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Dallas Glenn crava 6s434 e bate o recorde do Pro Stock na NHRA

Chevrolet Camaro número 1 de Dallas Glenn, da RAD Torque Systems, no Pro Stock da NHRA

Dallas Glenn saiu do carro sem saber se tinha conseguido. Depois da linha de chegada, ninguém veio falar com ele, e o piloto precisou perguntar. A resposta veio em seguida: no sábado (17), no Texas Motorplex, em Ennis, na região de Dallas, o atual campeão do Pro Stock da NHRA cobriu o quarto de milha em 6s434 a 213,50 mph (343,6 km/h) com o Chevrolet Camaro da RAD Torque Systems. É a passada mais rápida da história da categoria, que a própria NHRA chamou de recorde mundial.

O tempo derrubou o 6s443 de Greg Anderson, companheiro de Glenn na KB Titan Racing, que valia desde março de 2025. A diferença é de nove milésimos de segundo. E o recorde não veio sozinho: na classificação do Texas NHRA FallNationals, os 16 carros que entraram na chave das eliminatórias andaram na casa de 6s40, algo que nunca tinha acontecido no Pro Stock.

O recorde em números

Glenn fez o tempo na terceira das quatro sessões de classificação, a segunda do sábado. As parciais mostram um carro mais rápido que o de Anderson em todos os pontos de medição da pista, desde a largada.

Ponto da pistaDallas Glenn, Dallas 2026Greg Anderson, Gainesville 2025
60 pés (18,3 m)0s9630s967
330 pés (100,6 m)2s6902s699
660 pés (201,2 m)4s1334s144
1.000 pés (304,8 m)5s3825s390
Quarto de milha (402 m)6s434 a 213,50 mph (343,6 km/h)6s443 a 212,06 mph (341,3 km/h)

A vantagem nasceu nos primeiros 18 metros, com quatro milésimos a menos, e cresceu até a metade da pista. Na sessão, o ar estava a cerca de 18 °C e o asfalto a quase 38 °C, segundo o boletim da Drag Race Central. Desde a manhã, a NHRA descrevia as condições como “no ponto” para os motores aspirados da categoria.

O recorde é de tempo. O de velocidade continua com Erica Enders, que fez 215,55 mph (346,9 km/h) em Englishtown, em maio de 2014.

“Quando o carro saiu, a sensação foi muito boa, e eu dizia para mim mesmo: não estraga isso, você está numa passada boa”, contou Glenn. “Cruzei a linha de chegada, fiz a curva, e as câmeras ficam olhando para você, o que é sempre um bom sinal. Mas ninguém veio dizer nada. Saí do carro e pensei: e aí, consegui? Aí o Rick Dodge falou: ‘É, conseguiu.'”

Por que 6s434 é um marco

O Pro Stock mede a evolução em milésimos. A tabela de recordes publicada pela NHRA mostra Anderson com 6s528 em 2009. Dezessete anos depois, o recorde caiu 94 milésimos, uma média de cerca de cinco milésimos por ano.

O 6s455 que Erica Enders fez em Charlotte, em 2015, ficou de pé por sete temporadas, até a própria Enders baixar para 6s450 em Gainesville, em 2022. Anderson levou a marca para 6s443 em 7 de março de 2025, de novo em Gainesville, na sexta-feira de classificação do Gatornationals. Foi a primeira vez desde 2009 que o hexacampeão, dono de mais vitórias na história da categoria, voltava a ter o recorde.

O sábado mostrou o tamanho do salto coletivo. Até a manhã do dia 17, a história do Pro Stock tinha só duas passadas na casa de 6s44. Na segunda sessão, vieram três de uma vez: Aaron Stanfield igualou o recorde de Anderson com 6s443 a 213,42 mph (343,5 km/h), Matt Latino fez 6s447 e o próprio Anderson, 6s449. Uma sessão depois, Glenn passou todos eles.

Chevrolet Camaro número 2 de Greg Anderson no Pro Stock da NHRA
Greg Anderson, companheiro de Glenn na KB Titan, tinha o recorde desde março de 2025. Foto: TaurusEmerald/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O recorde vale?

Vale, com uma condição. Durante décadas, a NHRA exigia que o recorde fosse confirmado por uma segunda passada no mesmo evento, até 1% mais lenta. Essa regra caiu em 2016. Desde então, fica com o recorde quem o detiver ao fim do evento.

Na prática, o 6s434 só é homologado depois das eliminatórias deste domingo. Se alguém andar mais rápido nelas, a marca troca de dono. E, mesmo pela regra antiga, Glenn estaria coberto: as outras três passadas dele no fim de semana (6s469, 6s451 e 6s468) ficaram dentro da margem de 1%, que ia até 6s498.

O que é o Pro Stock, para quem acompanha a arrancada no Brasil

O Pro Stock é a categoria dos carros com cara de carro de rua da NHRA, a principal entidade da corrida de arrancada nos Estados Unidos. Por baixo da carroceria, que segue moldes aprovados pela NHRA, há um chassi tubular de competição. No Texas, os 16 classificados e os três que ficaram de fora correram com o Chevrolet Camaro.

