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Rayssa Leal fica em 7º no Mundial de Skate e adia o sonho do tri

Rayssa Leal na pista do Mundial de Skate Street 2026, em Assunção, no Paraguai

Rayssa Leal começou a final do Mundial de Skate Street como quem ia brigar pelo terceiro título. Na primeira volta do domingo (18), em Assunção, no Paraguai, a maranhense de 18 anos tirou 77,11, a terceira melhor nota da rodada, e ficou atrás só da australiana Chloe Covell e da japonesa Yumeka Oda.

Depois disso, nada mais entrou. Rayssa caiu nas duas voltas seguintes, errou as três tentativas de manobra e terminou em 7º lugar, com os mesmos 77,11 do começo. A japonesa Yumeka Oda ficou com o título, e o Brasil saiu do Mundial de street sem medalha no feminino e no masculino.

Rayssa Leal deslizando no corrimão na semifinal e na final do Mundial de Skate Street 2026, em Assunção
Rayssa Leal na semifinal (à esquerda) e na final do Mundial. Foto: Raisa Abal/World Skate

Como foi a final de Rayssa: uma volta boa e três manobras erradas

O formato da final tem duas partes. Na primeira, cada skatista faz três voltas pela pista. Na segunda, tem três chances de acertar uma manobra isolada, o chamado best trick. A nota final soma a melhor volta com a melhor manobra, e cada uma vale até 100 pontos.

Rayssa resolveu a parte das voltas logo na primeira descida. Os 77,11 deixaram a brasileira em terceiro depois da rodada inicial. Na segunda volta, ela caiu e anotou 31,88. Na terceira, segundo o relatório da World Skate, voltou a se desequilibrar nos corrimãos e ficou em 71,14.

Mesmo assim, ela entrou na fase de manobras em 4º lugar, a um ponto da japonesa Liz Akama, terceira naquele momento. A soma ainda estava aberta. As três tentativas de best trick, porém, terminaram sem nota. A World Skate registrou que Rayssa foi a única finalista em atividade que não acertou nenhuma manobra.

A classificação final, pela lista oficial de resultados:

PosiçãoSkatistaPaísMelhor voltaMelhor manobraTotal
1ºYumeka OdaJapão82,2188,73170,94
2ºChloe CovellAustrália89,7478,23167,97
3ºCoco YoshizawaJapão75,4683,80159,26
4ºLiz AkamaJapão78,1176,52154,63
5ºMaria LúciaBrasil38,5074,67113,17
6ºJiyul ShinCoreia do Sul8,5781,8590,42
7ºRayssa LealBrasil77,110,0077,11
8ºCora WiltonAustrália0,220,000,22

A australiana Cora Wilton aparece em 8º porque desistiu da final por causa de uma doença, segundo a World Skate. Na prática, a decisão teve sete skatistas.

A conta do pódio: o que faltou para Rayssa

A tabela mostra o tamanho da distância. O bronze de Coco Yoshizawa saiu com 159,26. Com 77,11 de volta, Rayssa precisaria de uma manobra de 82,15 para empatar com a japonesa. Duas finalistas passaram dessa marca no best trick: Yumeka Oda e a própria Yoshizawa.

Na semifinal de sábado, por exemplo, foi uma manobra que salvou a classificação. Rayssa não encaixou as voltas, fez 61,63 na melhor delas e resolveu no best trick: um front blunt acertado na primeira tentativa, avaliado em 74,68. Ela somou 136,31 e passou em 7º, só 0,35 à frente de Liz Akama, a última classificada.

No domingo, a lógica se inverteu. A volta saiu e a manobra não. No formato do street, uma metade sem nota zera metade da conta, e não há como compensar com a outra.

Yumeka Oda é campeã de novo, e Covell perde no último ato

A briga pelo ouro foi entre Chloe Covell e Yumeka Oda. A australiana fez a melhor volta da final, 89,74, e entrou nas manobras com 7,53 pontos de vantagem sobre a japonesa.

Oda respondeu na primeira tentativa. Acertou um kickflip front feeble avaliado em 88,73 e fechou com 170,94. Covell precisava de uma manobra acima de 81,20 para manter a liderança. Acertou um noseblunt no corrimão de 78,23 e ficou a 2,97 pontos do título.

Foi o segundo título mundial de Oda em três anos. Ela já tinha vencido o Mundial de Tóquio, em dezembro de 2023, justamente com Rayssa em segundo. Em 2026, a japonesa tinha sido vice nas etapas de Kitakyushu e de Roma do circuito mundial.

Pódio do Mundial de Skate Street feminino 2026 com Yumeka Oda no centro, Chloe Covell e Coco Yoshizawa
Chloe Covell, Yumeka Oda e Coco Yoshizawa no pódio de Assunção. Foto: Mark Dillon/World Skate

O bronze ficou com Coco Yoshizawa, campeã olímpica em Paris 2024. Ela fez 75,46 na melhor volta e foi a única da final a acertar as três manobras, com a melhor delas valendo 83,80.

