeito.”

As finais que o Brasil ainda disputa em Roterdã
| Dia | Final | Brasileiras | Horário de Brasília |
|---|---|---|---|
| sexta, 23/10 | Individual geral | Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira | 14h30 |
| sábado, 24/10 | Salto | Rebeca Andrade | sessão a partir das 9h |
| domingo, 25/10 | Trave | Flávia Saraiva | sessão a partir das 10h |
Rebeca chega à final do salto como líder da classificatória, com média de 14,533, e busca o tricampeonato mundial no aparelho. Flávia foi a terceira na trave, com 14,400. A transmissão é do SporTV, da CazéTV e do canal Time Brasil. O resultado da classificatória está em Rebeca Andrade lidera o salto e Brasil vai a 4 finais em Roterdã, e o guia de canais, em Mundial de Ginástica 2026: onde assistir e horários de Rebeca.
Perguntas frequentes
Em que lugar o Brasil ficou na final por equipes do Mundial de ginástica 2026?
Em quinto, com 159,730 pontos. A seleção tinha se classificado em oitavo e foi a única finalista a melhorar a nota da classificatória.
O Brasil garantiu vaga nas Olimpíadas de Los Angeles 2028?
Ainda não. Só as três medalhistas da final por equipes de Roterdã (China, Estados Unidos e Japão) garantiram a vaga. O Brasil disputa uma das outras nove no Mundial de 2027, em Chengdu.
Quem venceu a final por equipes feminina do Mundial de Roterdã?
A China, com 165,764 pontos, seguida dos Estados Unidos (165,531) e do Japão (164,063).
Quando Rebeca Andrade disputa a final do salto?
No sábado, 24 de outubro, na sessão de finais que começa às 9h de Brasília.
O que a final de Roterdã ensina sobre alta performance
Rússia e Itália chegaram à final com mais pontos que o Brasil e fizeram, na própria final, mais de dois pontos a mais nas barras. As duas caíram na trave e terminaram atrás. O Brasil, com a menor nota de barras da final, acertou as 12 séries e subiu três posições. Consistência, numa final em que todas as notas contam, vale tanto quanto dificuldade.
Mas a própria comissão técnica sabe onde termina esse argumento. Sem queda nenhuma, o Brasil chegou ao quinto lugar, não ao pódio. O que separa as duas coisas é a dificuldade nas barras e no solo, e isso não se resolve em uma semana: é processo, repetido até 2027. A equipe saiu de Roterdã sabendo exatamente o que deu certo e exatamente o que falta, e essa clareza é o que transforma um quinto lugar em degrau.
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