As regras que definem a categoria:

  • Motor aspirado. V8 de até 500 polegadas cúbicas (cerca de 8,2 litros), sem turbo, sem compressor e sem nitro. Os americanos chamam a classe de “all motor”. A NHRA estima mais de 1.400 cavalos por motor.
  • Rotação limitada. Desde 2016, a NHRA controla um limitador eletrônico de 10.500 rpm, adotado para conter custos.
  • Câmbio. Manual de cinco marchas, trocado pelo piloto, sem embreagem nas trocas.
  • Peso. Mínimo de 2.350 libras (cerca de 1.066 kg) com o piloto, regra que vale desde 1982, junto com o teto de 500 polegadas cúbicas.
  • Distância. O quarto de milha inteiro, 402 metros. Top Fuel e Funny Car correm 304,8 metros.

As diferenças para o Top Fuel e o Funny Car, que queimam nitrometano e passam de 540 km/h, estão no guia de como funciona a NHRA.

Injeção eletrônica padronizada, e de uma marca só

Até 2015, os motores do Pro Stock eram alimentados por carburadores. Em 2016, a NHRA trocou tudo por injeção eletrônica com corpo de borboleta e escolheu a americana Holley como fornecedora única do sistema. A central eletrônica é padronizada: todos usam o mesmo modelo da Holley, com o mesmo limite de rotação controlado pela entidade. Injetores e sensores também vêm da mesma marca. Na mesma reforma, as tomadas de ar sobre o capô saíram dos carros.

Na NHRA, a brasileira FuelTech aparece na Pro Mod, categoria que patrocina. No Pro Stock, a eletrônica não é livre, e a diferença entre os carros aparece no acerto do motor, na aerodinâmica e na largada.

As tomadas de ar voltam em 2027, por decisão da NHRA. Um carro com o desenho novo andou em exibição na sexta, com 6s515, e a mudança divide os pilotos. “Se você sabe mexer num computador, consegue acertar um desses motores”, disse Deric Kramer, contrário à volta, segundo a Autoweek. O 6s434 de Glenn pode ficar como a referência da era sem tomada de ar.

Erica Enders e Greg Stanfield lado a lado na pista em disputa do Pro Stock da NHRA
Greg Stanfield (à direita), líder do campeonato, contra Erica Enders em Sonoma, em julho. Foto: TaurusEmerald/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A briga pelo título

O Texas NHRA FallNationals é a 18ª das 20 etapas da temporada e a quarta das seis do Countdown, os playoffs da NHRA. Glenn, campeão de 2025, venceu a temporada regular de 2026 e ganhou quatro corridas no ano, mas chegou a Dallas em segundo no Countdown, 71 pontos atrás de Greg Stanfield, da Elite Motorsports. Stanfield assumiu a liderança ao vencer em Rockingham, onde eliminou o próprio Glenn na semifinal.

Os bônus da classificação quase não mexeram na conta: Stanfield somou 5 pontos e Glenn, 4. Foi a terceira vez em 2026 e a 15ª na carreira que Glenn terminou a classificação em primeiro.

“É muito gratificante”, disse. “Na minha opinião, é mais difícil terminar a classificação em primeiro no Pro Stock do que vencer a corrida, porque é muito fácil errar. E isso diz muito, porque vencer uma dessas corridas não é fácil.”

As eliminatórias acontecem neste domingo (18), a partir das 12h no horário local (14h de Brasília). Glenn abre contra Stephen Bell, o 16º. Stanfield, nono na classificação com 6s460, enfrenta Jeg Coughlin, e os dois líderes podem se cruzar já na segunda rodada. “Não é sempre que você tem a chance de correr contra quem está à sua frente na pontuação”, disse Glenn ao Kickin’ the Tires. Depois de Dallas, restam Las Vegas e a final em Pomona, na Califórnia.

Os outros números 1 no Texas

  • Top Fuel: Shawn Langdon, líder do campeonato, ficou com o primeiro lugar graças ao 3s648 a 340,39 mph (547,8 km/h) de sexta, a passada mais rápida do ano na categoria e a melhor da carreira dele. Foi a oitava vez na temporada. Langdon venceu as quatro últimas etapas, incluindo as três primeiras do Countdown.
  • Funny Car: Jack Beckman garantiu a ponta com 3s852 na sexta e repetiu 3s855 no sábado, com a pista a 105 °F (cerca de 40 °C). Ele está atrás de Matt Hagan, líder do campeonato e segundo na classificação.
  • Pro Stock Motorcycle: Gaige Herrera fez 6s651 a 203,05 mph (326,8 km/h) com a Suzuki e chegou ao Texas menos de 35 pontos atrás do companheiro de equipe Richard Gadson, atual campeão.

O que isso ensina sobre alta performance

No Pro Stock, o regulamento iguala quase tudo: motor, cilindrada, rotação máxima e central eletrônica. No sábado, entre o primeiro e o último dos 16 classificados, a diferença foi de 61 milésimos. Num grid assim, o resultado não sai de uma peça mágica. Sai de quatro milésimos ganhos nos primeiros 18 metros e mantidos até o fim da pista.

A frase de Glenn sobre a classificação ajuda a entender a categoria. Numa passada de seis segundos e meio, um erro de troca de marcha ou de largada pode custar mais do que qualquer ganho de potência. Terminar a classificação em primeiro, nessa leitura, premia quem não erra, mais do que quem arrisca.

E a tabela de recordes conta a outra metade da história. De 6s528 em 2009 para 6s434 em 2026, a categoria baixou o tempo cerca de cinco milésimos por ano. Nenhum desses saltos foi grande. Somados, viraram quase um décimo de segundo. No sábado, o primeiro colocado e o primeiro carro que ficou fora da chave, Shane Tucker, com 6s502, estavam separados por 68 milésimos.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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