O corpo cobrou: joelho em março, tornozelo em outubro

Rayssa chegou a Assunção com uma temporada interrompida duas vezes. No Mundial anterior, disputado em São Paulo em março, ela sofreu uma contusão óssea no joelho e terminou a final em 4º. A japonesa Ibuki Matsumoto foi a campeã.

Em 2 de outubro, já na reta de preparação para o Paraguai, torceu o tornozelo num treino e ficou fora da etapa de Paris da Street League Skateboarding, no dia seguinte. Na época, disse que não tinha sido nada grave e que era bom tirar um tempo para se recuperar.

Depois da final, a brasileira falou sobre o ano e sobre o resultado. “Foi a primeira vez que eu tive uma lesão séria, e depois de alguns meses eu vim torcendo o meu pé”, disse ao Olimpíada Todo Dia. Sobre a linha da final, contou que tinha cronometrado e treinado bastante a sequência de manobras.

“Errar também faz parte, não é sempre que a gente vai acertar”, afirmou. “O foco agora é melhorar o físico, a cabeça também, para ficar bem dentro da pista.”

Maria Lúcia, 16 anos, é a melhor brasileira

A melhor colocação do Brasil no feminino foi de Maria Lúcia Rocha. Aos 16 anos, a gaúcha disputava a primeira final da carreira no circuito mundial e terminou em 5º, com 113,17.

Ela também não completou uma volta limpa na decisão: a melhor ficou em 38,50. A diferença veio no best trick. Maria Lúcia repetiu o switch front board que tinha garantido a vaga na final, no sábado, e acertou de primeira, para 74,67. Na semifinal, havia passado em 6º, com 136,50, à frente de Rayssa.

Maria Lúcia, de capacete branco, desliza no corrimão na semifinal do Mundial de Skate Street 2026
Maria Lúcia na semifinal em Assunção. Foto: Raisa Abal/World Skate

No masculino, Vianna fica em 4º numa final de manobras erradas

A final masculina, disputada antes da feminina no mesmo domingo, teve o japonês Ginwoo Onodera como campeão, com 182,26. Ele fez 90,14 na melhor volta e só garantiu o título na última tentativa de manobra, com 92,12, depois de errar as duas primeiras. Foi a primeira vitória dele numa etapa do circuito mundial. O sul-coreano Juni Kang ficou com a prata (179,32) e o japonês Taiga Nagai com o bronze (166,18).

O best trick masculino teve só três manobras acertadas, uma de cada medalhista. Os dois brasileiros da final ficaram sem nota nessa fase. Giovanni Vianna fez 85,34 na terceira volta, a terceira melhor nota de volta da final, e terminou em 4º, a primeira posição fora do pódio. Ivan Monteiro ficou em 6º, com 74,33.

“O sexto lugar numa qualificatória olímpica é o meu melhor resultado até hoje”, disse Monteiro depois da prova.

O Mundial de Skate Street na corrida para Los Angeles 2028

O resultado pesa além da medalha. A World Skate tratou o Mundial de Assunção como a primeira grande etapa de pontos do caminho para os Jogos de Los Angeles 2028. Para Rayssa, prata em Tóquio 2020 e bronze em Paris 2024, a corrida para a terceira Olimpíada está só começando.

O histórico dela em Mundiais continua forte: campeã em Sharjah (edição de 2022, disputada em fevereiro de 2023) e em Roma, em 2024, vice em Tóquio, em 2023, 4ª em São Paulo e agora 7ª em Assunção. Fora da pista, segue como uma das atletas brasileiras com marca pessoal mais forte do esporte.

A prévia do torneio, com o formato e a lista de brasileiros, segue disponível no guia de horários e transmissão do Mundial de Skate Street 2026.

O que a final de Rayssa ensina sobre alta performance

O street em formato de volta mais manobra é uma prova de duas metades que não se compensam. Uma volta perfeita não salva uma fase de best trick vazia, e vice-versa. Rayssa viveu os dois lados no mesmo fim de semana: no sábado, a manobra salvou uma semifinal sem volta boa; no domingo, a volta boa ficou sozinha.

A lição para quem compete em qualquer modalidade é a mesma. Pico de desempenho numa parte da prova não substitui consistência no conjunto. Quem decide título é quem acerta o suficiente nas duas metades, como fez Coco Yoshizawa, três em três nas manobras, e não necessariamente quem tem a nota mais alta isolada.

A outra lição está na resposta de Rayssa. Ela não culpou a pista, o vento ou o tornozelo. Disse que errar faz parte e apontou o que está sob controle dela: corpo e cabeça. Derrota é um evento, não uma identidade. Para uma atleta que já tem dois títulos mundiais e duas medalhas olímpicas aos 18 anos, o 7º lugar em Assunção vira dado de treino para o próximo ciclo.

Errar faz parte. Saber o que fazer depois é o que separa os campeões.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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